sábado, 6 de julho de 2013

Pelo menos em sonhos




Há várias interpretações para definir os sonhos.
Para mim, a mais simples é a que diz que são uma forma de aliviar a mente.
Penso assim, de uma forma amadora, que serão pequenos momentos de recreio para o cérebro.
É claro que isto não será bem assim.
Os cientistas iam rir-se de mim, se me lessem.
Mas é claro que não corro esse risco.

Bom, é que uma noite destas acordei feliz e com lágrimas.
Tive um sonho que considero de sonho!
Passeava num sítio onde o verde predominava.
A água corria em cascatas pelas ruas com casas caiadas de branco.
As ruas estavam meticulosamente limpas.
Sem poluição de nenhuma espécie.
O ar corria sereno mas fresco.
As pessoas eram alegres e educadas.
Relacionavam-se com delicadeza e falavam baixo.

Naquele país, que por segundos foi o meu, todos tinham emprego e apoios à saúde e educação.
Andava-se em veículos silenciosos, e passeava-se a pé.
As crianças estavam de férias.
Não se viam na rua sem rumo e desocupadas.
Eram acolhidas e apoiadas em centros de jovens, onde profissionais qualificados lhes proporcionavam a aquisição de conhecimentos e os ajudavam a desbravar caminhos, que nas suas cabecitas jovens ainda eram muito confusos.

Ninguém sabia o que eram faltas de apoio e solidariedade.
Os idosos eram estimados e considerados mestres de sabedoria.
Vivia-se em sociedade e com amizade.

O meu sonho deu-me, por alguns momentos, o privilégio de ver e sentir como era viver numa sociedade perfeita.

Pura ilusão.
Não há sociedades assim.

A lágrima de emoção com que acordei foi limpa.
Encarei o mundo possível e levantei-me para iniciar mais um dia neste, que não tem nada a ver com aquele outro mundo em que vivi por alguns momentos

É capaz de ser verdade.
Os sonhos às vezes são mesmo um pequeno recreio.
Uma terapia, quem sabe?


Um abraço.   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O gosto pelas cantigas





Desde sempre gostei de cantar.
Canto, mesmo quando não estou muito nos meus dias.
A música, o ritmo, proporcionam-me muito bem-estar.
Tenho passado grande parte da minha da minha vida a cantarolar, ou mesmo a cantar.
Enquanto trabalhei, cantei para e com as crianças do infantário.
Eram sempre momentos de alegria e grande diversão.
As crianças adoravam o momento e, para dar fim a essa actividade, era sempre complicado.

Bom, mas esta conversa foi apenas para introduzir o tema, porque ao ver ontem e hoje a televisão, me lembrei de uma cantiga que falava de confusão, de reinação, de palhaçada, enfim, tal e qual o que se tem passado à minha frente sempre que olho para o pequeno ecrã.

Uns meninos grandes a brincar aos palhaços, ao bate e foge, ao vai e volta, etc..
É pena que não me divirtam como a cantiga divertia as crianças.
Antes pelo contrário.
Deixam-me com um sentimento de indignação e perplexidade que não me deixa nada confortável.
Adoro ver crianças a brincar.
Garotada grande, irrita-me e deprime-me.

Portugal merecia mais.
Não há por aí gente sem a síndrome da garotice?
De certeza que há.

Apareçam por favor.


Abraço.

domingo, 30 de junho de 2013

Cansaço






Cansaço, canseira, cansado.
Enfim, são palavras que se ouvem com frequência.
Nem sempre, direi eu, serão ditas em sentido negativo.
Contudo, muitas vezes são ditas com tristeza.
Saturados da vida que tantas vezes é castigadora, massacrante e desumana, é a expressão que está mais à mão.

«Hoje estou cansado, estou cansado desta vida».    

Há cansaços bons, digo eu.
Quando fazemos coisas que nos fazem bem, que nos fazem felizes, ficamos com um cansaço saboroso, que nos deixa meio moles e desactivados, mas leves e cheios por dentro.
Sim, porque a vida tem que ser preenchida e recheada de afectos para ser completa.
Ainda que para isso tenhamos que nos ultrapassar.
Os orgulhos, as faltas de humildade, a frieza e a insensibilidade não podem fazer ninguém feliz.
São remendos mal deitados, que deitamos em nós próprios, e muito frágeis.
Quando muito, servem para nos enganar e nem sempre enganam os outros.
A vida é uma situação incrivelmente surpreendente.
É preciso ultrapassar o jeito de deslumbramento e vaidade que nos assalta às vezes.
É preciso sermos maleáveis e sentirmos carinho pelos outros.

É isto que sabe bem.
É isto que preenche a vida.


Abraço.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Preconceitos

   O preconceito cega



Preconceitos são ideias pré-concebidas sobre alguém ou alguma coisa.
São atitudes discriminatórias em relação a pessoas e ou ideias.
É a xenofobia em relação a outras cores e raças.
O preconceito, quanto a mim, pode não só estragar relações de amizades de convivência entre pessoas e até povos, como desperdiçar talentos.

Ser preconceituoso não é de modo nenhum uma atitude saudável.
Acho até que é o resultado de egos complexos que cada um carrega consigo.

Normalmente esses pensantes pensam leve.
Nunca se deram ao trabalho de olhar para dentro de si e fazerem uma auto-análise.
Se tivessem a sensatez de o fazer, quantas falhas, quantas contradições e quantas incapacidades encontrariam!... 

Bom, mas o que estou a dizer é um contra-senso.
Porque os preconceituosos nem sequer têm capacidade para se auto-analisar, tal é o ego e ignorância intelectual.
Seria preciso despojarem-se da sua altivez, do seu orgulho e da sua vaidade, para olharem para os outros como pessoas no seu todo.
Procurarem algo bom que certamente encontrariam.
Dar uma oportunidade. Ver imagem - bem sugestiva...

Uma pessoa nem sempre é só a figura que apresenta.
Tem quase sempre algo mais que muitas vezes não se vê.
Quantas vezes essas pessoas são olhadas de soslaio.
Vistas assim, levianamente, as suas capacidades estão escondidas, travadas dentro de si e sabe-se lá se não serão motivo de frustrações e tristezas.

