segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ser e parecer















Costuma-se dizer que nem tudo o que parece é.
Ao passarmos pela vida tão fértil em contactos, conhecimentos e relações,
vamos constatando que, na verdade, é assim mesmo.
Muitas vezes, passamos anos ao lado de pessoas que não se dão a conhecer.
Que são actores disfarçados em permanência.
Que nos fazem acreditar que são gente amiga, gente que merece a nossa estima e consideração.
Mesmo convivendo paredes-meias o dia-a-dia, só nos apercebemos que ali há artista, quando somos surpreendidos por esta ou aquela atitude inesperada e desprovida.
Desprovida de pudor, de dignidade e da falta de amizade que até parecia de verdade.

Aí, os incautos, os ingénuos, os otários e tal, e tal…têm aquela desilusão!
Quando a vida se vive de boa-fé, estas surpresas, no mínimo, indignam quem com elas se depara.
É nesses momentos que damos connosco a reflectir.
Porquê?
Como é que não demos conta de tal engodo!...
Como é que, na nossa boa-fé, não vimos o que seria tão óbvio.

É mesmo, o que parece nem sempre é.
Cuidado com os «actores» de pacotilha!...

Neste ambiente descontrolado em que vivemos, cuidado com os embusteiros.
Com os profissionais da mentira e da hipocrisia.

Abraço.

sábado, 14 de julho de 2012

O tempo
















O tempo é uma amálgama de segundos, minutos, horas, dias, meses e anos, que se sucedem uns aos outros, sem parar.
O tempo é a vida a correr, ainda que nos mantenhamos parados.
O tempo, são os bons e os maus momentos por que passamos, mesmo estando desactivados!...
O tempo é vida.
É vida melhor ou pior.
É ser feliz ou estar triste.
É um dia de sol ou uma noite de trovões.
De chuva que fustiga as vidraças e abana as árvores até vergarem.
O tempo é a vida a escoar-se por entre os dedos.
Somos nós todos, a competir.
A sermos intolerantes.
A deitarmos fora oportunidades de viver.
O tempo, é uma roda gigante que não para.

Abraço.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Os canudos e os créditos
















Muito se tem falado de canudos e de créditos.
No meio desta bagunça, fica a ideia que a intrujice oficial ainda resulta.
Quando se toma conhecimento de situações como aquelas a que temos vindo a assistir, não podemos deixar de pensar quanto valem os compadrios!
Quantas pessoas mereceriam uma licenciatura à base de créditos?
Quantas e quantas têm dado a sua vida a um trabalho honesto sem horários e às vezes até sem honorários!
Pois é.
Nem todos têm direito a benesses destas.
Por mim, não fora este cheiro a coisa arranjada e segundo parece única, até se poderia avaliar a situação de uma forma tranquila.
Um canudo afinal é o quê?
Será uma forma de aceder mais rápido a um lugar de destaque entre os pares?
Ou será que é apenas para encher o ego que precisa de se lambuzar?  
É complicado damo-nos conta de como a sociedade é ainda tão tacanha e provinciana!
Um canudo não é motivo para se perder tempo a falar dele.
Mas há uma coisa bem mais importante que merece algum reparo.

Como é que uma Universidade embarca numa situação destas?
Como é que um cidadão «honesto» (?) aceita tanto facilitismo?
Isso, sim, dá que pensar!

Abraço.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Uma praia diferente

















É a minha praia de eleição, no Verão e no Inverno.
Um recanto acolhedor e calmo.
Escarpas milenares onde a Natureza tem feito milagres.
É bonito de se ver e muito bom de se sentir.
Depois… é a paz.
Na maioria das praias, nesta altura, não é tão fácil encontrá-la.
Ali, temos o espaço.
O ambiente.
E um odor diferente, impregnado de iodo e maresia.

O mar, esse, é atrevido, lá isso é.
Mas conhecendo-o bem, sabendo aproveitar o momento, é bom sentir as suas águas frescas, «lamberem» a nossa pele quente.
Dá vontade de repetir.
O corpo e a mente, parece que rejuvenescem.
É um abanão bom que dá mais energia à vida. 

Ainda gosto mais dela no Inverno
Naqueles Invernos rigorosos, ventosos e com chuva.
O mar agiganta-se.
Galga tudo como que a querer engolir o Mundo.
As rochas fortes e erectas travam-no.
Mostram a sua força.
Também elas depois de tanta batida, se impõem.
- «Stop. Nós também temos poder. Vimos da profundidade dos tempos. Tu, amigo, também tens que ter os teus limites.»

Assiste-se àquele duelo com admiração e espanto.
Aquelas rochas levam a melhor.

Imperiais e fortes, aguentam o embate.

É bonita esta praia.
Verão ou Inverno, ela faz a diferença.

Lá, a paz vem ao nosso encontro.

Abraço.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Desculpa de mau pagador















Mentiroso nós já sabíamos que ele era.
Mas assim quase em directo é demais.
Braga, Bosch.
Os trabalhadores esperavam por ele.
A recepção não seria a que lhe agradaria, por isso, escapou-se por outra porta.
Bem protegida pela certa!...
Até arregaçou as mangas e plantou uma árvore, imagine-se.
Mais tarde, e com um ar de pessoa séria, vem desculpar-se:
- Manifestações manipuladas…nhó… nhó…
Mente muito mal este Primeiro.
Nem o ar ensaiado o salva.
Será verdade o que as sondagens dizem?
Que este senhor ganharia novamente se fossem hoje as eleições?
Não acredito.
Este Povo não pode ser tão cego.
Tão surdo e sem sentimentos.

