segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Finalmente




Finalmente, depois de tanto levar e calar, o Povo saiu á rua.
Não aguentou a postura ligeira de Passos.
Caiu-lhe mal a frieza e a indiferença com que ele anunciou mais medidas de austeridade.
Não gostou de o ver logo de seguida, a correr feliz e descontraído, a assistir ao concerto de Paulo de Carvalho.
Não gostou do entusiasmo com que cantou a célebre canção «Nini dos meus quinze anos».
A sua esposa irradiava felicidade.

Foi demais.
O povo estava ainda aturdido.
Não tinha ainda digerido tanta insensibilidade.
Tamanho afastamento do povo.
As medidas brutais engendradas a frio nos gabinetes foram transmitidas sem o mínimo cuidado, sem a mínima sensibilidade.

A indignação veio para a rua.
Aliviou a revolta.
Lavou a alma.
Gritou o seu desagrado contra os políticos impreparados e mentirosos.

As ruas estiveram prenhes de gente indignada.
Foi o grito da revolta e o pedido de socorro.
Aquele mar de gente descontente finalmente disse o que sentia.
Foi o Povo, o povo a sério, sem manipulações de ordem nenhuma, que saiu e deixou a marca da sua revolta.

Será que algum dos governantes se tocou?  
Não creio.
Mas penso que isto foi só o início.
Aguardemos.

Abraço.

___________________________________

Eles comem tudo Eles comem tudo
Eles comem tudo E não deixam nada

Se quiser ouvir, clique aqui e depois clicar na imagem do concerto. 

sábado, 15 de setembro de 2012

Voando





Hoje apetecia-me...

Levantar voo e ir ao encontro das nuvens.
Deitar-me numa e deixar-me conduzir.

Seria uma viagem única e cheia de misticismo.
Seria uma fuga ao caos e à trapalhada que se vive por cá.
   
Seria uma fuga à insensibilidade.
Ao egoísmo.
Ao oportunismo.
Às dificuldades múltiplas.

Seria a paz.
Seria uma viagem ao infinito.

Ficaria por lá?
Ou regressaria cheia de novidades boas?
Dum mundo diferente.
De um mundo melhor.

Sem guerra, sem raivas, sem ódios.
Sem tricas e mais tricas.
Sem invejas.
Um mundo onde houvesse trabalho para todos.
Educação.
Um mundo onde não houvesse distinção de cor ou raça.
Um mundo onde os afectos e o respeito prevalecessem.

Impossível um mundo ideal, eu sei.
Mas…sonhar não é proibido!...

Abraço.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Gélido






Não foi só o Professor Marcelo Rebelo de Sousa que ficou gélido com a comunicação do senhor Passos ao país.
No recato dos seus aposentos e com os seus, teve mais umas ideias.
Não aguentou e veio a correr partilhá-las.
Como se não fosse suficiente, à noite, no Facebook, reforçou e prometeu mais, qual sádico no seu papel de prepotente.

Também nós ficámos petrificados e sem fala.

Como?
Estamos todos espremidos e sem mais furos no cinto e ainda vem aí mais?
Vergonhoso.
O pior é que vamos ouvindo, resmungando uns para os outros e ficamo-nos por aí.
Revoltados, acabrunhados, sem entusiasmo pelo que fazemos e como zumbis à espera de levar mais.
Acomodados e sem esperança.

Voltámos a dar de caras com um Portugal acorrentado e sem expressão.
Calado que nem um rato assustado.
O que nos aconteceu ao longo destas últimas décadas?
Acomodámo-nos.
Deixámo-nos anestesiar com tantas facilidades que nos deram, para conseguirmos o que queríamos.
Deslumbrados, deixámos de pensar.
Perdemos a capacidade de reflectir e escolher o caminho mais sensato.
Fomos pelo mais fácil e colorido, embarcámos num barco sem rumo.
Os oportunistas, os que tomaram as rédeas do país, organizaram tudo como lhes aprouve.
Tudo a seu favor e dos seus.
Portugal tem sofrido de um assalto continuado.
Os cofres estão limpos.
Os bolsos dos escroques cheios.
Até quando?
Como se irá resolver esta situação de tamanha gravidade?
Quem acode aos aflitos e desprotegidos?     

Dá que pensar.

Abraço.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A língua






















A língua: tantas formas de a referir.
Há para todos os gostos.

Língua viperina.
Língua comprida.
Língua suja.
Língua afiada.
Língua de trapos!...

Isso, pela negativa.
Mas há mais.

Estes e outros epítetos, são usados para catalogar as línguas, dependendo de como as utilizamos.
As que se descontrolam e dizem tudo como os malucos.
As que dizem palavras apenas e só para magoar.
As que se dedicam a sujar a imagem dos outros.
As que inventam e caluniam.

Por tudo isto, as línguas às vezes são catalogadas assim.

É pena, as línguas não deveriam ser mal utilizadas.
Deveriam cumprir a função digna para que foram criadas.
Infelizmente há muita gente que utiliza mal o que tem.
Neste caso, não aguentam o privilégio de ter uma língua.

Felizmente, também há línguas que são bem utilizadas.
Línguas e teclas...

