sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Finalmente















Estou a gostar.
Finalmente alguma coisa com qualidade nas tardes da RTP1.
As tardes, das quinze às dezoito, estão quanto a mim muito bem entregues.
Com dinamismo, diversidade, simpatia, descontracção e competência.
José Carlos Malato está muito bem como anfitrião.
O formato é dele e agrada-me.
Faz-se acompanhar pela Marta Leite Castro, que com ele também está muito bem.
Finalmente dá gosto olhar e prestar atenção ao que se passa no pequeno ecrã.
Bons temas e gente de qualidade.
Sem fazer a exploração da desgraça alheia, ou abandalhar para prender audiências, este programa tardou pela demora.
Estávamos a precisar de algo com substância.
Durante três horas, não há tempo para desgastar o cérebro a pensar nos doutos governantes que nos mortificam a cada dia.
O meu aplauso.
Sabe bem, estar recolhida e ocupada junto à lareira e ter por companhia gente com qualidade e com quem se aprende alguma coisa.
Sem lamechices, com humanismo e com muita ternura à mistura.
Penso que são os condimentos e o segredo deste programa.

Parabéns.

Abraço.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O palco da vida

















A vida é passada num palco.
É um palco onde, ao longo da nossa existência, vamos protagonizando as mais diversas personagens e cenas.
Dramáticas, satíricas, de humor…
Enfim.
É ali que nos esforçamos ou não, por ser os melhores e os mais capazes.
É ali que passamos a imagem de competentes ou inaptos.
É ali que tentamos mostrar o que muitas vezes não somos.
É no palco da vida que se exibem os bons e os maus actores.
Os credíveis, que são de aplaudir.
Os ridículos, que por muito que se esforcem, não conseguem disfarçar a falta de qualidade.
É ali que mostramos as nossas fraquezas, o nosso orgulho, as nossas qualidades de actores.
Assim, ao vivo e sem rede.

Palhaços.

Ricos e de espírito pequeno.
Pobres e sem oportunidade de brilhar.
Ambos se agigantando perante o Mundo.

É um palco enorme a vida.
Com espectadores críticos.
Muitas vezes carrascos.
Com vocação de predadores.

A vida é um palco repleto de sapos que incham, incham!...

Abraço.    

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bom gosto





















Pois é.
Este é um tema complicado.
Como se costuma dizer, gostos não se discutem.
Mas a verdade é que do gosto dependem a harmonia e o belo.
O bom gosto ou a falta dele também depende dos códigos que nos foram passados na infância.
Também do que fizemos ao longo da vida, para tentar educá-lo.

Se todos tivéssemos noção da beleza e do equilíbrio, com as devidas diferenças ficaríamos todos mais bonitos.
Também poderíamos tornar o ambiente em que vivemos e onde trabalhamos mais harmonioso e leve.
Para isso nem é preciso muito dinheiro.
As coisas simples são as mais bonitas.
Basta ter o mínimo de bom gosto.
Se soubermos fazer a conjugação do que usamos, se soubermos adaptar os móveis aos espaços e ao sítio onde vivemos, o equilíbrio transparece sem grande esforço.

O dinheiro não é sinónimo de beleza e harmonia.

Muito importante também, creio eu, é ainda a forma de estar na vida.
As coisas mais simples e acessíveis, poderão transformar uma pessoa e um ambiente em imagens bonitas.

Abraço.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Flashes

















São imagens que aparecem quando menos se espera e se deseja.
Às vezes são apenas isso mesmo, flashes.
Outras vezes insistem em permanecer um pouco mais.
São cíclicos e inevitáveis.
Tenta-se não dar importância.
De pouco resulta: reaparecem.
Insistem na visita.
Quando as marcas são profundas, é difícil apagá-las.
Uma operação plástica à alma, quem sabe?
Será que a ciência ainda lá chega?
Enquanto sim e não, será melhor exorcizar o problema.

Só tardou pela demora.

A partida estava marcada.
Era preciso chegar ao comboio.

- Pode levar-me à estação amanhã se faz favor?
- Não posso.
- Não pode?
- Então e agora?
- Não sei!
- Desenrasque-se!...

A resposta doeu de mais.
O que é que eu faço?
A insensibilidade e o desafecto eram de facto de mais.
Era o último dia.
Era uma despedida para uma grande ausência.
O destino não era propriamente turístico!...
Custou a engolir a decepção. O coração bateu forte.

Socorro!..
Acudiu um amigo.
Carregaram-se as malas.
Na estação, foi dura a despedida.
Naquele comboio ficaram horas de lágrimas.
E mágoas.
Sem afectos nada é possível.

O coração perdoou.
A alma ainda dói.

Abraço.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Catadupa















É um fartar de notícias «simpáticas» nestes canais televisivos.
A informação é um massacre.
A todas as horas nos servem doses maciças de informação, que só com grande esforço não nos deixam em estado depressivo e em choque.
Servem-nos consecutivamente uma ementa suculenta, variada e cada vez mais condimentada de conteúdos, cada um mais negativo que o outro.
É verdade que os tempos estão mais que maus, mas bater exaustivamente nos aspectos cruéis que nos vêm do governo, é de querer pôr tudo ainda mais doido!...
Não se passará nada de positivo neste país?
Será que só existe o governo centrado no seu afincado sadismo?

Que há muita violência também todos sabemos.
Mas…não terá ela origem neste descalabro em que estamos todos?
Quem é que não está inseguro?
Só os que têm o poder, acho eu!...
Será que estão?
Bater sempre na mesma tecla, já enjoa.
Qualquer pessoa sem vocação para masoquista tem vontade de desligar o aparelho.