Ou tão masoquista?

Abraço.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Os Cangalheiros














Hoje ao ligar o televisor, deparei com um friso de senhores do governo em «carreirinha».
Todos, de preto vestidos.
O meu pensamento imediato:
Um grupo de cangalheiros?
Urubus?
Também poderia ser.
Ao fim e ao cabo rasam as nossas cabeças e arrancam de nós o que podem!
Só sei que foi uma visão muito pesada, a que me passaram aqueles senhores de negro.
Pensando melhor, a indumentária que usavam até combinava com o estado em que o país se encontra.
Com o estado em que eles e outros o puseram.
Claro que eles vestem preto para cumprirem o protocolo, não por qualquer desgosto.
Porque haveriam eles de andar tristes?
Ordenados chorudos, mordomias e ainda outras facilidades que lhes vão anafando ainda mais as contas bancárias!...
Eu é que fui sugestionada.
Crise, desemprego, fome… logo, luto.
Luto, cangalheiros.
Cá no fundo, no fundo, se calhar, o ar lúgubre que apresentavam encaixava na maior naquela profissão tão desagradável para todos.
Que coisa mais tétrica!... 
Foge!...

Abraço.

domingo, 1 de julho de 2012

Olá!

















Ainda aqui estou embora não pareça.
Apenas tem estado a acontecer um fenómeno, que me parece normal.
Não me tem apetecido pegar neste amigo.
Amigo certo, que tantas vezes já registou o meu sentir.
Pois é.
O tempo de praia começou, as saídas são mais frequentes e longas, e o tempo fica mais escasso.
Tudo com calma e sem stress.
Enquanto for possível, é preciso que a vida seja não só vivida, mas também saboreada.
Degustada devagar.
Apesar de termos aí o Verão em pleno, continuamos com a sensação de que falta qualquer coisa.
Nesta zona aqui, falta o calor!
O calor a sério, a que estamos habituados.
Aquele calor que amolece, que nos faz quase «desligar».
Sinal dos tempos.
A mudança também chegou por esta via.
Em contrapartida, temos o vento.
Esse mal-amado de que ninguém gosta.
Que estraga os dias de praia e retira a quem precisa o verdadeiro prazer de umas boas férias.
Por mim aproveitarei o tempo como puder e melhor me aprouver.

Abraço.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O útil e o agradável



















Faz quatro anos em Setembro que decidi levar muito a sério a ocupação do meu tempo.
Houve muitas coisas que durante anos não tive oportunidade de fazer.
Agora, livre como um passarinho, resolvi aproveitar.
Faço o que me dá mais prazer.
Faço também o que acho que me faz mais falta.
Procuro manter-me o mais activa possível.
Tanto a nível físico como intelectual.
Não permito que a inércia e o tédio passem sequer por perto.
Há tantos motivos de interesse que nos enriquecem em cada dia!
Confirmo hoje o que sempre pensei.
A reforma para mim não está a ser uma «tragédia». Está a ser, sim, a abertura de outros caminhos.
Está a ser uma oportunidade para me enriquecer um pouco mais.
Dediquei-me toda a vida à profissão.
As crianças eram quem me tinha quase a tempo inteiro.
Agora concedo-me o direito de ser dona de mim.

As várias pequenas grandes ocupações que tenho deixam-me de coração cheio.
Sem tempo nem sequer para pensar nas mediocridades que, por hipótese, poderiam incomodar-me.
Penso que a alavanca que sustenta toda esta força, é o facto de nunca, em momento algum, ter deixado de frequentar o ginásio.
O exercício, o convívio e a forma como lá sou tratada deixam-me feliz.
O mar e a vida ao ar livre, também têm ajudado muito.
Tenho a certeza de que, por tudo isto, consigo viver melhor.
E a partir daí, relativizar o que não me interessa.

 É bom poder fazer o que me apetece.

Abraço.

sábado, 23 de junho de 2012

O milagre da Natureza


















Ao analisar tudo o que me rodeia, cada vez fico mais agradecida à Natureza.
É sem dúvida muito bonita, esta enorme dádiva com que fomos presenteados.
Agora então, que está tudo tão deliciosamente bonito!...
Se analisarmos um pouco, tudo à nossa volta se mostra na pujança máxima.
Se formos minimamente sensíveis, não nos passa despercebida a beleza das flores e das plantas, grandes ou minúsculas
Tudo brotou e rejuvenesceu.
Tudo é cor e vida.
Depois, analisando com algum pormenor, deparamos com espécies de uma beleza, que nos deixa a pensar: como é que isto é possível?
Haveria muitos exemplos para mostrar, mas vai apenas um que me fascinou.
Colheita feita aqui, muito próximo de mim.
Pode parecer nada para alguns, pode parecer uma bizantinice para outros, uma coisa de somenos importância até.
Somos diferentes na sensibilidade.
Estas dálias fascinaram-me.
Na próxima época, vou alindar o meu pequeno jardim, com mais um destes exemplares.
Ficará de certeza ainda mais bonito.

A Natureza é, sem dúvida, um belo presente.
.
Abraço. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Julgar é difícil















Aqui está um tema que daria pano para mangas.
De vez em quando já ouvimos notícias de que alguém foi condenado mas é inocente.
Cumpriu pena e só muito mais tarde se chega à conclusão de que foi uma injustiça.
Situações destas acontecem e indignam qualquer um.
Uma questão se põe: por que acontecem injustiças destas?
Quem é ou quem são os responsáveis?
Dá que pensar.
Dá também para imaginar o sofrimento calado das vítimas.
A revolta perante a monstruosidade cometida.
O remoer dia após dia, a injustiça.
A vida perdida.
A tristeza sempre presente.
Moendo, moendo e remoendo...
Um drama sofrido na solidão de uma cela trancada.
A proibição de viver.
A condenação na praça pública.