Abraço.  

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A vida também passa por aqui






















Hoje apeteceu-me fazer um bocadinho de inveja a quem gosta destas iguarias.
São bolos de azeite e foram feitos em forno de lenha.
Neste momento em que escrevo ainda estão quentinhos.
E não, não é só o aspecto.
O sabor é de estalo!...
É o que faz, viver no campo e ter à disposição o forno e os amigos donos do forno.
Ah! É verdade.
E foram feitos por mim.
A habilidade de preparar o forno à temperatura ideal, essa foi do dono do mesmo.

Diziam-me eles há pouco que o sítio onde vivem é o cantinho da fraternidade.
Eu concordo.
A vida ainda não é só egoísmo.
Ainda se encontram pessoas generosas e amigas, sem pedirem nada em troca.
Apenas e só amizade.
Sem quezílias.
Até dá para cometer um pecadilho destes de vez em quando.
A crise fica arquivada por momentos.

Ui!
E as calorias?
Devem ser upa!…upa!
Amanhã têm que ficar no ginásio.

Tenho pena que não possam provar.

Bem-haja à vida e aos amigos.

Abraço.

Já agora, oiçam aqui a Violeta Parra.






Cão mistério?


















Era o meu primeiro dia de férias.
O mar, de águas azuis e calmas, convidava a entrar.
Havia pé até bem longe e entrei sem perigo.
Afastei-me um pouco mais do que o costume.
Estava a saber-me bem retemperar forças.
Libertar o stress.
Ao olhar a margem, vi dirigir-se a mim um cão de grande porte.
Um cão lindo.
Pude ver que era um Labrador preto que nadava decidido em direcção a mim.
Pelo luzidio, lencinho vermelho ao pescoço, vaidoso e com um objectivo.
Achei piada e chamei-o com um gesto.
Ia ter companhia.
Espanto.
O Labrador preto, de lencinho vermelho ao pescoço, foi ter comigo, sim, mas brincadeira foi o que ele não quis.
Na sua perspectiva eu estaria em perigo e ele sentia o dever de me ajudar.
Deitou-me as mandíbulas fortes ao braço e puxou decidido.
Sem diálogo.
Tive que obedecer.
Sentia o meu braço apertadíssimo, mas era de aguentar, pronto.
Só me largou já na areia.
Ofegante, olhou para mim satisfeito.
Missão cumprida.
Olhei o meu braço dorido e a começar a inchar.
Tive que sair da praia a correr.
Havia que tratar do caso.
Não vi jeito dos donos por ali.
Tive-o por companhia até ao meu carro.
Arranquei e ainda me acompanhou por momentos.
Até me perder de vista.
Ao outro dia, voltei.
Procurei-o, mas nada.

Um cão mistério?
Um cão «nadador salvador»?

Um cão com um sentido de dever maior que muitos humanos.

Tive pena de não o voltar a encontrar.

Abraço.

domingo, 9 de setembro de 2012

Despedidas






Ao longo da vida, tenho passado por despedidas várias, algumas dolorosas de mais.
Talvez por isso, ainda hoje não gosto delas.
Despedir-me de alguém ou de algo, significa sempre separação.
E isso não me agrada.
Até o simples facto de sair de casa por alguns dias me incomoda.
Aprecio a estabilidade.
E essa só a sinto, mesmo, é no meu canto.

Bom, tudo isto para dizer que o Verão se está a escapulir.
Os dias estão bem mais curtos.
O bulício das férias já não o é.
O Outono espreita.

Outono.
A estação tristonha.
A do cair da folha.
Do ar mais fresco.
Do casaco para prevenir!
Do sol envergonhado.
E da chuva - quem sabe?

Não partilho da opinião de que o Outono é triste.
Nem esta despedida me incomoda.
Apesar de no Verão me divertir muito lá fora no meu espaço.
Apesar de poder usufruir da praia, estou com saudades do frio.
E do quente da lareira.
Gosto muito do Outono e das suas cores quentes.
Gosto do mar encapelado a enfrentar o Mundo.
Gosto de o observar a lutar com todas as suas forças.
Depois, há a lareira.
A sua chama fascina-me.
Gosto de ronronar a olhar para ela, e dar largas à minha imaginação!...

O fogo.
A primeira e importante invenção do Homem.

Domina-me mesmo!...

Adeus, Verão.
Bem-vindo, Outono.

Abraço.

sábado, 8 de setembro de 2012

A vida não é só tristezas





Nos dois últimos textos, narrei factos da minha vida que me marcaram muito.
Tinha-os arquivado.
Penso até que nunca os tinha recordado assim, tão fortemente.
É claro que foi com emoção que os descrevi.
Os protagonistas mereceram esta pequena homenagem.
De formas diferentes, marcaram os dois a minha infância pela sua amizade e generosidade.
Estou numa fase em que me apetece passear pelo passado.
Enfrentar o que me magoou e me deixou triste.
E exorcizar o que magoa é uma boa terapia.
É preciso falar das coisas sem reticências.
Faz-me bem escrever.

Arrumei estes factos, como já o fiz com outros.
Dei-me bem.

