segunda-feira, 27 de maio de 2013

E as crianças, Senhor?




Isto é um filme. 
A determinada altura, a criança chora convulsivamente


Não sou adepta de nenhum clube e raramente olho para os jogos de futebol.
Ontem foi diferente.
Sentei-me e vi o jogo Benfica-Guimarães.
Era um jogo especial e fiquei curiosa.
Ainda mais depois dos últimos desaires do Benfica.
Não percebo nada das regras do jogo, não conheço os jogadores, mas era a Taça de Portugal que estava em causa.

Não gostei do que vi, não me entusiasmei e tirei conclusões pouco abonatórias em relação ao «desportivismo» dos adeptos e dos jogadores.
Penso que desporto não é de modo nenhum o que esteve à nossa frente.
Com jogadores a não perderem oportunidade de se agredirem e de fazerem picardias uns aos outros.
Também, penso eu, desporto não é fanatismo nem falta de educação.
Assim como eu o vi, é mais ou menos uma batalha desleal entre aqueles que deveriam fazer do jogo uma arte e um divertimento saudável.

Depois, houve uma coisa que me chocou.
Quando o resultado já era mais ou menos evidente, havia jovens e crianças – meu Deus!... – a chorar convulsivamente aquela derrota.
Peço desculpa mas aquelas crianças estão mal conduzidas!
Ensinaram-lhes o caminho errado!
No desporto a sério não há fanatismo.

É preciso saber aceitar naturalmente as vitórias e as derrotas.
Isso, sim, é desporto.

Já agora e para pôr a cereja no topo do bolo.
Aquele empurrão do jogador ao Jorge Jesus foi o desfecho do que, para mim, foi mau demais.


Mas as crianças, Senhor, quem vai em seu socorro?

 Que tal preparar os pais para saberem sê-lo?
  
 Abraço.

domingo, 26 de maio de 2013

Tão distante e tão perto


   
Foto de J.L.Gouveia, «Viver Casteleiro»


Li uma pequena crónica no blogue «Viver Casteleiro», que pode ver aqui, e que me agradou muito.
Pela sensibilidade, pela oportunidade e pela capacidade de observação.
Acompanhavam a narrativa duas fotos que registaram duas casas.
O antes e o depois.
Duas realidades tão diferentes e tão distantes!
Reparar e pôr em paralelo aquelas duas imagens, também exigiu uma observação interessada e atenta.

Tive alguma dificuldade em identificar as casas.
Tal é a diferença e a distância!  
Não me situei logo.
Tive que procurar no meu «arquivo».
Logo que encontrei, tenho de confessar que aquelas imagens me impressionaram.
Como está longe aquele tempo!
Como tudo mudou e como tudo é tão relativo!
Subi centenas de vezes os degraus da velha casa.
Era lá que os meus vestidos de menina eram feitos com mestria, pela senhora Maria Augusta.
Nessa altura olhava para aquela casa e achava que, perante outras que a rodeavam, até era uma casinha cuidada e com alguma dignidade.
Hoje, ao lado daquela outra nova e de traços aculturados, é apenas um pequeno casebre, provavelmente ao abandono, como tantas outras no interior do País.
Apesar de me ter deliciado como que li e observei, fiquei com um sabor amargo e nostálgico.

E, nostalgia por nostalgia, foi inevitável em mim outra recordação: quando, após dois anos de guerra em Cabinda, logo após o 25 de Abril, regressei ao Casteleiro, tudo me parecia tão minúsculo, tão acanhado… comparado com a imensidão das paisagens africanas…

Como tudo é relativo!
Como estou distante no tempo!
Como a minha juventude está longe!...

É a realidade a falar.


Abraço.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Calmaria com movimento




O dia ensolarado e morno convidava a um passeio.
O mar claro.
Com um ar sibilino a fustigar-me o rosto, observei, caminhando, o movimento calmo e tranquilizador do mar imenso de cor azul céu.
Estranho!
Deve ter feito um pacto com os Homens, aquele mar.
A sua batida suave quase se parecia com a batida do coração que no meu peito docemente fazia pum…pum…
Tranquilidade absoluta.
Apenas avistei um bando de gaivotas ainda jovens que, pareceu-me, treinavam para voos num futuro próximo, que poderá ser menos tranquilo.
Aquele ambiente quieto introduz sempre em mim uma paz que não se consegue descrever com palavras.
É um absorver de energias positivas, que me tornam leve e quase esvoaçante.
Enquanto ali estive não existiu mais nada.
Embora lá fora o mundo continuasse pouco atractivo e difícil.

Sabe bem dar ao espírito algo que o preencha e faça esquecer a «poluição» em que se vive.


