terça-feira, 31 de julho de 2012

Nostalgia















A nostalgia, quanto a mim, nem sempre é negativa.
Eu, por exemplo, considero-me uma pessoa algo nostálgica.
Contudo, nem sempre esse sentimento me leva à tristeza.
Muitas vezes, embora saudosa, dá-me prazer recordar.
Gosto de me sentir transportada para os locais ou momentos bons por que passei.
Quando em companhia de amigos que têm as mesmas referências que eu, então é uma festa.
Neste momento, e quando digo neste é mesmo neste, sinto a necessidade de voltar ao meu berço.
É uma vontade que vem cá bem de dentro.
Há um impulso que me chama.
Por outro lado, quando imagino que esta vontade poderá ser concretizada, acho que o tempo em que me sentia lá bem já passou.
Que neste momento já não pertenço àquele mundo.
O meu mundo está a trezentos e tal quilómetros!...
Apesar disso, continuo a ter no meu coração as pessoas que sempre me trataram tão bem.
Os locais onde fui tão feliz e me marcaram para a vida.

Neste momento, por exemplo, estou a ser um bocadinho traída pela nostalgia.
Digamos que não é propriamente a tal nostalgia negativa, apenas um bocadinho
saudosa.  

Nada que não se ultrapasse.
Daqui, continuarei sempre aninhada no berço acolhedor que me recebeu quando nasci.
E que berço bom!

Abraço.  

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A mulher da praia























Chegou descontraída.
Saco ao ombro, procurou o que para ela seria o melhor sítio.
Parou, olhou e estendeu a toalha.
Sentou-se.
Puxou de um livro e…não, ainda não.
A leitura ficará para mais tarde.
Cruzou as pernas tipo Yoga, fechou os olhos e permaneceu assim por bastante tempo.

Aparentemente, voou.
Será que saiu deste mundo impregnado de lixo vivo?

O que segue, é pura ficção:

Entrou no mar e deixou para trás o lixo vivo de um país em crise (económica e moral).
Avançou mar dentro.
Um pé, depois outro, caminhava decidida
O destino? Nem ela saberia!...
E se as vagas alterosas, a traíssem?
E se não houvesse destino?
Poderia ser trágico.
Parecia não se incomodar.
Aquela mulher de aspecto maduro e descontraído, precisou de encontrar outros mundos.
Precisou de fugir.
Fugir do contexto miserável, egoísta ganancioso e sem amor.
Passou algum tempo.
Nem sinais da mulher madura.
Na toalha, apenas os seus pertences.
Nada de identificação.
Era apenas uma desconhecida.

Abraço.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Castração


















Quando se fala em castração, sugere-nos sempre a ablação de qualquer coisa.
Em pessoas ou animais.

Normalmente e a nível físico, acontece com animais.
Sem qualquer pudor.
Principalmente os de estimação.
É preciso mantê-los quietos e submissos em casa.
É preciso que não incomodem.
Transformá-los em objectos que servirão como bonecos, para nosso prazer.
O egoísmo a prevalecer sempre.
É preciso que ninguém nos incomode.
Nem que para isso tenhamos que anular seja o que, e quem for.

Bom, mas quanto a mim, castrar não é só retirar órgãos.
Também se castram pessoas.
As suas ideias.
Capacidades.
Amores.
Afectos, etc…
Diria eu que a maior parte das pessoas passa pela vida a sentir-se castrada.
Uma castração silenciosa.
Sofrida.
Esta pequena reflexão, levou-me a uma canção de que ainda hoje gosto muito.
É de Francisco Fanhais e diz assim (pode ouvir e ler aqui):

«Cortaram as asas ao rouxinol!
Rouxinol sem asas não pode voar.»…

Pelos vistos está actual.

Abraço.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Não foi surpresa















O caso Freeport de má memória foi por água abaixo por falta de provas.
Nada que me surpreendesse.
Depois de ver tantos perdões a tanto meliante!

É impressionante tanta benevolência e compreensão.
O que me indigna, a mim e certamente a outras pessoas, é o comportamento das autoridades, perante pequenos delitos.
Lestas, vão em perseguição e aplicam a pena.

