quinta-feira, 11 de abril de 2013

Acordar


Acordai




Coro da academia de amadores de musica
Clicar na imagem para ouvir

Acordei hoje, aliás como sempre, muito bem disposta.
Digamos que sou uma pessoa com bom acordar.
O primeiro som que me chegou foi o som ritmado e monótono do mar.
Batida forte e persistente.
Batida de quem sabe que é poderoso.
De quem está bem e se recomenda.
Fiquei mais um pouco e pensei na vida.
Achei que era preciso que os homens acordassem também.
Não do sono da noite, mas da sonolência que muitas vezes se abate sobre eles.
Eu, aqui, se estiver bem acordada, também terei tudo para ser feliz assim como o mar!
Basta programar o meu computador de bordo.
Aquele que se desloca sempre que me desloco.
Que me guia para todos os momentos da vida.
Só é preciso eu querer.
Não adormecer nas horas em que preciso de estar bem desperta.

Não descobri isso agora.
Apenas estou a pensar que é preciso que passe a ser assim.
A partir de hoje, vou tentar não adormecer quando não devo.
Aqui no meu canto modesto mas acolhedor, vou não só continuar a acordar bem disposta, como também a manter-me desperta.

Parece-me importante.

Abraço.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O bando


 


A palavra bando, normalmente, é utilizada para nos referirmos às aves.

Também, de uma forma sarcástica se chama bando a grupos de pessoas que normalmente se unem para, de uma forma ou de outra, praticarem actos menos dignificantes.
Pensei nisso ontem, enquanto passeava na areia da praia.

Um grupo enorme de gaivotas estacionou junto ao mar, talvez à espera que algum barco lhes trouxesse alimento.
Eram imensas.
Quietas e de olhar fixo no mar.
De repente, sem motivo aparente, aquele grupo levantou voo.
Todas ao mesmo tempo e na mesma direcção, parecendo obedecer a uma qualquer voz de comando.
Sabe bem caminhar descalça na areia.
A massagem que se recebe nos pés liberta o cérebro para que consiga pensar em aspectos bonitos da vida.
Era o meu caso naquele dia.
É engraçado estar disponível para observar estas e outras aves.
Organizam-se e inter-agem de uma forma que faz inveja aos humanos.
Seguem o seu (a sua) líder, com confiança cega.
Sem hesitações ou dúvidas.
Naquele momento de descontracção, não pude deixar de fazer a comparação com a sociedade humana.
A comparação surgiu normal. 
Tive de concluir que, entre nós, pelo menos os líderes governamentais não convencem.
São convencidos.
Gananciosos, vingativos e pavões.
Não sabem liderar.
Passam demasiado tempo em conversas vazias de conteúdo, preocupando-se mais com o seu protagonismo.
Esses, sim, podem chamar-se, sarcasticamente, de bando.
Bando de aves de rapina.

Abraço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O último reduto




Um reduto também pode ser um largo airoso, onde normalmente convivem os residentes de um qualquer local.
Normalmente é também o sítio onde se comemoram tradições, que ao longo do ano vão acontecendo.

Estes redutos de que vou falar hoje não têm nada a ver com aqueles que referi.
Estes referem-se ao local onde quase todos vamos parar, quando já não nos bastamos a nós próprios.

Aquilo que eu designo de último reduto.

Os lares de idosos.

Estes espaços, ao invés de serem locais de diversão e convívio saudável, são lugares de repouso, de algumas lágrimas e sofrimento.
Onde profissionais preparados, técnicos ou não, se dedicam de corpo e alma a quem mais precisa.
Acreditamos que com afecto, com dedicação e com a ternura que a situação exige.
Os lares são o último reduto.
O reduto que encaminha quem já tanto viveu – e muitas vezes sofreu – para o fim.
É difícil encarar com frontalidade e a frio esta situação.
Quanto a mim, é difícil mas é necessário.
Penso que só assim poderemos travar a tentação de dar passagem a faltas de paciência e ao enfado na relação com o idoso.
Sabemos que falhar é humano e os humanos têm as suas falhas.
Todos sabemos que a recta final de uma vida não é fácil.
Também todos sabemos que ser idoso nem sempre é simpático a todos.
Principalmente quando ainda não se pensou neste assunto com realismo.

Os idosos são muitas vezes vítimas de descargas do mau humor de quem os trata.
Principalmente quando não há formação nem sensibilidade.

Ser profissional nesta área não é fácil.

Uma palavra de apreço e apoio para quem se esforça e põe o seu profissionalismo como exemplo.

Um abraço para todos os idosos e para os profissionais que se entregam ao serviço dos que tanto precisam.