Isto não quer dizer que os esqueça. Isso não é possível.
Só foram retirados do sótão, limpos do pó e rearumados.

Mas a vida não são só maus momentos.

Aprecio muito os bons.
Adoro uma boa gargalhada.
E agradeço muito à vida o que tenho recebido.

Vale a pena viver.

Abraço.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

E a aldeia entristeceu





De boas famílias.
Lavrador médio.
Honesto.
Trabalhador e respeitado por todos.
Pode dizer-se que era um homem de bem.
Só que nem todos são do mesmo calibre.

Numa quinta pertencente à família desde sempre, um dos herdeiros vendeu uma tira de terreno a um qualquer intruso.
Foi avisado de que, ao comprá-la, compraria uma guerra.
Ainda assim, atreveu-se.
Houve troca de palavras de aviso.
Azedas.
Quando se mexe em terrenos, nas aldeias era (e ainda é?) assim.
Guerra pela certa.
O novo dono não terá gostado do que ouviu.
Poucos dias depois, tragédia na aldeia.
Dois tiros de zagalote tiraram a vida ao meu tio Joaquim.
Indignação geral.
Houve quem visse.
Uma testemunha fraca, com medo.
Um pastor que, por acaso, regressava com o seu rebanho, já noite.
A família sofreu.
Os amigos enfureceram-se.
A Judiciaria não teve dúvidas, mas como provar?
Processo arquivado.
Pouco tempo depois, o assassino morreu num acidente de moto numa curva da aldeia.

Vingança de um dos amigos da vítima, dizia-se à boca pequena.
Tudo é possível.
A revolta foi grande.

Foi um episódio meio misterioso.
Só falado em surdina.

Perdeu-se um homem com H grande.

Partiu muito jovem o meu tio Joaquim!...

Abraço

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O relógio

















Dlam, dlam, dlam…
E assim sucessivamente vida fora.
Lá longe, o ruído de um motor diluído pela distância.
Um barco no mar talvez.
Pescadores a fazerem-se à vida?
Os carros, poucos, também de vez em quando marcam presença.
Até eles hoje, passam lentos e quase silenciosos.
Aqui no canto onde moro, a natureza fala.
Um canto pequeno e florescente.
Colorido e cheiroso.
Os meus gatos espraiam-se ao sol, ronronando.
Como que embalados pelo odor que paira no ar.
É bonita a natureza.
Pura, bela e natural.

É bom poder usufruir dela.
Assim, sem artificialismos.

Por mim, quero continuar assim sensível.
Ainda que não agrade a todos.

Entretanto, o relógio continua.
Dlam, dlam, dlam…

Está na hora do ginásio.
Vou tratar de mim.

Abraço.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Será que há destino?










                                                                                                                                                                             Foto: 
Au 
Revoir, 
Portugal




Anos sessenta.

Era um rapaz normal.
Brincalhão, alegre, amigo.
Um jovem irreverente e que fazia gala disso.
Próximo de ir cumprir o serviço militar, cometeu um deslize que pagou caro.
Ao fazer uma oral foi chumbado.
Aparentemente, o professor que o examinava não gostou do ar malandro.
Não suportou a juventude sarcástica e a sua cara de quem não leva a vida muito a sério.
A coisa correu mal.
Pouco depois, na pauta lia-se o equivalente a:
-Fulano de tal, chumbado.

O jovem não esperava (ou esperaria?).
A raiva foi maior que o bom senso.
Uma espera à porta do liceu e pumba! Pumba, pumba!...
O professor sentiu a violência e a humilhação.
O jovem satisfez os seus instintos primitivos e animalescos.
Não se controlou.
Mais tarde, arrependeu-se.
Um processo em tribunal anunciou:
-Dois anos de cadeia.

Não, isso nunca.

Os passadores para a França viviam dos aflitos.
Pela calada:
-Quanto é?
Decidiu-se.
Em completo segredo e com uma trouxa minúscula disfarçada, começou a aventura marcante e violenta.
Apanharam-no ao lusco-fusco, à saída da aldeia.
Puseram-no na fronteira.
A partir daí, salve-se quem puder.

A pé quase todo o caminho.
Cansaço, fome e sofrimento, muito.
Teve que ser levado em braços pelos companheiros.
Única forma de lá chegar.  
Os seus pés não aguentaram tanta exigência.

Chegado a França, as dificuldades foram múltiplas.
Nunca mais foi o mesmo jovem.
Ficou anos sem poder voltar.
Contactou-me sempre.
Saudades, muitas.
Também muitas asneiras cometidas.
Morreu aos cinquenta e tal anos.
A doença da moda também o venceu.
Deixou um livro como testemunho.

Era meu primo e muito meu amigo.
Nunca esquecerei os bons e também os maus momentos que passámos.
Lembro-me muito de ti e da tua boa disposição.
O destino, se é que existe, traiu-te em toda a linha.

Eras um bom malandro, Balé!...

