sexta-feira, 29 de março de 2013

Sexta-feira Santa





Hoje é Sexta-feira Santa.
Aqui, no meu canto, tenho estado a recordar.

Há muitos anos era um dia solene.
Segundo consta da história da Igreja, Cristo morreu pelas três da tarde.
Lembro-me que na minha aldeia, este dia era muito respeitado.
Então a partir das três da tarde, hora da morte de Jesus, o ambiente ficava mais pesado.
Os diálogos aconteciam mais ou menos em voz baixa, em sinal de pesar.
O sino só voltava a tocar no sábado às dez, depois da Ressurreição de Cristo.

As casas quase todas com soalho de madeira, cheiravam a sabão azul e branco.
Estavam alindadas e prontas para receber a visita pascal, que se fazia na segunda-feira seguinte.
Era um regalo para a vista e para o olfacto.
Ainda hoje esse cheiro permanece nas minhas memórias olfactivas.
Diria até que se mantém vivo e inalterável.

A tarefa seguinte era começar a prepara as refeições da Páscoa.
Do cabrito às iguarias doces, tudo estava presente na mesa de quem podia.
Como sempre, havia os deserdados da sorte.
Esses coitados ficavam sujeitos à boa vontade de quem a tinha.

No sábado, era o dia da alegria.
Às dez horas da manhã, o sino, com um som forte, repicava durante horas ou quase todo o dia: dlão, dlão, dlão, dlão dlão…
Era a festa da Ressurreição.
A partir daí, a alegria extravasava.
Soltava-se tudo o que durante a quaresma tinha estado contido.

Eram tradições muito bonitas que deixaram saudades.

Uma Páscoa feliz para todos.

Abraço.












Também nós aqui por casa tentamos manter as 
tradições - neste caso, as de Bustelo da Lage, 
na Beira Alta... 
Vai por isso aí ao lado um folar tradicional caseiro. 
Feito por mim.
Pena que não possam provar. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

O regresso de Sócrates






E o homem está em forma mesmo.
A lição, como sempre, na ponta da língua.
Bem estudada e bem debitada.
Deu cartas aos entrevistadores, que, mais que uma vez, tentaram cilindrá-lo.
Não se inibiu.
Seguro e com a coragem que se lhe conhece.
Este é um político.
Não abana o rabinho submisso, vai à luta e normalmente leva a melhor.
Pode não se concordar com o que fez enquanto primeiro-ministro, mas que é combativo, lá isso não se pode negar.
Veio contar a sua verdade.
Tem esse direito.
Por enquanto ainda não nos foi negada a liberdade de expressão.

Promete, este Sócrates.

Depois pensa-se:
- E os outros, estão a fazer melhor?
Não são eles, mais que ninguém, os extorquidores?
Os que nos têm roubado tudo, incluindo a dignidade?

Política e os políticos!...

Reles aproveitadores.

Abraço.

quarta-feira, 27 de março de 2013

É difícil comunicar
















Quando escrevo, estou a comunicar.
Comunicar é uma responsabilidade.
Agrada-se a uns, desiludem-se outros.
Corremos o risco de não conseguir passar a mensagem.
De nos acharem uns grandes chatos, enfim…
Às vezes sinto que me repito um pouco.
Que sou demasiado crítica.
Que alguns destes pequenos textos que escrevo, deveriam ser mais leves.
Que deveriam mostrar apenas o meu lado feliz. 
Se assim fosse seriam verdadeiros?
Ninguém acreditaria.
Isso não existe.
O que escrevo é o que sinto no momento.
É a vida normal, das pessoas normais.

Este blogue é para eu debitar os momentos bons e menos bons.
É o ombro que nunca se nega a ouvir-me, tal como o mar.
É nele que descarrego as alegrias, as frustrações, as mágoas e as incapacidades.
Ponho aqui o que sinto no momento.
Assim, sem artifícios e sem a preocupação de alindar o estilo.
Ao natural.

Hoje por exemplo, estou meio nostálgica.
Mas quando olho lá para fora, sinto-me confortável.
Está um dia chuvoso, um dia que alguns apelidarão de triste.
Não partilho da mesma opinião.
A chuva, a mim, dá-me paz.
Ajuda-me a reflectir e a assentar ideias.

Estes dias puxam à solidão e há dias em que eu gosto.

Abraço. 

domingo, 24 de março de 2013

Difícil imaginar













São estas as flores que 
vos trouxe das arribas da beira-mar



Hoje a meio da tarde e para limpar o cérebro e os olhos, fui até ao mar.
Aquele que está sempre lá e que sabe ouvir sem nos interromper.
Aquele mar gigante e às vezes bonacheirão.
Hoje estava bonito.
Penso que também ele se estava a deliciar com o manto que cai das arribas que o rodeiam.
As arribas, vestidas de flores de muitas cores, fazem inveja aos maiores estilistas.
Um vestido sem fim à vista, alonga-se e encanta.
A natureza está a ficar linda.
Enquanto passeava, tive a ideia de vos presentear com uma pequena amostra, apenas para saberem do que falo.
Isto, multiplicado por milhares, faz-nos sentir num mundo à parte.
Num mundo onde tudo é bonito e positivo.
Espero que apreciem com eu, sempre que chega esta altura do ano.

É a primavera a mostrar-se.

Abraço.

sábado, 23 de março de 2013

Falta de audiências?