Abraço.

Rapazes pequenos


 

Aqui na zona de Sesimbra há, como noutras zonas, um linguajar próprio.
O sotaque e o vocabulário têm-me enriquecido e até proporcionado momentos divertidos.
Quando cá cheguei, não foi à primeira que percebi as mensagens que fui ouvindo.
Tive que fazer o exercício de como o povo costuma dizer, tirar umas pelas outras.
Só depois de algum esforço me entrosei e consegui acompanhar as conversas, fazendo sempre para mim, a tradução.
O vocabulário difere muito do da Beira, e então do de Lisboa, onde vivi trinta e tal anos, nem se fala!...

Por exemplo:
Ao entrar em minha casa, alguém olhou admirada e disse.
«Olha, que engraçado! Parece uma casa de rapazes pequenos!...»
Logo, logo, não atingi. Só depois com a conversa, percebi que aquilo era um elogio, a pessoa quis dizer que a casa estava leve e até parecia que era de jovens!...
Também usam esta expressão, em sentido pejorativo.
«Olha, parecem rapazes pequenos!...».
Isto para dizerem que, apesar de adultos, certas pessoas têm mentalidade de gente pequena e com falta de bom senso.

Lembrei-me de falar disto que até parecerá que não tem grande interesse, para mostrar o apreço que esta gente tem pelos nossos governantes.
Referem-se a eles, como um bando de rapazes pequenos.

Tal é a conta que têm por eles!
É o Povo a falar.

Abraço.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Que saga





Esta saga triste da Casa Pia constrange-me sempre que penso nela.
Ontem ao ver um dos protagonistas entregar-se, não pude evitar um sentimento de revolta, misturado com pena.
Revolta por ver até que ponto o ser humano pode chegar.
Um profissional de proa, ali, de rastos perante o Mundo.
Uma filha que chora pelo seu «herói».
Outra, ainda pequena, certamente confusa, insegura e espantada, ainda que não o demonstre.
Não tem idade para entender a profundidade e o porquê da coisa.
Só mais tarde se dará conta da gravidade e da perversidade da questão.
E depois?
Funcionará uma atitude de negação?
Para sua defesa, achará que o seu pai, o seu modelo, nunca seria capaz?
Ou mete a cabeça no assunto, revolve tudo, e iniciará um processo de revolta sem retorno?
Uma destas duas coisas, irá acontecer.
Que seja o que a fizer sentir-se melhor.

Para mim, ficará sempre uma dúvida no ar.
Será que a justiça está a ser justa mesmo?
Será que alguém está a ser injustiçado?
É difícil aceitar que pessoas altamente responsáveis e bons profissionais desçam tão baixo.
Um deles então, era um ídolo da comunicação!
Um profissional de alto gabarito!
Logo no início, recusei-me a acreditar.

Mas… se, depois de tantas voltas, a conclusão é a de que há culpa, somos quase obrigados a acreditar.

Como se consegue enganar tanta gente?
Como se consegue destruir o prestígio e a honorabilidade de uma vida e de uma família?
Será que o ser humano é mesmo um bicho mau por natureza, com um invólucro a disfarçar?

Todo este processo é mau de mais e retira a vontade de confiar.

Abraço.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Contrastes






Apesar da chuva, aproveitei um intervalo e fui ao mar.
Estava só e crispado, o mar.
Apenas uma gaivota em pé como que em êxtase, admirada.
As águas em rebuliço estavam turvas.
Espumavam uma espuma meio castanha.
Chegavam envolvidas em detritos, que depositavam na areia lavada pela chuva.

Trazidas do fundo do mar eram expostas, para vergonha do Homem que as depositou lá.

Os Homens.

Eles e a sua inconsciência encarregam-se de poluir o que de tão belo, grandioso e rico temos.

Contrastes.
O belo e o horrível.
Choca e faz pensar.

Dos campos em redor, surgia a correr um rio que cantava e levava à sua frente tudo o que encontrava.
Dirigia-se ao mar – que o recebeu como se já o conhecesse.

As terras, prenhes de água, esperam pelos dias de sol que a primavera está a dever.
A chuva, essa, continua a cair copiosamente.

Vim para casa com o peito cheio de iodo e ar puro.
O resto são imagens que ficam.

Abraço.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Olhos de menina
















Com os meus olhos de menina, vi o Mundo desfraldar-se à minha frente.
Primeiro com espanto, depois com encanto, depois com alguma surpresa.
Quando comecei a ser mulher, com alguma decepção.