Abraço.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A ribeira da minha infância






Era ainda manhã fresca.
O cesto rústico, enchia-se com todos os pertences para as duas refeições do dia.
Em grupo, rumava-se à ribeira.
O dia seria passado ali, no campo.
Ainda não se dizia «Vamos fazer um pique-nique».
Dizia-se apenas «Vamos passar o dia».
E que dias que se passavam naquele local frondoso e fresco.
As mães lavavam a roupa e nós chapinhávamos.

Depois de uma caminhada de mais ou menos vinte minutos em amena cavaqueira, eis que chegávamos.
A descida até à ribeira era feita apressadamente, como que com medo de já não a encontrar.
Aquele recanto fresco, e onde o silêncio se impunha, era muito acolhedor.
Era debaixo da ponte em abóbada que nos instalávamos.
Fazia eco se falássemos mais alto.
O silêncio quase doía.
Havia paz ali.

Entre amieiros frondosos e as margens forradas de calhaus, a ribeira conduzia as suas águas cristalinas, que serviam também para regar os campos sequiosos.
Nós, os mais jovens, fazíamos as nossas traquinices.
Entre elas pescávamos peixinhos e rãs, que posteriormente, fritávamos numa frigideira levada para o efeito.

Brincadeiras também não faltavam.
E banhos.
Acompanhados de escorregadelas nas pedras escorregadias, de limos de tantos anos!
Termino com uma quase anedota de uma idosa muito idosa que uma vez nos observou,
quando tomávamos banho de perna ao leu.

Assim, tal e qual: 
«Deus ma mim livrara que eu pujesse auga no mê corpo»!...

Outros tempos, outras mentalidades.

Mais verdadeiras e afectuosas de certeza…

Abraço.

domingo, 2 de setembro de 2012

Gratidão


















Quando penso na situação do nosso país onde as dificuldades são muitas, dá para ver que as pessoas se fecham, se afastam do convívio com os outros e cada vez o isolamento entre si é maior.
Logo, a falta de convivência torna-as mais egoístas e egocêntricas.
Não se entendem entre si e as relações azedam não se sabendo muitas vezes o porquê.
O que eu noto é que estamos perante uma sociedade fechada e sem capacidade de diálogo.
Quando se tem a sorte de encontrar alguém de bem, com quem possamos partilhar os nossos tempos de lazer, podemos dizer que somos gente de sorte.
Felizmente, ainda há gente dessa.
Gente simples, honesta e generosa.
Que é amiga sem qualquer interesse.
Que ajuda só porque gosta de o fazer.
Que tem prazer em conviver e dialogar.
Que tem prazer em se entregar a uma amizade.
Não é fácil encontrar-se hoje gente com estas características.
No contexto existente, o que temos na frente é um mundo frio e insensível.
Diria até desumanizado.

No que a mim diz respeito, considero-me uma pessoa com sorte.
Encontrei um bocadinho de mundo que não tem nada a ver com aquele que em cima referi.
É um mundo onde se interage, se dialoga e se convive com prazer.

Nem sempre a vida nos é madrasta.
 
Abraço.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tanta plástica!




É um espanto.
Neste e noutros países, os cirurgiões plásticos não devem ter tempo nem sequer para olhar para o lado.
Não há cara, peito, e outras «peças», que não se tenham já submetido à recauchutagem.

Não há dúvida de que, hoje em dia, a imagem é que conta.
Como tal, vá de tirar daqui e pôr ali, para que tudo se mantenha «no lugar».
Aceitar a idade, as marcas do tempo é que não.
Não assumem os estragos que a idade vai deixando.
O peito descaído, o rabiosque mole, a pender para o chão.
A flacidez que teima em se fazer notar!...
Correm esperançadas em que a técnica e a ciência os e as mantenham com o aspecto dos vinte anos.
Tão depressa se vêem murchas e desfolhadas, como aparecem com cara de bonecas de porcelana e corpo de Barbies.
Ainda há dias, um desses célebres cirurgiões portugueses, disse, até um pouco constrangido, que já tem recebido senhoras com fotos de outras, para que ele faça igual!...
É para ele um trabalho delicado, ter de as fazer perceber, que, serviços daqueles, ele não os faz.
Quando se chega à situação de não nos aceitarmos, algo tem que correr mal com o nosso ego.

É preciso aceitar que a vida tem as suas fases.
Por muito que a ciência consiga, não consegue impedir ninguém de envelhecer.
Quando muito, melhora aspectos por uns tempos.
Depois, tudo vai murchar um dia.
É bonito assumirmos as nossas rugas.
A nossa idade.
É saudável aceitarmo-nos como somos.
O fim irá chegar um dia.

Essas mesmas senhoras recauchutadas, só durante algum tempo manterão um aspecto rejuvenescido.
Mesmo com as revisões, há-de chegar o momento em que a recauchutagem já não resultará.

Abraço.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A vida






A vida é o futuro interrogado.
É um dia a seguir ao outro.
É o amanhã sem certezas.
É o tempo a correr.
A lua a esconder-se.
O sol a nascer.
Os filhos a crescer.
Os anos a passar.
O trabalho a falhar.
As desilusões a surpreender.
A vida é a morte anunciada.
E nunca prevista.
A vida é uma amálgama de situações.
Agradáveis ou brutalmente marcantes e amargas.
A vida é carga que não se vê mas se sente.
É «suspense».
É o futuro escondido
Que também tem o seu lado bom.