Isso é o que vamos ver.

A notícia caiu que nem uma bomba.
José Sócrates está de volta.
E que volta!
A partir de Abril, aí está ele na RTP 1 como comentador.
Mais, sem remuneração.

Esta foi de mestre.
Desta vez saiu um coelho da cartola dos senhores da RTP.
É quase certo que José Sócrates vai ser ouvido por muita gente, curiosa do que irá dizer.
Em vinte e cinco minutos, dizem-se muitas coisas.
Cá para mim, isto é uma grande jogada da RTP, para angariar audiências.
Para o Sócrates é a vingança do chinês, uma vez que nem sequer vai ser remunerado.
É transmontano, e não leva desaforos para casa.

Penso que vão ser momentos de diversão imperdíveis.
Estou curiosa para ver as audiências dos outros canais nesse espaço de tempo.
É já em Abril.
Que sem vergonha todos!

Abraço.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A internet ela mesma





















Descobri.
Não vou precisar mais de reflectir, quando me disponho a escrever sobre um tema.
Sim, porque tento sempre ser muito honesta quando abordo seja o que for.
E isso exige algum trabalho e gasto de energia.
Não preciso de me preocupar mais!
A internet existe para isso.
Para a gente não gastar o cérebro.
Ainda mais o meu, que já está numa idade provecta!...
Tal e qual.
Pego no computador, pesquiso umas coisas, junto umas larachas minhas para a coisa não parecer tão plagiada e já está.
Simples.
Faço um figurão e só tenho o trabalho de pesquisar, copiar e passar a quem me lê.
Boa!
Como é que eu ainda não tinha pensado nisto?
Sem dúvida que há para aí gente bem mais esperta que eu!
Assim sempre pareço uma pessoa culta.
Que coisa, tão simples e eu que não via nada!...

Abraço.

terça-feira, 19 de março de 2013

Orgulho Inveja Arrogância















Ouvi hoje uma frase ao novo Papa com a qual concordo plenamente e que me fez pensar.
Apontou três problemas da Igreja e da Humanidade: orgulho - inveja - arrogância.
Três condimentos explosivos, para se viver em sociedade.
Infelizmente, é no meio desses explosivos que vivemos o nosso dia-a-dia.

Orgulho.

Quantos de nós vivem uma vida inteira de costas voltadas, porque ninguém aceita que errou?
Quantos têm a coragem de vergar perante as falhas?
Sem problemas, sem o complexos de parecermos fracos aos nossos olhos e aos olhos dos outros?
Sem nos sentirmos diminuídos, por tomar uma atitude digna de um homem / mulher, vertical.
Mas, sim, sentirmo-nos orgulhosos da nossa força?

Inveja.

Quantos de nós fazem suas as alegrias, as vitórias e o sucesso dos outros?
Quantos são os que os felicitam com verdade?
Quantos são os que não embucham ressabiados e os olham de soslaio?
Quantas amizades terminam por causa de invejas descabidas e raivinhas sem nome?

Arrogância.

Como é difícil ser modesto, simples, simpático e educado!
Todos os dias nos confrontamos com situações, que nos deixam de boca aberta de indignação.
Somos muitas vezes recebidos nos serviços de que precisamos com maus modos, a despachar, e sem o mínimo de educação.
Somos vítimas das incapacidades e frustrações desses mesmos, quem sabe?
Assistimos em todo o lado a manifestações de arrogância.
Pior ainda, quando se trata de pequenos poderes!

É triste viver num mundinho tão fútil, levezinho e egoísta!

Será que não se pode inverter alguma coisa?
Se quisermos todos, até pode.      

Abraço.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Fragilidades





Uma formiga é frágil.
É frágil uma flor.
Frágil, é um animal abandonado.
Muitos de nós somos frágeis, sensíveis e impreparados.

Um verdadeiro cocktail.

Não temos estrutura para aguentar os embates da vida.
Ficamos muitas vezes inseguros e até deprimidos.
A vida não é fácil e nós não fomos preparados para a enfrentar.
Muitas vezes, enquanto crescemos, omitem-nos a parte negativa da vida.
Às vezes, por falta de preparação e conhecimento, outras, só para nos protegerem.
Facilitam demais os nossos progenitores.
Quando podem, evitam que tomemos conhecimento.
Mimam-nos até à exaustão enquanto podem.
Somos a obra de arte deles.

Não mexe, não toca, não incomoda!

São cegos no seu amor.
Tudo feito por bem.
O pior é o que daí resulta.
Seres humanos frágeis e impreparados para enfrentar as dificuldades.
Ao primeiro embate, é a surpresa e a desilusão.
Mais.
A superprotecção gera na maior parte das vezes, seres arrogantes, mal-educados e orgulhosos.
Fragilidades, porque a base é fraca.
Foi construída em cima de terreno mole.

Abraço.

sábado, 16 de março de 2013

Mexeu comigo




















Não o conhecia.
Passei dois anos a imaginá-lo.
Tentei montar uma construção.
Tudo o que consegui, foi criação minha e interrogações.
Dois anos na expectativa.

Tentei não dar importância.
Há mais vida.

Defesas.

Enfim, o momento chegou.
Surpresa.
Tudo ao lado, para melhor.
É grande e lindo.
Do pouco que observei, quase me atreveria a fazer uma avaliação.
Desenvolvimento para lá do normal.
Simpatia, nota máxima.

