terça-feira, 4 de setembro de 2012

Será que há destino?










                                                                                                                                                                             Foto: 
Au 
Revoir, 
Portugal




Anos sessenta.

Era um rapaz normal.
Brincalhão, alegre, amigo.
Um jovem irreverente e que fazia gala disso.
Próximo de ir cumprir o serviço militar, cometeu um deslize que pagou caro.
Ao fazer uma oral foi chumbado.
Aparentemente, o professor que o examinava não gostou do ar malandro.
Não suportou a juventude sarcástica e a sua cara de quem não leva a vida muito a sério.
A coisa correu mal.
Pouco depois, na pauta lia-se o equivalente a:
-Fulano de tal, chumbado.

O jovem não esperava (ou esperaria?).
A raiva foi maior que o bom senso.
Uma espera à porta do liceu e pumba! Pumba, pumba!...
O professor sentiu a violência e a humilhação.
O jovem satisfez os seus instintos primitivos e animalescos.
Não se controlou.
Mais tarde, arrependeu-se.
Um processo em tribunal anunciou:
-Dois anos de cadeia.

Não, isso nunca.

Os passadores para a França viviam dos aflitos.
Pela calada:
-Quanto é?
Decidiu-se.
Em completo segredo e com uma trouxa minúscula disfarçada, começou a aventura marcante e violenta.
Apanharam-no ao lusco-fusco, à saída da aldeia.
Puseram-no na fronteira.
A partir daí, salve-se quem puder.

A pé quase todo o caminho.
Cansaço, fome e sofrimento, muito.
Teve que ser levado em braços pelos companheiros.
Única forma de lá chegar.  
Os seus pés não aguentaram tanta exigência.

Chegado a França, as dificuldades foram múltiplas.
Nunca mais foi o mesmo jovem.
Ficou anos sem poder voltar.
Contactou-me sempre.
Saudades, muitas.
Também muitas asneiras cometidas.
Morreu aos cinquenta e tal anos.
A doença da moda também o venceu.
Deixou um livro como testemunho.

Era meu primo e muito meu amigo.
Nunca esquecerei os bons e também os maus momentos que passámos.
Lembro-me muito de ti e da tua boa disposição.
O destino, se é que existe, traiu-te em toda a linha.

Eras um bom malandro, Balé!...

Abraço.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A ribeira da minha infância






Era ainda manhã fresca.
O cesto rústico, enchia-se com todos os pertences para as duas refeições do dia.
Em grupo, rumava-se à ribeira.
O dia seria passado ali, no campo.
Ainda não se dizia «Vamos fazer um pique-nique».
Dizia-se apenas «Vamos passar o dia».
E que dias que se passavam naquele local frondoso e fresco.
As mães lavavam a roupa e nós chapinhávamos.

Depois de uma caminhada de mais ou menos vinte minutos em amena cavaqueira, eis que chegávamos.
A descida até à ribeira era feita apressadamente, como que com medo de já não a encontrar.
Aquele recanto fresco, e onde o silêncio se impunha, era muito acolhedor.
Era debaixo da ponte em abóbada que nos instalávamos.
Fazia eco se falássemos mais alto.
O silêncio quase doía.
Havia paz ali.

Entre amieiros frondosos e as margens forradas de calhaus, a ribeira conduzia as suas águas cristalinas, que serviam também para regar os campos sequiosos.
Nós, os mais jovens, fazíamos as nossas traquinices.
Entre elas pescávamos peixinhos e rãs, que posteriormente, fritávamos numa frigideira levada para o efeito.

Brincadeiras também não faltavam.
E banhos.
Acompanhados de escorregadelas nas pedras escorregadias, de limos de tantos anos!
Termino com uma quase anedota de uma idosa muito idosa que uma vez nos observou,
quando tomávamos banho de perna ao leu.

Assim, tal e qual: 
«Deus ma mim livrara que eu pujesse auga no mê corpo»!...

Outros tempos, outras mentalidades.

Mais verdadeiras e afectuosas de certeza…

Abraço.

domingo, 2 de setembro de 2012

Gratidão


















Quando penso na situação do nosso país onde as dificuldades são muitas, dá para ver que as pessoas se fecham, se afastam do convívio com os outros e cada vez o isolamento entre si é maior.
Logo, a falta de convivência torna-as mais egoístas e egocêntricas.
Não se entendem entre si e as relações azedam não se sabendo muitas vezes o porquê.
O que eu noto é que estamos perante uma sociedade fechada e sem capacidade de diálogo.
Quando se tem a sorte de encontrar alguém de bem, com quem possamos partilhar os nossos tempos de lazer, podemos dizer que somos gente de sorte.
Felizmente, ainda há gente dessa.
Gente simples, honesta e generosa.
Que é amiga sem qualquer interesse.
Que ajuda só porque gosta de o fazer.
Que tem prazer em conviver e dialogar.
Que tem prazer em se entregar a uma amizade.
Não é fácil encontrar-se hoje gente com estas características.
No contexto existente, o que temos na frente é um mundo frio e insensível.
Diria até desumanizado.

No que a mim diz respeito, considero-me uma pessoa com sorte.
Encontrei um bocadinho de mundo que não tem nada a ver com aquele que em cima referi.
É um mundo onde se interage, se dialoga e se convive com prazer.

Nem sempre a vida nos é madrasta.
 
Abraço.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tanta plástica!




É um espanto.
Neste e noutros países, os cirurgiões plásticos não devem ter tempo nem sequer para olhar para o lado.
Não há cara, peito, e outras «peças», que não se tenham já submetido à recauchutagem.