Abraço.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Brincadeiras





Juro que quando arranquei com este meu blogue, o fiz quase como um desafio a mim mesma.

Sem qualquer experiência de escrita «para ser lida», achei que não conseguiria fazer-me entender.
A surpresa não se fez esperar.
O meu «editor», jornalista de ocupação, teceu-me elogios.
Incentivou-me.
A partir daí, parece que foi doença que se entranhou.
Há dias em que, apesar de achar que não tenho tema, sou empurrada para o computador.
Aconteceu isso hoje mesmo.
Acontece-me isto muitas vezes.

Já cheguei à conclusão de que não preciso de preparar nada.
Basta deixar fluir o pensamento.
Comecei com o que eu achei que seria uma brincadeira, há um ano e oito meses.
Já escrevi quatrocentas e vinte e uma mensagens e já tive quase seis mil visualizações.
Atingi um número de visitas que nunca sonhei.
Já houve um dia de cinquenta e quatro!
Isto que para muita gente será nada, para mim é gratificante.
Uma vez que, como disse logo no início do blogue, isto é um espaço intimista e muito pessoal.
Nunca pensei que alguém tivesse paciência para mim!...
Com raríssimas excepções, tenho sido bem aceite.
Apenas um ou outro caso de analfabetismo intelectual enraizado.
Coisa de somenos importância!

Obrigada a todos
É bom passar alguns momentos do meu dia na vossa companhia.

Uma pequena nota.
Não costumo responder a comentários.
Apesar disso, sempre que aparecem são bem-vindos, desde que com respeito e correcção.
Escusado será dizer que fico ainda mais vaidosa!...

Muito obrigada.

Abraço.

domingo, 26 de agosto de 2012

Auto-estima





















Neste país depressivo, só com muita força de vontade se arranja um pouco deste ingrediente que é a auto-estima.
É preciso força de vontade para puxarmos por nós e nos mantermos em cima.
Quando se tem uma vida de instabilidade e incerteza, o que menos apetece é tratarmos de nós, da nossa imagem.
Ainda assim, é preciso não cedermos.
Uma situação de desleixo, depressiva, só nos leva ainda mais para baixo.
Temos que parar e mimarmo-nos.
Olharmo-nos ao espelho, por que não? E gostarmos do que vemos.
Melhorar a postura, tomar decisões que nos façam sentir melhor, mais confiantes e seguros.
Não descuidar a imagem é essencial.
Sem excessos, nem artificialismos.
A beleza natural é a mais bonita.
A que vem de dentro, suave e discreta.
O exercício físico é uma condição para ir ao encontro da boa disposição e de um espírito mais leve e jovem.
O nosso aspecto confiante inspira à partida uma melhor aceitação junto de quem nos rodeia.
Estarmos de bem connosco e com os outros, é condição essencial.   

Auto-estima.

Uma das condições para suportar os sádicos.
Os que vivem «felizes» a imaginar a infelicidade dos outros.

Auto-estima precisa-se.

Abraço.

sábado, 25 de agosto de 2012

O calhau




Arrepiou-me.

Aquele senhor apessoado, frio, muito bem na vida, a vomitar bem-estar, disse.

E o que disse!

Se eu fosse funcionária da R.T. P, estaria neste momento muito inquieta e triste.
Ser tratada como material descartável, como se de um boneco se tratasse, é muito mau.
Aquele senhor, apresentou um plano, que em tudo parece já ser um veredicto..

Gelado, tipo robot.
- E os trabalhadores, vão ser despedidos?
Com a maior das friezas:
- Sim, se o concessionário achar que sim, é claro que serão.

Assim, sem dó.
Material que já deu o que tinha a dar.
Não é mais necessário.
Lixo.
Nem um sinalzinho de sensibilidade.

A máquina.
O calhau com olhos
Altamente competente, altamente qualificado, mas…
Desumano.
Apenas e só, um bom técnico.
Tudo o que gravita à sua volta são seres invisíveis.

Assim, não!
Estamos a ser «comandados» por déspotas insensíveis e sádicos.

Que raio de sociedade!....

Abraço.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Grandes heróis




(Clicar na seta para ver o pequeno filme)


Estados Unidos.
Um sem-abrigo.
Seis polícias.
Quarenta e seis tiros.
Um corpo feito crivo!...
Por mim, indignação e repulsa.

Que grande valentia e coragem!
Não se sabe o que é que aquele sem-abrigo preto, terá feito.
Sabe-se apenas que tinha uma arma branca.
Será que essa arma branca justificava uma resposta tão violenta?
Será que aqueles polícias não receberam preparação para abordar de forma didáctica e cuidadosa casos destes, que nos Estados Unidos devem ser imensos?
Será que é legítimo pôr armas na mão de gente sem qualquer sensibilidade humana?
Será que não bastava ao assassinado o facto de ser sem-abrigo?

O que o terá levado para a rua?
Supostamente não seria a estabilidade que a vida lhe proporcionou!

Alguém alguma vez se terá preocupado em o questionar?
Em o ajudar?