Abraço.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Emoções














Emoções.
São elas que dominam a vida de muita gente.
Que dão alegrias ou tristezas.
Que nos enchem a alma ou a dilaceram.
Costumo dizer que as emoções são o meu calcanhar de Aquiles.
Para o bem e para o mal.
Ser emotiva é uma forma de ser e de estar na vida.
Vivo delas, com elas e para elas.
Feliz ou infelizmente.
Felizmente, porque me entrego sem reservas a tudo o que faço e a todos os que estimo, sem exigir nada em troca, apenas afecto.
Infelizmente, porque sofro demais com as surpresas da vida.
Com o que ela me dá e com o que ela me tira.
Sou como que um poço de grande profundidade cheio de coração.
Entrego doses de mim, sem muitas vezes me dar conta de que estou a desperdiçar o que de melhor tenho: afecto.
Não me arrependo por isso.
Sinto-me bem com a entrega que faço de mim.
Embora sinta também nostalgia e sofra, quando me dou conta de que não há retorno.
Felizmente, isso nem sempre é assim.
E sempre que a reciprocidade acontece, faz-me esquecer o que até então me foi tão penoso.  

Ser ingénua e crédula por natureza, tem o seu preço.

Emoções!

Quando são positivas, enchem-nos a alma.
Quando não, prostram-nos e deixam-nos de rastos.
Apesar disso, é bom viver de e para os afectos.

Lá estou eu no meu melhor.
Lírica!...


Abraço.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O cão que ladra





Costuma dizer-se que cão que ladra não morde.
Nem sempre será assim.
Às vezes há matilhas que, sem esperarmos, ladram e mordem mesmo.
Não se vê é o sangue…
Ficam só as marcas - por vezes irreversíveis.
O sangue poderá aparecer mais tarde.
Em actos tresloucados das vítimas.
Provocados pelo desânimo, pela desilusão, pela frustração e impotência.
Os «cães», os que ladram, continuam felizes.
Felizes e sem problemas.
Fazem as leis, fazem os acordos, seja lá o que for – e marimbam-se para os efeitos.
Nem se deram conta de que provocaram insanidade, que por sua vez gerou a violência.

Pois é, nunca fiar.
Nem sempre os cães que ladram são inofensivos.
Já os que não ladram, esses sim: quando menos esperamos, somos mordidos pela calada.
O efeito surpresa é ainda mais devastador.
Nunca pensámos que nos acontecesse uma traição tão inesperada, vinda de tanto silêncio.
Às vezes, até, submissão.

O cão que não ladra afinal morde mesmo!

Abraço.

domingo, 19 de maio de 2013

A panela e a tampa





Há um ditado antigo que me lembra, sempre que olho para um certo casal da nossa praça, no mais alto cargo da Nação.

«Deus quando fez uma panela, fez uma tampa para ela».

Normalmente isto é dito pelo povo com acinte e de uma forma irónica.
Havia na minha aldeia e haverá certamente em todo o lado, um ou mais casos, que eram a prova provada da verdade deste ditado.
Como todos sabemos, o nosso povo é malandro mesmo, aproveita sempre o lado negativo para comentar e fazer graças, às vezes até de gosto algo duvidoso.

Esta tampa e esta panela simbolizam a forma como encaixam certos casais, na sua forma de ser e de estar na vida.
Lembro-me sempre de casais cuja dinâmica é lenta ou demasiado destrambelhada, sem grande bom senso, sem que nenhum deles se dê conta de que seria preciso mudar qualquer coisa.
Agir de outra forma, imprimir outro ritmo, outra forma de fazer ou dizer as coisas.

O tal casal da nossa praça, na minha opinião, é exemplo claro do que acabo de dizer.

O povo às vezes é sabedor mesmo!...

Abraço.     

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ouve-se e não se acredita





E é isto um Presidente da República?

Não dá para acreditar.
Penso que o bom senso exigiria um pouco mais.
Nem sequer estou a retirar ao «senhor» o direito de ser cristão praticante.
Antes pelo contrário.
Cada um é livre de professar a sua fé.
Estou, sim, a tentar dizer que de uma figura pública daquela estatura se esperaria outra postura.
A crença, a fé e neste caso talvez o fanatismo, são coisas do foro íntimo e não têm que ser propagandeados para o Mundo, muito menos por um responsável máximo de um país.
Este «senhor» não esteve nunca à altura de chefiar um País.
É no mau sentido (pois tenho o máximo respeito pelos aldeões puros), um aldeão que, num momento menos bom, transformaram em responsável máximo de um país!   
Na minha opinião de cidadã comum, acharia que estes arranques ele deveria tê-los no recato da sua intimidade e com quem priva no dia a dia.
Em público ele tem o dever de entender que há mais religiões e que devem ser todas elas respeitadas, ainda que não estejamos de acordo.

Não deveria acontecer um vexame assim, vindo de quem tem tamanhas obrigações!...

Ele há cada um!

Abraço.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Senhores deslumbrados




Senhores.

Há tantos!...
Uns são gordos, anafados e balofos.
Outros mais finos, apessoados e com pose de gente de bem.
Em ambos os casos, quase sempre donos de uma prosápia que convence.

São esses que normalmente levam atrás os incautos, os ingénuos e os crédulos.
São eles que depois de apanharem o poder, esquecem quem os levou até lá.
São eles também que de uma certa forma sádica, usam e abusam desse poder.
E que com ele trituram, felizes, aqueles a quem deveriam agradecer.
São também eles que esquecem, logo na primeira esquina, que sem o apoio desses mesmos, não passariam, na sua grande maioria, de cidadãos anónimos e esquecidos.

