terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ser criança às vezes é preciso












No meu tempo de criança, havia junto da casa onde nasci uma pedra gigante que era conhecida como a laje.
Para quem não saiba, uma laje era o local onde se malhavam as espigas secas após serem ceifadas.
Era uma tarefa dura, que só quem tinha força braçal conseguia fazer.
Na altura das ceifas, este espaço estava sempre ocupado.
Malhava-se um carregamento, estava outro à espera par ser malhado.
Bom, mas esta ocupação só se verificava no verão.
Depois, durante o resto do ano, ficava entregue aos miúdos da vizinhança (que na altura eram muitos).
E para que queriam os miúdos a laje?
Uma das principais actividades era a escorregadela.
Como era uma rocha granítica alta e inclinada, aquilo funcionava às mil maravilhas.
Para proteger o rabiosque, nada melhor que uma giesta grande e farfalhuda, com um bom pé para agarrar e servir de volante.
Aquilo era ver os tempos livres ocupados e bem ginasticados, porque cada vez que se chegava cá em baixo e para continuar, tinha que se subir tudo de novo.
Nessa altura, não havia crianças obesas!...
Bem, mas isto para dizer que hoje e sem programar, voltei aos meus tempos de menina.
Para descer uma ravina de areia bastante alta que se me deparou, tive que me socorrer dessas habilidades longínquas.
Lá em baixo, na areia, alguns mirones assistiram intrigados.
Será que aquela «cota» se vai sair bem da aventura?
Eu penso que estavam preparados para ajudar se fosse preciso!
Não foi.
Foram apenas alguns segundos a reviver um passado feliz.
Souberam-me bem.

É bom ser criança e não ter complexos.

Abraço.

domingo, 28 de agosto de 2011

Empecilhos













Empecilho é tudo aquilo que impede, que constitui um obstáculo a qualquer coisa.
Ora segundo o que penso, seja o que for que nos impeça de sermos felizes, deve ser banido da nossa vida.
Nem que isso exija atitudes que à partida seriam impensáveis.
A vida que nos foi oferecida, merece ser aproveitada e gerida de forma a tirarmos dela o melhor proveito possível.
Como fazer isso então?
Tirando partido de tudo o que é belo e nos faz felizes.
Se olharmos à nossa volta com espírito aberto, encontraremos coisas, situações e paisagens, que provavelmente na vida atribulada do dia-a-dia, nunca vimos.
Se abrirmos o espírito e deitarmos fora o negativismo, entrarão sem dúvida sensações que até então não estávamos disponíveis a receber.
Estávamos demasiado absorvidos por questiúnculas e particularidades inferiores.
A vida não se pode permitir ter empecilhos.
Viva-se e assimile-se o que de bom temos ao nosso alcance.
É preciso proibir os empecilhos de entrar.

Vamos viver a vida de uma forma positiva.
Temos esse direito.

Abraço.

sábado, 27 de agosto de 2011

Como se o cenário não bastasse













Neste recanto paradisíaco e para tantos desconhecido, parecer-nos-ia que seria o suficiente para nada mais ser necessário.
Estávamos nós a absorver este mar hoje revolto e com toda a gente perfilada em sinal de respeito, quando, surpresa, se junta a nós o casal ideal para completar o momento.
O diálogo aconteceu e a saída da praia desta vez, foi tardia e a estadia ainda mais saborosa.
É bom ter interlocutores à altura.
No mesmo registo de pensamento e forma de estar na vida.
É bom estar com gente que fala a nossa língua, que compreende e partilha as nossas preocupações.
Que sabe ouvir, que nos respeita e apoia.
Que nos acompanha na indignação.
Este cenário assim é mais saboroso ainda.
Dialogar assim dá gosto.
A proximidade com elementos destes enriquece-nos.
Mostra-nos que ainda há quem mereça o nome de gente.
Venham mais encontros.
A bem da amizade.
A bem das relações saudáveis.

Abraço.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As damas















Costuma-se dar esta designação, a uma mulher da alta sociedade.
Às senhoras que são preparadas para estar, para receber…
Também às vezes, se chama assim às mulheres da vida, àquelas que, ou por opção ou por necessidade, fazem da vida aquilo que se costuma apelidar, de vida fácil.
Mulher-dama.
Costuma também utilizar-se, quando se quer ironizar ou escarnecer de alguém.
Então diremos: a dama!...
Bom, mas é preciso dizer que a designação «dama», no bom sentido, só se dava e dará ainda em alguns casos, às nobres da alta sociedade que viviam ou ainda vivem à sombra de grandes riquezas e passavam ou passam o seu tempo entediadas, à espera dos «esposos» (viriam de Atenas?), aos quais se dedicavam e para eles se enfeitavam e perfumavam.
Ainda que, nos intervalos, se tivessem «rebolado» com lacaios ou «senhores», com quem nada tinham em comum a não ser a falta de vergonha.
Pois é, perguntar-me-ão, porquê este arrazoado todo?
Porque eu às vezes também penso.
Preciso de deitar fora o lixo que me pesa no cérebro e me poderia impedir de ser feliz.
Depois, porque gosto de analisar as palavras e o seu significado.
Gosto de penetrar nelas a fundo.
Não gosto de as ver aplicadas sem critério.
Mais, para que alguém cujo cérebro tenha pouco alcance, se poupe ao trabalho de as usar quando não as conhece.
Fica a explicação para os que precisarem dela.

Passem bem e ocupem-se o melhor possível.
A usar bem as palavras por exemplo.

Abraço.  