Li há dias que uma mulher foi levada a tribunal, por ter roubado num supermercado, uma insignificante lata de atum.
Essa lata de atum, certamente, foi para matar a fome quem sabe, aos filhos ou a ela própria!
Não estou a defender que foi correcta a atitude da senhora.
Mas a sobrevivência às vezes leva as pessoas a cometer actos de desespero.
Certamente não foi a abastança em que vive.
Certamente não foi pelo prazer de roubar e ser apontada a dedo.
Julgada e tornar-se motivo de chacota!

Que pena que não se proceda assim com os tubarões encartados.
Com esses, é preciso compreensão e mão leve.
É preciso não se perder a casta.
É preciso continuarem a encher os bolsos deles e dos outros!...
É preciso que não se exterminem os sem carácter.
Fazem falta a muita gente de igual teor.
A arraia-miúda, essa, que pague com língua de palmo os pequenos delitos que cometem em atitude de desespero.

Dá que pensar, mas está claro como água. 
  
Abraço.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ser e parecer















Costuma-se dizer que nem tudo o que parece é.
Ao passarmos pela vida tão fértil em contactos, conhecimentos e relações,
vamos constatando que, na verdade, é assim mesmo.
Muitas vezes, passamos anos ao lado de pessoas que não se dão a conhecer.
Que são actores disfarçados em permanência.
Que nos fazem acreditar que são gente amiga, gente que merece a nossa estima e consideração.
Mesmo convivendo paredes-meias o dia-a-dia, só nos apercebemos que ali há artista, quando somos surpreendidos por esta ou aquela atitude inesperada e desprovida.
Desprovida de pudor, de dignidade e da falta de amizade que até parecia de verdade.

Aí, os incautos, os ingénuos, os otários e tal, e tal…têm aquela desilusão!
Quando a vida se vive de boa-fé, estas surpresas, no mínimo, indignam quem com elas se depara.
É nesses momentos que damos connosco a reflectir.
Porquê?
Como é que não demos conta de tal engodo!...
Como é que, na nossa boa-fé, não vimos o que seria tão óbvio.

É mesmo, o que parece nem sempre é.
Cuidado com os «actores» de pacotilha!...

Neste ambiente descontrolado em que vivemos, cuidado com os embusteiros.
Com os profissionais da mentira e da hipocrisia.

Abraço.

sábado, 14 de julho de 2012

O tempo
















O tempo é uma amálgama de segundos, minutos, horas, dias, meses e anos, que se sucedem uns aos outros, sem parar.
O tempo é a vida a correr, ainda que nos mantenhamos parados.
O tempo, são os bons e os maus momentos por que passamos, mesmo estando desactivados!...
O tempo é vida.
É vida melhor ou pior.
É ser feliz ou estar triste.
É um dia de sol ou uma noite de trovões.
De chuva que fustiga as vidraças e abana as árvores até vergarem.
O tempo é a vida a escoar-se por entre os dedos.
Somos nós todos, a competir.
A sermos intolerantes.
A deitarmos fora oportunidades de viver.
O tempo, é uma roda gigante que não para.

Abraço.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Os canudos e os créditos
















Muito se tem falado de canudos e de créditos.
No meio desta bagunça, fica a ideia que a intrujice oficial ainda resulta.
Quando se toma conhecimento de situações como aquelas a que temos vindo a assistir, não podemos deixar de pensar quanto valem os compadrios!
Quantas pessoas mereceriam uma licenciatura à base de créditos?
Quantas e quantas têm dado a sua vida a um trabalho honesto sem horários e às vezes até sem honorários!
Pois é.
Nem todos têm direito a benesses destas.
Por mim, não fora este cheiro a coisa arranjada e segundo parece única, até se poderia avaliar a situação de uma forma tranquila.
Um canudo afinal é o quê?
Será uma forma de aceder mais rápido a um lugar de destaque entre os pares?
Ou será que é apenas para encher o ego que precisa de se lambuzar?  
É complicado damo-nos conta de como a sociedade é ainda tão tacanha e provinciana!
Um canudo não é motivo para se perder tempo a falar dele.
Mas há uma coisa bem mais importante que merece algum reparo.

Como é que uma Universidade embarca numa situação destas?
Como é que um cidadão «honesto» (?) aceita tanto facilitismo?
Isso, sim, dá que pensar!

Abraço.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Uma praia diferente

















É a minha praia de eleição, no Verão e no Inverno.
Um recanto acolhedor e calmo.
Escarpas milenares onde a Natureza tem feito milagres.
É bonito de se ver e muito bom de se sentir.
Depois… é a paz.
Na maioria das praias, nesta altura, não é tão fácil encontrá-la.
Ali, temos o espaço.
O ambiente.
E um odor diferente, impregnado de iodo e maresia.