Está num cantinho do meu coração.
Adorei conhecê-lo.

Cresce, amiguinho.
Faz-te um ser humano justo, luta sempre pela verdade.

Gosto de ti até à lua.

Um beijinho.

Dulce.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sabores ancestrais


 











Às vezes, nos meus passeios pelo passado, vêm-me à memória os sabores da minha infância.
Sabores únicos e que me deliciaram o palato apurado que sempre tive.
A geração de hoje, nem imagina do que falo.
Os hambúrgueres, as pizas, as batatas fritas de pacote e tantas outras coisas de que muita gente se alimenta são lixo, comparados com aqueles alimentos de então.
Eram alimentos puros, cultivados sem artefactos.
A maior parte deles apanhados na hora.
Cozinhados em panela de ferro, ao lume e sem pressas.
Eu tive a sorte de ver a minha mãe cozinhá-los.
Tive a sorte de aprender com ela os temperos e os paladares.
Ainda hoje não abdico de cozinhar alguns tal qual aprendi.
São bons, mas aqueles sabores mesmo, não estão lá.
Falta-lhes o lume de lenha.
Falta-lhes a qualidade e a pureza da terra.
Falta-lhes provavelmente a paciência para os cozinhar devagar.
Falta-lhes a qualidade dos ingredientes e aquela água sem aditivos.
Falta-lhes…aquele tempo de então.
Nada mais é igual no mundo de hoje.
Para o bem e para o mal, tudo mudou.
Os sabores são outros, os hábitos também e a vida está a milhas daquela.

Fiquemo-nos com as recordações que ainda guardamos na memória.

Abraço.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Barrocos











Sou de uma aldeia próxima da aldeia histórica de Sortelha, no distrito da Guarda.
Chama-se Casteleiro.
O Casteleiro é uma aldeia bonita, inserida num vale ensolarado.
Rica de produtos da terra, quando toda cultivada, enchia as casas de quem a trabalhava.
Tem a rodeá-la um conjunto de serras que lhe dão um aspecto aconchegado.
Uma dessas serras é mesmo a serra de Sortelha.
Mostra lá bem em cima o seu castelo granítico, que se debruça sobre a minha aldeia.
Funciona como um miradouro.
Um miradouro que nos presenteia com uma paisagem de tirar a respiração.
Plantado numa serra agreste, está rodeado de gigantescas pedras, a que chamamos barrocos e fascinam quem os visita e os observa.
Têm as mais variadas formas.
Algumas, bem curiosas!...

Aqueles barrocos são uma massa enorme de pedra granítica.
São verdadeiros calhaus gigantes.
São monstros estáticos e inertes.

De referir que não têm nada a ver com os calhaus com olhos que por aí vagueiam, fingindo que são gente.
Aqueles têm dignidade e são firmes.
Os outros, apesar de terem vida e se deslocarem, têm um cérebro minúsculo e sem conteúdo.
Ao contrário dos da Serra de Sortelha, são feitos de uma massa que qualquer molda segundo o contexto.
O seu cérebro estagnou, não produz grande coisa.
Nada a fazer!

Abraço.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Etapas



















É assim a vida das pessoas.
Feita por etapas.
Às vezes etapas difíceis de ultrapassar.
Principalmente quando são longas e duras.
É difícil aguentar as consequências e encará-las sem desanimar.
Felizmente não duram sempre.
As circunstâncias encarregam-se de as trazer e também de as levar.
Normalmente depois dum inverno rigoroso, o sol espreita.
O sol é sempre bem-vindo.
Nem que seja só uma pequena réstia.
Deixa-nos mais positivos e com vontade de sorrir, mesmo que o tempo ainda esteja instável.
Ficamos mais motivados, mais alegres, mais fortes.
O sol tem esse efeito benéfico.
Regenera a vida.
Boas etapas para todos.

Abraço.

terça-feira, 12 de março de 2013

Não podia acontecer

















Olá!
Ainda aqui estou.
Já tinha saudades destes momentos de partilha.
O motivo da paragem foi de ordem pessoal.
Precisei deste tempo para mim.
Precisei de me virar do avesso.
De me questionar, de encarar frontalmente assuntos que considero importantes.
Precisei de decidir.
Decidi bem e estou muito bem comigo.
Devo dizer até que tenho orgulho de ser quem e o que sou.
Da força que ponho no que faço, quando decido fazer.

Bom, mas vamos ao tema.
Fui até à Beira Interior, visitar um familiar doente no hospital da Covilhã.
Até aqui tudo normal.
A surpreendente foi o que resultou do diálogo com a pessoa em causa!
O relato que nos fez sobre a forma como os funcionários se relacionam com os doentes.
Foi uma surpresa desagradável e incómoda.
Pelo que me foi dado ouvir, algum daquele pessoal não tem a mínima preparação para estar com pessoas doentes e fragilizadas!
Terá, sim, necessidade de ganhar um dinheirito!
De profissionalismo, humanismo, afectos e entrega, não percebem mesmo nada, de certeza!
Desde responderem mal e com má cara aos doentes que lhes pedem ajuda, deixarem as arrastadeiras debaixo dos doentes até eles sentirem a pele colada, não os ajudarem na refeição, mesmo que o doente esteja sem autonomia (era o caso da minha familiar), gritarem a uma senhora asmática dependente de oxigénio e já senil… até atirarem-na de qualquer maneira quando a arranjam!...