Os meus olhos de menina viam o mundo às cores.
As cores do arco-íris.
Tinha o brilho do sol e tudo para mim era luz.
Vivi aqueles anos apressada.
A minha pressa de viver era como um Cadillac que corre numa auto-estrada de quilómetros sem fim.
Eu era a estrelinha ao encontro do futuro.
Quanto mais andava, mais descobria e me encantava.
Desejei que o futuro fosse logo ali.

De repente, aquele mundo que eu descobrira e que me inebriara ficou nublado.
Foi o início de uma grande decepção.
O mundo que eu descobrira, me encantara e que admirei tanto, afinal estava a ficar sem luz.
Havia no ar uma neblina inesperada, que prometia dias escuros e sem brilho.

Deixei de me sentir menina.
Ingénua.
Crédula.
Foi-me difícil aceitar o inverso daquele que, até então, tinha sido o meu mundo e que, aos poucos, se revelou bem diferente.

Mentiroso, hipócrita, invejoso, ganancioso e sem afectos.
E o sol?
E o brilho?
E as cores?
E o amor?
Onde pára tudo isso?
Mas… afinal, esse mundo sempre esteve lá.
Eu é que, com a minha ingenuidade, pressa e alegria de viver, não o
quis ver.

Foi grande a decepção.
É difícil a adaptação.

Os olhos de menina deixaram de ser ingénuos.
São olhos de mulher.
Atenta, observadora e que questiona.

Aqueles olhos de menina perderam-se na escuridão do mundo.

Abraço.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sem tema



 Escrito ontem, dia de Páscoa...


Hoje não tenho tema.
Ou teria, se procurasse.
No entanto, prefiro não dar hoje muito trabalho ao cérebro.
É dia de Páscoa.
Está um dia carrancudo.
Verte água por todo o lado.
Meio mundo está em casa.
Na própria ou de familiares.
Os hotéis, segundo parece, fervilham de gente.
Espaços fechados que não são do agrado de muitos.

Convenhamos.

Quem, durante todo o ano, vive fechado, stressado e com inseguranças permanentes, merecia melhor sorte.
Os destinos escolhidos, digo eu, talvez proporcionem algum descanso físico e, quem sabe, um saboroso convívio!
Deixar correr o tempo e descansar é um bom investimento na tranquilidade e no equilíbrio.

O regresso não será fácil.
O temporal não pára e o movimento vai ser muito.
Bom descanso e boa-viagem.

E assim, desta maneira mais ou menos amolecida, mas com afecto, partilho estes momentos de descontracção.

Abraço.

sábado, 30 de março de 2013

A idade
















Idade é vida...
Idade é Natureza... 




É a idade, é da idade, já tem idade!...

É assim que se fala, quando alguém atinge uma certa idade.
É de certa forma uma constatação negativa.
Pois é.
Não é muito confortável aceitar que a vida nos vai escapando.
Não é agradável ver os sinais que vão chegando.
Às vezes devagar, outras, abruptamente.
Dependendo às vezes mais dos genes de cada um.
É mesmo.

A idade pode trazer-nos, de facto, algumas coisas menos agradáveis.
Mas há muitos que esquecem que essa «certa idade», também traz aspectos positivos.
Traz experiência, maturidade, ponderação, tolerância, bom-senso, etc.…
E que, com todas estas aquisições, se fica mais completo e mais rico.
Darmo-nos conta disso é, de certa forma, compensador.
Sei por experiência própria.

A idade já não será um posto, e não merecerá o respeito de todos, mas é sem dúvida uma mais-valia.
Tenho-o constatado ao longo da minha vida.
É preciso que o tempo passe, para que aprendamos a viver.
Para que nos encaremos e façamos uma auto-análise.
De como temos gerido a nossa vida e se terá sido da melhor forma.
Fazer isto encarando os tabus e por ventura os deslizes cometidos.
A vida encarrega-se de nos ensinar como fazer.
Isto, se quisermos aprender as lições que ela nos dá.

Leva tempo para lá chegar.

Abraço.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sexta-feira Santa





Hoje é Sexta-feira Santa.
Aqui, no meu canto, tenho estado a recordar.

Há muitos anos era um dia solene.
Segundo consta da história da Igreja, Cristo morreu pelas três da tarde.
Lembro-me que na minha aldeia, este dia era muito respeitado.
Então a partir das três da tarde, hora da morte de Jesus, o ambiente ficava mais pesado.
Os diálogos aconteciam mais ou menos em voz baixa, em sinal de pesar.
O sino só voltava a tocar no sábado às dez, depois da Ressurreição de Cristo.