Por mim, ficam no ar estas questões.
Resta-me mais uma vez repudiar estes actos de violência.
Esta forma bárbara de resolver situações difíceis.

Para quando uma sociedade mais humanizada?

Abraço.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Jasmim












Chegou pequenino e indefeso.
Durante dois dias não lhe ouvi a voz.
Será que é mudo?...
Apesar da pouca idade, a sua autonomia era um facto.
Cativou com os seus olhos muito azuis e afectuosos.
Foi conquistando o seu espaço.
Os amigos que encontrou receberam-no bem.
O Simão, protector, adoptou-o.
Só não tinha as maminhas que ele várias vezes procurou.
Está traquina.
Às vezes tira a paciência dos mais velhos, que nem sempre estão dispostos a aturar-lhe a descarga de energia.
É uma delícia observá-lo e vê-lo cada dia mais brincalhão.
Está a fazer a sua socialização com alegria e num ambiente que lhe agrada muito.
Trepa às árvores, abraçando-as.
Quase parece um bacalhau espalmado.

É o meu gatinho Jasmim.
Promete ser um bom amigo.

Abraço.

Escrever porquê?


 


Porque gosto.
Porque me faz bem.
Porque me lava a alma.
Porque me activa o cérebro.
Porque me preenche o tempo duma maneira que acho útil.
Porque me puxa para cima.
Porque me põe a reflectir.
Nas coisas grandes e nas de somenos importância.
Porque me ajuda a desvalorizar aquilo que não presta.
Porque me ajuda a não ser intelectualmente estéril.
Porque gosto de dar o meu testemunho de vida, para que conste.
Porque sei que há quem me aprecie.
Gosto de escrever, ainda que às vezes hipoteticamente e por vias ínvias, saiba que haverá alguém que gostaria mais que eu me calasse.
Gosto de saber que, sempre que me apeteça, posso desabafar com alguém que nem sequer sei quem é.
Mas que sei que me aprecia.

Gosto de escrever, pronto.


Abraço. 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Num ápice


 















Não sei muito bem porquê ou talvez saiba, este mês de Agosto está a correr veloz.
Como tenho o meu tempo sempre preenchido com tarefas que me dão prazer, não tenho dado conta de como os dias correm.
Dei comigo a pensar como era quando eu ainda estava no activo.
Contava cada dia e tentava saboreá-lo o melhor que podia.
Agora aqui neste remanso em que nada é feito com pressa, não dá para andar ansiosa a contar os dias.

Contudo, com a crise que está aí, sei que muita gente dirá:
- Que bom ter um emprego onde voltar!
Ainda que mal pago.
Onde cada vez se é mais explorado.
Onde a garantia de estabilidade é cada vez menor...
Sempre será melhor, do que estar sem perspectiva.
E ver o futuro mais negro ainda.

Estamos todos no mesmo barco.
Barco esse que continua à deriva.
Que foi largado no oceano e cada um que tem essa oportunidade, tenta transviá-lo ainda mais.

Com a maior dignidade possível, certamente tentaremos guiar a nossa vida sem ultrapassarmos os limites das nossas possibilidades.  
Quem dera a todos terem um emprego ainda que coisa pouca.

Melhores dias virão?....

Abraço.

domingo, 19 de agosto de 2012

Boatos















Nada a fazer.
O boato é uma arma que pode ser muito perigosa.
Quando se lança, normalmente faz estragos.
Com maior ou menor gravidade, deixa as suas marcas.
Às vezes surge em parangonas bem visíveis, outras aparece em surdina e corre de boca em boca, para que conste.

Ainda esta semana as primeiras páginas se encheram de boatos.

O boato...

Verdade ou mentira, lá anda ele a minar a dignidade ou até a sanidade das pessoas a quem se dirige.
Quem promove o boato, fica cobardemente na sombra.
Escondido e sem mostrar do que é capaz.
Babando-se de sadismo.
São pessoas sem princípios que para magoarem, para obterem os seus objectivos, lançam mão de qualquer esquema.
Às vezes o boato também serve para esconder os podres de quem os lança.
A verdade é que deixa marcas.
Deixa dúvidas em quem os ouve.
Quantas vezes, destrói vidas!
É uma manobra baixa e sem nome.

Abraço. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Os cães e os donos






















Nestes últimos dias, muito se tem falado de cães perigosos.
Hoje uma, amanhã outra, depois mais outra e ainda não pararam as más notícias sobre cães.
Fica-me sempre uma pergunta atravessada.
Quem serão os responsáveis pelas agressões destes animais?
Será que são os animais?
Ou será que são os donos, eles mesmos?
Penso que toda a gente saberá que os animais reagem por instinto.
Penso também que esta raça de que tanto se tem falado precisa de ser educada e treinada mais que qualquer outra.
Ora o que acontece é que isso não é muito frequente.
Antes pelo contrário.
Estes animais, na sua maioria, são adquiridos para agredir.
Para se atirarem, se isso for necessário.
Para fazerem sangue.
Acontece também que, se não forem treinados, agem por instinto.
Diz quem sabe que até são uns cães dóceis, quando lhes proporcionam condições.
É preciso que sejam bem tratados, mimados e educados.
O que acontece é que, na maioria das vezes, são ensinados a atacar.
A ser agressivos.
Daí, a sua fama de cão que ataca, que até pode matar.
É preciso ensinar as pessoas a ser civilizadas e a terem sensibilidade.
É preciso que aprendam a respeitar os animais.
A mantê-los livres de amarras e com a atenção que merecem.
Não os isolando e promovendo a sua socialização.
Um cão amarrado a uma corda ou fechado numa gaiola é um cão revoltado, raivoso, stressado.
Sente que é um animal votado ao desamparo.
Ao alterar a forma de lidar com estes animais, será quase certo que não voltaremos a ouvir falar de agressões de cães a pessoas.