Todos os dias a mesma ementa, é pouco criativo.
Seria bom também ir procurando notícias positivas.
Também as haverá por aí!...
Depois, seria bem menos deprimente.
Informação é uma coisa, intoxicação é outra bem mais grave.

Bom senso deseja-se.

Abraço.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Aproveitando os momentos

















Já que o senhor Passos do sorriso postiço não dá mimos a ninguém, vou eu fazer essa tentativa.
Aí vai o produto final de mais um dos meus pequenos trabalhos.
É outro mimo que me deu muito prazer fazer.
Saiu de mim e partilho-o consigo.
Mais uma vez utilizei linho muito antigo.
Perdi a conta aos anos.
Desde o linho ao trabalho, tudo foi artesanal.

Mais uma peça única.
Espero que agrade pelo menos a quem aprecia uma certa forma de arte.

Abraço. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Fora do contexto

















Nesta sociedade em que vivemos, convencionaram-se regras, estipularam-se metas, criaram-se estereótipos.
À custa disso, vivemos muitas vezes espartilhados e com a «liberdade» ameaçada.
Sentimo-nos obrigados a lutar.
A esforçarmo-nos para não defraudar ninguém.
Sentimos que é preciso ombrear.
Temos que andar ao lado.
Não podemos sair da fila.
Não podemos destoar.
«Parece mal, não fica bem, é uma vergonha»!...
Herdámos estes conceitos e logo, logo, não nos demos conta de que há outros caminhos.
Só mais tarde, já marcados pela vida, parámos para pensar.
Questionámo-nos.
Que formigueiro é este?
Será que é por aqui o caminho?
Esta fila não me diz nada!...
Há mais direcções.
Ninguém é obrigado a integrar o formigueiro!...
As regras estabelecidas, os preconceitos, as modas impostas, são meras convenções.

Às vezes vale a pena sair fora do contexto. 
Vale a pena sermos nós mesmos, sem a necessidade de ombrear seja no que ou com quem for.

Abraço.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sem limites


















Estou a pensar concretamente na vida.
Nem sempre nos sorri, nem sempre nos facilita a existência.
Para a atravessarmos, deparamo-nos com alguma frequência com factos e situações, com os quais nem sempre convivemos bem.

A vida é uma roda gigante com muitos passageiros a bordo e todos diferentes uns dos outros.
O choque é inevitável.
Para a vivermos sem grande turbulência, temos de controlar o instinto menos saudável que há em nós.
É um exercício de acrobacia e malabarismo.
É um jogo onde se perde muitas vezes.
E nem sempre temos bom perder.
Somos assaltados por frustrações e raivas, difíceis de engolir.
Somos testados e não gostamos.
Deixamos pontas soltas e situações mal resolvidas que não nos são favoráveis
O silêncio que dizem que é de ouro, nem sempre resolve.
O sentimento de impotência rói, rói, rói!..

A inabilidade a conduzir a roda, é o cerne da questão.

A vida é um sem fim de limites a que somos sujeitos.

Abraço.

domingo, 13 de janeiro de 2013

O assobio do vento

















Aqui por Sesimbra, o Inverno ainda não se fez sentir muito.
Às vezes a lareira dispensa-se.
Este inverno está meio matizado de Outono e até um pouco de primavera.
Tem-se mostrado demasiado sereno para o meu gosto.
Hoje por acaso, ao acordar, tive uma surpresa.
Lá fora o vento rugia.
Ru…u.u…!
Por sua vez, a chuva batia forte nas telhas.
Aí, sim, lembrei-me do inverno a sério.
Vento, chuva...
Faltava apenas o frio.
Será desta vez que chega?
Bom.
Espreitei.
Há realmente uma ameaça no ar.
O tempo não sorri, apenas mostra os dentes grandes e severos.
Não faz mal.
O tempo também tem os seus direitos e os seus dias.
Hoje está carrancudo e sem sorrisos.
Há um ditado que diz, que «muito riso pouco siso!...»
Deixa-o lá recolhido e sem dar confiança.
Está a dar-nos a oportunidade de nos recolhermos também e reflectirmos.
Poderemos pensar na vida e retirar conclusões para o futuro.
O melhor é não pensar nos «maluquinhos de Arroios» que nos governam! 
Isto, parafraseando um cronista de fim-de-semana!...

Decididamente está um dia diferente.
E, sim, hoje a lareira será bem-vinda, ainda que não muito grande.

Bons momentos.

Abraço.

Nota
Este é o meu «post» nº 500. Nunca pensei.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

É bom ser solidário




















Aquela reportagem de rua do homem e o seu amigo cão tocou muita gente.
Eu não fui excepção.
Foi inevitável uma lágrima ao canto do olho.
Aquela forte ligação entre os dois é comovente.
Assim houvesse amizades destas entre os homens sem excepção.
Quando se ama de verdade, não são as dificuldades que nos fazem abdicar do que amamos com facilidade.
Aquele homem, que já teve uma vida normal, foi uma das vítimas do sistema que se instalou no nosso país.
Ficou sem emprego, sem casa e pelos vistos sem nada.
Restou-lhe um amigo.
Por incrível que pareça, não foi nenhum humano.
Foi o seu fiel amigo cão.
Aquele que dá amizade, que é fiel e que não pede nada em troca.
Que não abandona o seu dono seja qual for a situação.
Que o protege dos hipotéticos perigos.