Enfim, um relato impressionante.
Este testemunho foi corroborado por outros doentes da enfermaria!...

Pergunto eu:
- Não haverá profissionais e responsáveis de serviço, com preparação humana e cívica naquela enfermaria?
Há de certeza e recebem o ordenado no fim do mês!
Será que o merecem?
Sei de fonte segura, que estes procedimentos são o normal no dia-a-dia.
Sei também que envergonham alguns colegas que são profissionais a sério.

Agora uma coisa curiosa.
Depois de uma conversa civilizada com um desses funcionários sobre o assunto, a atitude mudou de repente e passou a ser de subserviência.
Péssimo, não é?
O que pensar disto tudo?
Será que estão em auto-gestão?

Fica a minha indignação.
O protesto já foi feito lá e talvez não fique por aqui.

Abraço.

Zé Perequeté






















Este «matrafonozinho» foi feito à pressa.
Foi o possível.
Foi todo feito à mão (não tenho máquina de costura).
É um exclusivo e foi directo para o pequenino Guilherme de quase dois anos.

Não sei se alguma vez lhe interessará.
Desejo que sim.
Contudo, sei que as crianças também têm as suas preferências.
Não estranharei se assim for.
Foi feito com entusiasmo, com afecto e muita ternura.
E isso foi para mim um prazer.

Hoje, também este pequeno texto que estou a acabar, é dedicado àquele bebé.  

Um beijinho soprado, como o teu ontem para mim, Guilherme.
Gosto de ti até à lua.

Dulce.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Neste dia de inverno



















Hoje estou no meu dia sem carro.
Estou prisioneira.
Refém na minha própria casa.
Os meus gatos dormem regalados.
O crepitar da lareira como que os embala.

Pois é, o meu dia hoje ficou inesperadamente de pernas para o ar.
Sem carro, não há como cumprir o que estava estabelecido.
Situações inesperadas e facilmente ultrapassadas.
O ginásio não foge, o resto também não.
Enquanto isso, há outras tarefas igualmente necessárias.

Espreitei pela janela.
Neste dia invernoso com chuva e vento, é ainda mais bonita a paisagem.
Tenho uma vista privilegiada sobre a aldeia.
Vejo os telhados no seu conjunto.
Fazem um rendilhado de vários tons de vermelho.
As casas, quase todas baixas, são entremeadas de muitas árvores, que transformam a paisagem numa visão agradável.
Bem mais ao longe, a Ponte 25 de Abril e o Cristo-Rei.
Vejo ainda a zona verde.
Um tapete verde forte, que se perde de vista.

Tudo isto se vê da janela do meu quarto.
É bom descansar os olhos nesta paisagem que me transmite paz.
No meio disto tudo, bem é preciso.

Abraço.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Neste recanto
















Aqui, neste recanto, estou rodeada de natureza.

Mar, pinhal e terrenos agrícolas.
Nesta zona e em determinadas horas do dia, se fechar os olhos, quase me posso imaginar só, com a natureza.
Durante a semana e fora da época alta, o silêncio faz-se ouvir muitas vezes.
Os residentes saem para as suas tarefas diárias.
Os outros, aqueles que, como eu, já se encontram mais livres, recolhem-se.
Então neste ambiente de quase silêncio, dá para saborear os sons naturais que nos vão chegando.
O ladrar de um cão aqui e ali.
Um galo que canta uma melodia esganiçada e ritmada.
Os pássaros que fazem voos rasantes e velozes.
Até o mar fala quando está nos seus dias mais azedos.

Não há dúvida de que este é um sítio agradável e calmo.
A natureza tem uma linguagem de fácil interpretação.
É um gosto dialogar com ela.

Abraço.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A luz


















Hoje a luz está especialmente bonita.
Entre o sol e as nuvens.
As gotas de chuva atravessam-na, apressadas.
É difusa mas brilhante, a luz.
Os raios, meio tímidos, espreitam fugazes.
São interrompidos pelas nuvens, que se estendem, amplas e cinzentas.
O galo canta a sua canção melódica.
Como que a saudar a luz e o dia.
A chuva, saltitona e escorregadia, não desiste de fazer ping…ping…
O céu, salpicado de cinzento claro/escuro, estende-se e abraça todos.
Com a calma de quem sabe que amanhã será outro dia.
Outro dia claro, escuro, tanto faz.
Para ele, será sempre mais um dia.

Abraço.

domingo, 3 de março de 2013

Que força é essa















Que força é essa amigos, que não chega aos «inteligentes» que nos governam?
Que não consegue amolecer os corações de pedra insensíveis e frios?
Que não lhes consegue trespassar as mentes formatadas e rígidas, cegas pelo poder?
Aquelas multidões que se viram ontem por todo o país, não serão o suficiente para os fazer pensar?
Pelos vistos não.
Aqueles seres, são uma espécie de andróides telecomandados.
Não lhes foi inserido o chip da emoção, da fraternidade e da solidariedade.
Apenas lhes activaram a linguagem e o sentir troikiano.
Apenas se preocupam em obedecer, quais lacaios, à senhora Merckel.

Tanta força na rua!
Tanto sacrifício, indignação e sofrimento.
Será que não bastam?

