
Quando eu era jovenzinha, só se faziam arrumações de fundo em
casa uma vez no ano.
A Páscoa, talvez por estar já a caminho da primavera e o
tempo já o permitir, era a época escolhida.
Nessa altura, não havia canto que não fosse remexido, bem arejado
e «engraxado».
Bem diferente dos dias de hoje.
Todos os dias são dia de limpar.
Até acho que se exagera.
Com a noção de higiene mais apurada, tem-se necessidade de
sentir o cheiro da limpeza, introduzindo até, para que tudo fique mais cheiroso,
produtos a mais e nocivos para a natureza.
As tarefas de casa nunca estão completas!...
Por incrível que pareça, sinto que o meu cérebro é quase uma
extensão da minha casa.
Não aguento tê-lo desarrumado e sujo.
Sinto que devo arejá-lo todos os dias e limpá-lo de toda a
poluição que, ainda que sem querer, me entra por ele dentro.
É uma necessidade intrínseca.
Não consigo guardar o lixo
Nem que seja escondidinho num cantinho recôndito.
Quando tento fazê-lo, fico mal comigo e talvez menos
simpática com os outros.
Não me dou bem com a bagunça.
Sendo assim, o mais indicado é limpar.
Deixar que entrem bons odores, bons sons e ares despoluídos.
Tudo no seu sítio.
Destacar até, e valorizar, o que mais merece.
Tem que haver arrumação para que haja harmonia e bem-estar.
Para que nada me perturbe o caminho simples e rectilíneo que
escolhi percorrer.
Às vezes não é fácil.
As arrumações dão trabalho, as limpezas são às vezes muito pesadas
de fazer.
O que é certo é que na limpeza se vive melhor.
Embirro com teias de aranha e cheiro a bolor!...
Abraço.