Que, a partir do momento em que sobem os degraus tão desejados, os senhores mudam.
Não só a fatiota, mas também os modos.
Fazem voz grossa.
Ameaçam, dizem e desdizem com a maior desfaçatez.
Deixam à porta do poder os beijinhos e os abraços de feira.
Passam a usar grandes carros com «chaufeur» e as mordomias e benesses são mais que muitas.
Os senhores são o retrato da deslealdade.

A ralé?
Quem?
Não conhecem.
Têm coisas bem mais importantes para pensar!... 

Senhores.

Com nome, mas com memória curta.
Com nome, mas sem hombridade nem honra.

Senhores indignos desse nome.

É olharmos para o governo.

Abraço.

sábado, 11 de maio de 2013

Nem tudo é mau





Atravessamos fases na vida, que nos deixam desmoralizados, sem ânimo e quase sem perspectivas.
Pior ainda, quando a crise económica e de valores não ajuda.
Felizmente, nem tudo é mau.
As fases más não duram sempre e à nossa volta ainda há cor.
A Natureza presenteia-nos com a beleza das flores, que desabrocham com a força da Primavera.
Traz até nós o sorriso das crianças, com os seus gestos graciosos e puros.
Com a sua alegria espontânea e contagiante.
Com a sua tagarelice surpreendente e encantadora.
Nada mais importante para nos preencher a alma.
Para nos dar o ânimo que às vezes quase vai faltando.

Que mais para o Mundo ser melhor?

Os Homens.
Esses seres complicados e cheios de teias de aranha nos sítios mais recônditos do cérebro.
Com as suas manias e necessidades supérfluas.

Por que complica o homem?

Por que não somos eternamente crianças?    
Por que serei eu utópica?

Abraço.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O trabalho




É do trabalho que a maioria das pessoas vive.
É esse mesmo trabalho que lhes dá equilíbrio e lhes proporciona uma vida melhor.
Sem ele, o acesso aos bens essenciais não seria possível.
A saúde, a educação, o ensino, a alimentação e uma casa para morar não seriam possíveis sem trabalho.
Desde sempre, o trabalho é a arma do povo.

Também sabemos que nem toda a gente precisa de trabalhar para ter uma boa vida.
Há quem viva de expedientes e consiga dinheiro fácil.
A esses, não os incomoda que haja crise.
Lá vão passando entre os pingos da chuva, sem que lhes peçam responsabilidades.

Infelizmente, no momento por que passamos, o trabalho deixou de ser valorizado.
Os trabalhadores são vistos como um excedente nesta sociedade desumanizada,
mecanizada e materialista.
Uma grande percentagem arrasta-se por aí com o desânimo estampado no rosto.
Ociosos à força.
Desencantados, desmoralizados e sem perspectivas.

As famílias são uma sombra do que já foram.
Sem dinheiro e sem futuro, ficam impotentes perante compromissos assumidos.
Sentem-se trapos sem préstimo e sem a dignidade a que têm direito.
Sofrem ao sentirem que não conseguem dar aos filhos, sequer, os mínimos.
Estamos perante uma sociedade triste e revoltada.
Espoliada de tudo aquilo a que tem direito.
O desespero está a apoderar-se de quem não vê luz no horizonte.

O trabalho.

Esse de que toda gente precisa para sobreviver e é um luxo no momento presente.
Desvalorizado e, pelos vistos, desnecessário.

Os trabalhadores?
Excedentes e sem préstimo nem valor.

É triste esta conclusão.

Abraço.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Levante-se o réu






Em toda a nossa vida, fazemos muitas vezes de réus.
De vez em quando, já estamos na «barra do tribunal» a ser julgados.
A sermos enfrentados, confrontados e a darmos justificação dos nossos actos.
Pois é.
Ninguém gosta de ser julgado.
Somos demasiado egoístas e ciosos de nós, da nossa privacidade e das nossas convicções.
Temos quase sempre a certeza de que o que fazemos é que está certo e não deixamos margem para julgamentos ou questionários.

É o ser humano no seu melhor.

Por vezes somos menos bem comportados que os animais na natureza.
Esses, sim, sabem comportar-se em sociedade.
Lá têm as suas desavenças, mas também têm as suas regras fortes.
São solidários e, quando é preciso, defendem-se uns aos outros.
Resolvem as suas querelas nem que seja à «dentada» mas tudo passa, não ficam resíduos incómodos.

Os julgamentos são feitos entre eles.
Ninguém vai à barra do tribunal.

Abraço.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Se



















Se amanhã estiver o dia bom…
Se eu tiver saúde…
Se a vida me correr bem…
Se não houver nada que impeça…

Se…se…se…

Sempre presente nas nossas vidas, esta conjunção subordinativa condicional.
Dependemos sempre desta coisa pequena, tão rápida de se dizer e tão cheia de interrogações e incertezas.

