sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O descrédito total




O governo vigente bate o recorde do descrédito.
É inacreditável.
Não há semana em que não rebentem broncas.
O grupo de governantes parece que foi catado no meio da lixeira onde vai parar tudo o que já não faz falta.
Personagens sem qualidades.
Nem humanas, nem profissionais e/ou políticas.
No meio desta maralha, escapará um ou dois exemplares que, sozinhos, não têm força para manobrar o leme.
Onde terão sido desencantados todos estes espécimes?
Em que sucateira estariam depositados?
É preciso pontaria para acertar em tanta falta de capacidade!...

Que figura triste faz o nosso país ao passar esta imagem!
Um país que já mostrou tantas vezes do que é capaz, está entregue a meia dúzia de figurantes sem mérito.
O pior de tudo é que entram e saem do governo, com a mesma falta de vergonha.
Não se lhes vislumbra no rosto qualquer espécie de constrangimento.

Triste, triste, triste, ter que viver às ordens de quem nem mandar sabe!... 

Desejo-te melhor sorte, meu país.


Abraço.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

As férias






















Pode começar por ouvir o Hino à Alegria







Se olharmos para trás, o tempo fica lá longe.
Cada vez mais distante.

Às vezes, corre veloz.
Outras, deixa-se saborear e quase mastigar.
O tempo está colado à nossa pele, às nossas recordações.
Ao nosso corpo, à nossa memória.
Deixa marcas muitas vezes irreversíveis e bem incrustadas.
Deixa memórias que nos assaltam e nos levam até sítios e situações que pensávamos nunca mais viver ou sequer rever.
O tempo é um companheiro presente.

Estava aqui a pensar que já não escrevo há alguns dias e que me está a fazer falta.
Tenho estado mais ou menos em regime de férias.
Então, fazer o quê?
O melhor será arrancar de dentro de mim o que sinto e partilhar.

As minhas férias de jovem.

Estão muito longe no tempo!...

Quando chegava a altura, a ansiedade, a alegria e a contagem decrescente dos dias eram uma constante.
A mala ficava pronta muitos dias antes.
O tempo passava lento e os dias eram longos demais.
Quando chegavam as férias, logo de manhã bem cedo e depois de uma noite curta, era finalmente a hora da partida.
O corpo e o espírito palpitavam de alegria.
Aquela mudança era mesmo necessária.
As rotinas precisavam de ser alteradas.
O contacto com a família e com os locais onde nasci eram uma necessidade.

A chegada era uma festa.
Só que depois vinha o odioso da questão.
Aquele mês passava demasiado depressa.
O regresso era sempre complicado.
O aconchego e o carinho sabia a pouco. 
A melancolia era inevitável.

O tempo.

Aquele que marca e deixa saudades.

Abraço.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Juiz, mas calma aí

 




Senhor juiz, excelência.
Que pena só agora saber da vossa existência!
A minha vida teria sido muito mais animada, se vos tivesse conhecido antes.
Certamente até as crianças que ajudei a crescer teriam sido mais felizes.
Talvez pudessem ter esquecido o excesso de tempo que estavam no infantário.
Talvez, quem sabe, esquecessem o pouco tempo que os pais, coitados, tinham para lhes dar!... 
Pessoalmente, teria de certeza aderido à sua tese.
Bebia-lhe uns copitos de vez em quando e o tempo seria mais animado, leve e produtivo.
As criancinhas, essas, iriam divertir-se muito mais.
E por que não umas pinguinhas a elas também? Sempre adormeceriam mais calmas…

Eu, de voz entaramelada a contar estórias e a cantar cantigas!...
Gaguejando, claro, e a ir de encontro às cadeiras e mesas.
A estatelar-me no chão, borrachinha que nem um cacho!...
Pensariam que era uma dramatização e então é que seria o delírio, com elas a colaborar.

Pois é, excelência.
Pena, pena, pena!
Os copitos que eu não bebi.
Como a minha vida teria sido uma reinação comigo assim, feita uma esponja.
A animação que eu e o meu grupo de crianças perdemos!
A qualidade de trabalho que nos escapou!

Diga-me, excelência.
Onde é que o senhor exerce?
Tenho que descobrir.
Quero ouvir de viva voz as suas sentenças.
Quero vê-lo a sair do tribunal ainda de toga, e de braço dado com os seus arguidos.
Divertidíssimos, a dirigirem-se para a tasca mais próxima, emborcarem mais um copo de três.

Bonito serviço, este!...
Afinal ainda há mais bebedolas ao serviço do povo do que eu imaginava!
E não há quem os controle?

Agora compreendo algumas decisões de certa justiça!...

Está bonito o meu país. 


Abraço.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A fera
















Há estórias que são história.
Há realidades que parecem ficção.

Num determinado dia, a fera chegou com a família.
Com os olhos baços, os corpos magros e desnutridos.
Aquela família vinha acossada e com muita fome.
O futuro era incerto.
Uma coisa era certa.
Alguém com o mínimo de sensibilidade não podia ignorar.

Foram recebidos com hostilidade naquele novo mundo.
Como se de bichos peçonhentos e repelentes se tratasse.
Como se a fome e a miséria que aparentavam, não fosse suficiente.

Passado algum tempo, a medo, a mãe fera pediu ajuda.
Alguém a encaminhou.
Com gestos submissos e uivos melosos, lá se fez entender.
Impossível ficar indiferente.
A partir daí, as portas daquela outra família onde bateu passaram a ser franqueadas.
Os acossados até então inseguros, ganharam não só um refúgio, como ganharam amigos que até aí nunca tiveram.
Apesar dos olhares de admiração e até de censura das outras famílias residentes.