Não há dúvida de que, hoje em dia, a imagem é que conta.
Como tal, vá de tirar daqui e pôr ali, para que tudo se mantenha «no lugar».
Aceitar a idade, as marcas do tempo é que não.
Não assumem os estragos que a idade vai deixando.
O peito descaído, o rabiosque mole, a pender para o chão.
A flacidez que teima em se fazer notar!...
Correm esperançadas em que a técnica e a ciência os e as mantenham com o aspecto dos vinte anos.
Tão depressa se vêem murchas e desfolhadas, como aparecem com cara de bonecas de porcelana e corpo de Barbies.
Ainda há dias, um desses célebres cirurgiões portugueses, disse, até um pouco constrangido, que já tem recebido senhoras com fotos de outras, para que ele faça igual!...
É para ele um trabalho delicado, ter de as fazer perceber, que, serviços daqueles, ele não os faz.
Quando se chega à situação de não nos aceitarmos, algo tem que correr mal com o nosso ego.

É preciso aceitar que a vida tem as suas fases.
Por muito que a ciência consiga, não consegue impedir ninguém de envelhecer.
Quando muito, melhora aspectos por uns tempos.
Depois, tudo vai murchar um dia.
É bonito assumirmos as nossas rugas.
A nossa idade.
É saudável aceitarmo-nos como somos.
O fim irá chegar um dia.

Essas mesmas senhoras recauchutadas, só durante algum tempo manterão um aspecto rejuvenescido.
Mesmo com as revisões, há-de chegar o momento em que a recauchutagem já não resultará.

Abraço.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A vida






A vida é o futuro interrogado.
É um dia a seguir ao outro.
É o amanhã sem certezas.
É o tempo a correr.
A lua a esconder-se.
O sol a nascer.
Os filhos a crescer.
Os anos a passar.
O trabalho a falhar.
As desilusões a surpreender.
A vida é a morte anunciada.
E nunca prevista.
A vida é uma amálgama de situações.
Agradáveis ou brutalmente marcantes e amargas.
A vida é carga que não se vê mas se sente.
É «suspense».
É o futuro escondido
Que também tem o seu lado bom.

Abraço.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Brincadeiras





Juro que quando arranquei com este meu blogue, o fiz quase como um desafio a mim mesma.

Sem qualquer experiência de escrita «para ser lida», achei que não conseguiria fazer-me entender.
A surpresa não se fez esperar.
O meu «editor», jornalista de ocupação, teceu-me elogios.
Incentivou-me.
A partir daí, parece que foi doença que se entranhou.
Há dias em que, apesar de achar que não tenho tema, sou empurrada para o computador.
Aconteceu isso hoje mesmo.
Acontece-me isto muitas vezes.

Já cheguei à conclusão de que não preciso de preparar nada.
Basta deixar fluir o pensamento.
Comecei com o que eu achei que seria uma brincadeira, há um ano e oito meses.
Já escrevi quatrocentas e vinte e uma mensagens e já tive quase seis mil visualizações.
Atingi um número de visitas que nunca sonhei.
Já houve um dia de cinquenta e quatro!
Isto que para muita gente será nada, para mim é gratificante.
Uma vez que, como disse logo no início do blogue, isto é um espaço intimista e muito pessoal.
Nunca pensei que alguém tivesse paciência para mim!...
Com raríssimas excepções, tenho sido bem aceite.
Apenas um ou outro caso de analfabetismo intelectual enraizado.
Coisa de somenos importância!

Obrigada a todos
É bom passar alguns momentos do meu dia na vossa companhia.

Uma pequena nota.
Não costumo responder a comentários.
Apesar disso, sempre que aparecem são bem-vindos, desde que com respeito e correcção.
Escusado será dizer que fico ainda mais vaidosa!...

Muito obrigada.

Abraço.

domingo, 26 de agosto de 2012

Auto-estima





















Neste país depressivo, só com muita força de vontade se arranja um pouco deste ingrediente que é a auto-estima.
É preciso força de vontade para puxarmos por nós e nos mantermos em cima.
Quando se tem uma vida de instabilidade e incerteza, o que menos apetece é tratarmos de nós, da nossa imagem.
Ainda assim, é preciso não cedermos.
Uma situação de desleixo, depressiva, só nos leva ainda mais para baixo.
Temos que parar e mimarmo-nos.
Olharmo-nos ao espelho, por que não? E gostarmos do que vemos.
Melhorar a postura, tomar decisões que nos façam sentir melhor, mais confiantes e seguros.
Não descuidar a imagem é essencial.
Sem excessos, nem artificialismos.
A beleza natural é a mais bonita.
A que vem de dentro, suave e discreta.
O exercício físico é uma condição para ir ao encontro da boa disposição e de um espírito mais leve e jovem.
O nosso aspecto confiante inspira à partida uma melhor aceitação junto de quem nos rodeia.
Estarmos de bem connosco e com os outros, é condição essencial.   

Auto-estima.

Uma das condições para suportar os sádicos.
Os que vivem «felizes» a imaginar a infelicidade dos outros.

Auto-estima precisa-se.

Abraço.

sábado, 25 de agosto de 2012

O calhau




Arrepiou-me.

Aquele senhor apessoado, frio, muito bem na vida, a vomitar bem-estar, disse.

E o que disse!

Se eu fosse funcionária da R.T. P, estaria neste momento muito inquieta e triste.
Ser tratada como material descartável, como se de um boneco se tratasse, é muito mau.
Aquele senhor, apresentou um plano, que em tudo parece já ser um veredicto..

Gelado, tipo robot.
- E os trabalhadores, vão ser despedidos?
Com a maior das friezas:
- Sim, se o concessionário achar que sim, é claro que serão.