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Caminhada mistério













Não foi fácil convencerem-me a sair de casa neste dia.
Depois de uma manhã de ginásio à séria, e das várias tarefas que por norma esperam uma mulher em casa, estava mais inclinada para passar a tarde a descansar.
Um bom livro esperava-me e por acaso o ambiente até era convidativo.
Bom, mas era preciso descentrar-me.
A minha presença era necessária.
O local escolhido era uma incógnita.
Só sabíamos que era uma praia linda, mas de difícil acesso.
Pusemos os pés a caminho.
Quando chegámos, para começar a descer, o espanto foi geral.
À nossa frente tínhamos uma descida íngreme e acidentada.
O mar era lá bem em baixo.
Apeteceu-me dizer: «Não desço».
Contudo, o que dava para ver – e era apenas uma nesga – prometia.
Vamos embora.
Lá vamos quase a corta-mato e com mil cuidados, pois debaixo dos pés as pedras eram mais que muitas, fomos descendo a pique durante longos mas compensadores minutos.
Cada vez era mais evidente a paisagem meio selvagem, grandiosa e de uma beleza francamente inesperada.
Finalmente o último troço.
Esse sim, só para quem se mexe bem.
Que recanto.
Mais um.
São realmente muitos.
Cada um mais atractivo que o outro.
Valeu a pena.
Depois de um reconfortante banho em águas mansas, havia que regressar.
A subida que nos esperava, não era para amadores.
Calmamente fomos subindo.
Subindo e olhando para trás.
Para trazer nos olhos aquela beleza, que dentro em breve visitaremos outra vez.
É de cenários como este que se compõe este nosso pequeno país, tão ignorado por tantos.

Abraço.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Insipidez













Ser insípido é não ter espírito, não ter graça ou não saber mostrá-la.
É uma coisa insossa, ou pessoa amorfa, que não se manifesta, que não participa, que não reage ou que não mostra entusiasmo, nem quando lhe fazemos ou dizemos coisas agradáveis.
Enfim.
Encontramo-nos por aí com gente dessa, que mais parece que anda no mundo sozinha, sem se preocupar com os efeitos que as suas atitudes provocam nos outros.
Achando que o seu mundo é apenas o pequeno grupo com quem se dá e às vezes, apenas por interesse e oportunismo.
Que o seu mundo é o mais perfeito.
É único.
São essas pessoas assim, «pequeninas», com quem muitas vezes temos de conviver, que 
nos obrigam a fazer de tudo para, pacientemente, as compreendermos e continuar a conviver civilizadamente, procurando entender os porquês de tanta indiferença e falta de sensibilidade.
Marcas da deseducação, do desafecto, da falta de hábitos de convívios sãos.
Vidas fúteis e ligeirinhas, que fazem do mundo muitas vezes uma coisa insípida mesmo.

Abraço.

domingo, 21 de agosto de 2011

Trilhos, trilhos e tri…….













Não há forma de não gostar desta natureza.
Quantos mais trilhos se conhecem, mais apetece conhecer.
As paisagens de sonho apresentam-se-nos a cada passo.
Se por acaso tivéssemos caído de pára-quedas, sem conhecimento do sítio onde estávamos, até poderíamos achar que estaríamos numa qualquer futura estância de férias. 
Esta paisagem poderosa que nos prende o olhar é desconhecida da maior parte dos Portugueses.
Eles que correm como loucos as estradas que os levam para o mundo super-lotado das tão badaladas praias, aldeamentos e outros complexos turísticos, que muitas vezes apenas oferecem a continuação de uma vida frenética e dispendiosa.
É pena que não conheçamos, que não desfrutemos de tamanha beleza.
O belo está mesmo aqui, perto de nós.
Para lá de belo, é saudável.
É um mundo inesgotável de encanto.
Só é preciso procurá-lo.
E por aqui há muito quem queira ser útil e dar pistas.
Estou apaixonada por esta natureza.
Respira-se saúde e diz-se não ao mau humor.
Os meus tempos livres, posso dizer que me estão a preencher.
Posso afirmar que continuarei à descoberta.

Deliciem-se.


Abraço.

sábado, 20 de agosto de 2011

Cabeleireiros e similares













Não tenho nada contra estes profissionais.
Antes pelo contrário.
Acho que têm uma arte respeitável.
Tenho sim, contra o ambiente que normalmente se vive em muitos dos salões.
Quando se vai a um sítio daqueles…
Primeiro...
Vai-se gastar dinheiro.
E às vezes quantias significativas.
… Segundo...
Vai-se para se ficar com um visual mais cuidado e para sairmos leves e bem-dispostas.
… Terceiro...
Para que nos sintamos mais reconfortadas connosco próprias ao vermos o nosso cabelo supostamente tratado.
Bom, mas muitas vezes sai-se de lá com uma sensação de insatisfação, com uma frustração, que desejaríamos valer-nos a nós próprios, sem estar à mercê de ninguém.
A maior parte das vezes, tem que se gramar não só a espera que às vezes não é tão curta assim, como temos que levar com as conversas das tagarelas sempre prontas para «partilhar» com quem não conhecem as vidas delas e outros assuntos que não vêem nada a propósito para o local.
A verdade é que nem toda a gente está interessada em ouvir tagarelar desde que entra até que sai.
Lá se vão os momentos de descompressão que procurávamos.
Saímos com a sensação de ter perdido alguma coisa que nos fazia falta.
Pior ainda, quando o trabalho feito não corresponde exactamente ao que pedimos.
Vou muito poucas vezes ao cabeleireiro, mas gostava de poder ir menos.
É um local que não me é muito grato.

Abraço.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Venham mais












Gosto de ouvir a opinião dos entendidos, sempre e principalmente quando analisam
comportamentos desviantes.
Gosto mesmo.
Não é que o que possam dizer seja algo de novo.
É que me dá gozo ouvir as opiniões de quem sabe mais do que eu.
Depois, é sempre bom aprender mais qualquer coisa.
Sim, porque nunca sabemos tanto que não desejemos saber mais.
Se mais não for, aprendermos a ouvir com respeito as ideias dos outros.
Vem isto a propósito dum pequeno debate, que costuma acontecer entre duas figuras públicas com conhecimento e experiência de vida.
Tema: os acontecimentos na Inglaterra.
Comentadores: Quintino Aires e Barra da Costa.
Gosto sempre de saber o que pensam, e comparar com o que eu penso também.
Gosto de me inteirar de que não sou a única a pensar como penso.
Gosto de saber que não estou sozinha, que há pessoas com valor que partilham das ideias que defendo.
Quando a televisão ocupa o seu tempo assim, o meu aplauso.
É disso que todos precisamos.
Venham mais temas actuais a ser tratados com seriedade e competência.
Estamos todos a precisar de ouvir.
E reflectir.