O mar, esse, é atrevido, lá isso é.
Mas conhecendo-o bem, sabendo aproveitar o momento, é bom sentir as suas águas frescas, «lamberem» a nossa pele quente.
Dá vontade de repetir.
O corpo e a mente, parece que rejuvenescem.
É um abanão bom que dá mais energia à vida. 

Ainda gosto mais dela no Inverno
Naqueles Invernos rigorosos, ventosos e com chuva.
O mar agiganta-se.
Galga tudo como que a querer engolir o Mundo.
As rochas fortes e erectas travam-no.
Mostram a sua força.
Também elas depois de tanta batida, se impõem.
- «Stop. Nós também temos poder. Vimos da profundidade dos tempos. Tu, amigo, também tens que ter os teus limites.»

Assiste-se àquele duelo com admiração e espanto.
Aquelas rochas levam a melhor.

Imperiais e fortes, aguentam o embate.

É bonita esta praia.
Verão ou Inverno, ela faz a diferença.

Lá, a paz vem ao nosso encontro.

Abraço.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Desculpa de mau pagador















Mentiroso nós já sabíamos que ele era.
Mas assim quase em directo é demais.
Braga, Bosch.
Os trabalhadores esperavam por ele.
A recepção não seria a que lhe agradaria, por isso, escapou-se por outra porta.
Bem protegida pela certa!...
Até arregaçou as mangas e plantou uma árvore, imagine-se.
Mais tarde, e com um ar de pessoa séria, vem desculpar-se:
- Manifestações manipuladas…nhó… nhó…
Mente muito mal este Primeiro.
Nem o ar ensaiado o salva.
Será verdade o que as sondagens dizem?
Que este senhor ganharia novamente se fossem hoje as eleições?
Não acredito.
Este Povo não pode ser tão cego.
Tão surdo e sem sentimentos.

Ou tão masoquista?

Abraço.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Os Cangalheiros














Hoje ao ligar o televisor, deparei com um friso de senhores do governo em «carreirinha».
Todos, de preto vestidos.
O meu pensamento imediato:
Um grupo de cangalheiros?
Urubus?
Também poderia ser.
Ao fim e ao cabo rasam as nossas cabeças e arrancam de nós o que podem!
Só sei que foi uma visão muito pesada, a que me passaram aqueles senhores de negro.
Pensando melhor, a indumentária que usavam até combinava com o estado em que o país se encontra.
Com o estado em que eles e outros o puseram.
Claro que eles vestem preto para cumprirem o protocolo, não por qualquer desgosto.
Porque haveriam eles de andar tristes?
Ordenados chorudos, mordomias e ainda outras facilidades que lhes vão anafando ainda mais as contas bancárias!...
Eu é que fui sugestionada.
Crise, desemprego, fome… logo, luto.
Luto, cangalheiros.
Cá no fundo, no fundo, se calhar, o ar lúgubre que apresentavam encaixava na maior naquela profissão tão desagradável para todos.
Que coisa mais tétrica!... 
Foge!...

Abraço.

domingo, 1 de julho de 2012

Olá!

















Ainda aqui estou embora não pareça.
Apenas tem estado a acontecer um fenómeno, que me parece normal.
Não me tem apetecido pegar neste amigo.
Amigo certo, que tantas vezes já registou o meu sentir.
Pois é.
O tempo de praia começou, as saídas são mais frequentes e longas, e o tempo fica mais escasso.
Tudo com calma e sem stress.
Enquanto for possível, é preciso que a vida seja não só vivida, mas também saboreada.
Degustada devagar.
Apesar de termos aí o Verão em pleno, continuamos com a sensação de que falta qualquer coisa.
Nesta zona aqui, falta o calor!
O calor a sério, a que estamos habituados.
Aquele calor que amolece, que nos faz quase «desligar».
Sinal dos tempos.
A mudança também chegou por esta via.
Em contrapartida, temos o vento.
Esse mal-amado de que ninguém gosta.
Que estraga os dias de praia e retira a quem precisa o verdadeiro prazer de umas boas férias.
Por mim aproveitarei o tempo como puder e melhor me aprouver.