Assim, sem dó.
Material que já deu o que tinha a dar.
Não é mais necessário.
Lixo.
Nem um sinalzinho de sensibilidade.

A máquina.
O calhau com olhos
Altamente competente, altamente qualificado, mas…
Desumano.
Apenas e só, um bom técnico.
Tudo o que gravita à sua volta são seres invisíveis.

Assim, não!
Estamos a ser «comandados» por déspotas insensíveis e sádicos.

Que raio de sociedade!....

Abraço.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Grandes heróis




(Clicar na seta para ver o pequeno filme)


Estados Unidos.
Um sem-abrigo.
Seis polícias.
Quarenta e seis tiros.
Um corpo feito crivo!...
Por mim, indignação e repulsa.

Que grande valentia e coragem!
Não se sabe o que é que aquele sem-abrigo preto, terá feito.
Sabe-se apenas que tinha uma arma branca.
Será que essa arma branca justificava uma resposta tão violenta?
Será que aqueles polícias não receberam preparação para abordar de forma didáctica e cuidadosa casos destes, que nos Estados Unidos devem ser imensos?
Será que é legítimo pôr armas na mão de gente sem qualquer sensibilidade humana?
Será que não bastava ao assassinado o facto de ser sem-abrigo?

O que o terá levado para a rua?
Supostamente não seria a estabilidade que a vida lhe proporcionou!

Alguém alguma vez se terá preocupado em o questionar?
Em o ajudar?

Por mim, ficam no ar estas questões.
Resta-me mais uma vez repudiar estes actos de violência.
Esta forma bárbara de resolver situações difíceis.

Para quando uma sociedade mais humanizada?

Abraço.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Jasmim












Chegou pequenino e indefeso.
Durante dois dias não lhe ouvi a voz.
Será que é mudo?...
Apesar da pouca idade, a sua autonomia era um facto.
Cativou com os seus olhos muito azuis e afectuosos.
Foi conquistando o seu espaço.
Os amigos que encontrou receberam-no bem.
O Simão, protector, adoptou-o.
Só não tinha as maminhas que ele várias vezes procurou.
Está traquina.
Às vezes tira a paciência dos mais velhos, que nem sempre estão dispostos a aturar-lhe a descarga de energia.
É uma delícia observá-lo e vê-lo cada dia mais brincalhão.
Está a fazer a sua socialização com alegria e num ambiente que lhe agrada muito.
Trepa às árvores, abraçando-as.
Quase parece um bacalhau espalmado.

É o meu gatinho Jasmim.
Promete ser um bom amigo.

Abraço.

Escrever porquê?


 


Porque gosto.
Porque me faz bem.
Porque me lava a alma.
Porque me activa o cérebro.
Porque me preenche o tempo duma maneira que acho útil.
Porque me puxa para cima.
Porque me põe a reflectir.
Nas coisas grandes e nas de somenos importância.
Porque me ajuda a desvalorizar aquilo que não presta.
Porque me ajuda a não ser intelectualmente estéril.
Porque gosto de dar o meu testemunho de vida, para que conste.
Porque sei que há quem me aprecie.
Gosto de escrever, ainda que às vezes hipoteticamente e por vias ínvias, saiba que haverá alguém que gostaria mais que eu me calasse.
Gosto de saber que, sempre que me apeteça, posso desabafar com alguém que nem sequer sei quem é.
Mas que sei que me aprecia.

Gosto de escrever, pronto.


Abraço. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Num ápice


 















Não sei muito bem porquê ou talvez saiba, este mês de Agosto está a correr veloz.
Como tenho o meu tempo sempre preenchido com tarefas que me dão prazer, não tenho dado conta de como os dias correm.
Dei comigo a pensar como era quando eu ainda estava no activo.
Contava cada dia e tentava saboreá-lo o melhor que podia.
Agora aqui neste remanso em que nada é feito com pressa, não dá para andar ansiosa a contar os dias.

Contudo, com a crise que está aí, sei que muita gente dirá:
- Que bom ter um emprego onde voltar!
Ainda que mal pago.
Onde cada vez se é mais explorado.
Onde a garantia de estabilidade é cada vez menor...
Sempre será melhor, do que estar sem perspectiva.
E ver o futuro mais negro ainda.

Estamos todos no mesmo barco.
Barco esse que continua à deriva.
Que foi largado no oceano e cada um que tem essa oportunidade, tenta transviá-lo ainda mais.

Com a maior dignidade possível, certamente tentaremos guiar a nossa vida sem ultrapassarmos os limites das nossas possibilidades.  
Quem dera a todos terem um emprego ainda que coisa pouca.

Melhores dias virão?....

Abraço.

domingo, 19 de agosto de 2012

Boatos















Nada a fazer.
O boato é uma arma que pode ser muito perigosa.
Quando se lança, normalmente faz estragos.
Com maior ou menor gravidade, deixa as suas marcas.
Às vezes surge em parangonas bem visíveis, outras aparece em surdina e corre de boca em boca, para que conste.

Ainda esta semana as primeiras páginas se encheram de boatos.

O boato...

Verdade ou mentira, lá anda ele a minar a dignidade ou até a sanidade das pessoas a quem se dirige.
Quem promove o boato, fica cobardemente na sombra.
Escondido e sem mostrar do que é capaz.
Babando-se de sadismo.
São pessoas sem princípios que para magoarem, para obterem os seus objectivos, lançam mão de qualquer esquema.
Às vezes o boato também serve para esconder os podres de quem os lança.
A verdade é que deixa marcas.
Deixa dúvidas em quem os ouve.
Quantas vezes, destrói vidas!
É uma manobra baixa e sem nome.