Abraço
    

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Varanda para o oceano
















Neste sítio de sonho, o silêncio é rei.
Nesta varanda panorâmica e de uma beleza única, senti-me uma formiguinha insignificante.
Apesar da rocha que visitei mais uma vez ser imponente, as que se vislumbram em frente conseguem superá-la.
O mar, lá em baixo, mostra-se sereno e sem stress.
As pessoas que aportaram na pequena praia, mais parecem mosquitos minúsculos.
Que paz.
Que limpeza de poluição sonora e ambiente.
Apenas o sibilar do vento que corre devagar e uma ou outra gaivota que voa calma, à procura de alimento.
Também elas desfrutam da tranquilidade que a natureza lhes oferece assim, de bandeja.
O mundo pára durante aqueles momentos quase de transe.
O silêncio quase dói.
Porque será que o mundo não é assim tranquilo, calmo e pacífico?
Porque será que o mundo tem que ser ruído, ruído e mais ruído?
O céu deve ser assim!...
Vou voltar brevemente.
Lá, tudo é beleza.

Até já, Natureza.

Abraço.

sábado, 13 de agosto de 2011

Outras memórias...

Eis alguns textos meus sobre outras memórias, sabores, sensações, vivências.
Clique nos títulos para aceder.



As festas da aldeia

A terra que nos viu nascer

O som das badaladas

O Natal sempre

O ritual da matança

Ligações para a vida

Cheiros

A Festa

José Saramago morreu

Os Santos Populares

Romaria da Senhora da Póvoa

O meu fascínio pelas cegonhas

Acordeão. Que saudades!

Tradições da Quaresma

Quando os Carnavais eram Entrudos…


As vacas magras














Parece-me que a tão apregoada crise está mesmo aí.
Para alguns claro.
Porque há quem continue a fazer férias à grande, nos luxuosos resorts daqui e dali.
Pois pudera, quem não pode não tem que ter vícios.
Tal como há largos anos, alguém de reputada importância e responsabilidade dizia:
«Eles não precisam, porque não estão habituados».
Pois hoje, há quem, pelos vistos, continue a pensar assim.
Que se trame o povo, coitado, que cada vez tem menos buracos no cinto para apertar.
As moedas, quando as há, são cada vez mais contadas ao tostão.
Não nos admiremos muito se, daqui a algum tempo, houver pais de família honestos e desesperados, a ter que roubar para poderem alimentar os filhos.
Pois é.
Nem todos podem ter o que precisam.
Sacrifícios e oração também são necessários.
E alguém tem que os fazer.
O povinho, claro.
E o melhor é que se aquiete, se não nem com sacrifícios lá vai.
No meio destes meus pensamentos, fica-me uma dúvida.
Se Deus é bom e nos ama a todos, não acredito que esteja muito feliz.
Acho até que ele nunca terá passado férias em nenhum resort e só tinha os apóstolos de pé descalço como ele, a acompanhá-lo.
Mas pronto.
Os tempos são outros.
Só para os donos do mundo pelos vistos, é que não

Que Deus tenha compaixão de «nozes…»

Abraço 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A violência continua











A gota transbordou do copo.
Só foi preciso um pretexto.
Inglaterra, um país calmo, diplomata e todo gentleman, tem-se debatido com uma revolta que, aparentemente, ninguém esperaria.
Tudo começou numa operação stop.
A polícia, não se percebeu ainda com rigor porquê, terá disparado, atingindo mortalmente um rapaz preto, que nesse momento conduzia um táxi.
Não sei de quem foi a culpa.
Mas uma coisa eu sei.
Nada justifica a violência bárbara e selvagem a que temos assistido.
A multidão enlouquecida que veio para a rua tem feito de várias localidades campos de guerra.
Como interpretar estes acontecimentos?
Vingar uma pessoa?
Não é nem um pouco credível.
Então?
Só um não dava para tanto!

Como sou uma cidadã de plenos direitos, penso.

Isto só pode ser uma atitude de revolta de muita gente, que há muito vinha mordendo o lábio para se conter, mas há também muita criminalidade à solta.
Isto só pode estar a ser feito por gente desestruturada, de quem a sociedade não tomou bem conta como era sua obrigação.
Isto é o resultado da desagregação familiar.
Isto é obra de políticas de educação que dão mais importância ao dinheiro do que aos princípios.
Isto é a explosão, a revolta, a loucura.

Isto é revoltante.

Abraço.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Brincar saudável













Todos nós, enquanto crianças, adoramos brincar ao faz de conta.
Imitar os mais crescidos é uma das brincadeiras preferidas.
Vestir, calçar utilizar objectos de enfeite, imitar situações reais, faz as delícias de qualquer criança.
Estas actividades deviam ocupar um espaço importante na vida de qualquer criança.
Também elas fazem parte do seu desenvolvimento, e do seu crescimento.
A aquisição de conhecimentos também passa por aí.
A imaginação é fértil, e a criança inventa situações que dá gosto observar.
Os diálogos que criam durante as brincadeiras, são cópia fiel do que observam nos adultos, quer sejam pais, professores ou outras pessoas com quem convivem mais de perto.
Tudo isto é normal e saudável, se for feito num ambiente e num contexto próprio.
Até seria bom que em casa tivessem um espaço para poderem dar largas à sua imaginação.
Que as crianças brinquem é saudável.
Que os pais as exponham indigna-me.