Abraço.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O útil e o agradável



















Faz quatro anos em Setembro que decidi levar muito a sério a ocupação do meu tempo.
Houve muitas coisas que durante anos não tive oportunidade de fazer.
Agora, livre como um passarinho, resolvi aproveitar.
Faço o que me dá mais prazer.
Faço também o que acho que me faz mais falta.
Procuro manter-me o mais activa possível.
Tanto a nível físico como intelectual.
Não permito que a inércia e o tédio passem sequer por perto.
Há tantos motivos de interesse que nos enriquecem em cada dia!
Confirmo hoje o que sempre pensei.
A reforma para mim não está a ser uma «tragédia». Está a ser, sim, a abertura de outros caminhos.
Está a ser uma oportunidade para me enriquecer um pouco mais.
Dediquei-me toda a vida à profissão.
As crianças eram quem me tinha quase a tempo inteiro.
Agora concedo-me o direito de ser dona de mim.

As várias pequenas grandes ocupações que tenho deixam-me de coração cheio.
Sem tempo nem sequer para pensar nas mediocridades que, por hipótese, poderiam incomodar-me.
Penso que a alavanca que sustenta toda esta força, é o facto de nunca, em momento algum, ter deixado de frequentar o ginásio.
O exercício, o convívio e a forma como lá sou tratada deixam-me feliz.
O mar e a vida ao ar livre, também têm ajudado muito.
Tenho a certeza de que, por tudo isto, consigo viver melhor.
E a partir daí, relativizar o que não me interessa.

 É bom poder fazer o que me apetece.

Abraço.

sábado, 23 de junho de 2012

O milagre da Natureza


















Ao analisar tudo o que me rodeia, cada vez fico mais agradecida à Natureza.
É sem dúvida muito bonita, esta enorme dádiva com que fomos presenteados.
Agora então, que está tudo tão deliciosamente bonito!...
Se analisarmos um pouco, tudo à nossa volta se mostra na pujança máxima.
Se formos minimamente sensíveis, não nos passa despercebida a beleza das flores e das plantas, grandes ou minúsculas
Tudo brotou e rejuvenesceu.
Tudo é cor e vida.
Depois, analisando com algum pormenor, deparamos com espécies de uma beleza, que nos deixa a pensar: como é que isto é possível?
Haveria muitos exemplos para mostrar, mas vai apenas um que me fascinou.
Colheita feita aqui, muito próximo de mim.
Pode parecer nada para alguns, pode parecer uma bizantinice para outros, uma coisa de somenos importância até.
Somos diferentes na sensibilidade.
Estas dálias fascinaram-me.
Na próxima época, vou alindar o meu pequeno jardim, com mais um destes exemplares.
Ficará de certeza ainda mais bonito.

A Natureza é, sem dúvida, um belo presente.
.
Abraço. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Julgar é difícil















Aqui está um tema que daria pano para mangas.
De vez em quando já ouvimos notícias de que alguém foi condenado mas é inocente.
Cumpriu pena e só muito mais tarde se chega à conclusão de que foi uma injustiça.
Situações destas acontecem e indignam qualquer um.
Uma questão se põe: por que acontecem injustiças destas?
Quem é ou quem são os responsáveis?
Dá que pensar.
Dá também para imaginar o sofrimento calado das vítimas.
A revolta perante a monstruosidade cometida.
O remoer dia após dia, a injustiça.
A vida perdida.
A tristeza sempre presente.
Moendo, moendo e remoendo...
Um drama sofrido na solidão de uma cela trancada.
A proibição de viver.
A condenação na praça pública.

O que dará origem a situações destas?

É certo que todos temos o direito de errar.
Mas…errar em situações desta responsabilidade, não será muito normal.
Será que a formação dos profissionais não é o que deveria ser?
Será que a análise dos processos é feita com ligeireza?
Será falta de capacidade para julgar?
Ausência de preparação moral e intelectual?
Ausência de sensibilidade?
Difícil concluir.

Difícil também de aceitar.

A vida e a honra de alguém merecem mais respeito
Capacidade e ponderação.
.
Abraço. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Vale a pena ter qualidade




















Vivemos num Mundo de «mintirinha»…
Um Mundo onde não conta o que se é, mas o que se parece.
Parecer que somos gente séria.
Que somos competentes.
Que somos amigos.
Que somos leais.