O que dará origem a situações destas?

É certo que todos temos o direito de errar.
Mas…errar em situações desta responsabilidade, não será muito normal.
Será que a formação dos profissionais não é o que deveria ser?
Será que a análise dos processos é feita com ligeireza?
Será falta de capacidade para julgar?
Ausência de preparação moral e intelectual?
Ausência de sensibilidade?
Difícil concluir.

Difícil também de aceitar.

A vida e a honra de alguém merecem mais respeito
Capacidade e ponderação.
.
Abraço. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Vale a pena ter qualidade




















Vivemos num Mundo de «mintirinha»…
Um Mundo onde não conta o que se é, mas o que se parece.
Parecer que somos gente séria.
Que somos competentes.
Que somos amigos.
Que somos leais.

Parecer, parecer, parecer…

Às vezes, depois de analisar o que se vai passando, penso que este mundo é um mundo de falsidade.
É um mundo sem qualidade.
Poucos notam a sua falta, e poucos a exigem.
Num mundo assim, qualquer medíocre faz um figurão.
Basta ter um bom carro.
Um emprego médio.
E pose.
Sim, a pose faz parte do cenário de qualquer medíocre.
É importante.
É claro que o «invólucro» ajuda.
A «venda» é mais fácil.
Leva mais rápido ao engano.
Não é preciso ser um bom profissional.
Um cidadão de cabeça limpa de teias de aranha.
Criativo e empenhado.
Uma pessoa simples, honesta e generosa.
Basta a tal pose.
Civismo e educação é assunto que se desconhece, passa ao lado!
Se não fosse assim, haveria qualidade!
E… não interessa.
Vive-se bem mais à vontade na cavalariça.  

Bom, concluindo.
Algo deve ser feito para que a qualidade volte.
Pelo menos alguém que se preocupe em mostrar que a tem.
Sem artifícios forjados.

Ainda que, para isso, tenhamos que ser considerados bichos de uma espécie rara.

Esta bagunça está a precisar de qualidade.

Abraço.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Apenas um estímulo


















Somos um povo cabisbaixo e quase sem sorriso.
Fechamo-nos e vivemos sozinhos muitos dos nossos dramas.
Refugiamo-nos na nossa concha que nem bichinhos e até parece que gostamos de sofrer.
O masoquismo faz parte de nós, é genético.

Bem diferente é o povo brasileiro.
Facilmente vai à luta e procura desdramatizar.
São desinibidos, bem-dispostos e têm música dentro deles.
Têm nela um escape bom.
De sorriso fácil, distribuem simpatia.
Nem que, bem lá atrás, haja dificuldades e problemas.
É um povo positivo, de jeito dengoso e sabe que o é.

Nós para sairmos da casca temos que ser muito estimulados.
Por exemplo: um estímulo que funciona é o futebol.
Penso que será a melhor forma de pôr a maior parte dos portugueses a sorrir. 
A exteriorizar e a partilhar.
Partilhar entusiasmos, alegrias, tristeza, indignação…

O futebol faz milagres mesmo.
O futebol é a única coisa que faz esquecer a crise e todos os outros problemas.
Pelo menos por uns tempos.

Venham mais estímulos.
Destes ou de outros.

Abraço.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Brigada de salvamento

















Não são bem meus vizinhos, mas separam-nos apenas uns escassos
trinta-quarenta quilómetros.
Passam por cima da minha casa com frequência.
Vejo-os a treinar na zona do Meco.
Fico sempre de olho arregalado a seguir as manobras que fazem.
Não sabia é quem eram, de onde eram.
O que faziam.
Hoje foi desvendado o mistério.
São a Brigada de Salvamento da Força Aérea, sedeada no Montijo.
Se bem percebi, Brigada Setecentos e Vinte e Cinco.

Soube hoje, porque vi, que têm uma missão muito nobre.
Correm a salvar vidas, onde quer que os chamam.
Foram eles, por exemplo, quem salvou os pescadores que andaram dias à deriva no mar, dentro de uma balsa.
Depois de quase perdidas as esperanças, apareceram eles.
São eles que vão sem hesitar à Madeira ou a qualquer outro sítio, transportar feridos graves, grávidas e, quantas vezes, ajudar os bebés a nascer.
São eles que correm riscos e com orgulho arriscam até a vida.
São eles que, apesar de não se quererem envolver nas situações que vivem, se emocionam até às lágrimas quando têm na sua frente um bebé prematuro acabado de nascer.
Salvo por eles e a acabar de crescer na estufa da maternidade.
Isso, fizeram questão de ver no local. 

É reconfortante ver nos olhos daqueles militares ternura, emoção e orgulho por servirem quem precisa.

Haja alguém que faça ainda uso dos afectos.

Obrigada, Brigada de Salvamento Setecentos e Vinte e Cinco.
Fico à espera de vos ouvir e ver passar.
Vou seguir-vos com o olhar e desejar que o vosso treino seja proveitoso.

Abraço.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dez de Junho


















As cerimónias transmitidas pela televisão foram o mesmo de sempre.
Gostei sobretudo do desfile das forças em parada.
Acho piada àquele cerimonial.
Bem coordenado.
Vistoso.
E cheio de rituais.