 Por que insistem em se impor a quem os rejeita?
 Dá-lhes prazer ver o povo forte e impotente?

Abaixo os troikanos todos.

Abraço.

Delícia
















Neste dia frio e cinzento, deu gosto sair da lareira quente e ir até ao mar.

O enorme tapete verde estendia-se até à falésia, que escorregava devagar até à água.
A imensidão de mar azul transparente, estava estranhamente calma.
Em contrapartida, a brisa fria soprava, misturada com mil odores campestres.
Penetrava a pele sem pedir licença e revolvia os cabelos que se espetavam no ar, desordenados.

Em sítio estratégico, sentada numa pedra secular, recebi no rosto o ar frio que apesar disso me alentava o espírito.
O silêncio foi quebrado por vozes calmas, que como eu, apreciavam a beleza natural e se deliciavam com o local.

Soube-me bem apanhar aquele ar fresco e puro.
Limpo de poluição sonora e ambiental
Local protegido e quase intocável.

Um bom intervalo, neste dia que convidava ao aconchego.

 O frio, a calma e o silêncio são saudáveis sem dúvida.

Abraço.

sábado, 2 de março de 2013

Frio a sério






















Durante estes dias de frio a sério, frio de inverno mesmo, para lá das idas ao ginásio que é uma das minhas fontes de energia e de vida, tenho-me ocupado com os tais trabalhos manuais que às vezes me dão muito prazer fazer.
Aqui à lareira, grande como convém, para lá de outras ocupações mais sérias, também tenho «brincado» um pouco.
Penso que é bom manter um espírito jovem, ainda que, na minha idade, possa parecer a muita gente, que é uma coisa meio louca.
Engana-se quem pensa assim.
Brincar, será a última coisa que deixarei de fazer.
É uma atitude saudável e aguenta-nos jovens durante mais tempo.
Depois, tenho saudades da minha vida profissional.

Decidi mesmo avançar com a tal matrafona de que falei no último texto.
Com uma pequena alteração.
Em vez de matrafona, estou a fazer um boneco meio atrevido.
É um gozo criar.
Não estou a copiar de lado nenhum, está apenas a funcionar a minha criatividade e gosto.
Depois de feito, poderá fazer as delícias de alguém, que, quem sabe, talvez o aprecie.

É bom darmos largas ao espírito de criança que há em nós.

Abraço.      

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Matrafonas






















Gosto de me ocupar com trabalhos de mãos e que exijam alguma criatividade.
Mesmo quando ainda estava no activo, dava-me prazer fazer bonecos, almofadas e outras coisas que sabia que as crianças apreciavam e davam ao ambiente um aspecto que sugeria afectos, conforto e bem-estar.
Muitas vezes esta tarefa era acompanhada do entusiasmo deles que, felizes, colaboravam com dicas e até material.
Juntava-se o útil ao agradável.
E o produto final era uma festa.

Assim eles sentiam muito mais que aquilo tudo lhes pertencia e cada um procurava preservar o trabalho feito.

Hoje, aqui à lareira, a pensar na vida de uma forma mais ligeira que ontem, lembrei-me das matrafonas que às vezes me saíam.
Com ironia, não pude deixar de pensar noutras matrafonas!
Sim, essas de carne e osso.
Quase sempre grandalhonas e muito parecidas com as de trapos.
Cruzamo-nos com elas com frequência.
Não pude evitar uma gargalhada saudável.
Daquelas que, quem me conhece bem, sabe que são fruto da minha imaginação a passar filmes de arquivo!...

As que eu fazia eram gordas, mal feitonas, cabeças enterradas nos ombros e vestidas a condizer.
Inspiradas nas reais.
Agradavam à criançada!
Penso que por não terem formas, as achavam mais fofinhas.

Apetece-me dar o tal pontapé certeiro, fazendo uma matrafona.
Uma espécie de terapia.

Abraço.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Força interior é preciso

















Estou a precisar mesmo essa força.
E não serei só eu, que os tempos estão assim.
Essa força que, para resultar, tem que vir de dentro.
Caso contrário não é verdade.
É apenas uma farsa.
Mas…às vezes, onde ir buscá-la?

Confesso que estou num momento de desencanto.
De enfado, de saturação.
Parece-me tudo artificial e efémero.
Parece-me tudo superficial e assente em estacas de madeira apodrecidas.
Quase sinto que vivo no meio de bonecos anafados e ocos.
Sinto que o mundo deixou de sê-lo.
Pelo menos aquele mundo a que estava habituada.
Deixei de ver amigos para ver egoístas.
Deixei de ver verdade para ver hipocrisia.
Deixei de ver afecto para ver traquinices infantis, imaturas e sacanas.
Deixei de ver profundidade e reflexão séria.
Vejo apenas futilidade e gente a «voar»!
Deixei de ver um mundo sério e frontal.
Deixei de ver aquilo que me enchia de alegria e me projectava para a frente: qualidade e valores.

Digamos que o encanto está prestes a quebrar-se.
O olhar malandreco e quase infantil, está mais duro.
Às vezes, ao olhar o espelho, não me reconheço.
É menos bonita assim a minha imagem e a minha vida.
É mais pesada e sem graça.

Confesso que estou um pouco desencantada.
Alguém, alguma coisa, está a mandar ao chão a minha força interior.