Parecer, parecer, parecer…

Às vezes, depois de analisar o que se vai passando, penso que este mundo é um mundo de falsidade.
É um mundo sem qualidade.
Poucos notam a sua falta, e poucos a exigem.
Num mundo assim, qualquer medíocre faz um figurão.
Basta ter um bom carro.
Um emprego médio.
E pose.
Sim, a pose faz parte do cenário de qualquer medíocre.
É importante.
É claro que o «invólucro» ajuda.
A «venda» é mais fácil.
Leva mais rápido ao engano.
Não é preciso ser um bom profissional.
Um cidadão de cabeça limpa de teias de aranha.
Criativo e empenhado.
Uma pessoa simples, honesta e generosa.
Basta a tal pose.
Civismo e educação é assunto que se desconhece, passa ao lado!
Se não fosse assim, haveria qualidade!
E… não interessa.
Vive-se bem mais à vontade na cavalariça.  

Bom, concluindo.
Algo deve ser feito para que a qualidade volte.
Pelo menos alguém que se preocupe em mostrar que a tem.
Sem artifícios forjados.

Ainda que, para isso, tenhamos que ser considerados bichos de uma espécie rara.

Esta bagunça está a precisar de qualidade.

Abraço.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Apenas um estímulo


















Somos um povo cabisbaixo e quase sem sorriso.
Fechamo-nos e vivemos sozinhos muitos dos nossos dramas.
Refugiamo-nos na nossa concha que nem bichinhos e até parece que gostamos de sofrer.
O masoquismo faz parte de nós, é genético.

Bem diferente é o povo brasileiro.
Facilmente vai à luta e procura desdramatizar.
São desinibidos, bem-dispostos e têm música dentro deles.
Têm nela um escape bom.
De sorriso fácil, distribuem simpatia.
Nem que, bem lá atrás, haja dificuldades e problemas.
É um povo positivo, de jeito dengoso e sabe que o é.

Nós para sairmos da casca temos que ser muito estimulados.
Por exemplo: um estímulo que funciona é o futebol.
Penso que será a melhor forma de pôr a maior parte dos portugueses a sorrir. 
A exteriorizar e a partilhar.
Partilhar entusiasmos, alegrias, tristeza, indignação…

O futebol faz milagres mesmo.
O futebol é a única coisa que faz esquecer a crise e todos os outros problemas.
Pelo menos por uns tempos.

Venham mais estímulos.
Destes ou de outros.

Abraço.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Brigada de salvamento

















Não são bem meus vizinhos, mas separam-nos apenas uns escassos
trinta-quarenta quilómetros.
Passam por cima da minha casa com frequência.
Vejo-os a treinar na zona do Meco.
Fico sempre de olho arregalado a seguir as manobras que fazem.
Não sabia é quem eram, de onde eram.
O que faziam.
Hoje foi desvendado o mistério.
São a Brigada de Salvamento da Força Aérea, sedeada no Montijo.
Se bem percebi, Brigada Setecentos e Vinte e Cinco.

Soube hoje, porque vi, que têm uma missão muito nobre.
Correm a salvar vidas, onde quer que os chamam.
Foram eles, por exemplo, quem salvou os pescadores que andaram dias à deriva no mar, dentro de uma balsa.
Depois de quase perdidas as esperanças, apareceram eles.
São eles que vão sem hesitar à Madeira ou a qualquer outro sítio, transportar feridos graves, grávidas e, quantas vezes, ajudar os bebés a nascer.
São eles que correm riscos e com orgulho arriscam até a vida.
São eles que, apesar de não se quererem envolver nas situações que vivem, se emocionam até às lágrimas quando têm na sua frente um bebé prematuro acabado de nascer.
Salvo por eles e a acabar de crescer na estufa da maternidade.
Isso, fizeram questão de ver no local. 

É reconfortante ver nos olhos daqueles militares ternura, emoção e orgulho por servirem quem precisa.

Haja alguém que faça ainda uso dos afectos.

Obrigada, Brigada de Salvamento Setecentos e Vinte e Cinco.
Fico à espera de vos ouvir e ver passar.
Vou seguir-vos com o olhar e desejar que o vosso treino seja proveitoso.

Abraço.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dez de Junho


















As cerimónias transmitidas pela televisão foram o mesmo de sempre.
Gostei sobretudo do desfile das forças em parada.
Acho piada àquele cerimonial.
Bem coordenado.
Vistoso.
E cheio de rituais.