As casas quase todas com soalho de madeira, cheiravam a sabão azul e branco.
Estavam alindadas e prontas para receber a visita pascal, que se fazia na segunda-feira seguinte.
Era um regalo para a vista e para o olfacto.
Ainda hoje esse cheiro permanece nas minhas memórias olfactivas.
Diria até que se mantém vivo e inalterável.

A tarefa seguinte era começar a prepara as refeições da Páscoa.
Do cabrito às iguarias doces, tudo estava presente na mesa de quem podia.
Como sempre, havia os deserdados da sorte.
Esses coitados ficavam sujeitos à boa vontade de quem a tinha.

No sábado, era o dia da alegria.
Às dez horas da manhã, o sino, com um som forte, repicava durante horas ou quase todo o dia: dlão, dlão, dlão, dlão dlão…
Era a festa da Ressurreição.
A partir daí, a alegria extravasava.
Soltava-se tudo o que durante a quaresma tinha estado contido.

Eram tradições muito bonitas que deixaram saudades.

Uma Páscoa feliz para todos.

Abraço.












Também nós aqui por casa tentamos manter as 
tradições - neste caso, as de Bustelo da Lage, 
na Beira Alta... 
Vai por isso aí ao lado um folar tradicional caseiro. 
Feito por mim.
Pena que não possam provar. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

O regresso de Sócrates






E o homem está em forma mesmo.
A lição, como sempre, na ponta da língua.
Bem estudada e bem debitada.
Deu cartas aos entrevistadores, que, mais que uma vez, tentaram cilindrá-lo.
Não se inibiu.
Seguro e com a coragem que se lhe conhece.
Este é um político.
Não abana o rabinho submisso, vai à luta e normalmente leva a melhor.
Pode não se concordar com o que fez enquanto primeiro-ministro, mas que é combativo, lá isso não se pode negar.
Veio contar a sua verdade.
Tem esse direito.
Por enquanto ainda não nos foi negada a liberdade de expressão.

Promete, este Sócrates.

Depois pensa-se:
- E os outros, estão a fazer melhor?
Não são eles, mais que ninguém, os extorquidores?
Os que nos têm roubado tudo, incluindo a dignidade?

Política e os políticos!...

Reles aproveitadores.

Abraço.

quarta-feira, 27 de março de 2013

É difícil comunicar
















Quando escrevo, estou a comunicar.
Comunicar é uma responsabilidade.
Agrada-se a uns, desiludem-se outros.
Corremos o risco de não conseguir passar a mensagem.
De nos acharem uns grandes chatos, enfim…
Às vezes sinto que me repito um pouco.
Que sou demasiado crítica.
Que alguns destes pequenos textos que escrevo, deveriam ser mais leves.
Que deveriam mostrar apenas o meu lado feliz. 
Se assim fosse seriam verdadeiros?
Ninguém acreditaria.
Isso não existe.
O que escrevo é o que sinto no momento.
É a vida normal, das pessoas normais.

Este blogue é para eu debitar os momentos bons e menos bons.
É o ombro que nunca se nega a ouvir-me, tal como o mar.
É nele que descarrego as alegrias, as frustrações, as mágoas e as incapacidades.
Ponho aqui o que sinto no momento.
Assim, sem artifícios e sem a preocupação de alindar o estilo.
Ao natural.

Hoje por exemplo, estou meio nostálgica.
Mas quando olho lá para fora, sinto-me confortável.
Está um dia chuvoso, um dia que alguns apelidarão de triste.
Não partilho da mesma opinião.
A chuva, a mim, dá-me paz.
Ajuda-me a reflectir e a assentar ideias.

Estes dias puxam à solidão e há dias em que eu gosto.

Abraço. 

domingo, 24 de março de 2013

Difícil imaginar













São estas as flores que 
vos trouxe das arribas da beira-mar



Hoje a meio da tarde e para limpar o cérebro e os olhos, fui até ao mar.
Aquele que está sempre lá e que sabe ouvir sem nos interromper.
Aquele mar gigante e às vezes bonacheirão.
Hoje estava bonito.
Penso que também ele se estava a deliciar com o manto que cai das arribas que o rodeiam.
As arribas, vestidas de flores de muitas cores, fazem inveja aos maiores estilistas.
Um vestido sem fim à vista, alonga-se e encanta.
A natureza está a ficar linda.
Enquanto passeava, tive a ideia de vos presentear com uma pequena amostra, apenas para saberem do que falo.
Isto, multiplicado por milhares, faz-nos sentir num mundo à parte.
Num mundo onde tudo é bonito e positivo.
Espero que apreciem com eu, sempre que chega esta altura do ano.

É a primavera a mostrar-se.