O drama é que há muita gente que passa pelo mundo sem conseguir oportunidade de as mostrar.

Mundo mau, este!


Abraço.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Isto é verão












O verão e o calor têm um sabor especial no campo.
Estou a pensar mais concretamente nos que tem tempo para o saborear.
Para os outros, o calor de hoje, especialmente quente, é castigador.

Aqui, na semi-obscuridade da minha sala, o silêncio ouve-se lá fora.
Até quase se ouve a estiagem: chcheee…

Ouvem-se os grilos, as cigarras e o piar dos pássaros em alegre confusão.
Os pequenos ruídos domésticos da aldeia sobressaem, mas não perturbam a paz que reina.
Quem trabalha no campo ou na pesca, resguarda-se e aproveita, por norma, as manhãs e ou as tardes para realizar as tarefas necessárias.
À parte um ou outro carro que passa, tudo é calma.
Nem as vizinhas que adoram três dedos de conversa em grupo, estão hoje disponíveis.
O recolhimento e as tarefas de casa são as ocupações escolhidas para estes dias de canícula.

É assim o verão a sério por estas paragens.
Aqui a três quilómetros temos a praia.
Por certo terá hoje alguns veraneantes, ainda que ontem as marés vivas tenham ocupado parte da areia.
Finalmente, o sol quente e o calor dão alguma alegria aos que, durante um ano, não o podem gozar.

Paz.
Silêncio e calma.
O suficiente para o meu equilíbrio.

Embora em pano de fundo, não se esqueça a situação difícil dos portugueses, trabalhadores, deste país sem trabalho!


Abraço.

As cores




A propósito de uma candidatura à Junta de Freguesia da 
minha terra (ver aqui), enviei e foi inserido no blog da aldeia 
o texto que aqui deixo também (pode ver aqui, se quiser):



Em certas situações, as cores são fundamentais.
São alegria, são luz e vida…
São bom gosto, harmonia e equilíbrio.
Muitas vezes as cores são também beleza.
Vejamos o arco-íris!
Noutras situações já penso que não é tanto assim.

A cor política por exemplo.
Neste caso e nos tempos que correm terá algum significado a cor?
Não estaremos cansados de ver alguns desses donos das cores, a não ser exemplo para ninguém?
O que eu penso é que é preciso olhar para quem nos irá representar.
Terão eles conteúdos humanos, sensibilidade e sentido do dever?
Será que dão prioridade às pessoas e às necessidades das populações?
Neste momento acho que temos que dar força é a quem se dispõe a trabalhar com seriedade.
Temos que dar força e respeitar aqueles que têm características de humanismo e respeito pelas pessoas e pelos seus direitos.
Pelos que respeitam as necessidades de quem precisa.

Neste caso, as cores são secundárias.


Abraço.

domingo, 23 de junho de 2013

A lua está linda

















Sem tele-objectiva, mas cá de casa...


Com uma máquina a sério é assim (tirada da net)


Aqui no campo, hoje, a lua está especialmente bonita.
Com os sons da natureza em fundo, quase somos levados nas asas do tempo, para um local idílico.
Um pouco maior e com um brilho especial que só acontece uma vez em cada dezoito anos, foi um privilégio observá-la.

Faltou uma objectiva a sério.
Ainda assim é com boa vontade que partilho o que consegui.
Meio na obscuridade, consegui captar uma lua que, ao vivo, nos ofusca com tanto brilho.
Aí vai.
Como se nota, está escoltada por duas árvore erectas, respeitosamente perfiladas.

É bom ter o privilégio a disponibilidade, e o gosto para dedicar um mínimo do nosso tempo a estas coisas que nos chegam sem impostos nem cortes e com a liberdade de nos deliciarmos.
A vida, felizmente, também passa por coisas simples como esta.
Neste sítio pacato e despretensioso, nesta aldeia que nos oferece delícias assim ao natural e sem artifícios.

Ser sensível também é isto.
Gostar de apreciar a beleza que a natureza nos oferece a custo zero.


Abraço.   

sábado, 22 de junho de 2013

O circo




Quantas vezes eu já fui ao circo?
Não sei ao certo.
Sei que durante a minha vida profissional, quase todos os anos fazia parte do programa de saídas uma ida ao circo.
Fazíamos as delícias de quem se cruzava connosco.
- «Como é que conseguem trazê-los assim tão organizados»?
É claro que nada acontece por acaso.
Havia, como é óbvio, um trabalho de preparação diário e de rotina, que se destinava a preparar as crianças com as regras de comportamento e outras, para que tudo corresse bem.

As tais bases de que já tenho falado aqui.
Pois é.
Essas bases, tão necessárias para alicerçar uma construção.
Construção essa, quem sabe, em que poderá assentar a nossa personalidade.

Tenho muito respeito pelos actores do circo.
Os palhaços inclusive.
Às vezes penso em como é diferente o papel desses palhaços a sério do
dos «palhaços» que diariamente nos invadem a casa!
Sim, daqueles que não têm alma, não têm sensibilidade nem brio.
Apenas representam um papel que debitam mal e sem entusiasmo de verdade.
Penso sempre que o que estão a fazer é uma ofensa a esses profissionais que ganham
com tanta dignidade, a sua vida.

Devia ser proibido este ultraje.


Abraço.   

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Bem-vindo sejas




Depois de um prolongado outono salpicado de primavera aqui e ali, eis que chega sua excelência o tão aguardado verão.
Aqui por Sesimbra nada de novo.
Chegou numa manhã cinzenta e, imagine-se, ventosa!
Isto é o verão? - perguntei-me, ao abrir a janela do meu quarto.
Não fossem as flores que teimam em mostrar a sua beleza, e diria que tudo continua como antes.
Qual calor, qual ar morno e sereno?
Manhã fresca, que convida a vestir um agasalho leve.

Aqui ao lado, o oceano regouga.
As vagas estão alterosas e turbulentas.
O vento passa raso e fresco.
À sua frente, segue uma humidade que dá ainda maior sensação de frescura.
As gaivotas olham, parecendo não reconhecer o espaço que todos os anos nesta altura está repleto de humanos.
Deve fazer-lhes falta o bulício que, ao mesmo tempo que lhes rouba a privacidade, lhes deixa as migalhas que, já no fim do dia, lhes serve de aperitivo até à chegada de mais uma pescaria.
Acho que também para elas, há qualquer coisa de diferente neste seu mundo de pássaros.

