terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Matrafonas






















Gosto de me ocupar com trabalhos de mãos e que exijam alguma criatividade.
Mesmo quando ainda estava no activo, dava-me prazer fazer bonecos, almofadas e outras coisas que sabia que as crianças apreciavam e davam ao ambiente um aspecto que sugeria afectos, conforto e bem-estar.
Muitas vezes esta tarefa era acompanhada do entusiasmo deles que, felizes, colaboravam com dicas e até material.
Juntava-se o útil ao agradável.
E o produto final era uma festa.

Assim eles sentiam muito mais que aquilo tudo lhes pertencia e cada um procurava preservar o trabalho feito.

Hoje, aqui à lareira, a pensar na vida de uma forma mais ligeira que ontem, lembrei-me das matrafonas que às vezes me saíam.
Com ironia, não pude deixar de pensar noutras matrafonas!
Sim, essas de carne e osso.
Quase sempre grandalhonas e muito parecidas com as de trapos.
Cruzamo-nos com elas com frequência.
Não pude evitar uma gargalhada saudável.
Daquelas que, quem me conhece bem, sabe que são fruto da minha imaginação a passar filmes de arquivo!...

As que eu fazia eram gordas, mal feitonas, cabeças enterradas nos ombros e vestidas a condizer.
Inspiradas nas reais.
Agradavam à criançada!
Penso que por não terem formas, as achavam mais fofinhas.

Apetece-me dar o tal pontapé certeiro, fazendo uma matrafona.
Uma espécie de terapia.

Abraço.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Força interior é preciso

















Estou a precisar mesmo essa força.
E não serei só eu, que os tempos estão assim.
Essa força que, para resultar, tem que vir de dentro.
Caso contrário não é verdade.
É apenas uma farsa.
Mas…às vezes, onde ir buscá-la?

Confesso que estou num momento de desencanto.
De enfado, de saturação.
Parece-me tudo artificial e efémero.
Parece-me tudo superficial e assente em estacas de madeira apodrecidas.
Quase sinto que vivo no meio de bonecos anafados e ocos.
Sinto que o mundo deixou de sê-lo.
Pelo menos aquele mundo a que estava habituada.
Deixei de ver amigos para ver egoístas.
Deixei de ver verdade para ver hipocrisia.
Deixei de ver afecto para ver traquinices infantis, imaturas e sacanas.
Deixei de ver profundidade e reflexão séria.
Vejo apenas futilidade e gente a «voar»!
Deixei de ver um mundo sério e frontal.
Deixei de ver aquilo que me enchia de alegria e me projectava para a frente: qualidade e valores.

Digamos que o encanto está prestes a quebrar-se.
O olhar malandreco e quase infantil, está mais duro.
Às vezes, ao olhar o espelho, não me reconheço.
É menos bonita assim a minha imagem e a minha vida.
É mais pesada e sem graça.

Confesso que estou um pouco desencantada.
Alguém, alguma coisa, está a mandar ao chão a minha força interior.

Eu não sou esta.
Há dias assim.
Atrás de dias, dias vêm. 
Arranja-se um pontapé certeiro e forte?

Abraço.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Que nojo





















Peço desculpa pelo título deste texto.
Sei que não é simpático, nem sequer agradável.
Mas este senhor Berlusconi, que passou agora mesmo no jornal da noite, faz-me náuseas!...
Nojo mesmo.
Como é possível um ser tão reles ter nome de pessoa?
Como é possível ainda haver alguém atrás daquele palhaço asqueroso?
Isto, sem ofensa para os palhaços verdadeiros, que me merecem o maior respeito.
Foi agora mesmo que me passou pelos olhos.
Não pude evitar uma volta no estômago.

Foi apenas um desabafo para esvaziar a revolta.
É claro que nem precisava de ver este indivíduo para me indignar.
Há aí tanta variedade!
Mas nojo assim…é demais.
Peço desculpa mais uma vez.
Vou desmoer.

Grree!

Abraço.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Desculpas
















As desculpas de que vou falar não têm nada a ver com as desculpas que se pedem quando se comete uma «gafe».
Quando se faz alguma coisa menos correcta.
Normalmente, essas desculpas são arranjadas para justificar algo que nos embaraça.
São inofensivas, fazem parte do normal da vida.

Depois temos as outras.
As que se usam para tapar qualquer coisa que não agrada.
Essas deixam no ar suspeitas e dúvidas.
Dão oportunidade a especulações.
Deixam rótulos.