Abraço.

sábado, 23 de março de 2013

Falta de audiências?




Isso é o que vamos ver.

A notícia caiu que nem uma bomba.
José Sócrates está de volta.
E que volta!
A partir de Abril, aí está ele na RTP 1 como comentador.
Mais, sem remuneração.

Esta foi de mestre.
Desta vez saiu um coelho da cartola dos senhores da RTP.
É quase certo que José Sócrates vai ser ouvido por muita gente, curiosa do que irá dizer.
Em vinte e cinco minutos, dizem-se muitas coisas.
Cá para mim, isto é uma grande jogada da RTP, para angariar audiências.
Para o Sócrates é a vingança do chinês, uma vez que nem sequer vai ser remunerado.
É transmontano, e não leva desaforos para casa.

Penso que vão ser momentos de diversão imperdíveis.
Estou curiosa para ver as audiências dos outros canais nesse espaço de tempo.
É já em Abril.
Que sem vergonha todos!

Abraço.

quarta-feira, 20 de março de 2013

A internet ela mesma





















Descobri.
Não vou precisar mais de reflectir, quando me disponho a escrever sobre um tema.
Sim, porque tento sempre ser muito honesta quando abordo seja o que for.
E isso exige algum trabalho e gasto de energia.
Não preciso de me preocupar mais!
A internet existe para isso.
Para a gente não gastar o cérebro.
Ainda mais o meu, que já está numa idade provecta!...
Tal e qual.
Pego no computador, pesquiso umas coisas, junto umas larachas minhas para a coisa não parecer tão plagiada e já está.
Simples.
Faço um figurão e só tenho o trabalho de pesquisar, copiar e passar a quem me lê.
Boa!
Como é que eu ainda não tinha pensado nisto?
Sem dúvida que há para aí gente bem mais esperta que eu!
Assim sempre pareço uma pessoa culta.
Que coisa, tão simples e eu que não via nada!...

Abraço.

terça-feira, 19 de março de 2013

Orgulho Inveja Arrogância















Ouvi hoje uma frase ao novo Papa com a qual concordo plenamente e que me fez pensar.
Apontou três problemas da Igreja e da Humanidade: orgulho - inveja - arrogância.
Três condimentos explosivos, para se viver em sociedade.
Infelizmente, é no meio desses explosivos que vivemos o nosso dia-a-dia.

Orgulho.

Quantos de nós vivem uma vida inteira de costas voltadas, porque ninguém aceita que errou?
Quantos têm a coragem de vergar perante as falhas?
Sem problemas, sem o complexos de parecermos fracos aos nossos olhos e aos olhos dos outros?
Sem nos sentirmos diminuídos, por tomar uma atitude digna de um homem / mulher, vertical.
Mas, sim, sentirmo-nos orgulhosos da nossa força?

Inveja.

Quantos de nós fazem suas as alegrias, as vitórias e o sucesso dos outros?
Quantos são os que os felicitam com verdade?
Quantos são os que não embucham ressabiados e os olham de soslaio?
Quantas amizades terminam por causa de invejas descabidas e raivinhas sem nome?

Arrogância.

Como é difícil ser modesto, simples, simpático e educado!
Todos os dias nos confrontamos com situações, que nos deixam de boca aberta de indignação.
Somos muitas vezes recebidos nos serviços de que precisamos com maus modos, a despachar, e sem o mínimo de educação.
Somos vítimas das incapacidades e frustrações desses mesmos, quem sabe?
Assistimos em todo o lado a manifestações de arrogância.
Pior ainda, quando se trata de pequenos poderes!

É triste viver num mundinho tão fútil, levezinho e egoísta!

Será que não se pode inverter alguma coisa?
Se quisermos todos, até pode.      

Abraço.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Fragilidades





Uma formiga é frágil.
É frágil uma flor.
Frágil, é um animal abandonado.
Muitos de nós somos frágeis, sensíveis e impreparados.

Um verdadeiro cocktail.

Não temos estrutura para aguentar os embates da vida.
Ficamos muitas vezes inseguros e até deprimidos.
A vida não é fácil e nós não fomos preparados para a enfrentar.
Muitas vezes, enquanto crescemos, omitem-nos a parte negativa da vida.
Às vezes, por falta de preparação e conhecimento, outras, só para nos protegerem.
Facilitam demais os nossos progenitores.
Quando podem, evitam que tomemos conhecimento.
Mimam-nos até à exaustão enquanto podem.
Somos a obra de arte deles.

Não mexe, não toca, não incomoda!