Verão!

Como também tu estás diferente!...


Abraço. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Miséria moral





  1. Vemos ouvimos e lemos.... - YouTube

    1. www.youtube.com/watch?v=pWRLqw-M1Jo




Clique na imagem para ouvir - enquanto lê...




Este mundo em que vivemos transformou-se num mundo miserável.
Se atentarmos bem no que ouvimos e lemos e não nos munirmos das defesas que temos ao nosso alcance, a saída é irmos todos pelo ralo!...
O que se passa todos os dias à nossa frente não só é deplorável, como não deveria acontecer num mundo civilizado.

Se não, vejamos.

Todos os dias se vêem maridos que matam mulheres, pais que matam filhos, violações entre-portas, violações no seio da Igreja, raptos e tráfico de seres humanos, incluindo crianças e bebés.
Um sem-fim de atitudes que chocam e no mínimo são perversas.
Despertam em nós, aos poucos, um sentimento de revolta que não podemos e nem devemos calar.
Temos um mundo enxameado de gente transformada em verdadeiros monstros.
É muito mau e o sentimento de impotência avoluma-se.

Dá que pensar.

O que levará uma sociedade a inverter os seus princípios, valores e convicções e a enveredar por caminhos horrendos, sujos e desumanizados?
Será a insegurança que se criou com a falta de perspectivas de trabalho e de futuro?
Será a desagregação familiar, a falta de apoios sociais e de saúde?
Será a desumanização, a frieza com que todos passámos a ser tratados?
Será tudo isto que retirou às pessoas os sentimentos, a sensibilidade e o carácter?  
Custa aceitar toda esta catadupa de atitudes aberrantes, animalescas e aparentemente sem sentido.

Vivemos num mundo sujo.
Onde o amor está fora de moda.  

É assustador, mas não podemos fingir que ignoramos.

Vale o facto de sabermos que esta é uma parte da realidade, que nos é posta à frente dos olhos todos os dias, a toda a hora - mas sabermos que há mais mundo para lá disto.

Abraço.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A compostura do clero



Grandes decepções a vida nos reserva!...
Enquanto criança, ensinaram-me a respeitar toda a gente com quem me cruzasse.
Com uma recomendação especial.
Nunca falhar com os meus professores e o pároco da aldeia.
O padre era na altura (e ainda hoje) aquela figura!...
Considerado o representante de Deus na Terra.
O professor, porque era o mensageiro do saber!
Figuras altamente respeitadas.

Bom, mas estou a falar no passado.
Hoje, quer queiramos quer não, tudo se alterou.
Os princípios e os valores não têm mais um lugar importante na vida de grande parte das pessoas.
A educação não é mais a prioridade!...
O pudor, esse, diluiu-se!...

Embora já não fosse nada que ignorasse, fiquei atónita quando, há dias, me confrontei com as declarações do Papa Francisco- «Há um lóbi gay no Vaticano».
Declarações sérias e de grande coragem.
Vindas dele, estas declarações têm um peso e uma verdade incontestáveis.

Respeitar quem?

É verdade que devem salvar-se alguns.
Mas quais?
Os de ar contrito, muito composto, disfarçando mal os seus naturais instintos?
Camuflando com a palavra de Deus, o cabeção e/ou com a batina, infâmias nunca cá fora imaginadas? 

Lóbi gay no Vaticano, senhores representantes de Deus na Terra?

Que inferno!...
 

Abraço.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A praia e a forma física





Quando se aproxima o tempo do sol e do calor, começamos a ver nas ruas e nos ginásios cada vez mais gente a tentar tratar da sua forma física.
Os técnicos que trabalham com seriedade e que gostam de ver os resultados do seu trabalho torcem o nariz a estes desportistas sazonais.
E conhecem-nos.
E olham-nos com pena!
Sabem que correm, apenas, para tentar despachar um naco de gordura que está a mais.
Depressa, à pressa e sem qualquer objectivo que envolva um plano de saúde e emagrecimento sérios. Às vezes com um chá milagroso à mão...  
Quanto a mim, estas pessoas têm a sua auto-estima muito por baixo.
Deveriam querer agradar, antes de mais, a si próprias e todos os dias do ano.
Os de fora, têm mais é que olhar para eles antes de se porem a fazer apreciações levianas.

Lá está.
As aparências.
O que dirão, o que pensarão!...
Sempre os outros.

Quanto a mim, cada um tem que tomar consciência do que é melhor para si. 
Não há milagres.
Falo por experiência própria.
Os resultados vêm do trabalho continuado e sem intermitências.
Temos que pensar que um bom estado físico, pode proporcionar-nos uma melhor qualidade de vida e não se consegue trabalhando apenas para praia ver!


Abraço.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Incertezas




Hoje estou como o dia: meio murcha.
Sinto-me cinzenta e meio desmotivada!...
Lá fora, o céu está carregado.
Silencioso e húmido, o tempo não descola.
Estamos quase no verão e a primavera ainda nem sequer deu a cara!
Aqui por Sesimbra, não se nota a movimentação habitual para as praias.
Como acontece noutros sítios do país, este tempo parece ter-se aliado à crise.
O turismo escasseia.
Os poucos que ainda teriam algum poder económico desmobilizam.
A falta de sol e calor não atrai.

Os residentes que esperam por esta época para compensar um pouco o que durante o ano não conseguiram, olham desiludidos e sem grande esperança o futuro incerto.
As oscilações de temperatura não são um incentivo.
Passam fins-de-semana, passam feriados e o movimento pouco se altera.
Estas terras que já fervilharam de turismo, estão mais ou menos de pousio.

O mar, esse, refila.
Bate na arreia como que a exigir companhia:
«Onde anda toda a gente?
É tempo de estarem comigo!
Eu sou um gigante.
Eu sou aquele que ninguém vence.
Nem a crise, nem o tempo».