Mal comparado, fez-me recuar uns bons anos, quando em Cabinda assistia às mesmas cerimónias, mas em pequenino.
Tratava-se de um batalhão apenas.
Lá, havia um pormenor muito engraçado: desfilavam ao lado dos militares, um cãozinho rafeiro e uma cabra.
Logo ao tocar a reunir eram os primeiros a apresentar-se.
Sem farda, mas com «espírito de corpo»…

Bom, mas voltemos ao dez de Junho.
Também gostei do ar entusiasmado das figuras principais do governo.
Dava gosto ver as suas caras de felicidade!...
Aquele entusiasmo no olhar era contagiante…
Dava para ver como são patriotas.

Ah!
E muita gente condecorada!...
É engraçado que não vi nenhum cidadão comum.
Daqueles que no dia-a-dia fazem milagres para viver!...
Será que foi lapso?
Já sei.
São demasiado insignificantes e passam o tempo a trabalhar.
Isto quando têm trabalho, claro.
Também, gente assim tão sem importância nem sequer abrilhantava a cerimónia.
São mais necessários quando há eleições claro.

Pobre povo usado e sempre ignorado!..

Abraço.


sábado, 9 de junho de 2012

Bucólico é isto

















A natureza é misteriosa.
O mar aqui ao lado estende-se.
Ora preguiçoso, ora enfurecido.
Dele chegam-nos sons fortes e indecifráveis.
Longo, azul e sem fim à vista.

Mais próxima, a floresta estende os longos e fortes braços, que nos envolvem num abraço grande e interminável.
Dela chega-nos uma mistura de cheiros.   
Chega-nos um espaço imenso...
Livre.
Livre de sinais de proibição, de parques de estacionamento, de sentidos proibidos.
Chega-nos a liberdade.

Sempre gostei do silêncio e da privacidade.
Talvez não fosse por acaso que vim parar a este sítio, que me acolhe há já trinta e tal anos.
E a cidade aqui a trinta quilómetros...
Ir lá?
Não me atai.
Só esporadicamente.
A propósito de um ou outro assunto necessário.
O mínimo de tempo.
A poluição ambiente e sonora, não condiz comigo.
Falta-me o cheiro a terra e a maresia.
Falta-me o voo rasante dos pássaros.
O cantar dos galos.
O ladrar dos cães.
O linguajar engraçado das gentes locais.
Falta-me o silêncio que tanto aprecio.
Falta-me o calor da relação entre as pessoas.
Preciso de não me sentir apenas mais um número na estatística
Preciso de sentir proximidade.
Preciso de sentir calor.

Este ambiente bucólico, traz-me calma e paz.

Abraço.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Terras esquecidas















Era uma terra aconchegada.
Aconchegada numa concha rodeada de verde.
Transpirava vida, aquele pequeno naco de Mundo.
As serras que a envolviam eram como sentinelas.
Observavam em silêncio o trabalho árduo que as suas gentes executavam.
Começava cedo a jorna.
Terminava já tarde e com o corpo moído de tanto mourejar.
Quando a noite se fechava, o escuro de breu instalava-se.
Em casa, a luz das candeias de azeite ou dos candeeiros de petróleo nas famílias com mais posses davam uma luz sumida e difusa.
Na rua era o silêncio.
Apenas o som de algum retardatário que chegava.

Depois da ceia e dos escassos haveres arrumados, era a vez de descansar.
Desse descanso fazia muitas vezes parte uma visita à família ou aos amigos.
Percorriam-se as ruas escuras sem dificuldade nem perigo.
As pedras grosseiras e irregulares eram por demais conhecidas.
Eram pedras gastas de tanto pisar.
Sem medo, sem dificuldade.
Eram pedras cúmplices.
Partilhavam com quem as pisava alegrias e tristezas.
Eram companheiras de uma vida
Nessa terra de ninguém e de tantos, viviam esquecidos cidadãos iguais a tantos outros.
O Mundo era-lhes vedado.
Hoje, daquela Terra resta pouco.
Até as pedras agora iluminadas, mudaram.
São novas, quase todas.
O tempo e a evolução encarregaram-se de as substituir.
Nas noites de breu, a luz eléctrica deu-lhes brilho.
Nós, os esquecidos da altura, temos saudades do silêncio e do escuro.

Ou, se calhar, não...
Temos apenas saudades do nosso Berço.
Aquele Berço que nos embalou no nosso sono de meninos. 
.
Abraço.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Monstros e bruxas



















Quando se é criança, quem não passou pela fase dos medos?
Medo dos monstros.
Medo das bruxas.
Diria até que nem sempre é fácil desdramatizar estes medos.
Quando eles se apoderam do imaginário infantil, é preciso saber como lidar com a situação.
Nos infantários, aparece sempre uma ou outra criança que tem pavor quando ouve uma história que meta esses personagens.
Muitas vezes são heranças dos adultos que as educam.
Pouca atenção, falta de tempo.
Ou desconhecimento da necessidade de resolver esses problemas.

Passaram por mim algumas crianças que, como se não bastassem os monstros e as bruxas, até um simples palhaço as fazia entrar em pânico.
As simples personagens de um teatrinho eram motivo de gritaria. 
Havia uma que gritava quando havia festas de aniversário: até as palmas e cantar os parabéns a assustavam.
Fobias mal resolvidas.
Se não forem abordadas com calma e alguma sabedoria, prolongam-se para o resto da vida.
São por vezes limitações que impedem os futuros adultos de terem uma vida livre de medos irracionais.