Ao seu dono e a ele foi-lhes negado um poiso.
Um cão, neste país, ao contrário de outros, não é bem aceite.
A rua e uma corrente são a única coisa que merece.
Ainda bem que há gente que foge à regra.
Sensível e informada.
Que a nova casa dos dois os compense do mau bocado por que passaram.

A solidariedade aconteceu.

Abraço.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

As crianças, os brinquedos e os pais
















Todas as crianças adoram brinquedos.
É saudável brincar e recriar.
Temos é um problema que pode em parte cortar a criatividade, a imaginação e até a qualidade da brincadeira.

Todos deveríamos saber que nem toda a oferta que temos nesta área, é a mais apropriada.
Todos deveríamos saber que é preciso ser selectivo ao escolher.

Infelizmente nem sempre assim é.
Se andarmos atentos, daremos conta de que, nesta matéria, o cuidado, o conhecimento e a sensibilidade, são raros.
Ao entrarmos nos quartos de muitas crianças, damos conta de que, na maior parte das situações, não só estão repletos de quinquilharia, como, devido a esse facto, quase não há espaço para que elas se movimentem.
Vemos então nesses ambientes crianças desorientadas, desinteressadas e «stressadas», num cenário confuso e desmotivador.
Esses brinquedos chegam-lhes a casa pela mão dos adultos.
Escolhidos sem critério e com a convicção de que serão úteis.

A verdade é que por isso se conseguem verdadeiras inflações de objectos inúteis e geradores de desagrado e até de agressividade.
A criança não gosta do que vê.
Fica confusa e desinteressada.
Vê-se rodeada de tudo, menos do que precisa.
O tempo e o carinho dos adultos.
A criança não se deixa comprar.
Parecendo a alguns que não, as crianças são exigentes.
Querem o que é seu por direito:
A atenção e o afecto.

Depois toda aquela amálgama de plástico, todo aquele excesso corta a criatividade.
Está ali tudo feito.
A criatividade da criança não tem lugar ali.   

Brinquedos, sim, mas apenas os suficientes, e escolhidos com critério.

O livro com bom conteúdo é também um instrumento útil e que deve estar sempre ao alcance da criança.
É de pequenino que se cria o gosto pela leitura.

Abraço.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Cozinha mediterrânica



















Vem este tema a propósito do número de crianças obesas que proliferam por aí.
A alimentação incorrecta e a vida parada à volta dos meios audiovisuais serão duas das causas.
Não creio que uma boa parte da população não tenha já ouvido falar dos benefícios da chamada dieta mediterrânica.
Contudo, haverá ainda muita gente que não a adoptou.
Por desconhecimento?
Por comodismo?
Ou porque se aculturaram aos novos tempos, em que tudo é facilitado?
A comida pré-fabricada não é, como sabemos, a melhor escolha.
A vida cheia dos pais, com longas horas fora de casa, poderá ser uma desculpa.
Poderá juntar-se a este facto a desinformação ou a falta de vontade de se organizarem os tempos.
Seria muito importante para as gerações futuras que aprendessem a comer de uma forma saudável.
Seria bom fazer bom uso da imensa variedade de produtos que existem no nosso país e, digamos, á disposição de todos ou quase.
Educar o gosto e o paladar é também uma necessidade desde muito cedo.

Dizer não à chamada «fast food», que carrega doses excessivas de gorduras e açúcares que transformam as nossas crianças em seres redondos e andantes, com um ritmo lento e pouco entusiasmado.
São crianças paradas, e de olhos tristes.
São crianças doentes, porque a obesidade é uma doença que pode ser trágica.
As hortaliças, as leguminosas, as frutas e os lacticínios, acompanhados das doses correctas de proteínas (incluindo carne, que falta na imagem), deveriam ser a alimentação de todos.
Quanto a mim, é em casa e na escola que tudo deve começar.
É obrigação de todos, pais e professores, criarem condições para que as nossa criança sejam no futuro mais saudáveis, criativas e bem dispostas.     

O exercício físico é indispensável para um melhor resultado.

Abraço.

sábado, 5 de janeiro de 2013

O tempo














Não tenho tempo, é do tempo, o tempo não perdoa, o tempo passa, o tempo está um horror!...
Enfim.
Uma infinidade de formas de nos referirmos ao tempo.

O tempo hoje, digo eu, está bonito!
Os raios solares dão aos campos uma luminosidade que os torna ainda mais bonitos.
A manhã surgiu fria.
Um ventinho cortante transportou-me à minha velha aldeia.
À minha velha casa.
Em tempos idos, o inverno era rigoroso.
As manhãs acordavam geladas.
O ar frio transformava em gelo tudo o que fosse humidade.   
A geada deixava a terra vestida com um enorme vestido branco.
Só as lareiras, prioridade das prioridades, faziam aquecer os corpos acabados de sair do quente das mantas de pêlo e de flanela, que durante a noite nos aconchegavam.
Depressa, a cafeteira de esmalte azul e branca saltava para o fogão de petróleo.
Cheia de água, iria receber o pó de cevada logo que fervesse.
Nas brasas que entretanto se iam formando, assava-se uma chouriça fresca, da matança ainda recente.
O pão centeio ainda com qualidade era o rei da mesa.
O queijo, sempre caseiro, fresco ou curado, também marcava presença.
O leite para misturar ou não com a cevada, saía directo da teta da vaca ou da cabra para a mesa.
Às vezes ainda chegava quente a casa.
Cada um que ia chegando à cozinha, transformada em sala de refeições da família, servia-se do que melhor lhe soubesse.
Havia nesse tempo a cultura da amizade e do convívio.