Desculpas.

É preciso saber usá-las.

Abraço.

Apagão




Ontem logo pela manhã ao ler o jornal fiquei de boca aberta.
Dei-me conta de uma sondagem que põe o PS quase ao nível do PSD com uma muito pequena diferença.
Como é possível, perguntei-me?

Não temos uma taxa de desemprego de assustar?
Não temos gente com fome e sem dinheiro para pagar as suas contas?
Não temos tanta gente humilhada e ignorada?
Não estamos mesmo muito zangados com o governo?
Ou há quem goste de apanhar?
As medidas insuportáveis, desumanas e humilhantes, que o partido do poder impôs aos portugueses são premiadas assim pelas vítimas?
Onde está a dignidade desta gente toda?
Estamos todos com uma corda à volta da garganta e sem mais furos no cinto.
Uns arrastando-se como zumbis, outros sem comida para pôr na mesa, outros a dormir na rua!...
E… ainda assim, parece que há uma grande maioria que gosta!...
Será que toda essa gente que contribuiu para aquela sondagem sofreu um apagão?

Não estou a dizer que o PS seja melhor.
Mas, já agora, o que tem andado a fazer?
Certamente não tem estado no melhor caminho.
Seguro não é seguro mesmo?
Nesta situação quem confiará em quem?

Bem podem os Passos e os Relvas, continuar a gozar com o povo.
Mesmo fazendo a triste figura que nos vão mostrando as televisões.
O senhor Relvas, então, não passa de um descarado sem vergonha!
A figura que fez a tentar cantar a «Grândola»!
Não sabe nem a letra, o pobre.
Abriu e fechou a boca, qual peixe fora da água.
Ridículo.

Abraço.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Incapacidades














Incapacidades, todos nós temos.
O melhor será consciencializarmo-nos de que é mesmo assim, para não nos sairmos mal.
O pior é que nem sempre nos damos conta.
No seguimento disso, fazemos coisas para as quais não temos a mínima queda.
O que resulta daí são autênticos atentados.

Estou a lembrar-me concretamente de um pequeno texto, que há dias me foi dado ler.
De tão mau que era, quase me fez corar de vergonha!
Mal concebido, mal conseguido e sem qualquer hipótese de poder ser publicado.
Contudo foi publicado e foi lido.
E devo dizer que de tão ridículo, fez rir quem o leu.
A pessoa que o escreveu, é claro que não se deu conta da agressão que cometeu!
Mas que foi motivo de gargalhada, lá isso foi.
Esta pessoa não se dá conta das suas incapacidades.
Apenas precisa de dizer através da escrita que existe.

Ignorância?
Falta de modéstia?
As duas hipóteses talvez.

É bonita a humildade.

Abraço.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Os extremos















Quando se fala em ensino e educação, ouvimos muitas vezes as pessoas dizer:
- Antigamente é que era! Os miúdos eram respeitadores e os professores sabiam impor-se.

De certa forma, esta afirmação até tem algo de verdade.
Mas porque é que era assim?
Temos que ir mais ao fundo da questão.
Será que era correcta a forma como antigamente se administrava o ensino?
Será que a lei da força, por si só, deixou saudades e bons resultados?
Será que os alunos de então guardam boas memórias dessa forma de ensinar?
Das reguadas, das bofetadas, dos puxões de orelhas? Das orelhas de burro?
Da histeria de alguns docentes da altura?
Havia crianças que, com medo, faziam xixi pelas pernas abaixo!...
Que vomitavam na sala e desistiam da escola!

O que é que se fez entretanto, para que tudo mudasse?
Para que se tivesse caído numa situação completamente oposta?
Hoje os meninos são de ouro.
Nem sequer se podem repreender!
Não vá o paizinho à escola fazer um escândalo e até bater nos professores!

Quanto a mim, passou-se de um extremo ao outro.
Antigamente, funcionava a repressão e o medo e isso era muito mau.
Hoje, na sua maioria, inverteu-se tudo.
Em muitos casos, é quase o tu cá tu lá entre professores e alunos.
A anarquia, em muitos casos, é total.
Quanto a mim, nem uma nem outra técnica estavam, estão, certas.
E penso que o defeito é de base.
Ninguém ainda terá pensado que os professore e educadores não estão a ser devidamente preparados para uma tarefa tão difícil como a que têm pela frente?
Ninguém ainda pensou que é preciso preparar pais e professores para conseguirem levar a cabo esta tarefa enorme que é ensinar e educar?