São cegos no seu amor.
Tudo feito por bem.
O pior é o que daí resulta.
Seres humanos frágeis e impreparados para enfrentar as dificuldades.
Ao primeiro embate, é a surpresa e a desilusão.
Mais.
A superprotecção gera na maior parte das vezes, seres arrogantes, mal-educados e orgulhosos.
Fragilidades, porque a base é fraca.
Foi construída em cima de terreno mole.

Abraço.

sábado, 16 de março de 2013

Mexeu comigo




















Não o conhecia.
Passei dois anos a imaginá-lo.
Tentei montar uma construção.
Tudo o que consegui, foi criação minha e interrogações.
Dois anos na expectativa.

Tentei não dar importância.
Há mais vida.

Defesas.

Enfim, o momento chegou.
Surpresa.
Tudo ao lado, para melhor.
É grande e lindo.
Do pouco que observei, quase me atreveria a fazer uma avaliação.
Desenvolvimento para lá do normal.
Simpatia, nota máxima.

Está num cantinho do meu coração.
Adorei conhecê-lo.

Cresce, amiguinho.
Faz-te um ser humano justo, luta sempre pela verdade.

Gosto de ti até à lua.

Um beijinho.

Dulce.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sabores ancestrais


 











Às vezes, nos meus passeios pelo passado, vêm-me à memória os sabores da minha infância.
Sabores únicos e que me deliciaram o palato apurado que sempre tive.
A geração de hoje, nem imagina do que falo.
Os hambúrgueres, as pizas, as batatas fritas de pacote e tantas outras coisas de que muita gente se alimenta são lixo, comparados com aqueles alimentos de então.
Eram alimentos puros, cultivados sem artefactos.
A maior parte deles apanhados na hora.
Cozinhados em panela de ferro, ao lume e sem pressas.
Eu tive a sorte de ver a minha mãe cozinhá-los.
Tive a sorte de aprender com ela os temperos e os paladares.
Ainda hoje não abdico de cozinhar alguns tal qual aprendi.
São bons, mas aqueles sabores mesmo, não estão lá.
Falta-lhes o lume de lenha.
Falta-lhes a qualidade e a pureza da terra.
Falta-lhes provavelmente a paciência para os cozinhar devagar.
Falta-lhes a qualidade dos ingredientes e aquela água sem aditivos.
Falta-lhes…aquele tempo de então.
Nada mais é igual no mundo de hoje.
Para o bem e para o mal, tudo mudou.
Os sabores são outros, os hábitos também e a vida está a milhas daquela.

Fiquemo-nos com as recordações que ainda guardamos na memória.

Abraço.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Barrocos











Sou de uma aldeia próxima da aldeia histórica de Sortelha, no distrito da Guarda.
Chama-se Casteleiro.
O Casteleiro é uma aldeia bonita, inserida num vale ensolarado.
Rica de produtos da terra, quando toda cultivada, enchia as casas de quem a trabalhava.
Tem a rodeá-la um conjunto de serras que lhe dão um aspecto aconchegado.
Uma dessas serras é mesmo a serra de Sortelha.
Mostra lá bem em cima o seu castelo granítico, que se debruça sobre a minha aldeia.
Funciona como um miradouro.
Um miradouro que nos presenteia com uma paisagem de tirar a respiração.
Plantado numa serra agreste, está rodeado de gigantescas pedras, a que chamamos barrocos e fascinam quem os visita e os observa.
Têm as mais variadas formas.
Algumas, bem curiosas!...

Aqueles barrocos são uma massa enorme de pedra granítica.
São verdadeiros calhaus gigantes.
São monstros estáticos e inertes.

De referir que não têm nada a ver com os calhaus com olhos que por aí vagueiam, fingindo que são gente.
Aqueles têm dignidade e são firmes.
Os outros, apesar de terem vida e se deslocarem, têm um cérebro minúsculo e sem conteúdo.
Ao contrário dos da Serra de Sortelha, são feitos de uma massa que qualquer molda segundo o contexto.
O seu cérebro estagnou, não produz grande coisa.
Nada a fazer!

Abraço.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Etapas



















É assim a vida das pessoas.
Feita por etapas.
Às vezes etapas difíceis de ultrapassar.
Principalmente quando são longas e duras.
É difícil aguentar as consequências e encará-las sem desanimar.
Felizmente não duram sempre.
As circunstâncias encarregam-se de as trazer e também de as levar.
Normalmente depois dum inverno rigoroso, o sol espreita.
O sol é sempre bem-vindo.
Nem que seja só uma pequena réstia.
Deixa-nos mais positivos e com vontade de sorrir, mesmo que o tempo ainda esteja instável.
Ficamos mais motivados, mais alegres, mais fortes.
O sol tem esse efeito benéfico.
Regenera a vida.
Boas etapas para todos.