«Eles não são dos nossos, eles são de má índole, eles são os outros, os desconhecidos, os oportunistas que a qualquer momento podem morder»...

Apesar dos comentários, aquela família ajudou em tudo.
Deu tudo, fez tudo, e tratou-os como uns dos seus.
Desde bens essenciais a tudo o que tornasse menos penosa a vida dos errantes e deserdados da sorte.
Nada pediram que não tivessem com rapidez e boa vontade.

A vida foi melhorando para aquela família de esfomeados.
A pele luziu.
Os olhos brilharam.
Com o amparo de quem os apoiou, conseguiram a custo integrar-se e até impor-se.

Mas…coisa inesperada!...de repente começaram a rosnar.
Mostraram uma dentuça afiada e o verdadeiro carácter.
Morderam a mão de quem lhes deu o pão, a estabilidade e até a dignidade.

Estupefacção.
Afinal aquela família cheia de boa vontade não foi só ingénua.
Foi maldosamente enganada.
Foi injustiçada e agredida.
A fera, essa, parecia não entender o mal que fez.
Continua ladrando com os restantes membros da ninhada. E, diga-se de passagem, tem-nos muito bem treinados.

Lições de vida que deixam marcas fortes.


Abraço. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

As cançonetas




Pensar nisto hoje, até me dá vontade de rir.
Pois é.
Passei a minha juventude a ouvi-las.
Quem as trazia até mim era a Rádio Altitude da Guarda.
Canções ligeiras, leves e vazias.
Serviam apenas para embalar os sonhos de jovens adolescentes, e ajudar a passar o tempo dos mais disponíveis.
O conteúdo era frívolo, sem a preocupação de educar nem de esclarecer fosse o que fosse.

Houve durante anos um programa chamado «Discos Pedidos», que punha tudo maluco.
Exigia que se dissesse uma frase publicitária antes de pedir a música preferida.
«Posso pedir um disco? Posso dizer a frase»?
Blá…blá…blá… blá…
Passava-se o tempo assim naquela alienação e de cabecinhas vazias.

Jovens e menos jovens, sem acesso ao saber e ao mínimo de cultura.

Era assim naquela altura em que a ignorância era apanágio dos governantes.
Salvou a situação a biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian que, de vez em quando, passava e disponibilizava livros à escolha para os interessados.

Nem tudo podia ser medíocre! 


Abraço.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Aflição






Não é esta a primeira vez que falo aqui do sino da minha aldeia.
Referi como foi importante para as populações em tempos idos.
Fiz várias referências, mas esqueci-me de uma muito importante e até traumática em certas situações.
Não sei muito bem porquê, fui buscar uma lembrança remota, que se encontrava «entalada» entre tantas outras no meu disco rígido.
Isto para dar um ar mais actual.

Lembrei-me de como a aldeia estava mergulhada em silêncio.
Mesmo que fosse dia, ouvia-se o zumbir das moscas, o bichinho da madeira a fazer trre…trre…
Enfim, ouvia-se, como costumo dizer, o silêncio.
Era no meio do silêncio que, de vez em quando, o coração disparava e os corpos tremiam.
Alguém se dirigia ao sino e tocava em ritmo muito acelerado.
Dlão-dlão-dlão-dlão-dlão…
Chamava-se toque a rebate.
Era alarmante e significava grande aflição.
Normalmente era incêndio.
Também me lembro, de poder ser assalto ou outra coisa grave.
O sino era o agente mobilizador.
Nesses momentos, levantava-se uma população inteira e corria aflita.
Se fosse incêndio, não havia baldes, regadores e outros recipientes para carregar água que chegassem.
Em grupo, uns para lá e outros para cá, lutava-se até eliminá-lo.

O sino despoletava a situação, a solidariedade fazia o resto.
Sem água canalizada, sem mangueiras, sem bombeiros, a solução estava mesmo na inter-ajuda.

O sino.

Um objecto que foi tão útil em tempos e hoje não passa de um objecto decorativo.


Abraço.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Isto em que se vive





Todos os dias nos passam pela frente situações e/ou atitudes, que nos deixam desiludidos, surpreendidos e inquietos.
Se formos pessoas atentas, se olharmos para o que se vai passando à nossa volta, então pode instalar-se em nós um sentimento de desilusão, acompanhado de interrogações.
O que irá acontecer connosco, com os nossos jovens, com os nossos idosos, enfim. Com a nossa sociedade.

As relações entre as pessoas são cada vez menos verdadeiras e de ocasião.
Serão muito poucas as amizades de verdade.
Daquelas incondicionais, que nunca falham.
As relações são mais ou menos à distância, com uma boa dose de frieza e movidas quase sempre por interesses.

Mesmo parecendo de boa saúde, há sempre um odor de hipocrisia no ar.
Não se percebendo bem como e porquê, as quezílias estão quase sempre presentes e arruínam o que aparentava ser sossego e harmonia.

Se olharmos para as relações de poder então, para os governantes por exemplo, é de fugir.
Diria até que são um mau exemplo para qualquer um.
Dentro e fora daqueles aposentos repletos de nobreza, perpassam doses de intrigas, golpes baixos e traições.
Apesar dos «filtros», não passam despercebidas.
   
Tudo se complica, quando os maus exemplos vêm de cima.

A sociedade está doente.
Como escapar disto?

Só com muito boa vontade se vive aqui

Abraço.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Morno e calmo


 


















É assim que o «meu mar» se encontra de há uns tempos a esta parte.
Diria até que, para lá destes dois estados, se encontra também um pouco solitário.
Porquê?
Porque este ano só por alguns dias teve companhia a sério.
Por incrível que pareça, até as gaivotas o abandonaram.
É mesmo verdade.
As inseparáveis companheiras do mar, não se vêem por aqui.
Um fenómeno que não é habitual.
Alguém vai ter que me explicar o porquê deste acontecimento.