Pois é, se tivéssemos um Presidente da República que não se bandeasse.
Se não tivéssemos um primeiro-ministro a quem saiu na rifa o poder.
Se não tivéssemos um ministro dos negócios estrangeiros que não se parece em nada com o seu irmão Miguel Portas.
Se não tivéssemos um ministro das finanças tão lento na descolagem e tão rápido na asneira!...
E se não fôssemos um povo de brandos costumes!...

Bom, poderia ser tudo bem diferente.
Nós, que temos uma grande percentagem de gente sem casa, sem emprego, sem comida, sem acesso à saúde e á educação e sem perspectivas de futuro para os seus filhos, poderíamos, de repente, ter uma surpresa.
Poderíamos deparar-nos com gente que, um dia, não parasse para pensar.

E se algum dia acontecesse?

Se a paciência faltasse?!...

Abraço.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Será que são amigos?















Enquanto passamos pela vida, vamos «conhecendo» muita gente de todos os tipos e personalidades.
Nesse cruzamento de conhecimentos, damo-nos conta de que há pessoas com quem nos identificamos mais do que com outras.
Encetamos contactos.
Fazemos triagens.
Escolhemos os que nos são mais simpáticos.

Depositamos confiança, damos amizade e até parece que somos retribuídos.
O pior é quando no meio da relação, surgem momentos menos bons!
Momentos complicados que nos deixam em baixo, abatidos.
Aí nem sempre vemos, do outro lado, disponibilidade para oferecer o ombro.

Pois é.
São poucos os que se dizem amigos que se disponibilizam para ajudar, para apoiar e estar junto, nesses momentos.
Apenas os verdadeiros se aproximam, se sacrificam e sentem como prioridade ajudar.

Os outros é vê-los a arranjar desculpas para escaparem ao frete!...
Quanto a mim, esses não são amigos de verdade.
Têm apenas o nome.

É fugir deles como o diabo foge da cruz.

Abraço.

domingo, 28 de abril de 2013

Ressaca





Depois de cometermos alguns excessos, normalmente segue-se um período de ressaca.

Ficamos enjoados, com dores de cabeça e às vezes até dores no corpo todo.
É uma ressaca para esquecer, de tão má.

Também depois de passarmos um período menos bom das nossas vidas, isso pode acontecer.
Basta que o horizonte se nos apresente limpo de nuvens.
E que o sol aponte e nos aqueça a alma e o coração.

Essa também pode ser uma ressaca, mas é diferente, é uma ressaca boa.
Que nos transmite alívio, calma e um bem-estar que nos faz bem.
Que nos traz de volta ao nosso normal, que nos ajuda a respirar de alívio.
Que nos dá uma perspectiva da vida com cor e mais luz.
Que transforma os nossos dias em dias mais agradáveis e com sabores que não experimentávamos há muito.

Por mim, já experimentei as duas.
Num dia de convívio com um grupo de amigos, só foi preciso beber um copo de vinho ao jantar e depois no término da noite, numa discoteca, beber uma vodka com laranja.
As primeiras horas que se seguiram foram de grande animação, desinibição e leveza!
O pior veio a seguir.
A casa de banho era pequena para as minhas necessidades.
Seguiram-se dois dias de cama sem vontade de sair de lá.
Uma autêntica doença!...
Este foi um acontecimento que ficou para a história.
Até porque todos os que me conhecem sabem que sou uma abstémia militante.
Aquilo foi caso único.
Repeti-lo está fora dos meus horizontes.

Ressaca por ressaca, melhor esta última!...
Amolece, mas sabe bem melhor.

Abraço.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

E o coração fez pum…pum…



À esquerda, a casa onde vivia nesse tempo


Foi no dia vinte e seis de Abril de setenta e quatro.
Angola.
Mais propriamente, Cabinda.
Mais propriamente, Buco-Zau.
Uma pequena vila no meio da floresta do Maiombe.
Estava quase a fazer dois anos que eu tinha chegado.
Foi lá que fiquei «prisioneira», por amor.
Loucuras de juventude!...

A notícia chegou à boca calada.
«Há uma revolta em Portugal!...»
Meu deus!
O que será?
Diz-que-diz para cá…disse que disse para lá…
E passaram dois dias de grande agitação, incerteza e expectativa.
Ninguém sossegava.
Todos com muitas dúvidas, mas todos também com muita esperança.
Finalmente a notícia fundamentada.
Um golpe militar derrubou o fascismo em Portugal!...

Fez-se festa.
A partir desse dia, nada mais foi igual.
Aquela guerra fratricida e sanguinária tinha os dias contados.
Respirou-se de alívio.
Houve manifestações de alegria.
O sol ia voltar a brilhar.

Passaram três longos meses.
Quando cheguei a Lisboa, não conhecia o país que há dois anos tinha deixado.
Havia gente na rua a sorrir e com manifestações de alegria.

Era a festa do povo.

Penso muitas vezes o que foi feito da festa e da alegria.

Agora, a festa é só de alguns, como há trinta e nove anos!...
Eu nunca a esquecerei.

