
A garrafa dos pirolitos e os berlindes...
Pois é. Eu também me lembro da Cristalina do Soito!
Mas, meus amigos, vou contar-vos uma pequena estória que, para alguns, é mesmo uma novidade!
Sabiam que a primeira fábrica de refrigerantes da nossa zona
(pelo menos do meu conhecimento) pertenceu á minha família?
É verdade! Sim, à família dos Abades da Moita.
Era a chamada fábrica das laranjadas e dos pirolitos.
Estava situada no
Terreiro das Bruxas, no rés- do- chão da casa da minha tia Patrocínia Martins.
Pertencia a ela, a meu pai e penso que também ao meu tio
Armando Martins. Se estiver enganada, alguém com conhecimento que me esclareça,
se faz favor – algum primo que se lembre.
Pois é verdade: faziam-se lá uns pirolitos e umas laranjadas
que eram um mimo!
Tudo em modo artesanal e feito pelos próprios.
Eu tenho, claro, ainda na minha memória, a imagem de estar
com eles muito curiosa a ver como é que aquela maquineta rústica conseguia
encher de líquido aquelas garrafas estreitas… e como tudo saía de lá tão correctamente
acomodado e tão saboroso!
Mas o entusiasmo maior, era quando alguma garrafa se
partia!... O ar chateado dos responsáveis era compensado com o meu entusiasmo.
Saíam de lá de dentro umas bolas de vidro, que eram a minha
delícia. Eram aquilo a que na altura se chamava berlindes.
(Os pirolitos eram tapados à pressão com essas bolas de
vidro e, para se abrirem, tínhamos que pressionar com o dedo polegar).
Eram berlindes de «luxo», comparados com as bogalhas dos
carvalhos, com que os miúdos jogavam!....
Gostei de vos dar conhecimento desta pequena fábrica, de que
poucos já se lembrarão.
Para mim foi mais uma aventura de criança que alegrou os
meus dias.
Abraço.