Eu não sou esta.
Há dias assim.
Atrás de dias, dias vêm. 
Arranja-se um pontapé certeiro e forte?

Abraço.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Que nojo





















Peço desculpa pelo título deste texto.
Sei que não é simpático, nem sequer agradável.
Mas este senhor Berlusconi, que passou agora mesmo no jornal da noite, faz-me náuseas!...
Nojo mesmo.
Como é possível um ser tão reles ter nome de pessoa?
Como é possível ainda haver alguém atrás daquele palhaço asqueroso?
Isto, sem ofensa para os palhaços verdadeiros, que me merecem o maior respeito.
Foi agora mesmo que me passou pelos olhos.
Não pude evitar uma volta no estômago.

Foi apenas um desabafo para esvaziar a revolta.
É claro que nem precisava de ver este indivíduo para me indignar.
Há aí tanta variedade!
Mas nojo assim…é demais.
Peço desculpa mais uma vez.
Vou desmoer.

Grree!

Abraço.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Desculpas
















As desculpas de que vou falar não têm nada a ver com as desculpas que se pedem quando se comete uma «gafe».
Quando se faz alguma coisa menos correcta.
Normalmente, essas desculpas são arranjadas para justificar algo que nos embaraça.
São inofensivas, fazem parte do normal da vida.

Depois temos as outras.
As que se usam para tapar qualquer coisa que não agrada.
Essas deixam no ar suspeitas e dúvidas.
Dão oportunidade a especulações.
Deixam rótulos.

Desculpas.

É preciso saber usá-las.

Abraço.

Apagão




Ontem logo pela manhã ao ler o jornal fiquei de boca aberta.
Dei-me conta de uma sondagem que põe o PS quase ao nível do PSD com uma muito pequena diferença.
Como é possível, perguntei-me?

Não temos uma taxa de desemprego de assustar?
Não temos gente com fome e sem dinheiro para pagar as suas contas?
Não temos tanta gente humilhada e ignorada?
Não estamos mesmo muito zangados com o governo?
Ou há quem goste de apanhar?
As medidas insuportáveis, desumanas e humilhantes, que o partido do poder impôs aos portugueses são premiadas assim pelas vítimas?
Onde está a dignidade desta gente toda?
Estamos todos com uma corda à volta da garganta e sem mais furos no cinto.
Uns arrastando-se como zumbis, outros sem comida para pôr na mesa, outros a dormir na rua!...
E… ainda assim, parece que há uma grande maioria que gosta!...
Será que toda essa gente que contribuiu para aquela sondagem sofreu um apagão?

Não estou a dizer que o PS seja melhor.
Mas, já agora, o que tem andado a fazer?
Certamente não tem estado no melhor caminho.
Seguro não é seguro mesmo?
Nesta situação quem confiará em quem?

Bem podem os Passos e os Relvas, continuar a gozar com o povo.
Mesmo fazendo a triste figura que nos vão mostrando as televisões.
O senhor Relvas, então, não passa de um descarado sem vergonha!
A figura que fez a tentar cantar a «Grândola»!
Não sabe nem a letra, o pobre.
Abriu e fechou a boca, qual peixe fora da água.
Ridículo.

Abraço.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Incapacidades














Incapacidades, todos nós temos.
O melhor será consciencializarmo-nos de que é mesmo assim, para não nos sairmos mal.
O pior é que nem sempre nos damos conta.
No seguimento disso, fazemos coisas para as quais não temos a mínima queda.
O que resulta daí são autênticos atentados.

Estou a lembrar-me concretamente de um pequeno texto, que há dias me foi dado ler.
De tão mau que era, quase me fez corar de vergonha!
Mal concebido, mal conseguido e sem qualquer hipótese de poder ser publicado.
Contudo foi publicado e foi lido.
E devo dizer que de tão ridículo, fez rir quem o leu.
A pessoa que o escreveu, é claro que não se deu conta da agressão que cometeu!
Mas que foi motivo de gargalhada, lá isso foi.
Esta pessoa não se dá conta das suas incapacidades.
Apenas precisa de dizer através da escrita que existe.

Ignorância?
Falta de modéstia?
As duas hipóteses talvez.

É bonita a humildade.

Abraço.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Os extremos















Quando se fala em ensino e educação, ouvimos muitas vezes as pessoas dizer:
- Antigamente é que era! Os miúdos eram respeitadores e os professores sabiam impor-se.

De certa forma, esta afirmação até tem algo de verdade.
Mas porque é que era assim?
Temos que ir mais ao fundo da questão.
Será que era correcta a forma como antigamente se administrava o ensino?
Será que a lei da força, por si só, deixou saudades e bons resultados?
Será que os alunos de então guardam boas memórias dessa forma de ensinar?
Das reguadas, das bofetadas, dos puxões de orelhas? Das orelhas de burro?
Da histeria de alguns docentes da altura?
Havia crianças que, com medo, faziam xixi pelas pernas abaixo!...
Que vomitavam na sala e desistiam da escola!

O que é que se fez entretanto, para que tudo mudasse?
Para que se tivesse caído numa situação completamente oposta?
Hoje os meninos são de ouro.
Nem sequer se podem repreender!
Não vá o paizinho à escola fazer um escândalo e até bater nos professores!