Começava logo pela manhã.
Aqueles momentos antecediam o dia que prometia ser de trabalho.
O tempo era outro e ficará para sempre comigo.
O cheiro e o sabor dos alimentos também.
Os sons, as sensações, tudo ainda permanece fresco na minha memória.
A vida era outra, as mentalidades eram outras e as necessidades também.
Foi tempo de grandes afectos.  

Foi tempo que deixou saudades!

Foi tempo.

Abraço
     

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Há rosas em Janeiro




















Afinal, há rosas em Janeiro.
No tempo da rainha dona Isabel, diz a lenda, que as flores do regaço que mostrou ao rei foram resultado de um milagre!...
«Rosas em Janeiro?», ter-lhe há dito Sua Alteza Real.

Rosas em Janeiro, sim, senhor, digo eu.
E sem qualquer milagre, que não seja o da natureza.
Aqui, no meu espaço exterior, foram hoje apanhadas estas, que escolhi para ilustrar este pequeno texto. Um arranjo à base de camélias.
Havia outras espécies se eu quisesse.

Aqui fica a partilha.
Que não sejam apenas as coisas menos boas da vida a ser partilhadas.
Há também beleza e motivos de bem-estar, aqui por estas bandas.
Onde o mar se agiganta e se faz ouvir.
Onde a terra é fértil.
Onde o cheiro a pinhal se faz notar.
Onde o silêncio deixa que ouçamos o crepitar da lareira.
O ladrar dos cães e o cacarejar das galinhas.
Onde o frio espreita à porta sem poder entrar.
Onde o ar é puro e as flores crescem, mesmo em Janeiro.
Onde as tradições se mantêm e nos fazem sentir que nem tudo é plástico.
É bom poder saborear este ambiente.
Poder usufruir da calma e liberdade que nos proporciona.
Onde sentimos que gostam de nós.
Aí vai um cheirinho disto tudo, enviado por mim.
Assim, com simplicidade.

E afecto.

Abraço.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Estórias que ouvi

















Foto 
da época




É muito antiga esta estória.
Veio-me à memória, como me vêm outras igualmente engraçadas.
Esta é difícil de contar.
O seu conteúdo pouco próprio leva-me a escrevê-la com o máximo de decoro.
Espero sair-me com a elegância possível!

Na minha aldeia do interior, Casteleiro / Sabugal mais concretamente, havia duas famílias de lavradores muito abastados, que eram vizinhos.
Moravam em frente uns dos outros.
Apenas os separava um quintal.
Estas famílias eram rivais.
Por motivos políticos (estava-se no final do século XIX, parece) e também por causa das invejas, segundo diziam, não se podiam nem ver.
Os contactos aconteciam frequentemente entre as respectivas esposas.
Que passavam os tempos livres (e eram muitos, pelos vistos) à janela!
Não perdiam a oportunidade de trocarem mimos, cada um mais elucidativo que o outro, da raiva que sentiam.
Convém dizer que cada família se achava a mais rica e mais influente.
Certo dia, os ânimos exaltaram-se mais que o normal.
Uma das matriarcas, pendurada na sua janela, ficou tão fora de si, que desabafou contra a outra:
«Olhe! Conheço três qualidades de pu…! As pu…, as senhoras pu…, e as senhoras donas pu…».

Tudo indica que a senhora atribuía à sua vizinha o nível mais elevado do título!...

Era assim a relação destes vizinhos, que se achavam os nobres da sociedade local!

Estórias.

Abraço.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano novo, vida mais difícil














Grandes festas, grande animação.
Se alguém não estivesse informado da situação de crise em que os portugueses estão mergulhados, pensaria, ao ver os festejos nas televisões, que estamos a nadar em dinheiro!
É normal.
Quando há dificuldades, é preciso tentar esquecê-las.
Se não, vejamos o povo brasileiro, o povo angolano, etc….
Quantas vezes, mergulhados em fome e miséria – mas não perdem nunca a oportunidade de uma boa dança e de uma boa cantoria.
Formas de aliviar as tensões e as incertezas da vida.
À noite, durante a ressaca, ouviu-se com expectativa a mensagem do Senhor Presidente da República.
Como sempre, não esquentou nem «arrefentou».
Morninho e com menos intervenção do que seria desejável.
De qualquer modo, deu para perceber que está preocupado com tanto atrevimento do governo!
Só que para vergar o arrogante senhor Passos, foi pouco.
Esse senhor, que está deslumbrado com o cargo que lhe coube em sorte, tem as costas bem quentes!
A senhora Merckel, junto com o senhor Gaspar, passam-lhe energias q. b. para nos tramar a todos.
Sem vergonha, e com cara estranhamente feliz!...

Aguardemos mais um mês e veremos com mais clareza os estragos.

Será que quando vir os cacos, o senhor Presidente perde a «timidez»?   
Aguardemos.

Abraço. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Sonhar

















Sonhar é descolar da realidade.
É ir à procura de mundos que gostaríamos de ter e que muitas vezes nos estão vedados.
Sonhando demasiado alto, corremos o risco de, quando menos esperamos, nos estatelarmos no chão desamparados.
Então poderemos sofrer um traumatismo.
Não físico mas psicológico.
A desilusão pode tomar conta de nós e deixar-nos tristes, frustrados, revoltados e muitas vezes sem alento.
É bonito sonhar, mas às vezes é mau acordar.

No momento presente, não há margem para sonhos.
Seriam certamente tristes e amargos.