Abraço.  

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Grandes dias















Grandes dias ou dias grandes?
Tanto faz.
Apesar de estar rodeada de um ambiente muito agradável, de um conforto exterior que me permite usufruir do bom tempo, esta, decididamente, não é a época do ano de que mais gosto.
As flores estão no seu auge, as árvores luxuriantes, os passarinhos felizes e o sol sorri.
A praia é já ali.

Muito bem.
Aprecio muito tudo isto.
Penso até que sou uma privilegiada
Tenho uma óptima qualidade de vida, a todos os níveis, não seria melhor em qualquer outro lugar.
Contudo, sempre gostei mais do calor da lareira e do seu crepitar calmo e monótono.
Da chuva a bater nas vidraças, e das árvores a «chorar rios de lágrimas» que vão engrossar os caudais.
Tão necessários para o crescimento das colheitas.

Pois é, a terra onde vivo todo o ano mexe mais agora.
Apesar da crise, os turistas começam a aparecer.
Vêm gozar da tranquilidade e da qualidade das águas deste oceano sem fim.
Têm bom gosto
Há espaço para todos.
Com privacidade.
A areia quase não tem fim.

Dias grandes e grandes dias!... 

Abraço.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estados de alma















Todos nós, às vezes, temos um dia em que estamos menos bem-dispostos.
Mas às segundas-feiras, principalmente quando ainda tem que se cumprir horários e responder em termos profissionais, é que a coisa se agudiza um pouco.
Mas não é necessariamente só nesse dia.
Há pessoas que, por feitio, andam quase sempre em dias maus, com cara de poucos amigos, a falar de supetão.
Quem andar na rua principalmente de manhã e se der ao trabalho de observar os semblantes de quem vai passando, tem matéria para uns momentos de reflexão.
A conclusão não é animadora.
Pensando bem, poderemos concluir que os portugueses, regra geral, não andam felizes com o que fazem.
Ou com o que não fazem, sabe-se lá!...

O cenário é deprimente.
Rosto fechado, sobrolho carregado, boca em forma de fecho eclair, mais parece que vai tudo para um funeral.
Isto para não falar das enxaquecas de Domingo à noite.
Quando está já no horizonte mais um dia de trabalho.
Normalmente, a segunda-feira é uma «festa».
Uma «festa» de mau feitio...
De mau feitio e de embirrações.
Às vezes chega a raiar a falta de educação.
As relações nos locais de trabalho, e às vezes em casa, agudizam-se porque há quase sempre alguém com mau feitio, a azedar o ambiente.
Dá para concluir que em boa parte os portugueses são infelizes.
Em casa, no trabalho!...
Estão insatisfeitos e sentem-se frustrados.
Será que estão nas profissões erradas?
Será que têm falta de incentivos?
Ou será que, coitados, se sentem explorados e mal pagos?
Ou será apenas um estado de alma crónico?

Será tudo junto.
E mais a crise.

Abraço.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Às minhas tias



















O sorriso era espontâneo e verdadeiro.
O olhar era doce e com brilho.
O coração, esse, sei que transbordava de afecto.
Era assim que eu era recebida em casa das minhas tias Isabel e Emília.
Tive a sorte de ser presenteada com estes dois seres, que, apesar de tão diferentes, eram tão iguais a dar afecto.
O meu tempo era passado entre a minha casa e a casa delas.
Era uma amizade recíproca.
Era amizade, mesmo daquelas que já não se vêem muito.
Eu sentia necessidade delas e sei que para elas a minha presença era um verdadeiro presente.
Cada uma a seu jeito, davam-me tudo o que tinham.
A ternura, a amizade, a alegria, e… tudo.
Passámos juntas momentos de grande cumplicidade e divertimento.
Quando havia problemas, também eles eram partilhados com a naturalidade que existe entre amigos verdadeiros.  
Aconteceram momentos deliciosos.
A tia Isabel, apesar dos problemas pessoais e de saúde, transbordava humor por todos os poros.
Estava sempre pronta para conversar.
E como era divertida!
Contava-me com muita graça, episódios do dia-a-dia, que me faziam rir até às lágrimas.
Isto, a par dos desabafos que a magoavam…
Sempre tentando desdramatizar os acontecimentos.
Era assim que ela se defendia do que a magoava.
Era uma mãe-coragem.

A tia Emília era menos exuberante, mas era para mim igualmente doce e generosa.
O dia em que eu não a visitasse e não lhe desse algum tempo de mim, era um dia menos feliz para ela.
A confiança e amizade que nutria por mim eram sem tamanho.

Fizeram-me muita falta, estas duas tias.
Ainda hoje sinto o vazio que elas deixaram.
Fiquei com recordações boas para o resto da vida.
Principalmente do grande, muito grande afecto que sempre me deram.

Um beijo grande acompanhado do maior sorriso do Mundo, onde quer que elas estejam.
Sei que seria a melhor prenda que poderiam receber de mim.