Penso que ambas as partes mereciam uma atenção especial em direcção a essa preparação.
Penso ainda que o ensino não pode ser dissociado da educação, os dois têm que caminhar lado a lado.

Em direcção a uma melhor e mais completa aprendizagem e a uma consciencialização forte do que é o civismo e o respeito pelos valores.

Gostaria de assistir a um processo que dignificasse a escola, os pais e toda a sociedade.
 
Abraço.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Espantalhos



















Desde criança que a figura dos espantalhos postos nos campos em local estratégico me despertou a curiosidade.
Curiosa, fiz perguntas.
Porquê, para quê?
Concebido como se de uma figura humana se tratasse e enfeitado com os artefactos mais estapafúrdios (tachos, panelas, tampas – e a indumentária necessária), achei sempre que era uma figura engraçada.
Ao longe ouvia-se o bater dos objectos com que o «ornamentavam».
O vento tinha um papel importante para que funcionasse com eficácia.
Os pássaros, coitados, é que se lamentavam
Ao aproximarem-se, tinham medo e saltavam de galho em galho, espreitando um momento mais calmo para comerem.
Penso que este espantalho inspirou depois os trapalhões que, no Entrudo, fizeram dele imitações fiéis.
Seguros da sua graça, exibiam a trapalhice improvisada, fazendo rir quem os via passar.

Quando ainda estava no activo, fiz um com o meu grupo de crianças.
Um espantalho em ponto natural.
O entusiasmo de miúdos e graúdos foi muito.
Durante o tempo que durou a execução, foi uma alegria.
As crianças participaram e deram ideias.
Elas próprias traziam de casa trapos e outro material necessário para a obra!
Aquele espantalho fez as delícias de todos.
Tivemos pena quando tivemos que dar por terminado o tema.

Ficou uma ideia do préstimo daquele boneco desajeitado.

Agora também vemos muitos espantalhos por aí.
Só que nem se dão conta que o são, nem têm préstimo nenhum.
Nem têm a graça que aqueles tinham!...

Abraço.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Não gostei


















Oitenta anos – uma idade bonita.
Merece ser assinalada.
Foi isso que aconteceu com Carlos Brito.
Comunista dos quatro costados durante uma vida.
Largos anos passados em prisões e na clandestinidade, com torturas à mistura.
Por razões ideológicas, há alguns anos afastado.
Afastado e, parece-me, renegado.
Segundo afirma, continua comunista, embora não concordando com algumas das regras impostas para ser aceite no grupo.
Daí o seu afastamento.

Um conjunto significativo de elementos grados da esquerda portuguesa decidiu homenageá-lo.
Até aqui tudo bem.
Depois de tantos anos a lutar por uma sociedade melhor, o agradecimento merecido.
Mas…
É da minha vista, ou não se vislumbra ninguém do seu partido?
Onde estão os seus camaradas ainda vivos?
Aqueles que com ele passaram o que o diabo enjeitou?
E os jovens?
Aqueles que tinham obrigação de ter uma visão mais abrangente do que os rodeia?
Ficaram recolhidos a fazer birra?
A segurar as palas que lhes protegem os olhos?

Quanto a mim, não irão muito longe com atitudes destas!
E eu nem sequer sou suspeita.
As minhas raízes são de esquerda e sê-lo-ei sempre, até que a cabeça me deixe!...
A verdade é que não gostei de ver.

Há momentos que mereciam uma grandeza de espírito, que seria apreciada e certamente anotada por muitos.
Ainda que não se simpatize com a figura, merece o nosso reconhecimento.  
O antes quebrar que torcer é sinónimo de pouca inteligência.

Parabéns, Carlos Brito.

Abraço.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um pouco de Inverno

















Aí estão os dias frios e solarengos de inverno.
Tudo se mostra resplandecente.
Uma luz intensa invade os cantos mais recônditos.
Mostra-se com todo o seu potencial o sol.
Brilhante, ofusca qualquer um.
Estende os seus raios e oferece-os gelados à Terra e aos Homens.
Raios frios, que só se mostram no inverno.
Lá fora, um ventinho sibilante trespassa as roupas de quem passa.
Às vezes nem os agasalhos são suficientes.
Os transeuntes protegem o nariz, que se queixa, desprotegido.
Aqui no meu canto quente, saboreia-se o calor que emana da lareira e aconchega o corpo e a alma.
Isto, sim, é o inverno.
Este friozinho já tardava.
Fazia falta para matar os micróbios e outras partículas desagradáveis que provocam doenças e contaminam o ambiente.
Numa visão mais restrita e talvez um pouco egoísta, diria que sabe bem imaginá-lo lá fora, daqui deste lugar privilegiado onde me encontro.
A chama da lareira completa o aconchego.