Abraço.

domingo, 9 de junho de 2013

A família

Fotografia 



Toda a minha vida estive rodeada dela.
Alicercei nela a minha vida.
Bebi nela princípios e saberes.
Nos momentos bons e nos maus, tem sido nela que sempre tenho encontrado o apoio
de que preciso.
É para mim um dos pilares essenciais para ter equilíbrio e me sentir segura.

Já houve momentos em que me senti perdida.
Às vezes, os laços cortam-se sem percebermos porquê.
Coisas a que a vida nos sujeita.
Talvez para nos mostrar que temos que saber dar valor ao que temos.
Para nos ajudar a crescer como pessoas.
Na verdade ninguém, e sei por experiência própria, substitui a família.
Os amigos são importantes, sem dúvida, mas nem sempre estão disponíveis nas horas em que nós precisamos.
A família abdica, dá-se e envolve-se para nos ajudar.

Hoje vou receber alguns elementos dessa família que para mim é tão importante.
O mais pequenino tem apenas dois anos e é o príncipe que todos adoram.
Estou feliz.
Gosto de me sentir rodeada.
Gosto de me sentir querida e gosto da proximidade com as pessoas de quem gosto.
Esta minha pequena crónica é hoje dedicada a eles.
Sei que vão gostar.
A família deveria ser sempre um pilar forte.
Aquele que nunca, nunca, nos deixa desmoronar.

Abraço.

sábado, 8 de junho de 2013

Buracos




Este nosso país é um país de buracos.
É o buraco do orçamento, que já deixou de o ser, para dar lugar a uma cratera!
São os buracos das estradas e ruas que nos tiram a paciência.
Mas há mais!

Este problema, de que falo hoje, parecendo secundário, é lamentavelmente um sintoma claro do estado em que o País se encontra.  

Se repararmos bem, quando meio país abre a boca, impressiona a frequência da falta de dentes: não faltam na maior parte das bocas buracos e buracões para mostrar.
Também esses buracos são da responsabilidade de quem nos tem governado.
Não nos contemplou com um plano de saúde que incluísse também a saúde oral, que preveniria essas cavernas esburacadas.
Quando a televisão nos põe à frente esse espectáculo, é impossível não ver um país do terceiro mundo.
Desprotegido e sem o essencial, para ser um povo com a dignidade que lhe é devida.

Em contrapartida, temos os que têm acesso a tudo o que precisam e que, de um dia para o outro, aparecem com dentaduras novas e reluzentes, que até nos apanham de surpresa.
Não sou contra, isso é que seria normal!
Deixar de ser um privilégio só de alguns.

É mais um exemplo chocante.

Buracos, buraquinhos e buracões.
Quando serão todos tapados?


Abraço.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

São mesmo desprovidos, coitados


Foto simbólica...

Os rapazes do governo PSD são gente pouco preparada.
Vê-se à distância.
Dá para ver que são meninos protegidos, que foram buscar não me interessa onde, para os terem como «homens de mão» e da sua confiança.
Daqueles cujo cérebro funciona só pela metade.
Manobram-se com os cordelinhos, tipo marionetas.
O pior é quando os perdem de vista!
De vez em quando dá bronca e da grossa.
Soube há dias que um dos secretários de Estado que entrou há poucos dias (o cassula da matilha) foi todo prestável e ligeiro ao lançamento da candidatura de um presidente de junta.
Azar do rapaz.  
Quando chegou, fez rir os que já lá se encontravam.
O candidato era do PS.
Coitado, sabe que tem que obedecer e de se mostrar, mas não tem preparação.
Não a tem e, pelos vistos, nem tem assessores à altura!

Novato, não é?

Também, neste governo quem é que faz alguma coisa com competência?
Coitados, não acertam uma.
Não têm experiência de vida, muito menos da vida política.

Enfim, apenas mais uma calinada, no meio de tantas outras a que já nos habituaram.
Políticos a sério já os tivemos, sim.
Estes… são apenas uma cópia – e  de péssima qualidade.

Abraço.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As pessoas e as coisas




As coisas… as coisas… as coisas.
As coisas são objectos que a sociedade de consumo cria e nos põe à frente, para nos convencer de que precisamos delas e obrigar-nos a consumir.
A verdade é que nem sempre o que adquirimos são bens de primeira necessidade.
Ou sequer tão necessários assim.
Só que a pressão da publicidade é de tal ordem que, todos em fila, lá vamos nós buscar mais um bem que por vezes nem sequer utilizamos.
São modas a que não resistimos.
È como se fossem brinquedos que nos preenchem o ego.
Que nos fazem sentir que não somos diferentes.

Depois há um fenómeno.
Há gente que, quando a coisa tem algum valor económico, resolve não utilizar.
Fica apenas em exposição.
Como se fosse um objecto sagrado.

Formas de ser e de estar na vida.
Atitudes de pessoas cuja personalidade já foi transformada por esta sociedade de consumo desbragado.

Há coisas necessárias, sim, e essas são os bens indispensáveis.
As outras, é melhor ignorar.
São futilidades que se dispensam.
E não é por isso que somos «menos» do que quem as adquire.
Escravos do consumo é que não.


Abraço.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A relação a dois



Pode começar por ouvir «Anel de Noivado», clicando aqui:Anel de Noivado.


Quando a geração do meu tempo cresceu, parecia-nos que o tempo não passava.
Demorava imenso para que nos sentíssemos gente crescida.
Usávamos de todos os artifícios para que parecêssemos mais velhos.
Em determinada altura passávamos pela fase das inseguranças e dos complexos.
Pensávamos que não tínhamos graça, que ninguém gostava de nós.
Púnhamos o nariz no ar e que ninguém nos dissesse nada.
Era a chamada a idade do armário.

Mais tarde, era chegada a hora da conquista.
Enamorávamo-nos e tínhamos paixões de caixão à cova.
Essas, as primeiras, quase sempre ficavam pelo caminho.
Ás vezes a coisa ficava séria e dava casamento.
Quantas vezes, esse passo era dado antes de se atingir a maturidade e saía asneira.
Nessas idades, a pressa é tanta, que não há espaço para a reflexão.
O caminho é só em frente.

Era um problema de toda uma geração, não de uma ou duas situações.