Mal comparado, fez-me recuar uns bons anos, quando em Cabinda assistia às mesmas cerimónias, mas em pequenino.
Tratava-se de um batalhão apenas.
Lá, havia um pormenor muito engraçado: desfilavam ao lado dos militares, um cãozinho rafeiro e uma cabra.
Logo ao tocar a reunir eram os primeiros a apresentar-se.
Sem farda, mas com «espírito de corpo»…

Bom, mas voltemos ao dez de Junho.
Também gostei do ar entusiasmado das figuras principais do governo.
Dava gosto ver as suas caras de felicidade!...
Aquele entusiasmo no olhar era contagiante…
Dava para ver como são patriotas.

Ah!
E muita gente condecorada!...
É engraçado que não vi nenhum cidadão comum.
Daqueles que no dia-a-dia fazem milagres para viver!...
Será que foi lapso?
Já sei.
São demasiado insignificantes e passam o tempo a trabalhar.
Isto quando têm trabalho, claro.
Também, gente assim tão sem importância nem sequer abrilhantava a cerimónia.
São mais necessários quando há eleições claro.

Pobre povo usado e sempre ignorado!..

Abraço.


sábado, 9 de junho de 2012

Bucólico é isto

















A natureza é misteriosa.
O mar aqui ao lado estende-se.
Ora preguiçoso, ora enfurecido.
Dele chegam-nos sons fortes e indecifráveis.
Longo, azul e sem fim à vista.

Mais próxima, a floresta estende os longos e fortes braços, que nos envolvem num abraço grande e interminável.
Dela chega-nos uma mistura de cheiros.   
Chega-nos um espaço imenso...
Livre.
Livre de sinais de proibição, de parques de estacionamento, de sentidos proibidos.
Chega-nos a liberdade.

Sempre gostei do silêncio e da privacidade.
Talvez não fosse por acaso que vim parar a este sítio, que me acolhe há já trinta e tal anos.
E a cidade aqui a trinta quilómetros...
Ir lá?
Não me atai.
Só esporadicamente.
A propósito de um ou outro assunto necessário.
O mínimo de tempo.
A poluição ambiente e sonora, não condiz comigo.
Falta-me o cheiro a terra e a maresia.
Falta-me o voo rasante dos pássaros.
O cantar dos galos.
O ladrar dos cães.
O linguajar engraçado das gentes locais.
Falta-me o silêncio que tanto aprecio.
Falta-me o calor da relação entre as pessoas.
Preciso de não me sentir apenas mais um número na estatística
Preciso de sentir proximidade.
Preciso de sentir calor.

Este ambiente bucólico, traz-me calma e paz.

Abraço.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Terras esquecidas















Era uma terra aconchegada.
Aconchegada numa concha rodeada de verde.
Transpirava vida, aquele pequeno naco de Mundo.
As serras que a envolviam eram como sentinelas.
Observavam em silêncio o trabalho árduo que as suas gentes executavam.
Começava cedo a jorna.
Terminava já tarde e com o corpo moído de tanto mourejar.
Quando a noite se fechava, o escuro de breu instalava-se.
Em casa, a luz das candeias de azeite ou dos candeeiros de petróleo nas famílias com mais posses davam uma luz sumida e difusa.
Na rua era o silêncio.
Apenas o som de algum retardatário que chegava.

Depois da ceia e dos escassos haveres arrumados, era a vez de descansar.
Desse descanso fazia muitas vezes parte uma visita à família ou aos amigos.
Percorriam-se as ruas escuras sem dificuldade nem perigo.
As pedras grosseiras e irregulares eram por demais conhecidas.
Eram pedras gastas de tanto pisar.
Sem medo, sem dificuldade.
Eram pedras cúmplices.
Partilhavam com quem as pisava alegrias e tristezas.
Eram companheiras de uma vida
Nessa terra de ninguém e de tantos, viviam esquecidos cidadãos iguais a tantos outros.
O Mundo era-lhes vedado.
Hoje, daquela Terra resta pouco.
Até as pedras agora iluminadas, mudaram.
São novas, quase todas.
O tempo e a evolução encarregaram-se de as substituir.
Nas noites de breu, a luz eléctrica deu-lhes brilho.
Nós, os esquecidos da altura, temos saudades do silêncio e do escuro.

Ou, se calhar, não...
Temos apenas saudades do nosso Berço.
Aquele Berço que nos embalou no nosso sono de meninos. 
.
Abraço.