Abraço.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Os mimos aquecem a alma




É muito bom estarmos em ambientes onde nos acolhem bem.
Onde nos mimam e nos mostram carinho e apreço.

É o que vou sentindo nos sítios por onde passo.
Contudo, há um que destaco.
O ginásio que frequento há quase cinco anos.
Lá, para além de recolher saúde, recolho também bons momentos de camaradagem e estima.
É um espaço que me tem feito subir a minha auto-estima e bem-estar.
Gosto do ambiente e gosto da forma como sou reconhecida e tratada.
Gosto do profissionalismo.
Gosto dos colegas que, como eu, se esforçam para cuidar de si.
Todos são imensamente generosos comigo.
Todos me tratam com amizade e deferência.
Lá sinto-me confiante e entusiasmada.
Ainda há, naquele ginásio, relações com humanismo.
E há respeito, muito respeito.
Apesar de movimentado, existe a privacidade de que às vezes precisamos.

Sinto-me privilegiada por ter encontrado um espaço, que se identifica comigo.
Diria até que é um espaço feito à minha medida.

É bom sentirmo-nos mimados.
Sentirmos que gostam de nós.

Exigente como sou nos afectos, não poderia exigir mais.

 Obrigada a todos os que me proporcionam estes momentos de paz e bem-estar.

Abraço.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O que faz falta




Neste tempo materialista em que vivemos, era preciso tempo.
Tempo para nós próprios.
Para estarmos uns com os outros, para dialogar, conviver e trocar afectos.
Era preciso que nos mimássemos uns aos outros.
Sem lamechices, com verdade.
Com amizade e com o coração aberto.
Era preciso que nos libertássemos de preconceitos antigos.
Daquele tempo em que se pensava que o toque, a ternura e os afectos, não faziam falta nas relações.
Em que se achava que para haver respeito era preciso que houvesse distância e frieza.
Em que os pais criavam os filhos sem os abraçar, sem os acariciar.
Em que os casais quase não se conheciam, porque era preciso respeito!...
Em que as manifestações de afecto eram consideradas actos menos dignos.

É claro que se evoluiu muito, mas ficaram sequelas.
Ainda que não queiramos, herdámos a matriz.

Somos, de um modo geral, avessos aos afectos.
Às manifestações de ternura, ao abraço, ao toque.
À convivência e ao diálogo com amizade e ternura.
Sem inibições.
Darmo-nos e deixarmos que nos dêem.
É o que falta neste mundo desumanizado.
Um mundo de gelo, onde o calor é frio.
Faz falta dar esse passo.
A vida seria certamente mais atractiva.
Faz falta gostar e mostrá-lo sem termos vergonha.
Sem termos medo de parecer piegas.
O que faz falta é que nos tornemos mais humanos.
Mais amigos.

Faz falta mesmo.

Abraço.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Abril




O mês de Abril é, para mim, um mês muito especial.
É primavera, é tempo de flores.
É tempo de arejar e rearrumar espaços.
Plantar e semear.
É também o símbolo da liberdade.
Isto, para lá de ser também o meu mês.
O mês em que nasci.

Gosto de ter nascido neste mês.
Identifico-me com a luz, com os cheiros, as cores e a diversidade de flores do campo.
Penso que herdei deste mês a alegria natural.
O gosto pela natureza.
Pelo sol, pelos passeios no campo.
Gosto de observar o milagre da vida.
Herdei também o gosto pela liberdade.

Mas…sei, nem sempre este mês é pacífico.
A minha mãe dizia-me que, no ano em que nasci, choveu sempre torrencialmente.
Por algum motivo há um ditado que diz que «em Abril, águas mil»!
Seja como for, este é o meu mês de eleição.
Se calhar, também, porque foi este o mês em que se conquistou a liberdade.
E como eu gosto de ser livre!...
Sei que há muita gente por aí, que nem imagina o que é viver sem ela!
Talvez por isso este mês e esta palavra não tenham para eles o peso que têm para mim.

Gozem a primavera e já agora gozem também a liberdade.
Pelo menos enquanto a tivermos ao nosso alcance!...

Abraço.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Pesadelos




Pesadelo é esta crise que atravessamos.
É ter ao comando do país um primeiro-ministro galarote e entufado.
Um Presidente da República sonolento e medroso.
Um ministro das Finanças com uma lata no sítio do coração.
Um Paulo Portas que dança conforme o toque.
Um governo de pavões, incapazes, gananciosos e oportunistas.

Pesadelo são as crianças com fome.
São os idosos sem amparo.
Os homens sem emprego.
Pesadelo é ter um país desmembrado e sem rumo.
Pesadelo é sentirmo-nos impotentes e explorados.

Pesadelo é o Mundo sem princípios, sem afectos nem solidariedade.

Pesadelo é a mesa vazia.  