Restam alguns aficcionados de praia mais afoitos.
Ah!
E, coisa única: golfinhos!
É isso mesmo.
Os golfinhos passeiam-se por aqui como nunca se viu.
Saracoteiam-se alegres e brincalhões como se não houvesse crise!...
É muito bonita de se ver esta dança.
Muito próximos da beira-mar, dão saltos exímios e descontraídos.
Até parece que desafiam quem, deliciado, os observa.
Só por isso, este mar deveria estar feliz.
Este acontecimento não é nem pouco mais ou menos habitual nesta zona.
São momentos bem passados os que reservo a observar aqueles seres cheios de graça.
E tão meigos!...
Apetece-me dar-lhes uma grande salva de palmas.

«Louca» - diriam alguns.
Outros, enternecidos como eu, aplaudiriam também, quem sabe?!

O mar, bonançoso como está, se calhar também está de camarote a gozar o espectáculo!...
Por isso, tanto respeito
Que belo que é o mar.
Calmo ou, quando perde a compostura, sempre um belo e bom gigante.


Abraço.  

domingo, 14 de julho de 2013

Vistas curtas




Pois é.
Quando as vistas são curtas tudo se complica.
Mais ainda quando se trata de um país.
Quando os governantes são tacanhos, o país não evolui.
Não se desenvolve.
Não tem condições para criar riqueza.
Nem emprego.
Não investe na saúde, na educação e no ensino.
Não dá condições para que se possa ter uma vida minimamente digna.

Quando assim é, tudo falha.

Um país com dirigentes de vistas curtas só pode gerar uma sociedade tacanha e pouco esclarecida.
Logo, pouco dinâmica e insegura.
Uma sociedade sem capacidade de iniciativa, que actua mais ou menos ao sabor do instinto e das oportunidades.

E nos núcleos familiares?
Aí, as falhas são muitas.
A maior parte das pessoas não está preparada para enfrentar as dificuldades.
A educação dos filhos não se pode assacar a pais a quem não foram dadas bases.
A quem não foi proporcionada uma oportunidade de se cultivar.
Num país onde a educação, o ensino e a cultura são postas em segundo plano, não se pode esperar que os cidadãos sejam mais que medianos.

Vistas curtas, que pena!
 

Abraço.

sábado, 13 de julho de 2013

O mestre





O mestre é um homem meão e magricela.
Contudo, distingue-se no meio de tantos outros mais ou menos parecidos.
Veste-se quase sempre de cinzento e usa um boné da mesma cor.
Tisnado pelo sol, tem no rosto esculpido o mapa da vida.
Uma vida por certo muito dura e de risco elevado.
Sim, porque o mar não brinca!
E ele enfrenta-o quase todos os dias.
E como é rudimentar a embarcação que utiliza!
É aquilo o que por aqui se designa de Gaivota.
Transporta quatro ou seis homens que remam, e ele mesmo, sempre em pé.

O cerimonial que antecede a saída para o mar é lento e rodeado de cuidados.
Ele, o mestre, comanda a operação.
Com a embarcação (que foi transportada da areia por um tractor) já encostada à água e com todos já lá dentro, esperam pacientes as ordens do mestre.
É ele que estuda o mar, é ele quem conhece as ondas e é ele que sabe qual é o momento certo e sem perigo para entrar.
Há dias em que demora mesmo um bom bocado.
Ele, de olhos fixos no horizonte, espera pacientemente.

Dá gozo observar a mestria e o cuidado com que tudo é feito.
Aquela figura castiça, franzina e pequena, tem consigo a força e a sabedoria da arte da pesca.

Finalmente a ordem.
UP!
Um magote de homens empurra a embarcação que, mais ou menos balançando, enfrenta o mar.
Já afastados, ao largo, lançam as redes.

O resto depende da sorte.
Ah! E dos golfinhos que agora se passeiam por estas águas e espantam o pescado.
Nem tudo é perfeito.


Abraço.     

terça-feira, 9 de julho de 2013

Eu não faço mais, Sr. Professor
















Isto disse o menino Paulinho quando foi apanhado a fazer umas traquinices.

É um menino muito hábil e retorcido nas relações com os outros, o menino Paulinho.
Quer muito ser o maior.
Mas ao dar-se conta de que tinha ido longe demais, desapareceu.
Desapareceu e deixou todos em pânico.
E agora como vai ser?
Ele, matreiro e muito rato, mostrou-se só um bocadinho.
Cucu… Cucu…
Eu apareço, mas…
Mas o quê, Paulinho?
Nhênhênhênhênhêêê...
Tenho as minhas condições.
Quero ser o chefe e não quero brincar mais com a Mariazinha!
Vamos pensar.
Mas tens de pedir desculpa e prometer que não foges mais.
O senhor professor está à espera.
O menino Paulinho decidiu-se antes que fosse tarde.
Sr. Professor, prometo que não faço mais traquinices.
Desculpe.
Vou ser o melhor de todos os meninos que brincam comigo.

E assim continuam os meninos daquela escola.
Brincam alegremente aos crescidos e obedecem a quem é mais chefe que eles!...

Que bonitinho, não é?

Abraço. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Crescer na província






Decididamente sou uma provinciana de raiz.
Dou comigo a pensar como foi generoso comigo o destino.
Nasci e cresci na província, rodeada de tudo o que a natureza tinha para me dar.
Contactei, toquei e explorei tudo o que havia para explorar.
Depois, tive também o privilégio de fazer a minha socialização que, embora controlada, foi saudável e enriquecedora
A variedade de opções, os espaços, os afectos, enfim, um sem fim de regalias.
Para completar, tive a sorte de ter uns pais que sentiram a necessidade de me mostrar novos horizontes.