Quanto a mim, passou-se de um extremo ao outro.
Antigamente, funcionava a repressão e o medo e isso era muito mau.
Hoje, na sua maioria, inverteu-se tudo.
Em muitos casos, é quase o tu cá tu lá entre professores e alunos.
A anarquia, em muitos casos, é total.
Quanto a mim, nem uma nem outra técnica estavam, estão, certas.
E penso que o defeito é de base.
Ninguém ainda terá pensado que os professore e educadores não estão a ser devidamente preparados para uma tarefa tão difícil como a que têm pela frente?
Ninguém ainda pensou que é preciso preparar pais e professores para conseguirem levar a cabo esta tarefa enorme que é ensinar e educar?

Penso que ambas as partes mereciam uma atenção especial em direcção a essa preparação.
Penso ainda que o ensino não pode ser dissociado da educação, os dois têm que caminhar lado a lado.

Em direcção a uma melhor e mais completa aprendizagem e a uma consciencialização forte do que é o civismo e o respeito pelos valores.

Gostaria de assistir a um processo que dignificasse a escola, os pais e toda a sociedade.
 
Abraço.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Espantalhos



















Desde criança que a figura dos espantalhos postos nos campos em local estratégico me despertou a curiosidade.
Curiosa, fiz perguntas.
Porquê, para quê?
Concebido como se de uma figura humana se tratasse e enfeitado com os artefactos mais estapafúrdios (tachos, panelas, tampas – e a indumentária necessária), achei sempre que era uma figura engraçada.
Ao longe ouvia-se o bater dos objectos com que o «ornamentavam».
O vento tinha um papel importante para que funcionasse com eficácia.
Os pássaros, coitados, é que se lamentavam
Ao aproximarem-se, tinham medo e saltavam de galho em galho, espreitando um momento mais calmo para comerem.
Penso que este espantalho inspirou depois os trapalhões que, no Entrudo, fizeram dele imitações fiéis.
Seguros da sua graça, exibiam a trapalhice improvisada, fazendo rir quem os via passar.

Quando ainda estava no activo, fiz um com o meu grupo de crianças.
Um espantalho em ponto natural.
O entusiasmo de miúdos e graúdos foi muito.
Durante o tempo que durou a execução, foi uma alegria.
As crianças participaram e deram ideias.
Elas próprias traziam de casa trapos e outro material necessário para a obra!
Aquele espantalho fez as delícias de todos.
Tivemos pena quando tivemos que dar por terminado o tema.

Ficou uma ideia do préstimo daquele boneco desajeitado.

Agora também vemos muitos espantalhos por aí.
Só que nem se dão conta que o são, nem têm préstimo nenhum.
Nem têm a graça que aqueles tinham!...

Abraço.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Não gostei


















Oitenta anos – uma idade bonita.
Merece ser assinalada.
Foi isso que aconteceu com Carlos Brito.
Comunista dos quatro costados durante uma vida.
Largos anos passados em prisões e na clandestinidade, com torturas à mistura.
Por razões ideológicas, há alguns anos afastado.
Afastado e, parece-me, renegado.
Segundo afirma, continua comunista, embora não concordando com algumas das regras impostas para ser aceite no grupo.
Daí o seu afastamento.

Um conjunto significativo de elementos grados da esquerda portuguesa decidiu homenageá-lo.
Até aqui tudo bem.
Depois de tantos anos a lutar por uma sociedade melhor, o agradecimento merecido.
Mas…
É da minha vista, ou não se vislumbra ninguém do seu partido?
Onde estão os seus camaradas ainda vivos?
Aqueles que com ele passaram o que o diabo enjeitou?
E os jovens?
Aqueles que tinham obrigação de ter uma visão mais abrangente do que os rodeia?
Ficaram recolhidos a fazer birra?
A segurar as palas que lhes protegem os olhos?

Quanto a mim, não irão muito longe com atitudes destas!
E eu nem sequer sou suspeita.
As minhas raízes são de esquerda e sê-lo-ei sempre, até que a cabeça me deixe!...
A verdade é que não gostei de ver.

Há momentos que mereciam uma grandeza de espírito, que seria apreciada e certamente anotada por muitos.
Ainda que não se simpatize com a figura, merece o nosso reconhecimento.  
O antes quebrar que torcer é sinónimo de pouca inteligência.

Parabéns, Carlos Brito.

Abraço.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Um pouco de Inverno

















Aí estão os dias frios e solarengos de inverno.
Tudo se mostra resplandecente.
Uma luz intensa invade os cantos mais recônditos.
Mostra-se com todo o seu potencial o sol.
Brilhante, ofusca qualquer um.
Estende os seus raios e oferece-os gelados à Terra e aos Homens.
Raios frios, que só se mostram no inverno.
Lá fora, um ventinho sibilante trespassa as roupas de quem passa.
Às vezes nem os agasalhos são suficientes.
Os transeuntes protegem o nariz, que se queixa, desprotegido.
Aqui no meu canto quente, saboreia-se o calor que emana da lareira e aconchega o corpo e a alma.
Isto, sim, é o inverno.
Este friozinho já tardava.
Fazia falta para matar os micróbios e outras partículas desagradáveis que provocam doenças e contaminam o ambiente.
Numa visão mais restrita e talvez um pouco egoísta, diria que sabe bem imaginá-lo lá fora, daqui deste lugar privilegiado onde me encontro.
A chama da lareira completa o aconchego.