Abraço.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A minha aldeia e as tradições


















Eram algumas e engraçadas as tradições da minha aldeia.
Pela simplicidade, pela camaradagem e pela alegria ingénua.
Estou a recordar concretamente uma.

As cacadas

Era durante o mês de Fevereiro, no tempo que antecedia a quaresma, que aconteciam.

Então de que é que constava esta brincadeira?

A noite era o momento escolhido para pôr a tradição em prática.
Preparava-se durante o dia disfarçadamente.
Era preciso angariar material que fosse barulhento e que obrigasse a uma pequena limpeza por parte dos atingidos.
Garrafões de vidro partidos e ainda com a palha.
Cestos com bugalhas, cacos etc...
Cântaros de barro já velhos, que se pudessem escaqueirar.
Cântaros de lata já sem préstimo, com tudo o que fizesse barulho e confusão lá dentro.
Enfim, tudo o que pudesse pregar uns bons sustos e que fizesse uma grande chinfrineira.
De noite, quando toda a gente já estava recolhida a jantar ou simplesmente a fazer serão, o grupo que então se organizara, e com os objectos na mão, ia pé ante pé.
Escolhiam-se as casas com degraus interiores de madeira ou que tivessem corredores longos, e zás!
Atirava lá para dentro com tudo.
Caíam que nem «bombas» aqueles objectos barulhentos, rebolando ou fazendo pum…pum…pum escadas abaixo ou corredores fora.
Era a confusão total.
O pessoal atingido corria às portas e ou riam a bom rir, ou irritados gritavam impropérios, enquanto o grupinho fugia e soltava gargalhadas saudáveis.
Às vezes, quase sempre, descobriam-se os prevaricadores.

Aí normalmente havia o troco.
Era só esperar a oportunidade!...

Nunca se sabia qual seria a próxima «vítima»!...
Era muito engraçada esta brincadeira inocente e bem-disposta.

Abraço.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O sol















O sol é a vida a sorrir.
É a terra a brotar vida.
São os pássaros felizes.
As plantas a florir.

O sol aquece o Mundo.
O Mundo gélido e sem amor.
Gélido sem solidariedade e afectos.
Vazio de sentimentos bons.

O sol é fonte de vida.
É vida saudável e completa.

O sol é fartura.
Fartura que alimenta e aquece a alma.
Que aconchega todos
Sem excluir ninguém.

O sol é um milagre da vida.

Abraço.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A ignorância é um descanso














Acontece às vezes, encontrarmos gente que se mostra avessa a aprender.
Ora, quanto a mim, a vida é uma aprendizagem permanente.
Se quisermos, aprendemos muito uns com os outros todos os dias.
Cada um pode passar ao outro os conhecimentos que vai adquirindo ao longo da vida.
O que muitas vezes acontece é que há quem não esteja interessado em angariar conhecimento.
O que mais chateia é que quanto menos sabem, mais tentam empertigar-se para, assim, se afirmarem.
Tentam vender uma imagem, aquela que gostariam que fosse real.
É de ficar com pena e perplexa com tanto orgulho e falta de humildade.
Não se dão conta de como estão a fazer um papel ridículo.

Como somos diferentes!

Dá-me, e sempre me deu, muito gozo aprender.
Desde muito pequena, a minha curiosidade é uma das minhas características.
A vontade de saber está dentro de mim.
Sempre gostei de ouvir os outros e aprender com eles.

Sempre tive pressa de aprender.
«Queres aprender antes do tempo», diziam os meus pais.
Em termos de leituras, não me escaparam, ainda bem cedo, todos os livros na altura considerados próprios e também os menos próprios para a minha idade. 
Para os conseguir tinha um cúmplice.
O meu tio Narciso.
Homem do povo, mas leitor compulsivo.
A todos os outros temas de aprendizagem eu reagi sempre da mesma forma. 
(Hoje estou a começar a entrar no mundo da «net»).