Abraço. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Os cães e os donos






















Nestes últimos dias, muito se tem falado de cães perigosos.
Hoje uma, amanhã outra, depois mais outra e ainda não pararam as más notícias sobre cães.
Fica-me sempre uma pergunta atravessada.
Quem serão os responsáveis pelas agressões destes animais?
Será que são os animais?
Ou será que são os donos, eles mesmos?
Penso que toda a gente saberá que os animais reagem por instinto.
Penso também que esta raça de que tanto se tem falado precisa de ser educada e treinada mais que qualquer outra.
Ora o que acontece é que isso não é muito frequente.
Antes pelo contrário.
Estes animais, na sua maioria, são adquiridos para agredir.
Para se atirarem, se isso for necessário.
Para fazerem sangue.
Acontece também que, se não forem treinados, agem por instinto.
Diz quem sabe que até são uns cães dóceis, quando lhes proporcionam condições.
É preciso que sejam bem tratados, mimados e educados.
O que acontece é que, na maioria das vezes, são ensinados a atacar.
A ser agressivos.
Daí, a sua fama de cão que ataca, que até pode matar.
É preciso ensinar as pessoas a ser civilizadas e a terem sensibilidade.
É preciso que aprendam a respeitar os animais.
A mantê-los livres de amarras e com a atenção que merecem.
Não os isolando e promovendo a sua socialização.
Um cão amarrado a uma corda ou fechado numa gaiola é um cão revoltado, raivoso, stressado.
Sente que é um animal votado ao desamparo.
Ao alterar a forma de lidar com estes animais, será quase certo que não voltaremos a ouvir falar de agressões de cães a pessoas.

Abraço.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tanta exploração é demais




O que somos é o produto final das mensagens que, ao longo dos tempos nos vão passando.
Falo disto hoje, porque ao ouvir os noticiários e ao ler os jornais, me tenho dado conta de quantas desgraças são noticiadas até à exaustão.
Diria: até ao enjoo.
Assim, não admira que grande parte de nós, não tenha outros conteúdos de conversa,
que não um rol de cenas tristes e macabras, exploradas de todos os modos.
Às vezes até parece que com um certo prazer masoquista.
Estes agentes de comunicação estão mesmo com falta de assunto.
Quanto a mim, desconhecem que haverá outros temas que seriam bem mais educativos e esclarecedores.
Como, por exemplo, campanhas de sensibilização à volta da educação, da cidadania, do civismo.
Do amor, que tão escasso está.
E tantos outros temas, igualmente importantes e bem necessários
Não, nada.
Até parece que o País nem precisa.
Até parece que todos brotamos conhecimento pelos olhos.
Que somos todos muito cultos e conhecedores.
Também, para quê aprender?
Opinar não será connosco, será mais com os altos cérebros.
Daqueles que tiram os cursos tipo Pepe Rápido!...

Se precisarmos dos meios de comunicação para nos cultivarmos, podemos fazer as malas!

Abraço.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Outono por instantes




Depois de uma noite de chuva, a manhã acordou cinzenta.
A chuva miudinha mostrava-se persistente e tímida ao mesmo tempo.
Um dia carrancudo, mas sereno e tranquilizador.
Daqueles que eu aprecio.
Quando assim é, gosto de ficar quieta no meu canto, assim… quase a ronronar.
Música suave, que se faz ouvir num som de baixos decibéis, a condizer.
Mesmo bom para serenar a alma.
Até os meus gatos estão recolhidos.
Certamente, também eles a saborearem este ambiente acolhedor.
Assim afastada do bulício do exterior e absorvida pelo silêncio, não faria ideia da sofreguidão que lá fora, mais propriamente numa superfície comercial próxima, se fazia sentir.
Com as praias vazias, uma amálgama humana correu a distrair-se.
Quando por necessidade me dirigi lá por cinco minutos, tive a surpresa do dia.
O espaço abarrotava.
O eco das vozes parecia o de aves comprimidas num galinheiro que, embora grande se tornara pequeno.
Saí a correr.
Posso compreender as necessidades de cada um, mas as minhas não passam por ali.
Opções e estilos de vida.
Está um dia demasiado agradável para o desperdiçar assim.

Abraço. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Corações vazios

















Há corações e corações.

Há corações que são bons.
Amigos, solidários e grandes.
Corações que sabem amar.

Depois há os outros.
Corações frios, de plástico ou de lata, sei lá!...
Fazem pum… pum… mas não passam disso.
Trabalham apenas para sobreviver.
Não se dão conta que têm capacidades para mais.
Que foram feitos para sentir, amar e se solidarizarem.

São apenas corações mecânicos.
São capazes das coisas mais cruéis e maldosas.

Têm atitudes pouco dignas, nada honestas e às vazes cruéis.
São corações em saldo.
Sem valor.
Fúteis e sem critério.
Corações mentirosos.
Corações confusos e doentes

Que pena passarem ao lado do que a vida tem de bom!...