Abraço.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Tanta exploração é demais




O que somos é o produto final das mensagens que, ao longo dos tempos nos vão passando.
Falo disto hoje, porque ao ouvir os noticiários e ao ler os jornais, me tenho dado conta de quantas desgraças são noticiadas até à exaustão.
Diria: até ao enjoo.
Assim, não admira que grande parte de nós, não tenha outros conteúdos de conversa,
que não um rol de cenas tristes e macabras, exploradas de todos os modos.
Às vezes até parece que com um certo prazer masoquista.
Estes agentes de comunicação estão mesmo com falta de assunto.
Quanto a mim, desconhecem que haverá outros temas que seriam bem mais educativos e esclarecedores.
Como, por exemplo, campanhas de sensibilização à volta da educação, da cidadania, do civismo.
Do amor, que tão escasso está.
E tantos outros temas, igualmente importantes e bem necessários
Não, nada.
Até parece que o País nem precisa.
Até parece que todos brotamos conhecimento pelos olhos.
Que somos todos muito cultos e conhecedores.
Também, para quê aprender?
Opinar não será connosco, será mais com os altos cérebros.
Daqueles que tiram os cursos tipo Pepe Rápido!...

Se precisarmos dos meios de comunicação para nos cultivarmos, podemos fazer as malas!

Abraço.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Outono por instantes




Depois de uma noite de chuva, a manhã acordou cinzenta.
A chuva miudinha mostrava-se persistente e tímida ao mesmo tempo.
Um dia carrancudo, mas sereno e tranquilizador.
Daqueles que eu aprecio.
Quando assim é, gosto de ficar quieta no meu canto, assim… quase a ronronar.
Música suave, que se faz ouvir num som de baixos decibéis, a condizer.
Mesmo bom para serenar a alma.
Até os meus gatos estão recolhidos.
Certamente, também eles a saborearem este ambiente acolhedor.
Assim afastada do bulício do exterior e absorvida pelo silêncio, não faria ideia da sofreguidão que lá fora, mais propriamente numa superfície comercial próxima, se fazia sentir.
Com as praias vazias, uma amálgama humana correu a distrair-se.
Quando por necessidade me dirigi lá por cinco minutos, tive a surpresa do dia.
O espaço abarrotava.
O eco das vozes parecia o de aves comprimidas num galinheiro que, embora grande se tornara pequeno.
Saí a correr.
Posso compreender as necessidades de cada um, mas as minhas não passam por ali.
Opções e estilos de vida.
Está um dia demasiado agradável para o desperdiçar assim.

Abraço. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Corações vazios

















Há corações e corações.

Há corações que são bons.
Amigos, solidários e grandes.
Corações que sabem amar.

Depois há os outros.
Corações frios, de plástico ou de lata, sei lá!...
Fazem pum… pum… mas não passam disso.
Trabalham apenas para sobreviver.
Não se dão conta que têm capacidades para mais.
Que foram feitos para sentir, amar e se solidarizarem.

São apenas corações mecânicos.
São capazes das coisas mais cruéis e maldosas.

Têm atitudes pouco dignas, nada honestas e às vazes cruéis.
São corações em saldo.
Sem valor.
Fúteis e sem critério.
Corações mentirosos.
Corações confusos e doentes

Que pena passarem ao lado do que a vida tem de bom!...

Abraço. 

sábado, 11 de agosto de 2012

Uma estória de aldeia


















Ao longo da nossa existência, há sempre episódios que não esquecemos.
Com mais ou menos importância, eles permanecem connosco.
Desta vez, lembrei-me de um, que me faz rir sempre que rebobino a fita dos acontecimentos.
Há muito tempo, na minha aldeia em dias festivos e para fecharem com chave de ouro, jogava-se uma partida de futebol
Normalmente e para a coisa ser mais brincalhona, jogavam os solteiros contra os casados. Como hoje.
Claro que era mesmo para divertir, pois a frescura e a capacidade física de uns era bem diferente da dos outros.
Na aldeia já era esperado o espectáculo.
Assim sendo, à hora do evento tudo corria para o «campo», sabendo de antemão que haveria gargalhada pela certa.
O «campo» era um rectângulo de terra batida com pedras à mistura, onde durante noventa minutos ambas as partes se digladiavam.
Havia no grupo dos casados um elemento que normalmente bebia uns copos e via a dobrar.
Apesar disso, e mesmo não fazendo parte da equipa, insistia em ir para dentro do campo – neste caso não para jogar, mas para atrapalhar.
O pior de tudo é que sempre que as bolas lhe chegavam ao pé, ele fugia aos ziguezagues à frente dela, impedindo que os golos entrassem.
Só dizia aos gritos:
- Olha-a, olha-a!
E dizia coisas desconexas que deixava tudo a rir.
Se por acaso os solteiros cometiam alguma falta, zangava-se com o árbitro, porque ele os castigava.
Era do contra mesmo.