Abraço.

terça-feira, 12 de março de 2013

Não podia acontecer

















Olá!
Ainda aqui estou.
Já tinha saudades destes momentos de partilha.
O motivo da paragem foi de ordem pessoal.
Precisei deste tempo para mim.
Precisei de me virar do avesso.
De me questionar, de encarar frontalmente assuntos que considero importantes.
Precisei de decidir.
Decidi bem e estou muito bem comigo.
Devo dizer até que tenho orgulho de ser quem e o que sou.
Da força que ponho no que faço, quando decido fazer.

Bom, mas vamos ao tema.
Fui até à Beira Interior, visitar um familiar doente no hospital da Covilhã.
Até aqui tudo normal.
A surpreendente foi o que resultou do diálogo com a pessoa em causa!
O relato que nos fez sobre a forma como os funcionários se relacionam com os doentes.
Foi uma surpresa desagradável e incómoda.
Pelo que me foi dado ouvir, algum daquele pessoal não tem a mínima preparação para estar com pessoas doentes e fragilizadas!
Terá, sim, necessidade de ganhar um dinheirito!
De profissionalismo, humanismo, afectos e entrega, não percebem mesmo nada, de certeza!
Desde responderem mal e com má cara aos doentes que lhes pedem ajuda, deixarem as arrastadeiras debaixo dos doentes até eles sentirem a pele colada, não os ajudarem na refeição, mesmo que o doente esteja sem autonomia (era o caso da minha familiar), gritarem a uma senhora asmática dependente de oxigénio e já senil… até atirarem-na de qualquer maneira quando a arranjam!...

Enfim, um relato impressionante.
Este testemunho foi corroborado por outros doentes da enfermaria!...

Pergunto eu:
- Não haverá profissionais e responsáveis de serviço, com preparação humana e cívica naquela enfermaria?
Há de certeza e recebem o ordenado no fim do mês!
Será que o merecem?
Sei de fonte segura, que estes procedimentos são o normal no dia-a-dia.
Sei também que envergonham alguns colegas que são profissionais a sério.

Agora uma coisa curiosa.
Depois de uma conversa civilizada com um desses funcionários sobre o assunto, a atitude mudou de repente e passou a ser de subserviência.
Péssimo, não é?
O que pensar disto tudo?
Será que estão em auto-gestão?

Fica a minha indignação.
O protesto já foi feito lá e talvez não fique por aqui.

Abraço.

Zé Perequeté






















Este «matrafonozinho» foi feito à pressa.
Foi o possível.
Foi todo feito à mão (não tenho máquina de costura).
É um exclusivo e foi directo para o pequenino Guilherme de quase dois anos.

Não sei se alguma vez lhe interessará.
Desejo que sim.
Contudo, sei que as crianças também têm as suas preferências.
Não estranharei se assim for.
Foi feito com entusiasmo, com afecto e muita ternura.
E isso foi para mim um prazer.

Hoje, também este pequeno texto que estou a acabar, é dedicado àquele bebé.  

Um beijinho soprado, como o teu ontem para mim, Guilherme.
Gosto de ti até à lua.

Dulce.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Neste dia de inverno



















Hoje estou no meu dia sem carro.
Estou prisioneira.
Refém na minha própria casa.
Os meus gatos dormem regalados.
O crepitar da lareira como que os embala.

Pois é, o meu dia hoje ficou inesperadamente de pernas para o ar.
Sem carro, não há como cumprir o que estava estabelecido.
Situações inesperadas e facilmente ultrapassadas.
O ginásio não foge, o resto também não.
Enquanto isso, há outras tarefas igualmente necessárias.

Espreitei pela janela.
Neste dia invernoso com chuva e vento, é ainda mais bonita a paisagem.
Tenho uma vista privilegiada sobre a aldeia.
Vejo os telhados no seu conjunto.
Fazem um rendilhado de vários tons de vermelho.
As casas, quase todas baixas, são entremeadas de muitas árvores, que transformam a paisagem numa visão agradável.
Bem mais ao longe, a Ponte 25 de Abril e o Cristo-Rei.
Vejo ainda a zona verde.
Um tapete verde forte, que se perde de vista.

Tudo isto se vê da janela do meu quarto.
É bom descansar os olhos nesta paisagem que me transmite paz.
No meio disto tudo, bem é preciso.

Abraço.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Neste recanto
















Aqui, neste recanto, estou rodeada de natureza.