Abraço. 

sábado, 11 de agosto de 2012

Uma estória de aldeia


















Ao longo da nossa existência, há sempre episódios que não esquecemos.
Com mais ou menos importância, eles permanecem connosco.
Desta vez, lembrei-me de um, que me faz rir sempre que rebobino a fita dos acontecimentos.
Há muito tempo, na minha aldeia em dias festivos e para fecharem com chave de ouro, jogava-se uma partida de futebol
Normalmente e para a coisa ser mais brincalhona, jogavam os solteiros contra os casados. Como hoje.
Claro que era mesmo para divertir, pois a frescura e a capacidade física de uns era bem diferente da dos outros.
Na aldeia já era esperado o espectáculo.
Assim sendo, à hora do evento tudo corria para o «campo», sabendo de antemão que haveria gargalhada pela certa.
O «campo» era um rectângulo de terra batida com pedras à mistura, onde durante noventa minutos ambas as partes se digladiavam.
Havia no grupo dos casados um elemento que normalmente bebia uns copos e via a dobrar.
Apesar disso, e mesmo não fazendo parte da equipa, insistia em ir para dentro do campo – neste caso não para jogar, mas para atrapalhar.
O pior de tudo é que sempre que as bolas lhe chegavam ao pé, ele fugia aos ziguezagues à frente dela, impedindo que os golos entrassem.
Só dizia aos gritos:
- Olha-a, olha-a!
E dizia coisas desconexas que deixava tudo a rir.
Se por acaso os solteiros cometiam alguma falta, zangava-se com o árbitro, porque ele os castigava.
Era do contra mesmo.

Eram momentos delirantes e ingénuos de descontracção e divertimento.

Naquele tempo, eram assim os momentos de lazer.
Brincalhões e ingénuos.

Bons tempos.

Abraço.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Migrações


















Principalmente durante o verão, verificam-se com frequência fluxos de pessoas que regressam ao seu local de origem.
Agora mesmo, neste mês de Agosto, se verifica o auge das saídas.
Migrações pendulares.
É assim que se designam.
Não há aldeia, cidade ou vila, que não tenha as portas bem abertas, para receber os seus.
Depois, há sempre o argumento da festa local!

As portas, os braços, o coração, tudo escancarado.
É assim que os filhos da terra são recebidos.
Uns dias apenas.
Que a vida não permite mais.
Contudo, são dias saborosos e vividos com alegria.

Aos foguetes, à banda e a tudo o que seja manifestação de festividade, juntam-se os laços familiares que a distância tornou mais fortes.

Migrações pendulares.
Ansiadas e desejadas por todos.

As festas, essas, são apenas um pretexto.
Os laços de amizade são quem comanda.

Festas boas.

Abraço.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Este Verão morno



















Eu gosto.
Esta temperatura meio primaveril, agrada-me mesmo.
Detesto calor.
Basta o que suportei quando «estive na tropa» em Cabinda.
Essa fase é responsável por esta quase aversão ao calor em demasia.
Acho que o armazenei para o resto da vida.

Esta temperatura morna sabe-me muito bem.
Depois, este canto que me abriga todos os dias, é fresco e cheio de verde.
Cheio do colorido das flores, que neste momento se encontram em plena pujança,
Uma brisa marítima corre suave e agradável.
Os sons da natureza deixam-se ouvir e apreciar.
A fauna mais variada ouve-se e aprecia-se.
Os pássaros, desde rolas a poupas e outras espécies, «sobrevoam» descontraídos o céu que me abriga.
Um ambiente bom e digno de umas férias boas e tranquilas.
A cidade maior está logo ali, mas não faz falta.
Aqui, vive-se com qualidade.
Quase deixam de se ouvir os apelos das origens.

Verão morno, que me traz bem-estar e tranquilidade.
É aqui que recolho energias para prosseguir o caminho.

Abraço.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

De que família é?
















Pois é.
Esta pergunta foi feita a uma jovem acabada de entrar num Instituto público de alto gabarito da Grande Lisboa, pago por nós.
Jovem, provinda de família de classe média, ficou perplexa.
Contudo, disse de imediato:
«A minha família não é conhecida».
«Os meus pais têm origem na província, embora vivam neste momento em Lisboa.
São cidadãos comuns».
Perante esta história contada pela protagonista, o espanto foi geral.
O espanto e a indignação.
Difícil admitir que um Instituto público se preocupe com os laços familiares dos seus trabalhadores, ao invés de, como seria normal, com a sua competência profissional!

Pensando melhor na fauna que o serve (média alta burguesia), é quase entendível.
Aquilo, é só gente seleccionada…
Que grande pandilha.
A jovem se não fosse bem formada, até se poderia ter sentido humilhada!
Não, não era pessoa de ter vergonha de quem provém.
Antes pelo contrário, orgulha-se das suas raízes.
Contou a história, como se de uma anedota se tratasse.
  
Gentalha!...

Abraço.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Veredas















Veredas.
Hoje lembrei-me de quantas já percorri.
Não me refiro só às veredas da vida.
São muitas, de facto e de géneros diferentes.
Algumas, diria eu, até bastante tortuosas e difíceis de percorrer.
Estreitas e quase estranguladoras.
Íngremes ou inclinadas, escorregando algumas vezes ameaçando o «abismo»…
Essas são as veredas da vida.
Aquelas que percorremos ao longo dos tempos.
Aquela que, deambulando, nos levam a situações que nos dão prazer ou são muitas vezes inesperadas e brutalmente perturbadoras.

Depois há outras bem mais objectivas.
As da terra.
Aquelas que por necessidade ou lazer, vamos percorrendo.
Em minha opinião, essas veredas podem-se imaginar como máquinas de movimento.
Máquinas ecológicas, económicas e sempre á nossa disposição.
Submissas, deixam-se pisar.
Pisar e repisar, sem protesto.

Gosto delas sobretudo, quando me levam a lugares com os quais me identifico.
Onde me deixem saborear a beleza da Natureza.
Onde eu tenha o prazer do silêncio.
Onde os ruídos que me envolvem sejam quase música.
Uma espécie de música de um mundo solidário e bom.

Veredas.

Caminhos quantas vezes incógnitos?