Abraço.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fugas




Pedaço de mim - Chico Buarque e Zizi Possi - YouTube


www.youtube.com/watch?v=JIFWpMzwUnc
 
Chico e Zizi cantam "Pedaço de mim"

Clicar para ouvir 



Há sempre um dia, em que temos necessidade de nos refugiar da vida buliciosa dos meios agitados.
Agora, com a chegada da primavera, apetece sair de casa e contactar com o exterior.
Aqui, sentada ao meu computador, divaguei naturalmente.
Fui levada até um local da minha infância onde fui muito feliz.
Uma felicidade genuína que só se experimenta com o espírito limpo e transparente da infância.
Esse local foi para mim muito especial e nunca esquecerei os momentos quase edílicos que me proporcionou.

Foi na minha aldeia, na varanda do quintal da minha avó Maria Isabel.

Era uma varanda virada a poente, onde o sol permanecia até se pôr.
Para mim, um sítio de sonho.
Pelo silêncio, privacidade e felicidade que ali vivi.
E pelos afectos.
Tantos e tão saborosos.

- «Então filha, porque não vieste ontem?»

Aquela era amizade verdadeira e do coração!
Foram também esses momentos, esses contactos, esses afectos, os responsáveis pelo meu equilíbrio e pela a minha alegria de viver.
As recordações mantêm-se vivas e as saudades perdurarão até ao fim.
Daquela varanda onde, para além dos afectos, se ouvia o silêncio, tinha-se também o privilégio de observar o campo no seu estado puro.
E a torre.
A torre da igreja, que entrava quase pela varanda dentro.
Dela partia o som das badaladas que se propagava a toda a aldeia.
Fortes e impositivas.
Via-se, muito de perto, o ninho das cegonhas.
Voltavam sempre na primavera.
Um casal feliz, organizado e trabalhador.
Dava gosto observar a azáfama na preparação do «berço» para os filhotes que haviam de nascer.
Em dias mais quentes, o estio quase tinha «som».
Digno de National Geograiphc.

Foram também momentos assim que me deram equilíbrio e uma alegria contagiante.
Que estruturaram toda a minha personalidade e forma de ser.

A quietude, a paz, o equilíbrio e os afectos – tudo essencial para o crescimento saudável de alguém.

Aquela varanda foi para mim um local de convívio, de contemplação e de troca de ternuras, que marcou positivamente a minha vida.

Aquela varanda tem pedaços de mim.
Abraço.

sábado, 13 de abril de 2013

Grandes momentos



Hino à alegria
Um grande momento musical
Clicar para ouvir





Há grandes momentos e momentos grandes e pesados.

Grandes momentos são aqueles que nos presenteiam com um céu azul translúcido.
Em que o sol irradia luz e enche de vida os campos.
Em que as flores de todas as cores brotam da terra e se exibem para o Mundo.
Em que as crianças sorriem, correm e brincam, com a inocência e despreocupação de quem está a começar um percurso.
Em que os pássaros voam livres e felizes e geram novas vidas, num namoro terno, entusiasmado e feliz.
Em que uma música calma e harmoniosa, nos «retira» do espaço físico e nos leva de viagem para sítios onde a paz nos cumprimenta com amizade.
Em que, na companhia de alguém, estamos sintonizados e unidos pelo amor, amizade, ternura e compreensão.

Depois disto, falar dos momentos maus é quase um pesadelo.
Os que trazem a instabilidade, o medo do dia de amanhã, as relações com os outros, às vezes tão difíceis!
A doença e o sofrimento.
A morte dos que amamos, que nos marca até ao fim dos nossos dias.
As crianças de olhos tristes com fome sem perceberem porquê.
A guerra que mata sem pudor.

Momentos.

A vida é composta por eles.
Geri-la, às vezes é difícil.

Muitos e bons momentos.

Abraço.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Acordar


Acordai




Coro da academia de amadores de musica
Clicar na imagem para ouvir

Acordei hoje, aliás como sempre, muito bem disposta.
Digamos que sou uma pessoa com bom acordar.
O primeiro som que me chegou foi o som ritmado e monótono do mar.
Batida forte e persistente.
Batida de quem sabe que é poderoso.
De quem está bem e se recomenda.
Fiquei mais um pouco e pensei na vida.
Achei que era preciso que os homens acordassem também.
Não do sono da noite, mas da sonolência que muitas vezes se abate sobre eles.
Eu, aqui, se estiver bem acordada, também terei tudo para ser feliz assim como o mar!
Basta programar o meu computador de bordo.
Aquele que se desloca sempre que me desloco.
Que me guia para todos os momentos da vida.
Só é preciso eu querer.
Não adormecer nas horas em que preciso de estar bem desperta.

Não descobri isso agora.
Apenas estou a pensar que é preciso que passe a ser assim.
A partir de hoje, vou tentar não adormecer quando não devo.
Aqui no meu canto modesto mas acolhedor, vou não só continuar a acordar bem disposta, como também a manter-me desperta.

Parece-me importante.

Abraço.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O bando


 


A palavra bando, normalmente, é utilizada para nos referirmos às aves.

Também, de uma forma sarcástica se chama bando a grupos de pessoas que normalmente se unem para, de uma forma ou de outra, praticarem actos menos dignificantes.
Pensei nisso ontem, enquanto passeava na areia da praia.