Aos seis anos levaram-me a fazer uma viagem que me mostrou pela primeira vez o tão misterioso mar.

A Nazaré e a Figueira da Foz foram as escolhidas.
Lembro-me do impacto que isso teve em mim.
Aquela quantidade imensa de água deixou-me encantada e surpreendida.
Devo dizer que não me meteu medo.
Simplesmente me impressionou.
Brinquei imenso na areia.
E, maravilha das maravilhas, encontrei lá aquilo que para mim foi um tesouro.
Montes de conchas lindas.
Pedrinhas de todos os tamanhos, cores e feitios.
Trouxe para casa um saco cheio que fez não só as minhas delícias, como as das minhas amigas.
Foram pretexto para criar, inventar e viver situações de fantasia que nos fizeram muito felizes.

Viver em liberdade e rodeada de amigas e de família, fez de mim a pessoa afectiva que sou hoje.
Essa faceta sempre foi uma mais-valia.


Abraço. 

sábado, 6 de julho de 2013

Pelo menos em sonhos




Há várias interpretações para definir os sonhos.
Para mim, a mais simples é a que diz que são uma forma de aliviar a mente.
Penso assim, de uma forma amadora, que serão pequenos momentos de recreio para o cérebro.
É claro que isto não será bem assim.
Os cientistas iam rir-se de mim, se me lessem.
Mas é claro que não corro esse risco.

Bom, é que uma noite destas acordei feliz e com lágrimas.
Tive um sonho que considero de sonho!
Passeava num sítio onde o verde predominava.
A água corria em cascatas pelas ruas com casas caiadas de branco.
As ruas estavam meticulosamente limpas.
Sem poluição de nenhuma espécie.
O ar corria sereno mas fresco.
As pessoas eram alegres e educadas.
Relacionavam-se com delicadeza e falavam baixo.

Naquele país, que por segundos foi o meu, todos tinham emprego e apoios à saúde e educação.
Andava-se em veículos silenciosos, e passeava-se a pé.
As crianças estavam de férias.
Não se viam na rua sem rumo e desocupadas.
Eram acolhidas e apoiadas em centros de jovens, onde profissionais qualificados lhes proporcionavam a aquisição de conhecimentos e os ajudavam a desbravar caminhos, que nas suas cabecitas jovens ainda eram muito confusos.

Ninguém sabia o que eram faltas de apoio e solidariedade.
Os idosos eram estimados e considerados mestres de sabedoria.
Vivia-se em sociedade e com amizade.

O meu sonho deu-me, por alguns momentos, o privilégio de ver e sentir como era viver numa sociedade perfeita.

Pura ilusão.
Não há sociedades assim.

A lágrima de emoção com que acordei foi limpa.
Encarei o mundo possível e levantei-me para iniciar mais um dia neste, que não tem nada a ver com aquele outro mundo em que vivi por alguns momentos

É capaz de ser verdade.
Os sonhos às vezes são mesmo um pequeno recreio.
Uma terapia, quem sabe?


Um abraço.   

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O gosto pelas cantigas





Desde sempre gostei de cantar.
Canto, mesmo quando não estou muito nos meus dias.
A música, o ritmo, proporcionam-me muito bem-estar.
Tenho passado grande parte da minha da minha vida a cantarolar, ou mesmo a cantar.
Enquanto trabalhei, cantei para e com as crianças do infantário.
Eram sempre momentos de alegria e grande diversão.
As crianças adoravam o momento e, para dar fim a essa actividade, era sempre complicado.

Bom, mas esta conversa foi apenas para introduzir o tema, porque ao ver ontem e hoje a televisão, me lembrei de uma cantiga que falava de confusão, de reinação, de palhaçada, enfim, tal e qual o que se tem passado à minha frente sempre que olho para o pequeno ecrã.

Uns meninos grandes a brincar aos palhaços, ao bate e foge, ao vai e volta, etc..
É pena que não me divirtam como a cantiga divertia as crianças.
Antes pelo contrário.
Deixam-me com um sentimento de indignação e perplexidade que não me deixa nada confortável.
Adoro ver crianças a brincar.
Garotada grande, irrita-me e deprime-me.

Portugal merecia mais.
Não há por aí gente sem a síndrome da garotice?
De certeza que há.

Apareçam por favor.


Abraço.

domingo, 30 de junho de 2013

Cansaço






Cansaço, canseira, cansado.
Enfim, são palavras que se ouvem com frequência.
Nem sempre, direi eu, serão ditas em sentido negativo.
Contudo, muitas vezes são ditas com tristeza.
Saturados da vida que tantas vezes é castigadora, massacrante e desumana, é a expressão que está mais à mão.

«Hoje estou cansado, estou cansado desta vida».    

Há cansaços bons, digo eu.
Quando fazemos coisas que nos fazem bem, que nos fazem felizes, ficamos com um cansaço saboroso, que nos deixa meio moles e desactivados, mas leves e cheios por dentro.
Sim, porque a vida tem que ser preenchida e recheada de afectos para ser completa.
Ainda que para isso tenhamos que nos ultrapassar.
Os orgulhos, as faltas de humildade, a frieza e a insensibilidade não podem fazer ninguém feliz.
São remendos mal deitados, que deitamos em nós próprios, e muito frágeis.
Quando muito, servem para nos enganar e nem sempre enganam os outros.
A vida é uma situação incrivelmente surpreendente.
É preciso ultrapassar o jeito de deslumbramento e vaidade que nos assalta às vezes.
É preciso sermos maleáveis e sentirmos carinho pelos outros.