Bom, mas o futuro é logo ali e diziam-nos na altura que o casamento era para a vida
De repente e quase sem darmos por isso, ali estávamos nós a partilhar uma vida a dois.

O estado de graça não dura sempre.
Com a partilha diária do espaço e dos problemas que começam a surgir, as incompatibilidades vêm ao de cima e lá se vai o sonho. 
Aí, se não houver mais nada para lá da paixão, acaba a festa e começam os confrontos.
É preciso que haja mais alguma coisa que nos ligue.
É preciso haver compreensão, tolerância, muita amizade e afecto.
Tentar arranjar plataformas de entendimento e de cedências de parte a parte.
Quanto a mim, é isto o amor a sério.

É isto que hoje não se pratica.
Daí, o casa-separa contínuo, que se vê a cada dia que passa.

A relação a dois é uma arte que se treina todos os dias.


Abraço.

sábado, 1 de junho de 2013

O caminho




Quando posso, gosto de escrever logo de manhã.
Estou sozinha, concentro-me melhor, e reflicto com mais cuidado.
Lá fora, apenas os ruídos normais de uma aldeia que mexe, mas devagar e sem stress.
Para mim, é esse o encanto.
É isso que faz a diferença.

É o cão que ladra, a peixeira que chega, o amola-tesouras que de vez em quando aparece, as galinhas da vizinha que cacarejam felizes depois de depositarem o ovo no ninho, os residentes que se deslocam calmamente, cada um seguindo o seu caminho!...
Gosto deste ambiente bucólico e sereno.
Sem meios de poluição sonora nem ambiente.
É a qualidade de vida que nos meios grandes não se consegue.

O caminho.

O que é a vida senão um caminho?
Um calcorrear interminável de estradas, de ruas, de veredas…
Para alguns esses caminhos são planos e de fácil acesso.
Para outros, os caminhos transformam-se em espaços irregulares e difíceis.
Com rampas inclinadas que só com grande esforço se alcançam.

A vida é um caminhar permanente.
Para alguns mais longo do que para outros.
Todos gostaríamos de poder seguir esse caminho sem sobressaltos.
Aproveitar a viagem o melhor possível.
Não fossem as dificuldades com que nos vão presenteando, poderia ser uma viagem feliz.
Há esse pormenor, mas temos de continuar caminhando.

Nem tudo é perfeito.



Abraço.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A propósito de trovoadas


Lá, era bem pior do que isto...


Li ontem no blogue ‘Capeia Arraiana’, a descrição sentida e perfeita de uma trovoada no interior do nosso país (*).
Quem escreve assim sobre um fenómeno natural, só pode ser uma pessoa sensível.
Aliás o autor já nos vem habituando há algum tempo a este estilo tranquilo e criativo e que eu acho muito bonito.
Ao ler aquela crónica não pude travar o pensamento.
Vi-me de repente como que esvoaçando e só poisei em Cabinda.
Mais propriamente numa pequena aldeia no meio da floresta virgem do Maiombe, chamada Buco Zau.
«Estávamos» na tropa, claro. 

Cheguei lá num ápice.
Sentei-me na minha velha varanda e sob um calor húmido e infernal, comecei a ver que o sol se escapava por detrás de umas nuvens espessas e negras, que teimavam em sobrevoar o céu.
Assim, do nada, o dia fez-se noite.
Noite de breu mesmo.
A trovoada nem se fez anunciar.
De repente, no meio daquela imensidão e silêncio, comecei a ouvir um forte ribombar de trovões sucessivos, acompanhados de uma festa florescente de raios, que um espectáculo de fogo de artifício não faria melhor.
Aquela que parecia ser noite transformou-se num dia cheio de luz.   
As nuvens negras abriram-se e fizeram da pequena aldeia um sem número de rios que procuravam um leito de grande porte que os acolhesse.
Enquanto durava aquele espectáculo, não era possível o diálogo.
Tal era o estrondo sucessivo.
Aquele que eu considerava um espectáculo pictórico, era digno de ser observado.
Ainda que, para isso, o medo tivesse que ser remetido à sua insignificância.

A casa que habitei durante dois anos era de madeira com telhado de zinco, igual às de todo o bairro de oficiais construídas de propósito para nós todos...
Tinha a rodeá-la um sem fim de árvores centenárias de grandes dimensões.   
Quando a trovoada terminava, e já com sol novamente no seu máximo, não era raro ver um daqueles gigantes da floresta, aberto por um raio.
Ali, a três metros de mim.

Não tinha chegado ainda a minha vez de sair deste mundo.

Mas lá que o espectáculo era lindo, lá isso era.
Nunca mais poderei esquecê-lo.

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       (*) Pode ler aqui, abrindo o link.
  

Abraço.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

É preciso querer


































É quinta-feira.
O dia amanheceu com sol, mas o ar é fresco.
O vento vindo do Cabo Espichel, cruzado com o que vem da Arrábida, não é agradável.
Incomoda-me e desmobiliza-me de ir para o exterior a cuidar do meu pequeno jardim.
Apesar do tempo menos agradável, as minhas flores insistem em se manter bonitas.
Gosto de cuidar delas.
De lhes dar o mimo de que precisam para crescerem saudáveis.

Sendo assim, fico-me por aqui e aproveito para me situar nas notícias do dia e escrever qualquer coisa.

Pois é.
Tenho constatado que esta minha aventura na escrita tem agradado, se não a todos, pelo menos a uma parte de quem me lê.
É estimulante para mim.
Quando comecei, achei que poderia ser um flop.
Que não conseguiria fazer-me entender, que me achariam chata, que não teria muito jeito para abordar as questões, enfim… inseguranças de principiante.
Cheguei à conclusão de que agradei.
Embora este meu blogue seja de características mais para o intimista.
É nele que deposito as minhas preocupações, alegrias ou tristezas.
Isto leva a que nem sempre o estado de espírito seja o mais desejável.
Há momentos de partilha que sei que são menos positivos.
Depende do estado de espírito.
Apesar disso, penso que me têm compreendido e aceitado.
Afinal não temos todos os nossos momentos de desencanto?
Depois, a vida não são só flores!
Os espinhos também fazem parte.
E este blogue serve também para debitar com verdade o que sinto.
Foi para isso que o criei.
Tem sido uma espécie de amigo e «confidente» que me ouve sempre que eu preciso.