Tudo isto a propósito de um escândalo com uma criança de dez anos, que foi utilizada
como modelo numa produção de moda, para a revista francesa Vogue.
Esta criança apresentou-se em poses sensuais e provocatórias, com maquilhagem muito carregada.
Com o incentivo da mãe, que acha perfeitamente normal.
Esta mãe de tão insensata, nem sequer se dá conta de que está a incentivar esta criança a ser uma futura fútil, coquete, que se prepara para entrar na vida adulta precocemente e sem passar pelas etapas normais até lá chegar.
Não me admiraria nada que, daqui a uns anos, esta criança se perca com a cabecinha cheia de futilidades.
Não estão a deixar que esta menina cresça.

Junto-me à indignação.

Condeno.

Abraço.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Abandono de animais


















No nosso país, nunca houve muito a tradição de acarinhar os animais e tratá-los com a dignidade que merecem.
Normalmente, quando os há (na província vê-se muito isso), os cães estão presos com a missão de guardarem.
Para lá de lhes darem comida, às vezes quando há restos, são, na maior parte das vezes, votados ao ostracismo.
Mimos, interactividade nem pensar.
Prisioneiros do dono e ignorados.
Por muito que o animal saracoteie e gema para chamar as atenções, qual quê!
Não existe e pronto.
O pobre, raramente tem outro destino.
Nos meios mais desenvolvidos, adquiriu-se a moda de levar para casa um animal de estimação, normalmente para fazer a vontade à criança, a quem serve de boneco vivo.
O pior é quando surgem problemas.
Ou o cãozinho chora porque o põem na varanda, ou porque faz os cocós e os xixis onde não deve, ou porque o animal cresceu e se fartam dele - e é posto à margem.
Se possível até lhe arranjam outro dono!...
O pior de tudo, é quando chegam as férias!
É ver cães (e gatos às vezes) abandonados, esfomeados e tristes, a vaguear por aí de focinho no chão e a pedir com os olhos mansos, que alguém os proteja.
Penso que atitudes destas não têm nome.
Quem faz isto a um animal, seja ele o que for, é certamente capaz de atitudes igualmente desumanas com pessoas que deles precisem.
O destino destes bichos amigos, dedicados e inteligentes, é normalmente o canil Municipal ou qualquer Instituição que os queira adoptar.
Se houvesse sensibilidade e educação, haveria certamente menos abandono de animas indefesos, que não tiveram culpa de ir parar a sítios onde não os merecem.

Uma melhor formação precisa-se.
       
Abraço.

domingo, 7 de agosto de 2011

Natureza nunca é demais












É um privilégio poder contemplá-la.
Neste sábado de Verão que mais pareceu de Outono, a praia não estava convidativa.
Como há muito por onde escolher nesta zona, resolvemos espiolhar mais um local.
Pendurada para o mar claro.
Uma daquelas ravinas vertiginosas, que dá arrepios só de olhar.
É um prazer passear por estas paragens.
Para lá do exercício a que obriga, é gratificante observar a paisagem.
É grandiosa.
E as novidades não acabam.
Fica-se de queixo caído perante aquela majestade.
A caminhada valeu.
É sempre enriquecedor sabermos mais alguma coisa do passado.
Desta vez, foi a chamada Pedra da Mua
Para quem não saiba, a Pedra da Mua é uma escarpa gigante que, debruçada para o mar, ali no Cabo Espichel, tem gravadas várias pegadas de dinossauros, que há cento e cinquenta milhões de anos por ali passaram.
E treparam a escarpa.
Porquê?
Para fugir à explosão de um vulcão vindo das profundezas do mar.
Depois de muito estudo, garantem-nos que o que hoje vimos, com o nariz mesmo em cima de algumas dessas pegadas, são realmente vestígios de dinossauros.
Mediante o que está gravado, somos levados a acreditar que pode ter acontecido mesmo!
Ver, é diferente do que possamos imaginar.
Quase vi os animais a trepar…
Regressámos de peito cheio.
Mesmo tomando um duche, que inesperadamente a natureza nos ofereceu.
A chuva miudinha decidiu acompanhar-nos não só durante toda a exploração, como também no regresso ao carro, que tinha ficado a uma distância razoável.
Chegámos molhados mas felizes.
Nada que um duche quente não resolvesse.

Uma visita à natureza compensa sempre!  

Abraço.

sábado, 6 de agosto de 2011

Tristeza













A tristeza, é triste mesmo.
É perda.
É desilusão.
É ausência.
É descrença.
É a vida sem esperança.
Sem perspectiva.
Tristeza é indiferença.
É orgulho, é desafecto.
Tristeza é a vida sem luz.
É fazer de conta.
É a vida feita trovoada.
Tristeza é um sentimento frio.
Tristeza é o mundo cheio de egoísmo.
Tristeza pode ser apenas um estado de alma?
Tristeza é o coração a chorar.
Tristeza pode apenas ser uma palavra.
Tristeza é não ter pão.
Tristeza é o mundo em que se vive.
Tristeza é desafecto.

Tristeza é falta de amor.

Abraço.

Semente que deu flor












Aqui, bem perto.
Duas vezes em dois dias.

Foi lançada a semente.
De um acto de amor, aconteceu vida.
Vida desejada.
Vida cultivada com o adubo da generosidade.
Vida alimentada com ternura.
Com entrega.
Com alegria.
Com renúncia.
Com amor.
Sem contrapartidas.
Precisa regada essa semente.
Precisa de ser vigiada e protegida.
Semear é responsabilidade,
Semear exige cultivo.

Precisa protegida a semente.
Há passos importantes para dar.
Que sejam dados.
Com alegria.
Com prazer.
O prazer de cultivar. 

E ver a semente dar frutos.