Abraço.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Nostalgia















A nostalgia, quanto a mim, nem sempre é negativa.
Eu, por exemplo, considero-me uma pessoa algo nostálgica.
Contudo, nem sempre esse sentimento me leva à tristeza.
Muitas vezes, embora saudosa, dá-me prazer recordar.
Gosto de me sentir transportada para os locais ou momentos bons por que passei.
Quando em companhia de amigos que têm as mesmas referências que eu, então é uma festa.
Neste momento, e quando digo neste é mesmo neste, sinto a necessidade de voltar ao meu berço.
É uma vontade que vem cá bem de dentro.
Há um impulso que me chama.
Por outro lado, quando imagino que esta vontade poderá ser concretizada, acho que o tempo em que me sentia lá bem já passou.
Que neste momento já não pertenço àquele mundo.
O meu mundo está a trezentos e tal quilómetros!...
Apesar disso, continuo a ter no meu coração as pessoas que sempre me trataram tão bem.
Os locais onde fui tão feliz e me marcaram para a vida.

Neste momento, por exemplo, estou a ser um bocadinho traída pela nostalgia.
Digamos que não é propriamente a tal nostalgia negativa, apenas um bocadinho
saudosa.  

Nada que não se ultrapasse.
Daqui, continuarei sempre aninhada no berço acolhedor que me recebeu quando nasci.
E que berço bom!

Abraço.  

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A mulher da praia























Chegou descontraída.
Saco ao ombro, procurou o que para ela seria o melhor sítio.
Parou, olhou e estendeu a toalha.
Sentou-se.
Puxou de um livro e…não, ainda não.
A leitura ficará para mais tarde.
Cruzou as pernas tipo Yoga, fechou os olhos e permaneceu assim por bastante tempo.

Aparentemente, voou.
Será que saiu deste mundo impregnado de lixo vivo?

O que segue, é pura ficção:

Entrou no mar e deixou para trás o lixo vivo de um país em crise (económica e moral).
Avançou mar dentro.
Um pé, depois outro, caminhava decidida
O destino? Nem ela saberia!...
E se as vagas alterosas, a traíssem?
E se não houvesse destino?
Poderia ser trágico.
Parecia não se incomodar.
Aquela mulher de aspecto maduro e descontraído, precisou de encontrar outros mundos.
Precisou de fugir.
Fugir do contexto miserável, egoísta ganancioso e sem amor.
Passou algum tempo.
Nem sinais da mulher madura.
Na toalha, apenas os seus pertences.
Nada de identificação.
Era apenas uma desconhecida.

Abraço.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Castração


















Quando se fala em castração, sugere-nos sempre a ablação de qualquer coisa.
Em pessoas ou animais.

Normalmente e a nível físico, acontece com animais.
Sem qualquer pudor.
Principalmente os de estimação.
É preciso mantê-los quietos e submissos em casa.
É preciso que não incomodem.
Transformá-los em objectos que servirão como bonecos, para nosso prazer.
O egoísmo a prevalecer sempre.
É preciso que ninguém nos incomode.
Nem que para isso tenhamos que anular seja o que, e quem for.

Bom, mas quanto a mim, castrar não é só retirar órgãos.
Também se castram pessoas.
As suas ideias.
Capacidades.
Amores.
Afectos, etc…
Diria eu que a maior parte das pessoas passa pela vida a sentir-se castrada.
Uma castração silenciosa.
Sofrida.
Esta pequena reflexão, levou-me a uma canção de que ainda hoje gosto muito.
É de Francisco Fanhais e diz assim (pode ouvir e ler aqui):

«Cortaram as asas ao rouxinol!
Rouxinol sem asas não pode voar.»…

Pelos vistos está actual.

Abraço.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Não foi surpresa















O caso Freeport de má memória foi por água abaixo por falta de provas.
Nada que me surpreendesse.
Depois de ver tantos perdões a tanto meliante!

É impressionante tanta benevolência e compreensão.
O que me indigna, a mim e certamente a outras pessoas, é o comportamento das autoridades, perante pequenos delitos.
Lestas, vão em perseguição e aplicam a pena.

Li há dias que uma mulher foi levada a tribunal, por ter roubado num supermercado, uma insignificante lata de atum.
Essa lata de atum, certamente, foi para matar a fome quem sabe, aos filhos ou a ela própria!
Não estou a defender que foi correcta a atitude da senhora.
Mas a sobrevivência às vezes leva as pessoas a cometer actos de desespero.
Certamente não foi a abastança em que vive.
Certamente não foi pelo prazer de roubar e ser apontada a dedo.
Julgada e tornar-se motivo de chacota!

Que pena que não se proceda assim com os tubarões encartados.
Com esses, é preciso compreensão e mão leve.
É preciso não se perder a casta.
É preciso continuarem a encher os bolsos deles e dos outros!...
É preciso que não se exterminem os sem carácter.
Fazem falta a muita gente de igual teor.
A arraia-miúda, essa, que pague com língua de palmo os pequenos delitos que cometem em atitude de desespero.

Dá que pensar, mas está claro como água. 
  
Abraço.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ser e parecer















Costuma-se dizer que nem tudo o que parece é.
Ao passarmos pela vida tão fértil em contactos, conhecimentos e relações,
vamos constatando que, na verdade, é assim mesmo.
Muitas vezes, passamos anos ao lado de pessoas que não se dão a conhecer.
Que são actores disfarçados em permanência.
Que nos fazem acreditar que são gente amiga, gente que merece a nossa estima e consideração.
Mesmo convivendo paredes-meias o dia-a-dia, só nos apercebemos que ali há artista, quando somos surpreendidos por esta ou aquela atitude inesperada e desprovida.
Desprovida de pudor, de dignidade e da falta de amizade que até parecia de verdade.