Mar, pinhal e terrenos agrícolas.
Nesta zona e em determinadas horas do dia, se fechar os olhos, quase me posso imaginar só, com a natureza.
Durante a semana e fora da época alta, o silêncio faz-se ouvir muitas vezes.
Os residentes saem para as suas tarefas diárias.
Os outros, aqueles que, como eu, já se encontram mais livres, recolhem-se.
Então neste ambiente de quase silêncio, dá para saborear os sons naturais que nos vão chegando.
O ladrar de um cão aqui e ali.
Um galo que canta uma melodia esganiçada e ritmada.
Os pássaros que fazem voos rasantes e velozes.
Até o mar fala quando está nos seus dias mais azedos.

Não há dúvida de que este é um sítio agradável e calmo.
A natureza tem uma linguagem de fácil interpretação.
É um gosto dialogar com ela.

Abraço.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A luz


















Hoje a luz está especialmente bonita.
Entre o sol e as nuvens.
As gotas de chuva atravessam-na, apressadas.
É difusa mas brilhante, a luz.
Os raios, meio tímidos, espreitam fugazes.
São interrompidos pelas nuvens, que se estendem, amplas e cinzentas.
O galo canta a sua canção melódica.
Como que a saudar a luz e o dia.
A chuva, saltitona e escorregadia, não desiste de fazer ping…ping…
O céu, salpicado de cinzento claro/escuro, estende-se e abraça todos.
Com a calma de quem sabe que amanhã será outro dia.
Outro dia claro, escuro, tanto faz.
Para ele, será sempre mais um dia.

Abraço.

domingo, 3 de março de 2013

Que força é essa















Que força é essa amigos, que não chega aos «inteligentes» que nos governam?
Que não consegue amolecer os corações de pedra insensíveis e frios?
Que não lhes consegue trespassar as mentes formatadas e rígidas, cegas pelo poder?
Aquelas multidões que se viram ontem por todo o país, não serão o suficiente para os fazer pensar?
Pelos vistos não.
Aqueles seres, são uma espécie de andróides telecomandados.
Não lhes foi inserido o chip da emoção, da fraternidade e da solidariedade.
Apenas lhes activaram a linguagem e o sentir troikiano.
Apenas se preocupam em obedecer, quais lacaios, à senhora Merckel.

Tanta força na rua!
Tanto sacrifício, indignação e sofrimento.
Será que não bastam?

 Por que insistem em se impor a quem os rejeita?
 Dá-lhes prazer ver o povo forte e impotente?

Abaixo os troikanos todos.

Abraço.

Delícia
















Neste dia frio e cinzento, deu gosto sair da lareira quente e ir até ao mar.

O enorme tapete verde estendia-se até à falésia, que escorregava devagar até à água.
A imensidão de mar azul transparente, estava estranhamente calma.
Em contrapartida, a brisa fria soprava, misturada com mil odores campestres.
Penetrava a pele sem pedir licença e revolvia os cabelos que se espetavam no ar, desordenados.

Em sítio estratégico, sentada numa pedra secular, recebi no rosto o ar frio que apesar disso me alentava o espírito.
O silêncio foi quebrado por vozes calmas, que como eu, apreciavam a beleza natural e se deliciavam com o local.

Soube-me bem apanhar aquele ar fresco e puro.
Limpo de poluição sonora e ambiental
Local protegido e quase intocável.

Um bom intervalo, neste dia que convidava ao aconchego.

 O frio, a calma e o silêncio são saudáveis sem dúvida.

Abraço.

sábado, 2 de março de 2013

Frio a sério






















Durante estes dias de frio a sério, frio de inverno mesmo, para lá das idas ao ginásio que é uma das minhas fontes de energia e de vida, tenho-me ocupado com os tais trabalhos manuais que às vezes me dão muito prazer fazer.
Aqui à lareira, grande como convém, para lá de outras ocupações mais sérias, também tenho «brincado» um pouco.
Penso que é bom manter um espírito jovem, ainda que, na minha idade, possa parecer a muita gente, que é uma coisa meio louca.
Engana-se quem pensa assim.
Brincar, será a última coisa que deixarei de fazer.
É uma atitude saudável e aguenta-nos jovens durante mais tempo.
Depois, tenho saudades da minha vida profissional.

Decidi mesmo avançar com a tal matrafona de que falei no último texto.
Com uma pequena alteração.
Em vez de matrafona, estou a fazer um boneco meio atrevido.
É um gozo criar.
Não estou a copiar de lado nenhum, está apenas a funcionar a minha criatividade e gosto.
Depois de feito, poderá fazer as delícias de alguém, que, quem sabe, talvez o aprecie.

É bom darmos largas ao espírito de criança que há em nós.

Abraço.