Tendo o maior respeito e reconhecimento por todos os que estão do lado de lá e me apreciam, continuarei sempre na mesma linha.
É preciso gostar e querer. 

A todos um abraço de reconhecimento.

Para os utentes do Lar de S.Salvador no Casteleiro, um beijinho especial de muita força.


Abraço.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O gesto




O gesto é tudo?
Normalmente sim, penso eu.
Com um gesto podemos construir ou destruir.
Podemos dar uma imagem positiva ou negativa de nós mesmos.
Podemos conquistar ou perder.
O gesto é um símbolo da nossa personalidade, da nossa forma de ser, de pensar e de estar na vida.
Com um gesto mostramos apreço ou indiferença por alguém.

O gesto.

Lembrei-me de falar deste tema porque, na final da taça, observei os jogadores do Benfica a ignorarem Cavaco Silva.
Por seu lado, o capitão do Guimarães, não recebeu, arrancou a taça das mãos do Presidente sem sequer o olhar.
Não gostei de ver.

Não é normal.
Goste-se ou não de alguém, foi uma atitude incorrecta.
Mostrou o carácter de quem praticou esses gestos.
Seja um cidadão normal ou o Presidente da República, a educação fica sempre bem.

O gesto foi feio e não me identifico com ele.
O entusiasmo e a alegria não podem ser desculpa para tudo.

O gesto pode marcar quem o faz.


Abraço.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Solidão – sim ou não?




No momento presente, fala-se muito de solidão.
Sobretudo da solidão dos idosos e de pessoas com falta de autonomia.
Para além destes, há ainda os que por motivos de temperamento se fecham.
Fazem uma vida de individualismo, são avessos ao contacto com os outros.
Normalmente são pessoas anti-sociais.
Há outros ainda para quem a solidão não é um aspecto negativo.
Gostam de estar sozinhos.
Prezam a sua privacidade.
Sentem-se bem com as suas coisas, no seu meio, e consideram intrusos todos os que tentem invadi-lo. 

Por mim, não sou radical nesta matéria.
Gosto de conviver, de passar bons momentos com amigos.
Mas a verdade é que também preciso dos meus momentos de solidão.
Não uma solidão negativa, mas uma paragem só para mim.
Para descansar, para reflectir e para me encontrar comigo mesma.

Faz parte da minha terapia de vida.
Do meu equilíbrio e da minha estabilidade.

Digamos que são momentos de uma solidão boa, que me preenche e de que preciso.

Solidão – sim ou não?
Depende das circunstâncias.


Abraço.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

E as crianças, Senhor?




Isto é um filme. 
A determinada altura, a criança chora convulsivamente


Não sou adepta de nenhum clube e raramente olho para os jogos de futebol.
Ontem foi diferente.
Sentei-me e vi o jogo Benfica-Guimarães.
Era um jogo especial e fiquei curiosa.
Ainda mais depois dos últimos desaires do Benfica.
Não percebo nada das regras do jogo, não conheço os jogadores, mas era a Taça de Portugal que estava em causa.

Não gostei do que vi, não me entusiasmei e tirei conclusões pouco abonatórias em relação ao «desportivismo» dos adeptos e dos jogadores.
Penso que desporto não é de modo nenhum o que esteve à nossa frente.
Com jogadores a não perderem oportunidade de se agredirem e de fazerem picardias uns aos outros.
Também, penso eu, desporto não é fanatismo nem falta de educação.
Assim como eu o vi, é mais ou menos uma batalha desleal entre aqueles que deveriam fazer do jogo uma arte e um divertimento saudável.

Depois, houve uma coisa que me chocou.
Quando o resultado já era mais ou menos evidente, havia jovens e crianças – meu Deus!... – a chorar convulsivamente aquela derrota.
Peço desculpa mas aquelas crianças estão mal conduzidas!
Ensinaram-lhes o caminho errado!
No desporto a sério não há fanatismo.

É preciso saber aceitar naturalmente as vitórias e as derrotas.
Isso, sim, é desporto.

Já agora e para pôr a cereja no topo do bolo.
Aquele empurrão do jogador ao Jorge Jesus foi o desfecho do que, para mim, foi mau demais.


Mas as crianças, Senhor, quem vai em seu socorro?

 Que tal preparar os pais para saberem sê-lo?
  
 Abraço.

domingo, 26 de maio de 2013

Tão distante e tão perto


   
Foto de J.L.Gouveia, «Viver Casteleiro»


Li uma pequena crónica no blogue «Viver Casteleiro», que pode ver aqui, e que me agradou muito.
Pela sensibilidade, pela oportunidade e pela capacidade de observação.
Acompanhavam a narrativa duas fotos que registaram duas casas.
O antes e o depois.
Duas realidades tão diferentes e tão distantes!
Reparar e pôr em paralelo aquelas duas imagens, também exigiu uma observação interessada e atenta.

Tive alguma dificuldade em identificar as casas.
Tal é a diferença e a distância!  
Não me situei logo.
Tive que procurar no meu «arquivo».
Logo que encontrei, tenho de confessar que aquelas imagens me impressionaram.
Como está longe aquele tempo!
Como tudo mudou e como tudo é tão relativo!
Subi centenas de vezes os degraus da velha casa.
Era lá que os meus vestidos de menina eram feitos com mestria, pela senhora Maria Augusta.
Nessa altura olhava para aquela casa e achava que, perante outras que a rodeavam, até era uma casinha cuidada e com alguma dignidade.
Hoje, ao lado daquela outra nova e de traços aculturados, é apenas um pequeno casebre, provavelmente ao abandono, como tantas outras no interior do País.
Apesar de me ter deliciado como que li e observei, fiquei com um sabor amargo e nostálgico.

E, nostalgia por nostalgia, foi inevitável em mim outra recordação: quando, após dois anos de guerra em Cabinda, logo após o 25 de Abril, regressei ao Casteleiro, tudo me parecia tão minúsculo, tão acanhado… comparado com a imensidão das paisagens africanas…

Como tudo é relativo!
Como estou distante no tempo!
Como a minha juventude está longe!...