Aí, os incautos, os ingénuos, os otários e tal, e tal…têm aquela desilusão!
Quando a vida se vive de boa-fé, estas surpresas, no mínimo, indignam quem com elas se depara.
É nesses momentos que damos connosco a reflectir.
Porquê?
Como é que não demos conta de tal engodo!...
Como é que, na nossa boa-fé, não vimos o que seria tão óbvio.

É mesmo, o que parece nem sempre é.
Cuidado com os «actores» de pacotilha!...

Neste ambiente descontrolado em que vivemos, cuidado com os embusteiros.
Com os profissionais da mentira e da hipocrisia.

Abraço.

sábado, 14 de julho de 2012

O tempo
















O tempo é uma amálgama de segundos, minutos, horas, dias, meses e anos, que se sucedem uns aos outros, sem parar.
O tempo é a vida a correr, ainda que nos mantenhamos parados.
O tempo, são os bons e os maus momentos por que passamos, mesmo estando desactivados!...
O tempo é vida.
É vida melhor ou pior.
É ser feliz ou estar triste.
É um dia de sol ou uma noite de trovões.
De chuva que fustiga as vidraças e abana as árvores até vergarem.
O tempo é a vida a escoar-se por entre os dedos.
Somos nós todos, a competir.
A sermos intolerantes.
A deitarmos fora oportunidades de viver.
O tempo, é uma roda gigante que não para.

Abraço.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Os canudos e os créditos
















Muito se tem falado de canudos e de créditos.
No meio desta bagunça, fica a ideia que a intrujice oficial ainda resulta.
Quando se toma conhecimento de situações como aquelas a que temos vindo a assistir, não podemos deixar de pensar quanto valem os compadrios!
Quantas pessoas mereceriam uma licenciatura à base de créditos?
Quantas e quantas têm dado a sua vida a um trabalho honesto sem horários e às vezes até sem honorários!
Pois é.
Nem todos têm direito a benesses destas.
Por mim, não fora este cheiro a coisa arranjada e segundo parece única, até se poderia avaliar a situação de uma forma tranquila.
Um canudo afinal é o quê?
Será uma forma de aceder mais rápido a um lugar de destaque entre os pares?
Ou será que é apenas para encher o ego que precisa de se lambuzar?  
É complicado damo-nos conta de como a sociedade é ainda tão tacanha e provinciana!
Um canudo não é motivo para se perder tempo a falar dele.
Mas há uma coisa bem mais importante que merece algum reparo.

Como é que uma Universidade embarca numa situação destas?
Como é que um cidadão «honesto» (?) aceita tanto facilitismo?
Isso, sim, dá que pensar!

Abraço.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Uma praia diferente

















É a minha praia de eleição, no Verão e no Inverno.
Um recanto acolhedor e calmo.
Escarpas milenares onde a Natureza tem feito milagres.
É bonito de se ver e muito bom de se sentir.
Depois… é a paz.
Na maioria das praias, nesta altura, não é tão fácil encontrá-la.
Ali, temos o espaço.
O ambiente.
E um odor diferente, impregnado de iodo e maresia.

O mar, esse, é atrevido, lá isso é.
Mas conhecendo-o bem, sabendo aproveitar o momento, é bom sentir as suas águas frescas, «lamberem» a nossa pele quente.
Dá vontade de repetir.
O corpo e a mente, parece que rejuvenescem.
É um abanão bom que dá mais energia à vida. 

Ainda gosto mais dela no Inverno
Naqueles Invernos rigorosos, ventosos e com chuva.
O mar agiganta-se.
Galga tudo como que a querer engolir o Mundo.
As rochas fortes e erectas travam-no.
Mostram a sua força.
Também elas depois de tanta batida, se impõem.
- «Stop. Nós também temos poder. Vimos da profundidade dos tempos. Tu, amigo, também tens que ter os teus limites.»

Assiste-se àquele duelo com admiração e espanto.
Aquelas rochas levam a melhor.

Imperiais e fortes, aguentam o embate.

É bonita esta praia.
Verão ou Inverno, ela faz a diferença.

Lá, a paz vem ao nosso encontro.

Abraço.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Desculpa de mau pagador















Mentiroso nós já sabíamos que ele era.
Mas assim quase em directo é demais.
Braga, Bosch.
Os trabalhadores esperavam por ele.
A recepção não seria a que lhe agradaria, por isso, escapou-se por outra porta.
Bem protegida pela certa!...
Até arregaçou as mangas e plantou uma árvore, imagine-se.
Mais tarde, e com um ar de pessoa séria, vem desculpar-se:
- Manifestações manipuladas…nhó… nhó…
Mente muito mal este Primeiro.
Nem o ar ensaiado o salva.
Será verdade o que as sondagens dizem?
Que este senhor ganharia novamente se fossem hoje as eleições?
Não acredito.
Este Povo não pode ser tão cego.
Tão surdo e sem sentimentos.

Ou tão masoquista?

Abraço.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Os Cangalheiros














Hoje ao ligar o televisor, deparei com um friso de senhores do governo em «carreirinha».
Todos, de preto vestidos.
O meu pensamento imediato:
Um grupo de cangalheiros?
Urubus?
Também poderia ser.
Ao fim e ao cabo rasam as nossas cabeças e arrancam de nós o que podem!
Só sei que foi uma visão muito pesada, a que me passaram aqueles senhores de negro.
Pensando melhor, a indumentária que usavam até combinava com o estado em que o país se encontra.
Com o estado em que eles e outros o puseram.
Claro que eles vestem preto para cumprirem o protocolo, não por qualquer desgosto.
Porque haveriam eles de andar tristes?
Ordenados chorudos, mordomias e ainda outras facilidades que lhes vão anafando ainda mais as contas bancárias!...
Eu é que fui sugestionada.
Crise, desemprego, fome… logo, luto.
Luto, cangalheiros.
Cá no fundo, no fundo, se calhar, o ar lúgubre que apresentavam encaixava na maior naquela profissão tão desagradável para todos.
Que coisa mais tétrica!... 
Foge!...