Um grupo enorme de gaivotas estacionou junto ao mar, talvez à espera que algum barco lhes trouxesse alimento.
Eram imensas.
Quietas e de olhar fixo no mar.
De repente, sem motivo aparente, aquele grupo levantou voo.
Todas ao mesmo tempo e na mesma direcção, parecendo obedecer a uma qualquer voz de comando.
Sabe bem caminhar descalça na areia.
A massagem que se recebe nos pés liberta o cérebro para que consiga pensar em aspectos bonitos da vida.
Era o meu caso naquele dia.
É engraçado estar disponível para observar estas e outras aves.
Organizam-se e inter-agem de uma forma que faz inveja aos humanos.
Seguem o seu (a sua) líder, com confiança cega.
Sem hesitações ou dúvidas.
Naquele momento de descontracção, não pude deixar de fazer a comparação com a sociedade humana.
A comparação surgiu normal. 
Tive de concluir que, entre nós, pelo menos os líderes governamentais não convencem.
São convencidos.
Gananciosos, vingativos e pavões.
Não sabem liderar.
Passam demasiado tempo em conversas vazias de conteúdo, preocupando-se mais com o seu protagonismo.
Esses, sim, podem chamar-se, sarcasticamente, de bando.
Bando de aves de rapina.

Abraço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O último reduto




Um reduto também pode ser um largo airoso, onde normalmente convivem os residentes de um qualquer local.
Normalmente é também o sítio onde se comemoram tradições, que ao longo do ano vão acontecendo.

Estes redutos de que vou falar hoje não têm nada a ver com aqueles que referi.
Estes referem-se ao local onde quase todos vamos parar, quando já não nos bastamos a nós próprios.

Aquilo que eu designo de último reduto.

Os lares de idosos.

Estes espaços, ao invés de serem locais de diversão e convívio saudável, são lugares de repouso, de algumas lágrimas e sofrimento.
Onde profissionais preparados, técnicos ou não, se dedicam de corpo e alma a quem mais precisa.
Acreditamos que com afecto, com dedicação e com a ternura que a situação exige.
Os lares são o último reduto.
O reduto que encaminha quem já tanto viveu – e muitas vezes sofreu – para o fim.
É difícil encarar com frontalidade e a frio esta situação.
Quanto a mim, é difícil mas é necessário.
Penso que só assim poderemos travar a tentação de dar passagem a faltas de paciência e ao enfado na relação com o idoso.
Sabemos que falhar é humano e os humanos têm as suas falhas.
Todos sabemos que a recta final de uma vida não é fácil.
Também todos sabemos que ser idoso nem sempre é simpático a todos.
Principalmente quando ainda não se pensou neste assunto com realismo.

Os idosos são muitas vezes vítimas de descargas do mau humor de quem os trata.
Principalmente quando não há formação nem sensibilidade.

Ser profissional nesta área não é fácil.

Uma palavra de apreço e apoio para quem se esforça e põe o seu profissionalismo como exemplo.

Um abraço para todos os idosos e para os profissionais que se entregam ao serviço dos que tanto precisam.

Abraço.

Rapazes pequenos


 

Aqui na zona de Sesimbra há, como noutras zonas, um linguajar próprio.
O sotaque e o vocabulário têm-me enriquecido e até proporcionado momentos divertidos.
Quando cá cheguei, não foi à primeira que percebi as mensagens que fui ouvindo.
Tive que fazer o exercício de como o povo costuma dizer, tirar umas pelas outras.
Só depois de algum esforço me entrosei e consegui acompanhar as conversas, fazendo sempre para mim, a tradução.
O vocabulário difere muito do da Beira, e então do de Lisboa, onde vivi trinta e tal anos, nem se fala!...

Por exemplo:
Ao entrar em minha casa, alguém olhou admirada e disse.
«Olha, que engraçado! Parece uma casa de rapazes pequenos!...»
Logo, logo, não atingi. Só depois com a conversa, percebi que aquilo era um elogio, a pessoa quis dizer que a casa estava leve e até parecia que era de jovens!...
Também usam esta expressão, em sentido pejorativo.
«Olha, parecem rapazes pequenos!...».
Isto para dizerem que, apesar de adultos, certas pessoas têm mentalidade de gente pequena e com falta de bom senso.

Lembrei-me de falar disto que até parecerá que não tem grande interesse, para mostrar o apreço que esta gente tem pelos nossos governantes.
Referem-se a eles, como um bando de rapazes pequenos.

Tal é a conta que têm por eles!
É o Povo a falar.

Abraço.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Que saga





Esta saga triste da Casa Pia constrange-me sempre que penso nela.
Ontem ao ver um dos protagonistas entregar-se, não pude evitar um sentimento de revolta, misturado com pena.
Revolta por ver até que ponto o ser humano pode chegar.
Um profissional de proa, ali, de rastos perante o Mundo.
Uma filha que chora pelo seu «herói».
Outra, ainda pequena, certamente confusa, insegura e espantada, ainda que não o demonstre.
Não tem idade para entender a profundidade e o porquê da coisa.
Só mais tarde se dará conta da gravidade e da perversidade da questão.
E depois?
Funcionará uma atitude de negação?
Para sua defesa, achará que o seu pai, o seu modelo, nunca seria capaz?
Ou mete a cabeça no assunto, revolve tudo, e iniciará um processo de revolta sem retorno?
Uma destas duas coisas, irá acontecer.
Que seja o que a fizer sentir-se melhor.