É isto que sabe bem.
É isto que preenche a vida.


Abraço.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Preconceitos

   O preconceito cega



Preconceitos são ideias pré-concebidas sobre alguém ou alguma coisa.
São atitudes discriminatórias em relação a pessoas e ou ideias.
É a xenofobia em relação a outras cores e raças.
O preconceito, quanto a mim, pode não só estragar relações de amizades de convivência entre pessoas e até povos, como desperdiçar talentos.

Ser preconceituoso não é de modo nenhum uma atitude saudável.
Acho até que é o resultado de egos complexos que cada um carrega consigo.

Normalmente esses pensantes pensam leve.
Nunca se deram ao trabalho de olhar para dentro de si e fazerem uma auto-análise.
Se tivessem a sensatez de o fazer, quantas falhas, quantas contradições e quantas incapacidades encontrariam!... 

Bom, mas o que estou a dizer é um contra-senso.
Porque os preconceituosos nem sequer têm capacidade para se auto-analisar, tal é o ego e ignorância intelectual.
Seria preciso despojarem-se da sua altivez, do seu orgulho e da sua vaidade, para olharem para os outros como pessoas no seu todo.
Procurarem algo bom que certamente encontrariam.
Dar uma oportunidade. Ver imagem - bem sugestiva...

Uma pessoa nem sempre é só a figura que apresenta.
Tem quase sempre algo mais que muitas vezes não se vê.
Quantas vezes essas pessoas são olhadas de soslaio.
Vistas assim, levianamente, as suas capacidades estão escondidas, travadas dentro de si e sabe-se lá se não serão motivo de frustrações e tristezas.

O drama é que há muita gente que passa pelo mundo sem conseguir oportunidade de as mostrar.

Mundo mau, este!


Abraço.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Isto é verão












O verão e o calor têm um sabor especial no campo.
Estou a pensar mais concretamente nos que tem tempo para o saborear.
Para os outros, o calor de hoje, especialmente quente, é castigador.

Aqui, na semi-obscuridade da minha sala, o silêncio ouve-se lá fora.
Até quase se ouve a estiagem: chcheee…

Ouvem-se os grilos, as cigarras e o piar dos pássaros em alegre confusão.
Os pequenos ruídos domésticos da aldeia sobressaem, mas não perturbam a paz que reina.
Quem trabalha no campo ou na pesca, resguarda-se e aproveita, por norma, as manhãs e ou as tardes para realizar as tarefas necessárias.
À parte um ou outro carro que passa, tudo é calma.
Nem as vizinhas que adoram três dedos de conversa em grupo, estão hoje disponíveis.
O recolhimento e as tarefas de casa são as ocupações escolhidas para estes dias de canícula.

É assim o verão a sério por estas paragens.
Aqui a três quilómetros temos a praia.
Por certo terá hoje alguns veraneantes, ainda que ontem as marés vivas tenham ocupado parte da areia.
Finalmente, o sol quente e o calor dão alguma alegria aos que, durante um ano, não o podem gozar.

Paz.
Silêncio e calma.
O suficiente para o meu equilíbrio.

Embora em pano de fundo, não se esqueça a situação difícil dos portugueses, trabalhadores, deste país sem trabalho!


Abraço.

As cores




A propósito de uma candidatura à Junta de Freguesia da 
minha terra (ver aqui), enviei e foi inserido no blog da aldeia 
o texto que aqui deixo também (pode ver aqui, se quiser):



Em certas situações, as cores são fundamentais.
São alegria, são luz e vida…
São bom gosto, harmonia e equilíbrio.
Muitas vezes as cores são também beleza.
Vejamos o arco-íris!
Noutras situações já penso que não é tanto assim.

A cor política por exemplo.
Neste caso e nos tempos que correm terá algum significado a cor?
Não estaremos cansados de ver alguns desses donos das cores, a não ser exemplo para ninguém?
O que eu penso é que é preciso olhar para quem nos irá representar.
Terão eles conteúdos humanos, sensibilidade e sentido do dever?
Será que dão prioridade às pessoas e às necessidades das populações?
Neste momento acho que temos que dar força é a quem se dispõe a trabalhar com seriedade.
Temos que dar força e respeitar aqueles que têm características de humanismo e respeito pelas pessoas e pelos seus direitos.
Pelos que respeitam as necessidades de quem precisa.

Neste caso, as cores são secundárias.


Abraço.

domingo, 23 de junho de 2013

A lua está linda

















Sem tele-objectiva, mas cá de casa...


Com uma máquina a sério é assim (tirada da net)


Aqui no campo, hoje, a lua está especialmente bonita.
Com os sons da natureza em fundo, quase somos levados nas asas do tempo, para um local idílico.
Um pouco maior e com um brilho especial que só acontece uma vez em cada dezoito anos, foi um privilégio observá-la.

Faltou uma objectiva a sério.
Ainda assim é com boa vontade que partilho o que consegui.
Meio na obscuridade, consegui captar uma lua que, ao vivo, nos ofusca com tanto brilho.
Aí vai.
Como se nota, está escoltada por duas árvore erectas, respeitosamente perfiladas.

É bom ter o privilégio a disponibilidade, e o gosto para dedicar um mínimo do nosso tempo a estas coisas que nos chegam sem impostos nem cortes e com a liberdade de nos deliciarmos.
A vida, felizmente, também passa por coisas simples como esta.
Neste sítio pacato e despretensioso, nesta aldeia que nos oferece delícias assim ao natural e sem artifícios.