Abraço.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mais memórias






















Tal como o meu blogue indica, guardo na minha memória, estórias e situações que me dá muito prazer recordar.
É impossível arquivar momentos, gestos, atitudes, cheiros e sons, que ao longo da minha vida fui registando e me marcaram.
Digo com verdade que foram tempos felizes e de que tenho saudades.
Hoje lembrei-me de um ou dois sons que, a par da água do chafariz, me acordavam todas as manhãs.
Eram eles:
- as patas dos burros: toc…toc… no alcatrão e
- as rodas dos carros das vacas: ram…ram… até o som se diluir na distância.
Eram sons monótonos e bucólicos que me transmitiam calma.
Acabava por voltar a adormecer e só voltar a acordar com outro som. bem mais barulhento.
Era a chegada do homem do peixe ao largo principal da aldeia.
Em altas buzinadelas, anunciava a chegada de pescado «fresco»?...
Aí, era a hora de despertar.
Despertar e misturar-me na vivência mansa e doce do dia que já tinha começado.
Era bom aquele ritual lento e calmo, aquela rotina boa dos anos sessenta, em que a paz reinava nos corações.

Abraço.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Até o tempo enlouqueceu




















Há um refrão popular que se adapta perfeitamente ao tempo instável que temos tido aí.
«Uma velha em Abril, queimou um carro e um carril…».
É mesmo.
Este ano, o frio mede forças com o calor e vice-versa.
Às vezes, apetece dar um salto à praia.
Outras, apetece a lareira.
A loucura dos Homens contagiou o tempo.
O tempo responde com agressividade.
Derruba gente, derruba a Natureza, derruba...

A propósito de derrubar:
Não há quem derrube a crise que nos atormenta?
Não há quem derrube os tubarões que vivem a sugar-nos o sangue?
Não há quem lhes deite a mão e os meta num sítio onde produzam alguma coisa?
Onde lhes mostrem o que é trabalho de verdade.
O que são sacrifícios à séria.
O que são as angústias, de quem não tem emprego nem comida.
Porque é que se trata esta gente com pinças?
Porque os deixam continuar a exibir o que arranjaram fraudulentamente?
Pelos vistos, neste país vale a pena ser «tubarão».

É como diz a anedota:
«Ós piquenino, bêdece ós grande!...
                                                      
Abraço.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tradições

















Tradições são aquisições culturais.
São uma herança dos nossos pais e avós.
São vivências por vezes tão intensas, que alguns de nós ficámos presos a elas.
Presos como que por cordas invisíveis.
Cordas tão fortes, que nos mantêm quase prisioneiros (no bom sentido).
É bom ficar preso às tradições.
Sabe bem revivê-las.
É como se de uma homenagem se tratasse.
As tradições são réplicas do passado.
São a nossa História.
São elas que nos mantêm ligados ao enorme útero donde viemos.

As nossas origens são uma força.
Uma força interior boa e às vezes nostálgica.
Uma nostalgia doce que nos preenche.

As tradições são a homenagem merecida a quem já partiu.

São mais uma festa dos afectos.

Abraço.

sábado, 19 de maio de 2012

O pato solitário














                                                                                 

Lá longe onde o mar «acaba» e o céu começa, era um mundo de espuma.
Debruçado sobre as águas, mirava-se no espelho imenso.
À primeira vista eram construções abstractas.
Analisando ao pormenor, viam-se as mais diversas figuras.
Desde gigantes barbudos a figuras de mulheres e homens desnudados, rebolando e fazendo lembrar orgias.
Grutas profundas, e passeantes.
Passeantes sabe-se lá com que destino!...
As pedras em que me sentava riam com bocas grandes e desdentadas
De que se riam as pedras?
Será que também viam o cenário surreal que eu descobri?
Ou será que riam dos Homens?
Que, loucos, não reparam no presente que é a vida?

Será que era da minha imaginação meio louca?
Ou seria do pequeno pato preto?
Sim, um pato empreendedor e solitário.
Só um.
Que, em jeito de submarino, procurava feliz o sustento.

A maresia forte e o cheiro a algas inundavam os narizes e o ambiente.
Uns pingos inoportunos de chuva interromperam a minha contemplação.
O pato solitário lá ficou.
Um ponto insignificante naquele espaço imenso feito de água.

Cá fora, o Mundo continuava
Com os homens confusos e inquietos.

Abraço.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A família



















A Família é a base da sociedade.
É nela que assentam os pilares que nos sustentam.
Foi dela que recebemos a matriz.
Foi dela que recebemos os genes, a personalidade e os valores.
É nela que procuramos refúgio, protecção e amparo.
Nas horas boas para partilhar alegrias, nas menos boas para pedir apoio e mimo.

Seria bom que fosse assim.
Seria bom, digo eu, que fosse sempre assim.
Só que, infelizmente, nem sempre a Família cumpre o seu papel.
Quando a indiferença, o gelo, o egoísmo e a desconfiança tomam conta, tudo se altera.
O desamor, falta de afecto e o egoísmo, são quem comanda.

Hoje em dia, no meio desta rede, a família não é mais a mesma.

Demitiu-se.
Está em desagregação.
Perdeu o encanto.
A Família tradicional, amiga, afectuosa e generosa, ficou diluída no meio de tantos outros interesses.
Os valores deixaram de ter sentido.
Deram lugar a um círculo fechado, onde se cultivam egoísmos.
A falta de afectos é notória.

Quanto a mim, andamos a correr para o abismo.
A tentar a felicidade que cada vez está mais afastada.

A vida assim não é vida, é apenas uma utopia.

Abraço.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Preocupante















Cada vez mais tenho a certeza de que estive sempre certa quando defendi o profissionalismo e o empenho na profissão que vivi.
Quando, com entusiasmo, li, reli, e fiz a formação que me foi possível.
Procurei sempre os melhores autores da especialidade, para alargar horizontes.
E não me limitei apenas ao bê-á-bá que me era imposto.
Aprender.
Aprender sempre, para poder transmitir.
Foi este o curso que tirei.
O da vida.
No directo, com muita vontade e muito, muito afecto.
Corrigindo os erros e tentando melhorar sempre.
Hoje na televisão, tive a prova.
A prova de que sempre estive certa.