O ano está a terminar.
Será um ano para não esquecer.
Não esquecer os rostos dos responsáveis pelo descalabro a que chegámos.
Dos que levaram à miséria um país.
Dos que promoveram o desemprego e a fome.

Que este ano sirva, pelo menos, para retirar lições para o futuro.
Para aprendermos a viver com o indispensável.

Este ano já passou.
Vem aí outro, que irá ser recebido em festa.
Compreende-se.
É a forma de exorcizar as preocupações e mágoas.
O pior é acordar da ressaca

As ofensas à nossa dignidade de cidadãos são difíceis de perdoar!...

 Boas festas 
.
Abraço.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Leilão
















Não estão agora na moda os leilões?
Não estão a ser uma forma de combater a dívida em que Portugal está atolado?
Não se fazem leilões a torto e a direito com tudo o que é nosso e tem valor?
Com tudo aquilo que nos habituámos a ver como património do nosso país?
Pois bem, penso que será tempo de leiloar, de pôr em saldo, aqueles que até agora têm leiloado.

Tenho de confessar que cada vez que vejo na televisão essas figuras leiloeiras de sorriso ensaiado, de falas mansas a soar a falso, e com laivos de cinismo, fico meio nauseada.
São eles os dos leilões.
Aquele Pedro com a sua Laura de sorriso meio tonto.
O senhor Cavaco com a sua Maria abanadora de cabeça, qual boneco articulado.
O senhor Relvas, o negociante, todo ele reluzente.
Para fazer os cambalachos, tem que se engraxar!
Grande profissional o homem!
E o Gasparzinho?
O da voz arrastada!
E enquanto isso, vai-nos tramando a todos!

Não seria altura de fazer uma limpeza nas quinquilharias sem préstimo?

Aceitam-se licitações.
O pior é que não haverá muito quem os queira!...

Será que os chineses, colombianos, angolanos ou quejandos não estarão interessados?
Que façam propostas.

Se este método não resultar, sempre há os saldos!

Rápido, de preferência.

Abraço.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Escrever é comunicar



VISITAS




Comunicar é uma coisa de que gosto.
Encontrei esta forma de o fazer e satisfaz-me.
Sempre que me surgem ideias, em vez de as arquivar, escrevo-as.
É pena que haja assuntos demasiado delicados.
Esses, sim, tenho de guardá-los só para mim.
São aqueles que arrumo nos confins dum baú trancado a sete chaves e por lá ficarão eternamente.

Hoje, ao abrir o meu blogue, dei-me conta de que passei as sete mil visitas.
Não é que dependa disso para me sentir bem.
A verdade é que me dá um certo prazer.
Gosto de despertar algum interesse e curiosidade.
Sinto-me acompanhada e gosto.
Depois penso que sete mil visitas em dois anos num blogue destes querem dizer alguma coisa.
Venho buscar a estes resultados vontade para continuar.
Fá-lo-ei enquanto me der prazer.

Boas Festas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Natal de todas as angústias


















Apesar da crise, dizem-nos as televisões que os hotéis estão cheios.
Que nas estradas correm muitos carros.
Que dentro de alguns desses carros, corre muito álcool.
Que a polícia actuou.
E que o consumismo continuou.
Depois, ouvimos também falar do outro natal.

O natal dos simples.

Dos deserdados da sorte.
Dos que esperam ou não, (?) que alguém lhes chegue aos lábios ressequidos pelo frio da noite uma sopa quente que comem sofregamente.
Outros ainda acorrem ás instituições de boa-vontade, que os fazem esquecer por momentos, a falta de meios com que se deparam diariamente.
Nessa noite, há ceia e está quente.

Sempre houve diferenças.
Mas agora são mais visíveis.

São-nos mostradas vezes sem conta.
Os nossos olhos são testemunhas e às vezes preferiam não ver.
Vemos, lado a lado, a ostentação e a fome.
Os bem apessoados e nutridos a olhar para o umbigo.
E os de expressão vazia e olhar no infinito

Em alguns casos, cada um com a sina que a troika lhes traçou.
Pobres muito pobres.
Ricos muito ricos.
Sociedade desgraçada e madrasta!

Por aqui o nosso natal foi simples.
Normal e modesto.
Baseado nos afectos, no convívio e no recato.
As filhoses estão uma delícia!
O consumismo foi zero.

Só é pena que uma nuvem sombria nos tolde o horizonte.

Nem tudo é perfeito.

Abraço.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Carta aberta ao Pai Natal

















No meu tempo de criança não se falava de Pai Natal.
O menino Jesus era quem tomava conta do imaginário infantil.
Era a ele que me dirigia quando fazia os meus pedidos.
Os tempos evoluíram e o menino ficou meio diluído.
Diluído pelo ruído provocado pelos papéis de embrulho, caixas, caixinhas e caixotes.
E pelo entusiasmo dos adultos, que muitas vezes ficam mais entusiasmados com o desenrolar das prendas do que as próprias crianças.
O imenso consumismo, egoísmo e outras coisas terminadas em ismo, sobrepuseram-se e silenciaram o menino das vestes alvas.
Hoje quem comanda é o Pai Natal.
Por esse motivo, é a ele que me dirijo.
Uma carta pequenina, mas sentida.