Ser sensível também é isto.
Gostar de apreciar a beleza que a natureza nos oferece a custo zero.


Abraço.   

sábado, 22 de junho de 2013

O circo




Quantas vezes eu já fui ao circo?
Não sei ao certo.
Sei que durante a minha vida profissional, quase todos os anos fazia parte do programa de saídas uma ida ao circo.
Fazíamos as delícias de quem se cruzava connosco.
- «Como é que conseguem trazê-los assim tão organizados»?
É claro que nada acontece por acaso.
Havia, como é óbvio, um trabalho de preparação diário e de rotina, que se destinava a preparar as crianças com as regras de comportamento e outras, para que tudo corresse bem.

As tais bases de que já tenho falado aqui.
Pois é.
Essas bases, tão necessárias para alicerçar uma construção.
Construção essa, quem sabe, em que poderá assentar a nossa personalidade.

Tenho muito respeito pelos actores do circo.
Os palhaços inclusive.
Às vezes penso em como é diferente o papel desses palhaços a sério do
dos «palhaços» que diariamente nos invadem a casa!
Sim, daqueles que não têm alma, não têm sensibilidade nem brio.
Apenas representam um papel que debitam mal e sem entusiasmo de verdade.
Penso sempre que o que estão a fazer é uma ofensa a esses profissionais que ganham
com tanta dignidade, a sua vida.

Devia ser proibido este ultraje.


Abraço.   

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Bem-vindo sejas




Depois de um prolongado outono salpicado de primavera aqui e ali, eis que chega sua excelência o tão aguardado verão.
Aqui por Sesimbra nada de novo.
Chegou numa manhã cinzenta e, imagine-se, ventosa!
Isto é o verão? - perguntei-me, ao abrir a janela do meu quarto.
Não fossem as flores que teimam em mostrar a sua beleza, e diria que tudo continua como antes.
Qual calor, qual ar morno e sereno?
Manhã fresca, que convida a vestir um agasalho leve.

Aqui ao lado, o oceano regouga.
As vagas estão alterosas e turbulentas.
O vento passa raso e fresco.
À sua frente, segue uma humidade que dá ainda maior sensação de frescura.
As gaivotas olham, parecendo não reconhecer o espaço que todos os anos nesta altura está repleto de humanos.
Deve fazer-lhes falta o bulício que, ao mesmo tempo que lhes rouba a privacidade, lhes deixa as migalhas que, já no fim do dia, lhes serve de aperitivo até à chegada de mais uma pescaria.
Acho que também para elas, há qualquer coisa de diferente neste seu mundo de pássaros.

Verão!

Como também tu estás diferente!...


Abraço. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Miséria moral





  1. Vemos ouvimos e lemos.... - YouTube

    1. www.youtube.com/watch?v=pWRLqw-M1Jo




Clique na imagem para ouvir - enquanto lê...




Este mundo em que vivemos transformou-se num mundo miserável.
Se atentarmos bem no que ouvimos e lemos e não nos munirmos das defesas que temos ao nosso alcance, a saída é irmos todos pelo ralo!...
O que se passa todos os dias à nossa frente não só é deplorável, como não deveria acontecer num mundo civilizado.

Se não, vejamos.

Todos os dias se vêem maridos que matam mulheres, pais que matam filhos, violações entre-portas, violações no seio da Igreja, raptos e tráfico de seres humanos, incluindo crianças e bebés.
Um sem-fim de atitudes que chocam e no mínimo são perversas.
Despertam em nós, aos poucos, um sentimento de revolta que não podemos e nem devemos calar.
Temos um mundo enxameado de gente transformada em verdadeiros monstros.
É muito mau e o sentimento de impotência avoluma-se.

Dá que pensar.

O que levará uma sociedade a inverter os seus princípios, valores e convicções e a enveredar por caminhos horrendos, sujos e desumanizados?
Será a insegurança que se criou com a falta de perspectivas de trabalho e de futuro?
Será a desagregação familiar, a falta de apoios sociais e de saúde?
Será a desumanização, a frieza com que todos passámos a ser tratados?
Será tudo isto que retirou às pessoas os sentimentos, a sensibilidade e o carácter?  
Custa aceitar toda esta catadupa de atitudes aberrantes, animalescas e aparentemente sem sentido.

Vivemos num mundo sujo.
Onde o amor está fora de moda.  

É assustador, mas não podemos fingir que ignoramos.

Vale o facto de sabermos que esta é uma parte da realidade, que nos é posta à frente dos olhos todos os dias, a toda a hora - mas sabermos que há mais mundo para lá disto.

Abraço.

terça-feira, 18 de junho de 2013

A compostura do clero



Grandes decepções a vida nos reserva!...
Enquanto criança, ensinaram-me a respeitar toda a gente com quem me cruzasse.
Com uma recomendação especial.
Nunca falhar com os meus professores e o pároco da aldeia.
O padre era na altura (e ainda hoje) aquela figura!...
Considerado o representante de Deus na Terra.
O professor, porque era o mensageiro do saber!
Figuras altamente respeitadas.

Bom, mas estou a falar no passado.
Hoje, quer queiramos quer não, tudo se alterou.
Os princípios e os valores não têm mais um lugar importante na vida de grande parte das pessoas.
A educação não é mais a prioridade!...
O pudor, esse, diluiu-se!...

Embora já não fosse nada que ignorasse, fiquei atónita quando, há dias, me confrontei com as declarações do Papa Francisco- «Há um lóbi gay no Vaticano».
Declarações sérias e de grande coragem.
Vindas dele, estas declarações têm um peso e uma verdade incontestáveis.

Respeitar quem?