Uma frase, só uma, foi o suficiente.
Uma professora do Ensino Básico que, meio consternada, dizia:

«Hoje em dia, o professor tem que educar, não basta ensinar»…

Grande descoberta a senhora fez!...
Grande docente esta..
Esta pessoa descobriu só agora a chave do problema.
A frase foi reveladora.
Conceito de Escola, zero.
A ignorância do que é tão importante.
Ensino e Educação são e serão sempre, indissociáveis.
É preocupante mesmo.
Um professor não podia ser tão limitado.
Não podia ignorar
Ignorar o centro da questão.

Esta frase foi suicida e reveladora
Foi uma pequena amostra da incapacidade que tem reinado e ainda reina.

Seria desejável que não houvesse incompetência, fosse qual fosse a profissão.
Mas no ensino, considero eu, com maioria de razão.

Este episódio trouxe-me à memória um diálogo que, há muitos anos, ouvi exactamente a duas docentes cheias de si.
Diziam elas estar cansadas de crianças «burras».
- «Ciganos? Miúdos carenciados? Que chatice. Não há paciência»!

Não me admirei muito.
As autoras só tinham o curso acompanhado de bazófia!...
Lembro-me que, sem dar nas vistas, me afastei.
O que ouvi foi esclarecedor.
Indignei-me, sim.
Na altura, ainda pensava que o mundo era feito só de gente com valores.
Com afectos.
E com amor!
Estamos sempre a ser surpreendidos.
Ou não!...

Abraço.

Atracção fatal




  

O mar!
Grande e largo.
Beleza ao natural.

Mistério.
Às vezes, mágoas e desgostos.

Ele está lá.
Imponente e incontrolável.
É uma força que atrai.
Atrai os homens.
Que, na sua pequenez, são levados a admirar a grandiosidade.
Às vezes a enfrentá-la.

No verão, pelo fresco das suas águas.
Pela maciez das suas areias.
Pela procura da liberdade.

No Inverno, toda aquela imensidão.
A turbulência, o ribombar das ondas, todo aquele ambiente misterioso…

«Donde vem tanta água, Dulce?»

O silêncio.
A solidão.
A introspecção.

O mar!
Gigante vivo.

A atracção, quantas vezes fatal!

Abraço.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Estio


















Nesta manhã de Maio, eis que o calor se apresenta furioso.
Um calor repentino. E quase só a brisa marítima o faz disfarçar um pouco a fúria.
Não sei bem porquê, fez-me lembrar a azáfama das ceifas.
Lá longe!
No tempo e na distância.
Estava eu a começar a ser gente.

Sempre olhei com respeito aquele ritual metódico e árduo.
Havia entre as pessoas, homens e mulheres, uma organização e inter-ajuda que acontecia quase em silêncio.
Como que com respeito pela calmaria
A dureza da tarefa não permitia grandes manifestações.
Só de vez em quando como que a disfarçar a mágoa de tanto sofrer, uma voz se levantava e cantava.
Cantava alto!
Arrastando por vezes outras.
A maior parte das vezes eram cantes melancólicos e arrastados.
O corpo moído e a voz ressequida não permitiam muito mais…

Havia sempre de serviço uma pessoa que chegava àqueles lábios sequiosos um pouco de água.
Jorrava de uma cantarinha de barro.
Todos bebiam do mesmo copo.
Normalmente, uma mulher executava aquela tarefa.
Uma mulher das menos resistentes.
Que ceifa não era para qualquer um.
Para consolo do grupo, havia ao meio-dia o «jantar».
Um jantar melhorado.
Os donos da safra faziam questão.

Escolhiam a melhor sombra.
Exaustos, sentavam-se no chão à volta da toalha recheada.
Duas coisas não podiam faltar: papas de carolo de milho e o vinho refrescado.
Não havia frigoríficos, mas havia quase sempre um poço ou uma ribeira onde meter o garrafão.

Outros tempos.
Não havia regalias.
Apenas trabalho.
Trabalho honesto e com respeito.

Dia de calor.
Que me fez recuar mais uma vez, à infância dos meus encantos.

Abraço.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Faz-de-conta
















Foi o que fiz durante trinta e três anos.
As crianças que me eram confiadas assim o exigiam.
Num infantário, a par do carinho, do afecto e da relação de confiança e de amizade,
existe essa vertente.
Brincar.
A brincar ao faz-de-conta se ensina e se aprende.
Ensinam-se as regras, os valores, a viver em sociedade.
Aprendem-se as bases para a vida.
Aprende-se o caminho para o conhecimento.
Assim, a brincar.

É bonito ver o resultado conseguido.

Ao faz-de-conta.

Fazemos de conta que somos as filhas, as bebés, os médicos, a vendedora do super mercado, enfim tudo o que a imaginação der.
É uma vida exigente, mas compensadora, quando feita com amor.

Bem diferente da vida real.
Essa, sim, é um faz-de-conta permanente.
Mas um faz-de-conta mentiroso.
Hipócrita.
Cheio de despeito e invejas. 
Um faz-de-conta que só serve para satisfazer o ego.
Ego que está vazio de valores e afectos.

Faz-de-conta que somos o que não somos!...

Abraço.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vai uma «ganza», meu?


