É a realidade a falar.


Abraço.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Calmaria com movimento




O dia ensolarado e morno convidava a um passeio.
O mar claro.
Com um ar sibilino a fustigar-me o rosto, observei, caminhando, o movimento calmo e tranquilizador do mar imenso de cor azul céu.
Estranho!
Deve ter feito um pacto com os Homens, aquele mar.
A sua batida suave quase se parecia com a batida do coração que no meu peito docemente fazia pum…pum…
Tranquilidade absoluta.
Apenas avistei um bando de gaivotas ainda jovens que, pareceu-me, treinavam para voos num futuro próximo, que poderá ser menos tranquilo.
Aquele ambiente quieto introduz sempre em mim uma paz que não se consegue descrever com palavras.
É um absorver de energias positivas, que me tornam leve e quase esvoaçante.
Enquanto ali estive não existiu mais nada.
Embora lá fora o mundo continuasse pouco atractivo e difícil.

Sabe bem dar ao espírito algo que o preencha e faça esquecer a «poluição» em que se vive.


Abraço.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Emoções














Emoções.
São elas que dominam a vida de muita gente.
Que dão alegrias ou tristezas.
Que nos enchem a alma ou a dilaceram.
Costumo dizer que as emoções são o meu calcanhar de Aquiles.
Para o bem e para o mal.
Ser emotiva é uma forma de ser e de estar na vida.
Vivo delas, com elas e para elas.
Feliz ou infelizmente.
Felizmente, porque me entrego sem reservas a tudo o que faço e a todos os que estimo, sem exigir nada em troca, apenas afecto.
Infelizmente, porque sofro demais com as surpresas da vida.
Com o que ela me dá e com o que ela me tira.
Sou como que um poço de grande profundidade cheio de coração.
Entrego doses de mim, sem muitas vezes me dar conta de que estou a desperdiçar o que de melhor tenho: afecto.
Não me arrependo por isso.
Sinto-me bem com a entrega que faço de mim.
Embora sinta também nostalgia e sofra, quando me dou conta de que não há retorno.
Felizmente, isso nem sempre é assim.
E sempre que a reciprocidade acontece, faz-me esquecer o que até então me foi tão penoso.  

Ser ingénua e crédula por natureza, tem o seu preço.

Emoções!

Quando são positivas, enchem-nos a alma.
Quando não, prostram-nos e deixam-nos de rastos.
Apesar disso, é bom viver de e para os afectos.

Lá estou eu no meu melhor.
Lírica!...


Abraço.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O cão que ladra





Costuma dizer-se que cão que ladra não morde.
Nem sempre será assim.
Às vezes há matilhas que, sem esperarmos, ladram e mordem mesmo.
Não se vê é o sangue…
Ficam só as marcas - por vezes irreversíveis.
O sangue poderá aparecer mais tarde.
Em actos tresloucados das vítimas.
Provocados pelo desânimo, pela desilusão, pela frustração e impotência.
Os «cães», os que ladram, continuam felizes.
Felizes e sem problemas.
Fazem as leis, fazem os acordos, seja lá o que for – e marimbam-se para os efeitos.
Nem se deram conta de que provocaram insanidade, que por sua vez gerou a violência.

Pois é, nunca fiar.
Nem sempre os cães que ladram são inofensivos.
Já os que não ladram, esses sim: quando menos esperamos, somos mordidos pela calada.
O efeito surpresa é ainda mais devastador.
Nunca pensámos que nos acontecesse uma traição tão inesperada, vinda de tanto silêncio.
Às vezes, até, submissão.

O cão que não ladra afinal morde mesmo!

Abraço.

domingo, 19 de maio de 2013

A panela e a tampa





Há um ditado antigo que me lembra, sempre que olho para um certo casal da nossa praça, no mais alto cargo da Nação.

«Deus quando fez uma panela, fez uma tampa para ela».

Normalmente isto é dito pelo povo com acinte e de uma forma irónica.
Havia na minha aldeia e haverá certamente em todo o lado, um ou mais casos, que eram a prova provada da verdade deste ditado.
Como todos sabemos, o nosso povo é malandro mesmo, aproveita sempre o lado negativo para comentar e fazer graças, às vezes até de gosto algo duvidoso.

Esta tampa e esta panela simbolizam a forma como encaixam certos casais, na sua forma de ser e de estar na vida.
Lembro-me sempre de casais cuja dinâmica é lenta ou demasiado destrambelhada, sem grande bom senso, sem que nenhum deles se dê conta de que seria preciso mudar qualquer coisa.
Agir de outra forma, imprimir outro ritmo, outra forma de fazer ou dizer as coisas.

O tal casal da nossa praça, na minha opinião, é exemplo claro do que acabo de dizer.

O povo às vezes é sabedor mesmo!...

Abraço.     

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ouve-se e não se acredita





E é isto um Presidente da República?

Não dá para acreditar.
Penso que o bom senso exigiria um pouco mais.
Nem sequer estou a retirar ao «senhor» o direito de ser cristão praticante.
Antes pelo contrário.
Cada um é livre de professar a sua fé.
Estou, sim, a tentar dizer que de uma figura pública daquela estatura se esperaria outra postura.
A crença, a fé e neste caso talvez o fanatismo, são coisas do foro íntimo e não têm que ser propagandeados para o Mundo, muito menos por um responsável máximo de um país.
Este «senhor» não esteve nunca à altura de chefiar um País.
É no mau sentido (pois tenho o máximo respeito pelos aldeões puros), um aldeão que, num momento menos bom, transformaram em responsável máximo de um país!   
Na minha opinião de cidadã comum, acharia que estes arranques ele deveria tê-los no recato da sua intimidade e com quem priva no dia a dia.
Em público ele tem o dever de entender que há mais religiões e que devem ser todas elas respeitadas, ainda que não estejamos de acordo.

Não deveria acontecer um vexame assim, vindo de quem tem tamanhas obrigações!...

Ele há cada um!

Abraço.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Senhores deslumbrados




Senhores.

Há tantos!...
Uns são gordos, anafados e balofos.
Outros mais finos, apessoados e com pose de gente de bem.
Em ambos os casos, quase sempre donos de uma prosápia que convence.