Querido Pai Natal,

Sei que és um homem bom.
Que costumas ouvir os pedidos que te fazem.
Também sei que neste momento estás a preparar-te para regressares ao teu país.
Deves estar cansadíssimo.
Também as tuas renas, devem precisar de um pouco de descanso.
Por isso, deixa-me dar-te uma ideia que me surgiu:
Há aqui em Portugal uns animais possantes, que podem dar-te a ti e às tuas renas, um pouco de descanso.
Encontram-se em S. Bento e em Belém.
Substitui as tuas renas por eles.
Deixa-os ficar lá pela Lapónia.
Sempre serão úteis.
Aqui só fazem é estragos.

Obrigada, Pai Natal, até para o ano.

Para todos:

Boas festas.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Chocante















Os Homens devem estar loucos!

Não consigo esquecer os dois bebés lindos, assassinados por uma mãe que só em alta situação de loucura cometeria este acto tresloucado.
Incompreensível e horrendo.
Dois inocentes que não pediram para nascer, atirados para a morte assim com a maior frieza.
Morrendo lentamente.
Premeditadamente assassinados.
No fogo que a própria mãe ateou.

Pergunto-me como é possível dar-se um acontecimento destes, sem que ninguém se aperceba da loucura desta progenitora.
E o pai?
Tanto quanto sei, existe e trabalha.
Se as notícias estão certas, tem também a sua quota-parte de responsabilidade!
Em que vidas andaria ele metido, que não viu a companheira a descambar para o abismo? 
Entregues a ela, estavam duas crianças indefesas!
Esta mãe deve ter dado sinais de alerta!
Só podia estar no limite da descompensação!
Ao pai em primeiro lugar e à família mais próxima em segundo, também devem ser pedidas responsabilidades!
Grande distracção, desinteresse ou simplesmente ignorância!...
Responsável também é a sociedade.
O que fazemos nós para a humanizar?
Para a tornarmos mais sensível e afectuosa?

É claro que é uma atitude que não tem desculpa
Mas esta mãe não está sozinha no barco.

Dá que pensar.

Abraço.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Fora de tempo















É verdade.
Este tempo quente que aí tem estado não me agrada.
Estamos no mês de Dezembro e a temperatura chega aos dezoito graus.
Isto incomoda-me sobremaneira.
Sempre associei o Natal ao frio.
Aos agasalhos, à lareira e muitas vezes ao gelo.
Esta humidade quente reporta-me para os dois natais que passei em Cabinda. 
Onde as filhoses foram feitas com a ventoinha apontada.
E ainda assim, com o suor a escorrer pelo corpo.

Este ano, por aqui, não será preciso ventoinha, mas, com franqueza, a lareira não saberá tão bem.
O aconchego não será tão apreciado.
As filhoses não terão o sabor das filhoses do natal à séria.
Comidas à lareira com chá bem quente.
Por norma, é assim que por aqui termina a noite da consoada.
Quase ouvindo o frio lá fora.

Natal é tempo de frio e não deste calor fora de tempo.

A insensibilidade e a ganância dos Homens são os responsáveis pelo buraco do ozono, que está a provocar estas situações adversas ao planeta.

Vou ter saudades dos natais gelados.

Abraço.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sensibilidades















Por muito difícil que seja o momento por que estamos a passar, é inevitável não sentir que o Natal está por aí.
Ao contrário dos outros anos, são poucas as casas que se encontram decoradas com motivos natalícios.
Contudo é quase impossível não sentir o cheirinho.
A mim toca-me sobremaneira a música alusiva à época.
São melodias suaves, tranquilas, que mexem comigo e me levam sempre de «viagem».
.
Em português seria: 
Noite feliz, noite feliz / Ó Senhor, Deus de amor / 
Pobrezinho nasceu em Belém / Eis na lapa Jesus, nosso bem 
Dorme em paz, ó Jesus / Dorme em paz, ó Jesus...
.
Nestas alturas, percorro a minha vida desde criança.
Visito em pensamento todos os locais onde a tradição se consumou.
Sinto de uma forma especial, ainda que à distância, os sítios, os cheiros e o calor humano que então se vivia.
Então não havia estas músicas a tocar por todo o lado.
Apenas se ouviam na igreja os cânticos religiosos que já me fascinavam.
Talvez por isso tenha dentro de mim o gosto por elas.
Sinto-as com qualquer coisa de misterioso.

Revejo-me no local onde nasci, de uma forma quase real.
Quase sinto o calor da lareira e as vozes das pessoas que me eram queridas.
Saudosismo, dirão alguns.
Não.
É apenas um sentimento forte de pertença.
São as minhas raízes a não quererem que eu me solte completamente.
Foi uma herança boa, de que não deixam que me separe.
Apesar de às vezes ser um pouco doloroso, também me trazem de volta momentos únicos.
Todas as tradições que lá vivi fizeram de mim a pessoa que sou.
Afectiva, sensível e solidária.
Até parece um auto-elogio.
Não é.
São apenas três adjectivos, que têm, desde sempre, dificultado a minha existência.

Abraço.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Natal, Natal, Natal










Créditos 
Foto
Cláudio Sá



Será que alguém consciente terá este ano um verdadeiro espírito natalício?
Ainda haverá disposição para fazer de conta que estamos todos muito felizes?
Será que com os tostões contados no bolso, ainda dará para correr os centros comerciais
à procura de prendinhas inúteis em sacos coloridos?
Só fazendo de conta se conseguirá passar por este Natal sem alguma apreensão.
Apreensão e mágoa.
Não se pode passar por uma tradição tão forte, ignorando o estado caótico em que nos encontramos.
Há muita gente sem emprego.
Uma sopa quente não estará ao alcance de muita gente.
Não podemos, de consciência tranquila, ter a nossa mesa cheia, quando tanta gente vive numa angústia sem precedentes.