Abraço.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A minha aldeia e as tradições


















Eram algumas e engraçadas as tradições da minha aldeia.
Pela simplicidade, pela camaradagem e pela alegria ingénua.
Estou a recordar concretamente uma.

As cacadas

Era durante o mês de Fevereiro, no tempo que antecedia a quaresma, que aconteciam.

Então de que é que constava esta brincadeira?

A noite era o momento escolhido para pôr a tradição em prática.
Preparava-se durante o dia disfarçadamente.
Era preciso angariar material que fosse barulhento e que obrigasse a uma pequena limpeza por parte dos atingidos.
Garrafões de vidro partidos e ainda com a palha.
Cestos com bugalhas, cacos etc...
Cântaros de barro já velhos, que se pudessem escaqueirar.
Cântaros de lata já sem préstimo, com tudo o que fizesse barulho e confusão lá dentro.
Enfim, tudo o que pudesse pregar uns bons sustos e que fizesse uma grande chinfrineira.
De noite, quando toda a gente já estava recolhida a jantar ou simplesmente a fazer serão, o grupo que então se organizara, e com os objectos na mão, ia pé ante pé.
Escolhiam-se as casas com degraus interiores de madeira ou que tivessem corredores longos, e zás!
Atirava lá para dentro com tudo.
Caíam que nem «bombas» aqueles objectos barulhentos, rebolando ou fazendo pum…pum…pum escadas abaixo ou corredores fora.
Era a confusão total.
O pessoal atingido corria às portas e ou riam a bom rir, ou irritados gritavam impropérios, enquanto o grupinho fugia e soltava gargalhadas saudáveis.
Às vezes, quase sempre, descobriam-se os prevaricadores.

Aí normalmente havia o troco.
Era só esperar a oportunidade!...

Nunca se sabia qual seria a próxima «vítima»!...
Era muito engraçada esta brincadeira inocente e bem-disposta.

Abraço.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O sol















O sol é a vida a sorrir.
É a terra a brotar vida.
São os pássaros felizes.
As plantas a florir.

O sol aquece o Mundo.
O Mundo gélido e sem amor.
Gélido sem solidariedade e afectos.
Vazio de sentimentos bons.

O sol é fonte de vida.
É vida saudável e completa.

O sol é fartura.
Fartura que alimenta e aquece a alma.
Que aconchega todos
Sem excluir ninguém.

O sol é um milagre da vida.

Abraço.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A ignorância é um descanso














Acontece às vezes, encontrarmos gente que se mostra avessa a aprender.
Ora, quanto a mim, a vida é uma aprendizagem permanente.
Se quisermos, aprendemos muito uns com os outros todos os dias.
Cada um pode passar ao outro os conhecimentos que vai adquirindo ao longo da vida.
O que muitas vezes acontece é que há quem não esteja interessado em angariar conhecimento.
O que mais chateia é que quanto menos sabem, mais tentam empertigar-se para, assim, se afirmarem.
Tentam vender uma imagem, aquela que gostariam que fosse real.
É de ficar com pena e perplexa com tanto orgulho e falta de humildade.
Não se dão conta de como estão a fazer um papel ridículo.

Como somos diferentes!

Dá-me, e sempre me deu, muito gozo aprender.
Desde muito pequena, a minha curiosidade é uma das minhas características.
A vontade de saber está dentro de mim.
Sempre gostei de ouvir os outros e aprender com eles.

Sempre tive pressa de aprender.
«Queres aprender antes do tempo», diziam os meus pais.
Em termos de leituras, não me escaparam, ainda bem cedo, todos os livros na altura considerados próprios e também os menos próprios para a minha idade. 
Para os conseguir tinha um cúmplice.
O meu tio Narciso.
Homem do povo, mas leitor compulsivo.
A todos os outros temas de aprendizagem eu reagi sempre da mesma forma. 
(Hoje estou a começar a entrar no mundo da «net»).

Quando isso deixar de acontecer, não haverá mais vida!...

Abraço.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Grisalhos













Há dias deparei-me com um chorrilho de palavras, escritas por um senhor que infelizmente exerce funções de deputado pelo PSD da Guarda, que me deixou indignada.
Lamentava-se o senhor:
«O nosso país está atacado pela peste grisalha»... (Leia mais aqui.)
Dizia isto como poderia dizer que estava atacado pela peste negra!
Uma calamidade, acha ele!

Lembrei-me de alguém que um dia, ao ver uma manifestação com toda a gente a gritar palavras de ordem, olhou e com desprezo estampado no rosto, disse:
- «Povinho…»
Como se não proviesse dele também!...

Neste caso eu diria:
- «Gentalha ignorante e cheia de si!...»
Como é possível termos a representar-nos gente com tamanha falta de respeito por quem podia ser pai, mãe, avô?
Como pode um fulano licenciado ter tamanha falta de sensibilidade, conhecimento e respeito?
Serviu-lhe de alguma coisa a licenciatura?
Educação, respeito e afecto, não de certeza.
Se queria falar do problema do envelhecimento que até é real, que soubesse pelo menos abordá-lo de forma respeitosa.
Foram os grisalhos de agora quem lhe deu a vida e a oportunidade de tirar um curso que nem sequer sabe honrar.

Gentalha mesmo!
Que, ainda por cima, se governa à custa de todos nós.

Ele há cada um!

Grisalhos!...

Abraço.