Abraço.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A fome aperta















É sempre com angústia que vemos e ouvimos, as notícias sobre a fome que está chegando ligeira à nossa terra.
Como é possível que este país tão fértil, onde sempre se trabalhou, se tenha deixado chegar a esta situação?
Como é possível que o que até há pouco parecia tão estável, com quase toda a gente a adquirir bens, uns necessários outros nem tanto tenha ficado a breve trecho assim, apregoando a fome, as dificuldades (tantas), que nunca se haviam imaginado?
O que é que se passou que levou a este descalabro?
Será que só os governantes devem ser chamados a dar explicações?
Ou será que todos nós fomos um pouco responsáveis pela situação e imprudentes ao avançarmos para despesas, para luxos perfeitamente desnecessários?
Será que todos nós tivemos a necessidade de mostrar de certa forma, alguma ostentação?
Andámos a contar os «trocos», a endividar-nos, para adquirir esses tais bens, que até podiam ser dispensados?   
Os apartamentos, as vivendas, as viagens, os carros, as roupas de marca, quantas vezes adquiridos com dificuldade e apenas para ombrear?
A vida vivida acima das nossas possibilidades e com recurso a crédito deu nesta situação sem saída.
Vamos ter que reaprender a vida.
Vamos ter que mudar de hábitos.
Vamos ter que ser mais ponderados e menos consumistas.
Se quisermos, fazemos «milagres».
É uma questão de fazer contas, e ser menos ambiciosos.
Afinal, estamos apenas de passagem!...
E depois...
Fica tudo aí.

Abraço

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Verão ou Inverno?













Ao acordar estranhei a luminosidade.
Pelos raios de luz que me entravam no quarto, diria que eram seis da manhã.
Levantei-me.
Eram nove horas.
Abri a janela e... espanto total.
Chovia copiosamente.
Esfreguei os olhos, fixei-me na paisagem.
Apesar de estarmos no verão, mais parecia um dia de inverno.
Gosto de chuva e gozei o momento.
Aquela cor pardacenta sempre me fascinou.
Até a brisa imitava o fresco.
As gotas de água, neste caso abundantes, deixam-me mole, tranquila e leve.
Que mudança radical de ontem para hoje.
Onde está a praia cheia de sol e gente?
Quase me apeteceu ficar num cantinho do sofá a ouvir música o dia todo, a ler e a escrever o que gosto.
Não cedi à tentação.
O exercício estava à minha espera.
O ginásio ia sentir a falta do meu entusiasmo e do meu prazer quando treino.
A minha saúde e o meu físico precisam.
Toca a despachar.

Afinal o tempo até dá para as duas coisas.
Voltei.
O sofá e o computador ainda estavam no mesmo sítio.
E a chuva continuava, para meu prazer.

A natureza tem destas coisas.

Abraço.

domingo, 31 de julho de 2011

Quem olha vê













Dando o meu passeio higiénico junto da baía do Seixal, apeteceu-me espreitar num pontão mesmo à beirinha da água.
É agradável a paisagem.
Vê-se a outra margem, observam-se as aves que na maré vaza procuram alimento.
Vêem-se os pescadores de amêijoa que, debruçados, procuram pacientemente o petisco apetecido.
E transpira-se calma e paz nos momentos em que se está.
Ao chegar, deparei com uma jovem mestiça, que, sentada de costas, apenas sugeria que descansava, que também ela estaria a precisar daquele ambiente tranquilo.
Sentei-me na ponta mais afastada (não queria perturbar).
Ao olhar à minha volta, reparei que a jovem, não estaria apenas a descansar, estaria também a tentar digerir qualquer desgosto (de amor?) que a estaria a atormentar.
Chorava convulsivamente, ao mesmo tempo que limpava as lágrimas que caíam, teimosas, e provavelmente queria que fossem só dela.
O meu primeiro impulso foi o de me levantar e perguntar se podia ser útil.
O meu bom-senso disse-me que poderia importunar a sua solidão e mágoa.
Nunca saberei ao certo o que teria sido mais correcto.
Nunca saberei o que se seguiu ao nosso afastamento.
Será que aquela jovem precisava de ajuda?
Incógnita eterna para mim.
Só sei que aquela imagem me irá acompanhar por algum tempo.
Esta sociedade fechada, fecha-nos mesmo quando precisaríamos de nos abrir para os outros.
Porquê tantos pruridos?

Abraço.

sábado, 30 de julho de 2011

A fluidez das palavras












Lidar com as palavras não é tão simples como parece.
Exige bom senso e alguma habilidade.
Ao escrever, sai de nós de uma forma fluida, o sumo do nosso pensamento, do nosso sentir e da nossa sensibilidade.
Não é necessário ser um escritor de profissão para organizar o pensamento e dar a conhecer o que sentimos, o que observamos, aquilo de que discordamos e o que apreciamos.
A verdade é que para expressar tudo isto, há que saber como fazer.
Não só para nos fazermos compreender, como também para não ferir susceptibilidades.
Ao escrever, o cérebro cria, a imaginação acontece e a realização pessoal aí está.
É um prazer sentirmos que somos capazes de pôr no que escrevemos a nossa alma, o nosso sentir e o nosso espírito crítico.
Analisar é reflectir.
É debruçarmo-nos sobre o que nos rodeia, o que nos incomoda e nos preocupa.
Muitas vezes apenas serve para lavar a alma, limpar resíduos que nos impedem de sermos nós mesmos.
Então e não é que resulta mesmo?
Tal como quando acabamos de fazer movimento, de ter uma actividade desportiva,
Sentimo-nos leves e sem carga que nos vergue.
Chegamos à conclusão de que nós somos os nossos melhores conselheiros, os nossos melhores confidentes e os nossos melhores amigos.
Ao debitarmos o que pensamos, o que sentimos, libertamos as energias que poderiam estar a prejudicar o nosso eu que por si é leve, criativo e aberto.
Digamos que é uma luta nossa, contra o nosso lado mais negativo.
Foi bom ter descoberto esta forma de libertação.

Abraço.    

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Hello, Mr. Bean!