Abraço.

domingo, 1 de julho de 2012

Olá!

















Ainda aqui estou embora não pareça.
Apenas tem estado a acontecer um fenómeno, que me parece normal.
Não me tem apetecido pegar neste amigo.
Amigo certo, que tantas vezes já registou o meu sentir.
Pois é.
O tempo de praia começou, as saídas são mais frequentes e longas, e o tempo fica mais escasso.
Tudo com calma e sem stress.
Enquanto for possível, é preciso que a vida seja não só vivida, mas também saboreada.
Degustada devagar.
Apesar de termos aí o Verão em pleno, continuamos com a sensação de que falta qualquer coisa.
Nesta zona aqui, falta o calor!
O calor a sério, a que estamos habituados.
Aquele calor que amolece, que nos faz quase «desligar».
Sinal dos tempos.
A mudança também chegou por esta via.
Em contrapartida, temos o vento.
Esse mal-amado de que ninguém gosta.
Que estraga os dias de praia e retira a quem precisa o verdadeiro prazer de umas boas férias.
Por mim aproveitarei o tempo como puder e melhor me aprouver.

Abraço.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O útil e o agradável



















Faz quatro anos em Setembro que decidi levar muito a sério a ocupação do meu tempo.
Houve muitas coisas que durante anos não tive oportunidade de fazer.
Agora, livre como um passarinho, resolvi aproveitar.
Faço o que me dá mais prazer.
Faço também o que acho que me faz mais falta.
Procuro manter-me o mais activa possível.
Tanto a nível físico como intelectual.
Não permito que a inércia e o tédio passem sequer por perto.
Há tantos motivos de interesse que nos enriquecem em cada dia!
Confirmo hoje o que sempre pensei.
A reforma para mim não está a ser uma «tragédia». Está a ser, sim, a abertura de outros caminhos.
Está a ser uma oportunidade para me enriquecer um pouco mais.
Dediquei-me toda a vida à profissão.
As crianças eram quem me tinha quase a tempo inteiro.
Agora concedo-me o direito de ser dona de mim.

As várias pequenas grandes ocupações que tenho deixam-me de coração cheio.
Sem tempo nem sequer para pensar nas mediocridades que, por hipótese, poderiam incomodar-me.
Penso que a alavanca que sustenta toda esta força, é o facto de nunca, em momento algum, ter deixado de frequentar o ginásio.
O exercício, o convívio e a forma como lá sou tratada deixam-me feliz.
O mar e a vida ao ar livre, também têm ajudado muito.
Tenho a certeza de que, por tudo isto, consigo viver melhor.
E a partir daí, relativizar o que não me interessa.

 É bom poder fazer o que me apetece.

Abraço.

sábado, 23 de junho de 2012

O milagre da Natureza


















Ao analisar tudo o que me rodeia, cada vez fico mais agradecida à Natureza.
É sem dúvida muito bonita, esta enorme dádiva com que fomos presenteados.
Agora então, que está tudo tão deliciosamente bonito!...
Se analisarmos um pouco, tudo à nossa volta se mostra na pujança máxima.
Se formos minimamente sensíveis, não nos passa despercebida a beleza das flores e das plantas, grandes ou minúsculas
Tudo brotou e rejuvenesceu.
Tudo é cor e vida.
Depois, analisando com algum pormenor, deparamos com espécies de uma beleza, que nos deixa a pensar: como é que isto é possível?
Haveria muitos exemplos para mostrar, mas vai apenas um que me fascinou.
Colheita feita aqui, muito próximo de mim.
Pode parecer nada para alguns, pode parecer uma bizantinice para outros, uma coisa de somenos importância até.
Somos diferentes na sensibilidade.
Estas dálias fascinaram-me.
Na próxima época, vou alindar o meu pequeno jardim, com mais um destes exemplares.
Ficará de certeza ainda mais bonito.

A Natureza é, sem dúvida, um belo presente.
.
Abraço. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Julgar é difícil















Aqui está um tema que daria pano para mangas.
De vez em quando já ouvimos notícias de que alguém foi condenado mas é inocente.
Cumpriu pena e só muito mais tarde se chega à conclusão de que foi uma injustiça.
Situações destas acontecem e indignam qualquer um.
Uma questão se põe: por que acontecem injustiças destas?
Quem é ou quem são os responsáveis?
Dá que pensar.
Dá também para imaginar o sofrimento calado das vítimas.
A revolta perante a monstruosidade cometida.
O remoer dia após dia, a injustiça.
A vida perdida.
A tristeza sempre presente.
Moendo, moendo e remoendo...
Um drama sofrido na solidão de uma cela trancada.
A proibição de viver.
A condenação na praça pública.

O que dará origem a situações destas?

É certo que todos temos o direito de errar.
Mas…errar em situações desta responsabilidade, não será muito normal.
Será que a formação dos profissionais não é o que deveria ser?
Será que a análise dos processos é feita com ligeireza?
Será falta de capacidade para julgar?
Ausência de preparação moral e intelectual?
Ausência de sensibilidade?
Difícil concluir.

Difícil também de aceitar.

A vida e a honra de alguém merecem mais respeito
Capacidade e ponderação.
.
Abraço.