São esses que normalmente levam atrás os incautos, os ingénuos e os crédulos.
São eles que depois de apanharem o poder, esquecem quem os levou até lá.
São eles também que de uma certa forma sádica, usam e abusam desse poder.
E que com ele trituram, felizes, aqueles a quem deveriam agradecer.
São também eles que esquecem, logo na primeira esquina, que sem o apoio desses mesmos, não passariam, na sua grande maioria, de cidadãos anónimos e esquecidos.

Que, a partir do momento em que sobem os degraus tão desejados, os senhores mudam.
Não só a fatiota, mas também os modos.
Fazem voz grossa.
Ameaçam, dizem e desdizem com a maior desfaçatez.
Deixam à porta do poder os beijinhos e os abraços de feira.
Passam a usar grandes carros com «chaufeur» e as mordomias e benesses são mais que muitas.
Os senhores são o retrato da deslealdade.

A ralé?
Quem?
Não conhecem.
Têm coisas bem mais importantes para pensar!... 

Senhores.

Com nome, mas com memória curta.
Com nome, mas sem hombridade nem honra.

Senhores indignos desse nome.

É olharmos para o governo.

Abraço.

sábado, 11 de maio de 2013

Nem tudo é mau





Atravessamos fases na vida, que nos deixam desmoralizados, sem ânimo e quase sem perspectivas.
Pior ainda, quando a crise económica e de valores não ajuda.
Felizmente, nem tudo é mau.
As fases más não duram sempre e à nossa volta ainda há cor.
A Natureza presenteia-nos com a beleza das flores, que desabrocham com a força da Primavera.
Traz até nós o sorriso das crianças, com os seus gestos graciosos e puros.
Com a sua alegria espontânea e contagiante.
Com a sua tagarelice surpreendente e encantadora.
Nada mais importante para nos preencher a alma.
Para nos dar o ânimo que às vezes quase vai faltando.

Que mais para o Mundo ser melhor?

Os Homens.
Esses seres complicados e cheios de teias de aranha nos sítios mais recônditos do cérebro.
Com as suas manias e necessidades supérfluas.

Por que complica o homem?

Por que não somos eternamente crianças?    
Por que serei eu utópica?

Abraço.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O trabalho




É do trabalho que a maioria das pessoas vive.
É esse mesmo trabalho que lhes dá equilíbrio e lhes proporciona uma vida melhor.
Sem ele, o acesso aos bens essenciais não seria possível.
A saúde, a educação, o ensino, a alimentação e uma casa para morar não seriam possíveis sem trabalho.
Desde sempre, o trabalho é a arma do povo.

Também sabemos que nem toda a gente precisa de trabalhar para ter uma boa vida.
Há quem viva de expedientes e consiga dinheiro fácil.
A esses, não os incomoda que haja crise.
Lá vão passando entre os pingos da chuva, sem que lhes peçam responsabilidades.

Infelizmente, no momento por que passamos, o trabalho deixou de ser valorizado.
Os trabalhadores são vistos como um excedente nesta sociedade desumanizada,
mecanizada e materialista.
Uma grande percentagem arrasta-se por aí com o desânimo estampado no rosto.
Ociosos à força.
Desencantados, desmoralizados e sem perspectivas.

As famílias são uma sombra do que já foram.
Sem dinheiro e sem futuro, ficam impotentes perante compromissos assumidos.
Sentem-se trapos sem préstimo e sem a dignidade a que têm direito.
Sofrem ao sentirem que não conseguem dar aos filhos, sequer, os mínimos.
Estamos perante uma sociedade triste e revoltada.
Espoliada de tudo aquilo a que tem direito.
O desespero está a apoderar-se de quem não vê luz no horizonte.

O trabalho.

Esse de que toda gente precisa para sobreviver e é um luxo no momento presente.
Desvalorizado e, pelos vistos, desnecessário.

Os trabalhadores?
Excedentes e sem préstimo nem valor.

É triste esta conclusão.

Abraço.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Levante-se o réu






Em toda a nossa vida, fazemos muitas vezes de réus.
De vez em quando, já estamos na «barra do tribunal» a ser julgados.
A sermos enfrentados, confrontados e a darmos justificação dos nossos actos.
Pois é.
Ninguém gosta de ser julgado.
Somos demasiado egoístas e ciosos de nós, da nossa privacidade e das nossas convicções.
Temos quase sempre a certeza de que o que fazemos é que está certo e não deixamos margem para julgamentos ou questionários.

É o ser humano no seu melhor.

Por vezes somos menos bem comportados que os animais na natureza.
Esses, sim, sabem comportar-se em sociedade.
Lá têm as suas desavenças, mas também têm as suas regras fortes.
São solidários e, quando é preciso, defendem-se uns aos outros.
Resolvem as suas querelas nem que seja à «dentada» mas tudo passa, não ficam resíduos incómodos.

Os julgamentos são feitos entre eles.
Ninguém vai à barra do tribunal.

Abraço.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Se



















Se amanhã estiver o dia bom…
Se eu tiver saúde…
Se a vida me correr bem…
Se não houver nada que impeça…

Se…se…se…

Sempre presente nas nossas vidas, esta conjunção subordinativa condicional.
Dependemos sempre desta coisa pequena, tão rápida de se dizer e tão cheia de interrogações e incertezas.

Pois é, se tivéssemos um Presidente da República que não se bandeasse.
Se não tivéssemos um primeiro-ministro a quem saiu na rifa o poder.
Se não tivéssemos um ministro dos negócios estrangeiros que não se parece em nada com o seu irmão Miguel Portas.
Se não tivéssemos um ministro das finanças tão lento na descolagem e tão rápido na asneira!...
E se não fôssemos um povo de brandos costumes!...

Bom, poderia ser tudo bem diferente.
Nós, que temos uma grande percentagem de gente sem casa, sem emprego, sem comida, sem acesso à saúde e á educação e sem perspectivas de futuro para os seus filhos, poderíamos, de repente, ter uma surpresa.
Poderíamos deparar-nos com gente que, um dia, não parasse para pensar.

E se algum dia acontecesse?

Se a paciência faltasse?!...

Abraço.