Pois é.
Estava eu «posta em sossego» na minha actividade física, que naquele momento por acaso era o remo e olhei, sem interesse, para o plasma que se encontrava à minha frente. – Assembleia da República – análise dos trinta dias do governo.
Parei o olhar em cima de um senhor que estava sentado ao lado do Primeiro-ministro, que nesse momento dizia de sua justiça.
Olhei durante alguns minutos, e o senhor não levantou a cabeça.
Estava eu a interrogar-me sobre aquela postura, quando alguém a meu lado se me dirigiu:
«O gajo está a dormir»?
Era o nosso ministro das finanças.
Que imagem negativa o senhor dá não só de si, mas do partido que representa!
Ó senhor ministro, sei que não deve ter tempo nem para cochilar, basta olhar para as suas olheiras!...
Sei que o trabalho deve ser tanto, que todos os momentos serão poucos para receber mensagens, responder a elas e tudo o resto, mas isto o país está tão pendurado, tão a falir, tão desiludido, que, se vêem vossa excelência assim nesses preparos, então é que alguma réstia de esperança, vai pelo ralo abaixo.
Já que a sua fisionomia nos transporta ao actor cómico (sem ofensa ) Mr. Bean, faça jus a isso, mostre a cara, faça um sorriso.
Não precisa de fazer palhaçadas, já cá temos que cheguem.
Hello, Mr. Bean!
Não somos números, estamos a vê-lo!...

Abraço.    

Frieza e loucura













Não daria para acreditar, se não nos entrasse casa dentro quase em directo, o massacre na Noruega.
E logo lá, um país tão famosamente calmo.
Estava tudo em paz, cada um na sua vida, sossegados e seguros, quando de repente o inesperado aconteceu.
Dezenas de pessoas, na sua maioria jovens, foram assassinadas a tiro, quando as suas vidas prometiam um futuro longo e provavelmente feliz.
Impressiona é a premeditação metódica, a frieza da execução e a ausência de qualquer arrependimento na cara e mais tarde no depoimento do assassino.
A sua expressão de felicidade só pode advir de uma ausência de sentimentos que, quem sabe, perdeu no meio de um mundo de solidão, imaginário e virtual em que, principalmente os jovens, se alienam e isolam com tanta oferta fácil.
Viciam-se e tentam reproduzir na vida real o que treinaram nesses jogos que ensinam passo a passo, como se executa um plano que, quase sempre deixa um rasto de sangue vivo atrás, e uma estupefacção difícil de digerir.
São o resultado das tecnologias avançadas mal entendidas e mal utilizadas.
Seria bom repensar estas ofertas, que levam os nossos jovens a engrenar por caminhos altamente aliciantes e perigosos.
O isolamento e a solidão a que esta sociedade se entregou, convidam a compensações perigosas.
Depois do vício instalado, é como se fosse uma droga dura.
E quem tem tempo para se aperceber disto?
O precipício cada vez é mais próximo.
Quem pode ajudar e, em substituição, dar outro aliciante – esse, sim, positivo e virado para fora, que preencha essa solidão?

É perigoso dormir sobre o assunto.
 
Abraço.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sem dúvida que é diferente

 









É diferente sim.
Não só no jeito descontraído, simples e afável, mas também, porque tem um passado que não deixa dúvidas.
Estou a falar do novo Ministro da Educação, Nuno Crato.
Não consegue passar despercebido.
Na primeira conferência de imprensa que deu, viu-se a diferença.
No contacto com os jornalistas, ele foi de fino trato.
Com uma postura simples, não só respondeu educadamente a todos, como logo no início os cumprimentava com muita simpatia.
Nunca tinha visto assim.
O Senhor Ministro, não estava em nenhum pedestal.
Sem ser vulgar, manteve-se com à-vontade, e com uma simpatia a que não estamos habituados.
Quando se trata desta «fauna», normalmente, transfiguram-se.
Ficam cheios de si.
Este caso é único.
Vê-se que a educação e formação pessoal falam mais alto.
Não sei como irá prosseguir a tarefa que tem sobre os ombros.
Pelo que sei dele, fará tudo para melhorar o nosso sistema de ensino.
Será que se vai aguentar no meio da selva que é a política?
Terei muita pena se ele não aguentar o embate.
Há mundos muito complexos de aguentar!...
Força, Senhor Ministro.
Gostaria de poder aplaudir.

Abraço.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os óculos do nosso Primeiro

 








Não há dúvida que a pose pode fazer a diferença.
Olha o nosso Primeiro!
Parece «um» personagem diferente.
Aqueles óculos que passou a usar dão-lhe uma pose de homem de Estado, dão-lhe um aspecto mais convincente do papel que agora tem.
Não há dúvida de que está mais de acordo.
A gente olha e até sente a necessidade de se perfilar.
Quem diria que Pedro Passos Coelho se transformaria nesta personalidade tão importante?
Os óculos ajudaram, sem dúvida.
E a postura também.
Fala com um ar sério, raramente se ri e segue consciente do seu poder.
É bom ter um representante assim.
Até nos ajuda a respirar mais fundo, tal é o alívio…
Certamente vão aparecer mais mudanças.
Sim, porque os assessores de imagem têm que justificar o que ganham.
Quem sabe se, um dia destes, o senhor não vai aparecer de barbicha?
Era capaz de ficar com um aspecto ainda mais importante!...

Aguardarei.

Abraço. 

domingo, 24 de julho de 2011

Monólogos

 






Neste mundo em que vivemos, onde se fala, fala, em que há permanentemente um ruído de fundo e parece que ninguém se ouve, dá a sensação de que existe apenas um monólogo permanente, ensurdecedor e cansativo.
O que será que cada um diz que não se percebe?
Mais parece um monólogo.
Seria giro de se ouvir!...