Quando isso deixar de acontecer, não haverá mais vida!...

Abraço.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Grisalhos













Há dias deparei-me com um chorrilho de palavras, escritas por um senhor que infelizmente exerce funções de deputado pelo PSD da Guarda, que me deixou indignada.
Lamentava-se o senhor:
«O nosso país está atacado pela peste grisalha»... (Leia mais aqui.)
Dizia isto como poderia dizer que estava atacado pela peste negra!
Uma calamidade, acha ele!

Lembrei-me de alguém que um dia, ao ver uma manifestação com toda a gente a gritar palavras de ordem, olhou e com desprezo estampado no rosto, disse:
- «Povinho…»
Como se não proviesse dele também!...

Neste caso eu diria:
- «Gentalha ignorante e cheia de si!...»
Como é possível termos a representar-nos gente com tamanha falta de respeito por quem podia ser pai, mãe, avô?
Como pode um fulano licenciado ter tamanha falta de sensibilidade, conhecimento e respeito?
Serviu-lhe de alguma coisa a licenciatura?
Educação, respeito e afecto, não de certeza.
Se queria falar do problema do envelhecimento que até é real, que soubesse pelo menos abordá-lo de forma respeitosa.
Foram os grisalhos de agora quem lhe deu a vida e a oportunidade de tirar um curso que nem sequer sabe honrar.

Gentalha mesmo!
Que, ainda por cima, se governa à custa de todos nós.

Ele há cada um!

Grisalhos!...

Abraço.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Paladares

















Não sou, por motivos de educação alimentar, uma grande comilona.
Mas sou, sem dúvida, uma apreciadora de boa comida.
Sobretudo de comida caseira, confeccionada à boa maneira portuguesa.
Com alimentos o mais naturais e frescos possível.

Reaprendi a comer há já bastante tempo.
Aprendi que comer bem não é de modo nenhum comer muito, nem passar fome.
Não é carregar os alimentos de sal e gordura.
Não é fazer dietas loucas que normalmente são prejudiciais.
Comer bem é comer de tudo sem excessos.
É degustar, é ir comendo.
Refeições fraccionadas e leves.
Cinco por dia.
De duas em duas horas, é o que costumo fazer. 
Adoptei este método há já muito tempo e dou-me muito bem com ele.
Completo-o com ginásio três vezes por semana.

Contudo, considero que se fizesse a vontade à minha gulodice natural, seria uma gorda irreversível.
Neste momento, devo dizer que já não conseguiria voltar atrás.
É tudo uma questão de educação e uma forma de estar na vida.
Contudo, assumo que sou gulosa.
Uma vez por outra, lá de longe em longe, cometo um pecadilho.
Coisa que até os médicos apoiam.
Nesse dia como a gulodice que mais me apetecer.
Sou uma apologista da dieta mediterrânica e sei que estou no bom caminho
Não quer experimentar?

Abraço.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Relações amistosas





Seria óptimo podermos viver num Mundo onde a amizade se cultivasse.
Se tratasse como uma planta de rara beleza.
Se adubasse, se regasse e se protegesse com ternura, compreensão, tolerância e muito amor.
Onde não houvesse lugar a sentimentos negativos.
Onde as pessoas fossem todas bem formadas.
Se compreendessem e se respeitassem.
Onde a solidariedade nunca faltasse.

Este mundo de que falo, só poderá existir na ficção.
Os motivos dessa impossibilidade são, quanto a mim, não só uma questão de feitios diferentes, mas sobretudo uma questão de cultura e educação.
Cada um é diferente do outro.
Toda a gente tem humores oscilantes.
Toda a gente tem acessos menos correctos.
Contudo, toda a gente também tem um cérebro e tem também a obrigação de o controlar.
Porque é que não o fazemos?
Provavelmente porque falhou algo importante na nossa educação.
Deixaram-nos, e deixámos, os instintos mais primários à solta.

Precisávamos de adoçar o olhar, pôr suavidade na voz e não sermos parcos com os gestos de amizade.

Assim, o Mundo seria melhor.  