O Natal é a festa da família.
A verdade é que a família em grande maioria está triste.
Está sem esperança e com muito medo do futuro.
O Natal, por muito tradicional que seja, não traz de volta a estabilidade perdida.
Pelo contrário.
Esta época traz ainda mais nostalgia, tristeza e saudades do que perdemos.

Resta-nos o afecto e a amizade.
Será a melhor prenda que podemos oferecer.

Abraço.  

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Desespero













Nada que não fosse previsível.
Direi que está a ultrapassar o que já se fazia adivinhar.
Com a austeridade imposta, há muita gente com dificuldades económicas.
Famílias em desespero, jovens à deriva, crianças com fome!
E os direitos do Homem?
O direito à saúde, à habitação, à educação?

Crianças com fome?
Pensei que esse problema fosse só um problema do Terceiro Mundo!
Um problema que tem indignado tanta gente.
Só aí se vêem crianças desnutridas de olhos esbugalhados, de espanto e de fome!
Só aí se vêem mães sem sorriso e com uma expressão de impotência no rosto, envelhecido pelo sofrimento.

Fome no meu país, neste país que lutou para ser livre?
Nunca pus a hipótese de ver situação tão vexatória para o Homem.

Não é justo.
É até indigno, direi eu!
Ninguém tem o direito de levar um país à fome.
Muito menos as suas crianças.

Que ao menos a escola encare com dignidade e firmeza este problema e lute contra ele.
Só alguém débil e insensível pode privar de comer um ser inocente.
Depois disto, o que virá mais?
Estamos a bater no fundo!...

Abraço.   

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Disparar




Esta simples palavra, disparar, pode levar-me muito longe.
A um sítio bem distante, e a um som que tenho bem gravado.
Guardado numa gaveta da minha memória.
Essa gaveta não está, e não é por acaso, arrumada no fundo de nenhum baú escondido.
Está bem à mão.
A minha memória recorda-mo com frequência.
De repente, lá estou eu a dez mil quilómetros de distância.
Lá, em Buco Zau, Cabinda, durante a guerra colonial.
Nas colunas militares para o mato, fazia-se fogo de reconhecimento nos sítios considerados mais perigosos.
Fogo de rajada e de morteiro.
Eu ouvia em casa.
Acreditam?
Tá… tá…tá…Pum! Pum!

Disparar:

Também posso ouvi-la bem perto.
Dentro de mim.
Sempre que o meu coração se solta e insiste em bater depressa.

Disparar!...

Leis, cortes, imposições.
Essas não são rajadas sonoras.
Fazem tá…tá…tá…Pum!
Mas em silêncio, levando ao desalento.

Disparar!...

Abraço.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Os cuscos e a cusquice






















Nesta vida pouco preenchida de satisfação pessoal, profissional e intelectual, muitas vezes, para tentarmos fugir de nós mesmos, olhamos para o lado e observamos a vida de uns e de outros.
Não a conhecemos por dentro, mas opinamos.
Damos palpites.
Sempre foi e será assim.
É que, enquanto fazemos isso, não pensamos na nossa.
Não nos encaramos.
Não somos obrigados a rir da nossa falta de verdade.
Parecemos ratos que se esgueiram pelas frinchas mais estreitas!...

Ver o argueiro no olho do vizinho é muito conveniente.
Ver a tranca que temos no nosso, isso não!
É bem melhor escondermo-nos atrás da nossa conveniente e oportuna miopia.
A lavar a casaca dos outros é que somos peritos!
Enquanto isso, deixamos a nossa cheia de nódoas.
Nódoas que não queremos ver.
Que escondemos por vergonha dos outros e de nós próprios.
O apêndice chamado língua que faz parte do todo que é o nosso corpo, faz muitas vezes o pior dos papéis.
Esfregona suja e descabelada.

A falta de verdade e respeito connosco e com os outros, às vezes, é constrangedora.

Constatar este facto também.

Como diz o ditado:
- Só sabe o que vai no convento, quem lá está dentro.

É feio ser língua de trapo.

Abraço.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Todos diferentes



Ao analisarmos algumas atitudes com que nos deparamos no dia-a-dia, chegamos à conclusão de que, embora sejamos todos iguais na concepção, somos todos diferentes na maneira de agir e de pensar.
É claro que nem poderia ser de outra maneira.
Ou então seríamos uma sociedade de gente toda muito aprumadinha.
Clones uns dos outros, caminhando em fila indiana.
Quanto a mim, na diferença é que está a piada.

Só que às vezes a natureza prega partidas.

Somos feitos de uma massa que, à partida, é muito difícil de moldar.
Não há maneira de encaixar na forma da vida.
Por muito que tente trabalhar-se, fica sempre empenada e sem conseguir adaptar-se.
Acontece isso mais com os insatisfeitos.
Com os que não se aceitam.
Com os que não gostam de si.

Estou a lembrar-me concretamente da actriz Alexandra Lencastre.
Fiquei chocada ao deparar com a sua cara, numa revista de fim-de-semana.
Mais uma plástica.
E que plástica!
Tirou-lhe a expressão.
Não é ela, é uma outra que não ela.

Pena, pena, pena.
Era uma mulher bonita.
Mas lá está.
Nunca se aceitou.

Não aceitou a idade que, sem apelo nem agravo, chega sempre.

Não entendeu que as rugas são a nossa vida.
Fazem parte do caminho que trilhámos.

Agora aí está.

No mínimo, perturbador.