É verdade que devem salvar-se alguns.
Mas quais?
Os de ar contrito, muito composto, disfarçando mal os seus naturais instintos?
Camuflando com a palavra de Deus, o cabeção e/ou com a batina, infâmias nunca cá fora imaginadas? 

Lóbi gay no Vaticano, senhores representantes de Deus na Terra?

Que inferno!...
 

Abraço.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A praia e a forma física





Quando se aproxima o tempo do sol e do calor, começamos a ver nas ruas e nos ginásios cada vez mais gente a tentar tratar da sua forma física.
Os técnicos que trabalham com seriedade e que gostam de ver os resultados do seu trabalho torcem o nariz a estes desportistas sazonais.
E conhecem-nos.
E olham-nos com pena!
Sabem que correm, apenas, para tentar despachar um naco de gordura que está a mais.
Depressa, à pressa e sem qualquer objectivo que envolva um plano de saúde e emagrecimento sérios. Às vezes com um chá milagroso à mão...  
Quanto a mim, estas pessoas têm a sua auto-estima muito por baixo.
Deveriam querer agradar, antes de mais, a si próprias e todos os dias do ano.
Os de fora, têm mais é que olhar para eles antes de se porem a fazer apreciações levianas.

Lá está.
As aparências.
O que dirão, o que pensarão!...
Sempre os outros.

Quanto a mim, cada um tem que tomar consciência do que é melhor para si. 
Não há milagres.
Falo por experiência própria.
Os resultados vêm do trabalho continuado e sem intermitências.
Temos que pensar que um bom estado físico, pode proporcionar-nos uma melhor qualidade de vida e não se consegue trabalhando apenas para praia ver!


Abraço.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Incertezas




Hoje estou como o dia: meio murcha.
Sinto-me cinzenta e meio desmotivada!...
Lá fora, o céu está carregado.
Silencioso e húmido, o tempo não descola.
Estamos quase no verão e a primavera ainda nem sequer deu a cara!
Aqui por Sesimbra, não se nota a movimentação habitual para as praias.
Como acontece noutros sítios do país, este tempo parece ter-se aliado à crise.
O turismo escasseia.
Os poucos que ainda teriam algum poder económico desmobilizam.
A falta de sol e calor não atrai.

Os residentes que esperam por esta época para compensar um pouco o que durante o ano não conseguiram, olham desiludidos e sem grande esperança o futuro incerto.
As oscilações de temperatura não são um incentivo.
Passam fins-de-semana, passam feriados e o movimento pouco se altera.
Estas terras que já fervilharam de turismo, estão mais ou menos de pousio.

O mar, esse, refila.
Bate na arreia como que a exigir companhia:
«Onde anda toda a gente?
É tempo de estarem comigo!
Eu sou um gigante.
Eu sou aquele que ninguém vence.
Nem a crise, nem o tempo».

Abraço.

domingo, 9 de junho de 2013

A família

Fotografia 



Toda a minha vida estive rodeada dela.
Alicercei nela a minha vida.
Bebi nela princípios e saberes.
Nos momentos bons e nos maus, tem sido nela que sempre tenho encontrado o apoio
de que preciso.
É para mim um dos pilares essenciais para ter equilíbrio e me sentir segura.

Já houve momentos em que me senti perdida.
Às vezes, os laços cortam-se sem percebermos porquê.
Coisas a que a vida nos sujeita.
Talvez para nos mostrar que temos que saber dar valor ao que temos.
Para nos ajudar a crescer como pessoas.
Na verdade ninguém, e sei por experiência própria, substitui a família.
Os amigos são importantes, sem dúvida, mas nem sempre estão disponíveis nas horas em que nós precisamos.
A família abdica, dá-se e envolve-se para nos ajudar.

Hoje vou receber alguns elementos dessa família que para mim é tão importante.
O mais pequenino tem apenas dois anos e é o príncipe que todos adoram.
Estou feliz.
Gosto de me sentir rodeada.
Gosto de me sentir querida e gosto da proximidade com as pessoas de quem gosto.
Esta minha pequena crónica é hoje dedicada a eles.
Sei que vão gostar.
A família deveria ser sempre um pilar forte.
Aquele que nunca, nunca, nos deixa desmoronar.

Abraço.

sábado, 8 de junho de 2013

Buracos




Este nosso país é um país de buracos.
É o buraco do orçamento, que já deixou de o ser, para dar lugar a uma cratera!
São os buracos das estradas e ruas que nos tiram a paciência.
Mas há mais!

Este problema, de que falo hoje, parecendo secundário, é lamentavelmente um sintoma claro do estado em que o País se encontra.  

Se repararmos bem, quando meio país abre a boca, impressiona a frequência da falta de dentes: não faltam na maior parte das bocas buracos e buracões para mostrar.
Também esses buracos são da responsabilidade de quem nos tem governado.
Não nos contemplou com um plano de saúde que incluísse também a saúde oral, que preveniria essas cavernas esburacadas.
Quando a televisão nos põe à frente esse espectáculo, é impossível não ver um país do terceiro mundo.
Desprotegido e sem o essencial, para ser um povo com a dignidade que lhe é devida.

Em contrapartida, temos os que têm acesso a tudo o que precisam e que, de um dia para o outro, aparecem com dentaduras novas e reluzentes, que até nos apanham de surpresa.
Não sou contra, isso é que seria normal!
Deixar de ser um privilégio só de alguns.

É mais um exemplo chocante.

Buracos, buraquinhos e buracões.
Quando serão todos tapados?


Abraço.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

São mesmo desprovidos, coitados


Foto simbólica...