Pode acontecer que eu esteja a ficar um pouco desactualizada, relativamente a
alguma juventude que por aí habita.
Talvez por isso, fiquei espantada com a manifestação composta quase só de jovens muito jovens, a pedir a legalização da canabis.
Francamente que me chocou.
Chocou-me que um meio de comunicação dedique tempo de antena a manifestações que podem levar ainda mais gente para o fundo do poço.
Chocou-me ainda mais a idade prematura dos manifestantes.
Jovenzinhos, alguns quase imberbes e sem a maturidade atingida.
Lá iam na onda!...

Onde andam os pais e os educadores destes jovens?
O que se faz (ou não) na Escola para esclarecer esta gente?
O que se pretende quando se dá cobertura a manifestações destas?
Será que é preciso incentivar ainda mais a moda da «ganza»?

Depois, a imagem daquele «resto» de mulher, prematuramente envelhecida?
É atractivo caminhar para ali!...
Vá, jovens, esforcem-se!
Aquilo é apelativo!
«Olha» o que vos espera…

Quanto a mim, ainda que a vida não esteja fácil, não é assim que se resolvem problemas.

Foi chocante olhar.

Ainda por cima com aquela visibilidade

Abraço.

sábado, 5 de maio de 2012

Mãe há só uma
















Cá estamos nós em mais um dia de…

Desta vez é dia da Mãe.
Infelizmente, já não tenho a minha comigo em termos materiais.
Tenho-a, sim, e sempre, no meu coração.
E muitas vezes, muitas, no meu pensamento.
Apesar do tempo que já passou, ela ainda hoje me acompanha nos momentos bons e menos bons.
E será assim até ao fim dos meus dias.
Guardo comigo a recordação de uma mãe boa, generosa, e amiga sem condições.
Nunca precisei de um dia especial, para ter com a minha mãe atitudes de ternura e gestos de carinho.
Entre nós, eram atitudes normais no dia-a-dia.
Dia da Mãe era todos os dias, de todos os anos.
Tivemos sempre uma relação forte.
Afecto era um sentimento sempre presente.
Tenho a certeza que, por esse motivo, sempre me senti privilegiada.
Sempre me deu muito prazer ser afectuosa com os outros.
Foi dela que também copiei os valores que ainda hoje me acompanham.
.
Não tenho a menor dúvida de que os seus exemplos serviram de matriz para o meu futuro.

Obrigada à minha mãe, onde quer que ela esteja.
Pelos ensinamentos, pelos valores e pela educação.
E claro, pela ternura que sempre teve no olhar.
Triste pelas partidas que a vida lhe pregou ainda muito jovem, mas meigo e carregado de amor.

Os momentos difíceis que passámos juntas, foram uma força que nos uniu.

Até sempre, minha mãe!

Abraço.   

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Marcas que ficam















Desde que nascemos até que morremos, somos marcados por acontecimentos.
A variedade é muita.
Algumas marcas chegam mesmo a deixar cicatrizes.
Cicatrizes de uma certa profundidade.

Vi há dias no programa Alta Definição da SIC, a entrevista que Carlos Daniel fez ao actor Vítor Norte.
Um grande actor.
Contudo, impressionaram-me as marcas.
Algumas delas muito profundas.
No rosto e mais ainda na alma.
Lembrei-me também do que há tempos correu numa certa imprensa.
Principalmente a cor-de-rosa.
A propósito de um problema familiar de certa profundidade, tentaram denegrir-lhe a imagem.

Pobres diabos ignorantes e maus.
Sabem lá eles o que se passa atrás das vidas de cada um?
Claro que não sabem.
Nem lhes interessa saber.
É preciso é vender muito lixo.
Muito, muito, quanto mais melhor.

Não entendem, nem imaginam, o que quer dizer ter estado numa guerra colonial.
Forçado, ainda por cima.
A defender-se para não morrer.
Nem sonham as marcas que ficam.
E que, porque não são compreendidas, têm que se disfarçar.
E magoam, magoam por dentro.
Ainda que não se queira.

Não há forma de sentir.
Mas talvez tentar perceber.
Quem sabe, tentarem pôr-se no lugar de quem por lá passou!...

É o mínimo que se exige.
Como eu compreendo o Vítor Norte!
Por detrás daquela couraça, há um homem com muitas marcas internas.
Sensível e a tentar fazer de conta que não as tem.

Abraço.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Fora de tempo














Os campos vestem-se de grinaldas de rosas de todas as cores.
À vista, temos a Primavera.
Só à vista, porque não se sente na pele.
O sol anda envergonhado, o vento assobia com vontade de ser ouvido.
A vontade de sair e usufruir da paisagem é menor do que a necessidade de ficar enrolada num sítio acolhedor e calmo.
O espaço exterior sente a falta.
As ervas ficam mais à vontade para crescer.
As folhas parecem pássaros a voar sem destino e sem rumo.
As flores parece que sentem a falta da presença humana.
Gostam de ser acarinhadas as flores.
Ficam com um aspecto mais fresco, mais forte.
Sentem-se protegidas.
Transbordam de vida.
Até a natureza precisa de ser mimada.

E hoje é Maio.
É o início do caminho para o calor.
Mas… como tudo mudou!
Hoje, e apesar disso, a lareira ainda faz falta.
Lá fora, o ambiente mais parece de Outono.

Aguardemos o sol que dá energia.
Que aconchega a terra que dá as flores.

Talvez este frio fora de tempo vá embora e nos deixe livres para apoiar as flores e as plantas.
E abraçar sol.

Abraço.