Eram momentos delirantes e ingénuos de descontracção e divertimento.

Naquele tempo, eram assim os momentos de lazer.
Brincalhões e ingénuos.

Bons tempos.

Abraço.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Migrações


















Principalmente durante o verão, verificam-se com frequência fluxos de pessoas que regressam ao seu local de origem.
Agora mesmo, neste mês de Agosto, se verifica o auge das saídas.
Migrações pendulares.
É assim que se designam.
Não há aldeia, cidade ou vila, que não tenha as portas bem abertas, para receber os seus.
Depois, há sempre o argumento da festa local!

As portas, os braços, o coração, tudo escancarado.
É assim que os filhos da terra são recebidos.
Uns dias apenas.
Que a vida não permite mais.
Contudo, são dias saborosos e vividos com alegria.

Aos foguetes, à banda e a tudo o que seja manifestação de festividade, juntam-se os laços familiares que a distância tornou mais fortes.

Migrações pendulares.
Ansiadas e desejadas por todos.

As festas, essas, são apenas um pretexto.
Os laços de amizade são quem comanda.

Festas boas.

Abraço.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Este Verão morno



















Eu gosto.
Esta temperatura meio primaveril, agrada-me mesmo.
Detesto calor.
Basta o que suportei quando «estive na tropa» em Cabinda.
Essa fase é responsável por esta quase aversão ao calor em demasia.
Acho que o armazenei para o resto da vida.

Esta temperatura morna sabe-me muito bem.
Depois, este canto que me abriga todos os dias, é fresco e cheio de verde.
Cheio do colorido das flores, que neste momento se encontram em plena pujança,
Uma brisa marítima corre suave e agradável.
Os sons da natureza deixam-se ouvir e apreciar.
A fauna mais variada ouve-se e aprecia-se.
Os pássaros, desde rolas a poupas e outras espécies, «sobrevoam» descontraídos o céu que me abriga.
Um ambiente bom e digno de umas férias boas e tranquilas.
A cidade maior está logo ali, mas não faz falta.
Aqui, vive-se com qualidade.
Quase deixam de se ouvir os apelos das origens.

Verão morno, que me traz bem-estar e tranquilidade.
É aqui que recolho energias para prosseguir o caminho.

Abraço.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

De que família é?
















Pois é.
Esta pergunta foi feita a uma jovem acabada de entrar num Instituto público de alto gabarito da Grande Lisboa, pago por nós.
Jovem, provinda de família de classe média, ficou perplexa.
Contudo, disse de imediato:
«A minha família não é conhecida».
«Os meus pais têm origem na província, embora vivam neste momento em Lisboa.
São cidadãos comuns».
Perante esta história contada pela protagonista, o espanto foi geral.
O espanto e a indignação.
Difícil admitir que um Instituto público se preocupe com os laços familiares dos seus trabalhadores, ao invés de, como seria normal, com a sua competência profissional!

Pensando melhor na fauna que o serve (média alta burguesia), é quase entendível.
Aquilo, é só gente seleccionada…
Que grande pandilha.
A jovem se não fosse bem formada, até se poderia ter sentido humilhada!
Não, não era pessoa de ter vergonha de quem provém.
Antes pelo contrário, orgulha-se das suas raízes.
Contou a história, como se de uma anedota se tratasse.
  
Gentalha!...

Abraço.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Veredas















Veredas.
Hoje lembrei-me de quantas já percorri.
Não me refiro só às veredas da vida.
São muitas, de facto e de géneros diferentes.
Algumas, diria eu, até bastante tortuosas e difíceis de percorrer.
Estreitas e quase estranguladoras.
Íngremes ou inclinadas, escorregando algumas vezes ameaçando o «abismo»…
Essas são as veredas da vida.
Aquelas que percorremos ao longo dos tempos.
Aquela que, deambulando, nos levam a situações que nos dão prazer ou são muitas vezes inesperadas e brutalmente perturbadoras.

Depois há outras bem mais objectivas.
As da terra.
Aquelas que por necessidade ou lazer, vamos percorrendo.
Em minha opinião, essas veredas podem-se imaginar como máquinas de movimento.
Máquinas ecológicas, económicas e sempre á nossa disposição.
Submissas, deixam-se pisar.
Pisar e repisar, sem protesto.

Gosto delas sobretudo, quando me levam a lugares com os quais me identifico.
Onde me deixem saborear a beleza da Natureza.
Onde eu tenha o prazer do silêncio.
Onde os ruídos que me envolvem sejam quase música.
Uma espécie de música de um mundo solidário e bom.

Veredas.

Caminhos quantas vezes incógnitos?

Abraço.