Os rapazes do governo PSD são gente pouco preparada.
Vê-se à distância.
Dá para ver que são meninos protegidos, que foram buscar não me interessa onde, para os terem como «homens de mão» e da sua confiança.
Daqueles cujo cérebro funciona só pela metade.
Manobram-se com os cordelinhos, tipo marionetas.
O pior é quando os perdem de vista!
De vez em quando dá bronca e da grossa.
Soube há dias que um dos secretários de Estado que entrou há poucos dias (o cassula da matilha) foi todo prestável e ligeiro ao lançamento da candidatura de um presidente de junta.
Azar do rapaz.  
Quando chegou, fez rir os que já lá se encontravam.
O candidato era do PS.
Coitado, sabe que tem que obedecer e de se mostrar, mas não tem preparação.
Não a tem e, pelos vistos, nem tem assessores à altura!

Novato, não é?

Também, neste governo quem é que faz alguma coisa com competência?
Coitados, não acertam uma.
Não têm experiência de vida, muito menos da vida política.

Enfim, apenas mais uma calinada, no meio de tantas outras a que já nos habituaram.
Políticos a sério já os tivemos, sim.
Estes… são apenas uma cópia – e  de péssima qualidade.

Abraço.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As pessoas e as coisas




As coisas… as coisas… as coisas.
As coisas são objectos que a sociedade de consumo cria e nos põe à frente, para nos convencer de que precisamos delas e obrigar-nos a consumir.
A verdade é que nem sempre o que adquirimos são bens de primeira necessidade.
Ou sequer tão necessários assim.
Só que a pressão da publicidade é de tal ordem que, todos em fila, lá vamos nós buscar mais um bem que por vezes nem sequer utilizamos.
São modas a que não resistimos.
È como se fossem brinquedos que nos preenchem o ego.
Que nos fazem sentir que não somos diferentes.

Depois há um fenómeno.
Há gente que, quando a coisa tem algum valor económico, resolve não utilizar.
Fica apenas em exposição.
Como se fosse um objecto sagrado.

Formas de ser e de estar na vida.
Atitudes de pessoas cuja personalidade já foi transformada por esta sociedade de consumo desbragado.

Há coisas necessárias, sim, e essas são os bens indispensáveis.
As outras, é melhor ignorar.
São futilidades que se dispensam.
E não é por isso que somos «menos» do que quem as adquire.
Escravos do consumo é que não.


Abraço.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A relação a dois



Pode começar por ouvir «Anel de Noivado», clicando aqui:Anel de Noivado.


Quando a geração do meu tempo cresceu, parecia-nos que o tempo não passava.
Demorava imenso para que nos sentíssemos gente crescida.
Usávamos de todos os artifícios para que parecêssemos mais velhos.
Em determinada altura passávamos pela fase das inseguranças e dos complexos.
Pensávamos que não tínhamos graça, que ninguém gostava de nós.
Púnhamos o nariz no ar e que ninguém nos dissesse nada.
Era a chamada a idade do armário.

Mais tarde, era chegada a hora da conquista.
Enamorávamo-nos e tínhamos paixões de caixão à cova.
Essas, as primeiras, quase sempre ficavam pelo caminho.
Ás vezes a coisa ficava séria e dava casamento.
Quantas vezes, esse passo era dado antes de se atingir a maturidade e saía asneira.
Nessas idades, a pressa é tanta, que não há espaço para a reflexão.
O caminho é só em frente.

Era um problema de toda uma geração, não de uma ou duas situações.

Bom, mas o futuro é logo ali e diziam-nos na altura que o casamento era para a vida
De repente e quase sem darmos por isso, ali estávamos nós a partilhar uma vida a dois.

O estado de graça não dura sempre.
Com a partilha diária do espaço e dos problemas que começam a surgir, as incompatibilidades vêm ao de cima e lá se vai o sonho. 
Aí, se não houver mais nada para lá da paixão, acaba a festa e começam os confrontos.
É preciso que haja mais alguma coisa que nos ligue.
É preciso haver compreensão, tolerância, muita amizade e afecto.
Tentar arranjar plataformas de entendimento e de cedências de parte a parte.
Quanto a mim, é isto o amor a sério.

É isto que hoje não se pratica.
Daí, o casa-separa contínuo, que se vê a cada dia que passa.

A relação a dois é uma arte que se treina todos os dias.


Abraço.

sábado, 1 de junho de 2013

O caminho




Quando posso, gosto de escrever logo de manhã.
Estou sozinha, concentro-me melhor, e reflicto com mais cuidado.
Lá fora, apenas os ruídos normais de uma aldeia que mexe, mas devagar e sem stress.
Para mim, é esse o encanto.
É isso que faz a diferença.

É o cão que ladra, a peixeira que chega, o amola-tesouras que de vez em quando aparece, as galinhas da vizinha que cacarejam felizes depois de depositarem o ovo no ninho, os residentes que se deslocam calmamente, cada um seguindo o seu caminho!...
Gosto deste ambiente bucólico e sereno.
Sem meios de poluição sonora nem ambiente.
É a qualidade de vida que nos meios grandes não se consegue.

O caminho.

O que é a vida senão um caminho?
Um calcorrear interminável de estradas, de ruas, de veredas…
Para alguns esses caminhos são planos e de fácil acesso.
Para outros, os caminhos transformam-se em espaços irregulares e difíceis.
Com rampas inclinadas que só com grande esforço se alcançam.

A vida é um caminhar permanente.
Para alguns mais longo do que para outros.
Todos gostaríamos de poder seguir esse caminho sem sobressaltos.
Aproveitar a viagem o melhor possível.
Não fossem as dificuldades com que nos vão presenteando, poderia ser uma viagem feliz.
Há esse pormenor, mas temos de continuar caminhando.

Nem tudo é perfeito.



Abraço.