Abraço.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Jasmim





Chama-se assim, o meu gato mais jovem.
Tem cinco meses.
Se a traquinice fosse música, ele seria uma orquestra.
Tira a paciência ao mais manso dos seus amigos gatos.
Mais velhos, receberam-no bem.
Fizeram dele o boneco de brincar.
Bom, mas ele abusa!
Tanto, que todos já decidiram investir na sua educação.
Está já a ser educado para que perceba que tem de ser mais comedido.
Não importunar a privacidade dos amigos é uma das regras.
Ele insiste e, de vez em quando, leva.
Apesar de tudo acho que já surtiu algum efeito.

Depois de muitas tropelias, cansado, procura um sítio fofo para descansar.
A foto que ilustra este texto mostra um desses momentos de relaxe total.
O dia chuvoso e cinzento de ontem passou-o de pernas ao alto.
Numa posição, direi, no mínimo, estranha.
Habilidade de acrobata não lhe falta!

Qual crise, qual quê?
A ele passa-lhe à distância.
Os donos que se amanhem!

Vida de gato com sorte!

Abraço.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quando a chuva cai











Hoje está um dia daqueles de que eu gosto mesmo.
Sem alarido, pé ante pé, a chuva cai de mansinho.
Como se andasse a brincar, tem-se mostrado e fugido.
Como se fosse um jogo.
Tem espreitado e desaparecido.
De repente, como quem não quer a coisa, decidiu-se.
Cai persistente e calma.
Sem incomodar, mas caindo.
Fazendo lembrar que o Outono tem destas coisas.
Ora frio, ora sol, ora sua excelência a chuva.
Chuva e sol.
Dois agentes indispensáveis à vida.

Para quem pode, sabe bem observar a Natureza.
Como ela se defende e se protege.
Como se despe e se renova.
A chuva ajuda.
Limpa a terra dos pólenes, das bactérias dos micróbios instalados durante os meses do verão.
A chuva.
O chuveiro gigante e abrangente.  
Aquela que impregna de humidade a terra sequiosa.
É agradável vê-la através da vidraça.
A penumbra reporta-nos à noite que está próxima.
Diria que a cama da noite se estende e prepara o descanso do guerreiro.
É bom o silêncio.

Abraço. 


Dois anos

















Como o tempo corre.

Estou consigo, leitor e amigo, há dois anos.
Nunca pensei que conseguisse ir tão longe.
Nunca pensei que me entusiasmasse assim.
Nunca pensei que me fizesse tão bem.
Nunca pensei que, nestes dois anos, tanta gente se interessasse pelo que escrevo.
Apenas curiosidade?
Algum apreço?
Seja o que for.

Sei que este é um blogue sem as características habituais.
É um blogue que me serve como se de um amigo se tratasse.
Em que eu debito o que sinto.
Os meus momentos bons e menos bons.
A minha opinião sobre o que me toca mais.
O que me dá alegria ou o que me indigna.
Às vezes bem-humorada, outras nem tanto.

Apesar disso, tenho sentido que despertei alguma curiosidade.
Sei que sou lida e também que haveria quem gostasse de comentar e encetar diálogo.
Só que a intenção não foi essa logo à partida.
Foi apenas a de criar um local de partilha, um local que me servisse de ombro amigo
Invisível, mas que eu sinto e me acalenta.

Este pequeno blogue, tem sido como que uma terapia.
Uma terapia que faço com gosto e com empenho.
Irei continuar sempre que me apetecer e ache oportuno.
Este blogue não me impõe tempos, nem qualquer espécie de obrigação.
É um blogue de entretenimento e ocupação dos meus tempos livres.
É um blogue que me ajuda a manter o cérebro activo e produtivo.
O cérebro.
Todos sabemos que é preciso ocupá-lo para que não fique preguiçoso.
Depois, tudo o que não é utilizado, um dia torna-se lixo.

Vou tentar não o ser enquanto puder.

Um abraço.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Imaginário


















Desde sempre, ouvimos dos nossos pais estórias dum mundo imaginário e fantástico.
Lembro-me que me deliciava com elas e pedia sempre mais.
Ainda hoje as guardo e algumas já foram passadas a outros, que igualmente as saborearam.
Vem isto a propósito do Natal, que se vai aproximando devagar.
Também porque era no inverno que o tempo era mais propício ao recolhimento e às reuniões de família.
À lareira, essas estórias tinham ainda um sabor mais intenso.
Com o aproximar da época festiva do Natal, a estória do Menino Jesus era contada de uma forma respeitosa e empolgante.
A fuga de seus pais para o protegerem da ordem do rei Herodes, o «mau», levou a que nascesse numa cabana que acolhia um burro e uma vaca.
Que, num gesto solidário, o aqueceram com o seu bafo quente, naquela noite gélida 
de Dezembro.
A manjedoura terá sido a sua primeira cama.

Aquele cenário de pobreza e despojamento era impressionante para uma criança digerir.
Toda aquela época era vivida num mundo imaginário de criatividade infantil.
Diria até que se prolongou por largos anos este delírio saudável que alimentou as nossas fantasias juvenis.

Qual não foi o meu espanto, quando há bem poucos dias, o Papa actual veio lesto desfazer esta fantasia.

«O presépio não teve vaca nem burro», disse.

Este Papa, altamente culto e intelectual, não precisava de privar deste sonho bonito tanta gente miúda e até graúda!
O que é que ganhou com isso?

Pelo menos devia ser-nos reservado o direito à fantasia e ao sonho!

Abraço.