Desse monólogo de surdos fica a sensação de que há raiva no ar.
Parecemos todos autómatos, a trabalhar sem sabermos muito bem para quê.
Só se trabalha, trabalha, trabalha.
Agora então com tudo ainda mais debaixo de ordens, e a ter que mostrar o que se vale.
Parece que há uma maior necessidade de não levantar os olhos.
Nem sequer endireitar as costas.
Responde-se ao «comando» com ganas, na esperança de salvar (de manter) o emprego, que já de si era precário.
E agora, será que não o é ?...
É uma vida cheia de «esperança e entusiasmo».
Nota-se o brilho nos olhares, a segurança nos semblantes.
Caramba, que falta de confiança!....
É claro que não há que ter preocupações.
Com a protecção amiga deste nosso governo que só quer o nosso bem e com a tal senhora «de» dona Troika!...
Meu Deus, só um céptico, um desconfiado (e quem é desconfiado não é fiel), se atreveria a não acreditar no futuro risonho, que aí se nos apresenta.
É preciso ter calma e confiar.
O nosso futuro e o dos nossos filhos, está «assegurado»!...
O nosso governo e a nossa Mãezinha Troika, farão o resto.
Haja alegria e…
Trabalho, trabalho, trabalho.
Talvez nos livremos de ir engrossar a fila dos sem brigo.
Quem sabe?

Tenhamos calma.
Estamos bem entregues.

Abraço.  

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quanto suor

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Tenho visto o programa da SIC «Peso Pesado», mais por curiosidade informativa.
Como sou fã de exercício físico, gostei de comparar aquele, com o que pratico.
É realmente muito igual, pondo de parte os exageros do comando que de vez em quando entra em cena.
E, claro, as actividades fora do ginásio.
Quanto ao resto, os exercícios são os mesmos, só que sem aquela violência e intensidade que é exigida no programa.
As primeiras vezes que vi, fiquei impressionada e achei que era um atentado contra a saúde.
Aquele treino intensivo sugeriu-me que, a qualquer momento, poderia haver um elemento a cair para o lado, com um enfarte ou outra coisa parecida.
Pareceu-me sobre-humano e perigoso.
Aqueles corpos descomunais, a começarem assim do nada com aquela agressividade,
isso pareceu-me, devo confessar, imprudente.
Imaginei-me a mim, a ter que dar tudo o que lhes era exigido a eles.
É que do que eu sei e já ando nisto há alguns anos, o exercício deve começar-se por baixo.
Só depois deve ir progredindo, conforme as potencialidades e a capacidade física de cada um.
Mais ou menos com moderação, até atingir uma certa agilidade e flexibilidade.
Os meus orientadores ensinaram-me que o exercício nunca poderá deixar-nos desconfortáveis.
Cada pessoa tem o seu limite.
Não temos todos a mesma capacidade de resistência.
Contudo, ali, vimos os concorrentes partir de um estado adiantado de obesidade para, assim do nada, começarem a atingir limites que nos parecem exagerados.
A verdade é que tem estado a dar bons frutos.
Vê-se no físico deles.
Mas fica uma pergunta.
E mais tarde?
Não ficarão sequelas de tanto esforço concentrado?
Confiemos no bom senso de todos os responsáveis daquela produção.
Seja como for, será melhor não haver para aí gente a imitá-los, sem o suporte médico e outros, que eles têm.
Fazer exercício é um bem para a saúde.
Mas nada de excessos.

Abraço.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O que fazer?









O que fazer quando se vê o mundo às avessas?
Quando tudo está subvertido?
Quando se trabalha e não se sente compensação?
Quando há compromissos e não se vê maneira de os poder cumprir? 
Quando há crianças a depender de nós? 
Há que ter muito sangue frio.
Para não enlouquecer, é melhor não levar a situação muito a sério.
Corre-se o risco de, no mínimo, ficarmos com o cérebro a arder.
Só nos pode invadir um sentimento de impotência.
Um sentimento que às vezes é de revolta, mas que não tem saída.
O melhor será deixar passar esta onda de loucura colectiva e esperar por melhores dias.
Talvez na próxima «encarnação» voltemos travestidos de guerrilheiros encartados e ponhamos isto tudo no sítio.
Quem sabe?
Talvez venhamos munidos de armas avançadas.
Tipo… o último grito, o topo de gama do céu, do inferno, conforme o que couber a cada um!...
Apeteceu-me brincar.
Se tudo isto for levado muito a sério, o mundo fica demasiado ensombrado e triste.
Não há outra forma.

Abraço.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Predadores













Ui, tantos que há por aí!...
É claro que sempre houve, mas agora são aos molhos.
Parecem vampiros, sedentos de sangue.
Se as vítimas forem jovens, tanto melhor.
E não me digam que são precisas as redes sociais para exercer estas práticas.
É claro que se intensificou.
É mais seguro, não dão a cara até terem a vítima na mão.
Talvez nem nunca se saiba!...
Não, há-os bem no meio de nós.
Às vezes estão ali debaixo dos nossos narizes, ainda que disfarçados de cidadãos normais e de bom-nome.
Mas como actuam pela calada, «debaixo do pano», sem darem nas vistas e intimidando!
Olha…
Andam clandestinos até alguém os apanhar mais ou menos com a «boca na botija».
Toda esta actuação é um nojo.
Mas o que mais me enoja, são os velhos babões que se aproveitam de crianças e jovens
menores, para satisfazerem os desejos libidinosos e conspurcados que, quem sabe, retraíram toda a vida, porque em casa não tinham como realizar.
Só é pena é que às vezes há quem saiba e não tenha coragem de denunciar estes verdadeiros criminosos sem escrúpulos, que atentam contra a dignidade, a inocência e a vida das vítimas.
Isto existe.
Todos sabemos.
Mas casos destes são encobertos na sua maioria, ficando os sem nome a salvo de todas as indignidades cometidas.
Aqueles «cidadãos», continuarão a fazer parte de um todo.
Continuarão a fazer-se passar por gente de bem, quando não passam de uns pulhas com aparência de gente digna.
Quanta falta de coragem!
Só pela calada se vai murmurando:
- Tch…tch…Sch…tch…
A cobardia humana existe em todos nós.
É só mesmo garganta…
Reciclagens precisam-se.

Valha-nos a dignidade perdida.