Para mim, ficará sempre uma dúvida no ar.
Será que a justiça está a ser justa mesmo?
Será que alguém está a ser injustiçado?
É difícil aceitar que pessoas altamente responsáveis e bons profissionais desçam tão baixo.
Um deles então, era um ídolo da comunicação!
Um profissional de alto gabarito!
Logo no início, recusei-me a acreditar.

Mas… se, depois de tantas voltas, a conclusão é a de que há culpa, somos quase obrigados a acreditar.

Como se consegue enganar tanta gente?
Como se consegue destruir o prestígio e a honorabilidade de uma vida e de uma família?
Será que o ser humano é mesmo um bicho mau por natureza, com um invólucro a disfarçar?

Todo este processo é mau de mais e retira a vontade de confiar.

Abraço.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Contrastes






Apesar da chuva, aproveitei um intervalo e fui ao mar.
Estava só e crispado, o mar.
Apenas uma gaivota em pé como que em êxtase, admirada.
As águas em rebuliço estavam turvas.
Espumavam uma espuma meio castanha.
Chegavam envolvidas em detritos, que depositavam na areia lavada pela chuva.

Trazidas do fundo do mar eram expostas, para vergonha do Homem que as depositou lá.

Os Homens.

Eles e a sua inconsciência encarregam-se de poluir o que de tão belo, grandioso e rico temos.

Contrastes.
O belo e o horrível.
Choca e faz pensar.

Dos campos em redor, surgia a correr um rio que cantava e levava à sua frente tudo o que encontrava.
Dirigia-se ao mar – que o recebeu como se já o conhecesse.

As terras, prenhes de água, esperam pelos dias de sol que a primavera está a dever.
A chuva, essa, continua a cair copiosamente.

Vim para casa com o peito cheio de iodo e ar puro.
O resto são imagens que ficam.

Abraço.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Olhos de menina
















Com os meus olhos de menina, vi o Mundo desfraldar-se à minha frente.
Primeiro com espanto, depois com encanto, depois com alguma surpresa.
Quando comecei a ser mulher, com alguma decepção.

Os meus olhos de menina viam o mundo às cores.
As cores do arco-íris.
Tinha o brilho do sol e tudo para mim era luz.
Vivi aqueles anos apressada.
A minha pressa de viver era como um Cadillac que corre numa auto-estrada de quilómetros sem fim.
Eu era a estrelinha ao encontro do futuro.
Quanto mais andava, mais descobria e me encantava.
Desejei que o futuro fosse logo ali.

De repente, aquele mundo que eu descobrira e que me inebriara ficou nublado.
Foi o início de uma grande decepção.
O mundo que eu descobrira, me encantara e que admirei tanto, afinal estava a ficar sem luz.
Havia no ar uma neblina inesperada, que prometia dias escuros e sem brilho.

Deixei de me sentir menina.
Ingénua.
Crédula.
Foi-me difícil aceitar o inverso daquele que, até então, tinha sido o meu mundo e que, aos poucos, se revelou bem diferente.

Mentiroso, hipócrita, invejoso, ganancioso e sem afectos.
E o sol?
E o brilho?
E as cores?
E o amor?
Onde pára tudo isso?
Mas… afinal, esse mundo sempre esteve lá.
Eu é que, com a minha ingenuidade, pressa e alegria de viver, não o
quis ver.

Foi grande a decepção.
É difícil a adaptação.

Os olhos de menina deixaram de ser ingénuos.
São olhos de mulher.
Atenta, observadora e que questiona.

Aqueles olhos de menina perderam-se na escuridão do mundo.

Abraço.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sem tema



 Escrito ontem, dia de Páscoa...


Hoje não tenho tema.
Ou teria, se procurasse.
No entanto, prefiro não dar hoje muito trabalho ao cérebro.
É dia de Páscoa.
Está um dia carrancudo.
Verte água por todo o lado.
Meio mundo está em casa.
Na própria ou de familiares.
Os hotéis, segundo parece, fervilham de gente.
Espaços fechados que não são do agrado de muitos.

Convenhamos.

Quem, durante todo o ano, vive fechado, stressado e com inseguranças permanentes, merecia melhor sorte.
Os destinos escolhidos, digo eu, talvez proporcionem algum descanso físico e, quem sabe, um saboroso convívio!
Deixar correr o tempo e descansar é um bom investimento na tranquilidade e no equilíbrio.

O regresso não será fácil.
O temporal não pára e o movimento vai ser muito.
Bom descanso e boa-viagem.

E assim, desta maneira mais ou menos amolecida, mas com afecto, partilho estes momentos de descontracção.

Abraço.