 Abraço.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Finalmente















Estou a gostar.
Finalmente alguma coisa com qualidade nas tardes da RTP1.
As tardes, das quinze às dezoito, estão quanto a mim muito bem entregues.
Com dinamismo, diversidade, simpatia, descontracção e competência.
José Carlos Malato está muito bem como anfitrião.
O formato é dele e agrada-me.
Faz-se acompanhar pela Marta Leite Castro, que com ele também está muito bem.
Finalmente dá gosto olhar e prestar atenção ao que se passa no pequeno ecrã.
Bons temas e gente de qualidade.
Sem fazer a exploração da desgraça alheia, ou abandalhar para prender audiências, este programa tardou pela demora.
Estávamos a precisar de algo com substância.
Durante três horas, não há tempo para desgastar o cérebro a pensar nos doutos governantes que nos mortificam a cada dia.
O meu aplauso.
Sabe bem, estar recolhida e ocupada junto à lareira e ter por companhia gente com qualidade e com quem se aprende alguma coisa.
Sem lamechices, com humanismo e com muita ternura à mistura.
Penso que são os condimentos e o segredo deste programa.

Parabéns.

Abraço.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O palco da vida

















A vida é passada num palco.
É um palco onde, ao longo da nossa existência, vamos protagonizando as mais diversas personagens e cenas.
Dramáticas, satíricas, de humor…
Enfim.
É ali que nos esforçamos ou não, por ser os melhores e os mais capazes.
É ali que passamos a imagem de competentes ou inaptos.
É ali que tentamos mostrar o que muitas vezes não somos.
É no palco da vida que se exibem os bons e os maus actores.
Os credíveis, que são de aplaudir.
Os ridículos, que por muito que se esforcem, não conseguem disfarçar a falta de qualidade.
É ali que mostramos as nossas fraquezas, o nosso orgulho, as nossas qualidades de actores.
Assim, ao vivo e sem rede.

Palhaços.

Ricos e de espírito pequeno.
Pobres e sem oportunidade de brilhar.
Ambos se agigantando perante o Mundo.

É um palco enorme a vida.
Com espectadores críticos.
Muitas vezes carrascos.
Com vocação de predadores.

A vida é um palco repleto de sapos que incham, incham!...

Abraço.    

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bom gosto





















Pois é.
Este é um tema complicado.
Como se costuma dizer, gostos não se discutem.
Mas a verdade é que do gosto dependem a harmonia e o belo.
O bom gosto ou a falta dele também depende dos códigos que nos foram passados na infância.
Também do que fizemos ao longo da vida, para tentar educá-lo.

Se todos tivéssemos noção da beleza e do equilíbrio, com as devidas diferenças ficaríamos todos mais bonitos.
Também poderíamos tornar o ambiente em que vivemos e onde trabalhamos mais harmonioso e leve.
Para isso nem é preciso muito dinheiro.
As coisas simples são as mais bonitas.
Basta ter o mínimo de bom gosto.
Se soubermos fazer a conjugação do que usamos, se soubermos adaptar os móveis aos espaços e ao sítio onde vivemos, o equilíbrio transparece sem grande esforço.

O dinheiro não é sinónimo de beleza e harmonia.

Muito importante também, creio eu, é ainda a forma de estar na vida.
As coisas mais simples e acessíveis, poderão transformar uma pessoa e um ambiente em imagens bonitas.

Abraço.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Flashes

















São imagens que aparecem quando menos se espera e se deseja.
Às vezes são apenas isso mesmo, flashes.
Outras vezes insistem em permanecer um pouco mais.
São cíclicos e inevitáveis.
Tenta-se não dar importância.
De pouco resulta: reaparecem.
Insistem na visita.
Quando as marcas são profundas, é difícil apagá-las.
Uma operação plástica à alma, quem sabe?
Será que a ciência ainda lá chega?
Enquanto sim e não, será melhor exorcizar o problema.

Só tardou pela demora.

A partida estava marcada.
Era preciso chegar ao comboio.

- Pode levar-me à estação amanhã se faz favor?
- Não posso.
- Não pode?
- Então e agora?
- Não sei!
- Desenrasque-se!...

A resposta doeu de mais.
O que é que eu faço?
A insensibilidade e o desafecto eram de facto de mais.
Era o último dia.
Era uma despedida para uma grande ausência.
O destino não era propriamente turístico!...
Custou a engolir a decepção. O coração bateu forte.

Socorro!..
Acudiu um amigo.
Carregaram-se as malas.
Na estação, foi dura a despedida.
Naquele comboio ficaram horas de lágrimas.
E mágoas.
Sem afectos nada é possível.

O coração perdoou.
A alma ainda dói.

Abraço.