Abraço.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Saudosismo, Saudade












Para mim, ainda que saiba que outras pessoas possam pensar diferente o que acho legítimo, saudosismo é diferente de saudade.
São dois sentimentos diferentes.
O saudosismo será aquele sentimento meio doentio, pessimista, a que alguns se entregam, quantas vezes masoquisticamente, porque precisam de carpir mágoas, de se entregar ao sofrimento. Sabendo que não resolvem nada.
Saudade para mim é outra coisa.
È um sentimento de difícil explicação, que, dizem, «apenas» os portugueses sentem… assim…, de uma forma «abstracta» mas interior.
Aperta o coração, cria-nos ansiedade e uma necessidade que nos faz abrir aquela gavetinha da memória às vezes já fechada, porque é preciso e onde estão guardadas as recordações de uma vida ou de um momento, ou de uma ou mais pessoas.
É um sentimento muito português, e difícil de ser expresso por palavras..
É a nossa sensibilidade mais profunda, mais recôndita, são as nossas emoções a ordenar:
abre.
E lá somos nós levados por caminhos já vividos, já explorados, mas que continuam vivos, guardados na tal gavetinha, que estava arrumada num cantinho no sótão… da
nossa memória.
Lá vamos nós ao encontro das pessoas, das coisas, daquele sítio que naquele momento ou quem sabe para sempre, não está ao nosso alcance.
E não há forma de evitar este sentimento.
Os mais sensíveis, os menos sensíveis, todos, o experimentamos, de uma forma mais ou menos sentida.
O português é assim.
Sentimentalão por natureza.
Somos um povo «manso» e carinhoso.
Salvo raras excepções.

Saudade é um sentimento que não se vê.
Mas existe. Ó se existe!...

Abraço.

domingo, 17 de julho de 2011

A chegada e o regresso











Ainda a propósito do festival do Meco.

Aqui, numa aldeia meio agrícola, meio piscatória, assisti à chegada gradual mas em catadupa, dos jovens que nos têm visitado.
Assisti ao ar desportivo e curioso com que (alguns talvez pela primeira vez) «aterraram», na expectativa de se divertirem e, quem sabe, soltarem a asa que terá estado presa até então.
Tão novinhos todos!
Vinham com um ar arrumado, calmo, e expectante.
Vi as praias encherem-se com juventude e ficar apenas uma nesga para os residentes.
Vi filas intermináveis dentro e fora das aldeias.
Vi o rã-me…rã-me do dia-a-dia ser alterado e as aldeias a mexerem como nunca.
Ouvi três dias seguidos a batida forte que põe os jovens nas nuvens.
Vi, como era inevitável, a partida.
Lenta, dolente, diria que quase dorida, desses mesmos jovens.
Agora com um aspecto mais desarrumado, mais cansado e, digo eu, com alguma saudade do que ficava para trás, mas com a confiança de que para o ano há mais e provavelmente melhor.
A herdade da Flauta certamente será melhorada para receber, sedenta, mais e mais jovens que queiram aparecer.
Que bom que é ser jovem e despreocupado!

Até para o ano.
Gostei de observar.

Abraço.

sábado, 16 de julho de 2011

Auto-estima.










Parece-me que há muito falta dela por aí.
Gostarmos de nós como somos, por dentro e por fora, é preciso.
Gostarmos do que fazemos e como o fazemos.
É quanto a mim, essencial para estarmos bem.
Connosco e com os outros.
A vida está sem dúvida pouco atractiva.
Às vezes a paciência pode não ser muita para nos cuidarmos e saborearmos o que fazemos.
Pode não haver muitas condições para ficarmos felizes com as perspectivas que se nos oferecem.
Mas a verdade, é que a nossa auto-estima e confiança nos ajuda a encarar mais facilmente as situações difíceis que possam aparecer.
Estarmos bem connosco é essencial.
Proporcionarmos a nós e aos outros um bom ambiente.
É preciso sermos fartos em afecto.
É preciso elogiar, incentivar.
Dar força a quem nos rodeia.
Sermos bem dispostos e de bom trato, é meio caminho andado para criar um ambiente leve e estável.
Criarmos mais condições para haver equilíbrio emocional na família e no emprego.
É preciso gostarmos de nós.
Para mais facilmente gostarmos dos outros.
Auto-estima faz falta.
Torna a vida menos pesada.

Procura-se.

Abraço 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Na praia de camarote











A manhã acordou ventosa mas com um sol morno.
A praia chamou-me.
Espanto!
Ainda cedo, e as estradas que me levam à praia, tinham um movimento pouco habitual.
É só quinta-feira!
Olhei.
Vi que aquele movimento era apenas de jovens.
Jovens e mais jovens.
Estranhei.
A música do festival ouviu-se até às tantas.
Achei que seria cedo.
Não, aquela juventude toda estava sedenta de praia.
Momento para decidir qual a praia a escolher, uma vez que pelo que se via, a procura era muita.
Quando cheguei, o panorama prometia.
Tanto «gafanhoto».
Novinhos, alguns com cara de quem sai do buraco pela primeira vez.
Com um olhar tranquilo.
Nada de histerismos.
Apeteceu-me observar tranquilamente.
Não desci à praia.
O mar mesmo ali.
Instalei-me num pequeno recanto, nas escarpas inclinadas que se debruçam para a praia.
Coisa de quem conhece muito bem o terreno que pisa.
Estendi a minha toalha.
Era como se estivesse numa espreguiçadeira.
Puxei do meu livro e, em paz, deliciei-me.
Estive completamente sozinha, mas muito acompanhada e absorvida pela leitura.
É uma companhia excelente.
Já próximo da saída, é que oiço alguém lá atrás a perguntar-me:
«Hei! Se puede bajar lá»?
«Non!»
Tranquilamente, mudaram de rumo.
Há mais opções para seguir.
Boas férias de quatro dias para aqueles jovens.
Alguns, vieram de certeza de muito longe.

Abraço.