segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Que grande vassourada



O dia vinte e nove de Setembro de dois mil e treze vai certamente ficar na história do nosso pequeno grande país.

O presunçoso do primeiro-ministro e a sua política foram varridos com um enorme vassourão.
Uma grande parte do país não os quer.
Aqueles que têm sido vítimas das torturas que ele instaurou estão feridos e magoados.
Só os obsessivos, os cegos políticos, os fanáticos… conseguem não sentir o chicote que todos os meses e a toda a hora, zurzindo, lhes cai em cima.
Esses seguem o seu senhor, quais masoquistas ignorantes e sempre prontos a dar a outra face.

Pois é verdade, apesar da varridela, sua excelência apresentou-se com a mesma presunção a assumir a derrota.
Nem um minimozinho de sensibilidade lhe espreitou no rosto.
Sua alteza não achou necessário dar um mínimo sinal de desconforto.
Simplesmente, qual pau seco e hirto, disse que iria continuar a sua política.

Apesar de muito, ainda foi pouco – digo eu.
Este espécime precisa que lhe vão preparando o futuro.

Até à próxima.


Abraço.

domingo, 29 de setembro de 2013

Uma pitada de Outono




Esta viragem do Verão para o Outono é para muita gente deprimente.
São as férias que terminam, são os dias que encurtam, são as noites que se alongam, é o tempo que muda, enfim são mudanças às vezes um pouco abruptas que deixam desconfortáveis muitos cidadãos.

Eu não faço parte desse grupo.
Recebo o Outono com agrado.
Para mim é o início de uma época de maior privacidade, de maior reflexão e intimismo.
Adoro o silêncio, gosto da surdina da noite.
Adoro entrar dentro de mim, despir-me, vasculhar o que tenho guardado e enfrentar-me.
Gosto de reflectir sobre os acontecimentos vividos e tirar deles lições para o futuro.

Às vezes deparo-me com acontecimentos que considero pouco próprios.
Tanto a nível de país, como da vida corrente.
Interrogo-me:
– Porquê?
Encontra-se de tudo neste caminhar pela vida.
Gente boa, e gentinha.
Sim, mal-formada e que é capaz de qualquer atitude para satisfazer os seus ímpetos selvagens e cavernosos.
Gente incapaz de reflectir e de se questionar.
Daqueles que pensam que nunca erram.
Que não precisam de rever os seus actos.
Que são os melhores!...
Que não se questiona nunca!
Para quê o silêncio e a reflexão?
A fuga à realidade é bem mais fácil.

As estações mais agrestes levam-me para um mundo aconchegante e intimista de que gosto muito.

Bem-vindo, Outono.
Traz as tuas chuvas, o teu vento.
Traz as tuas folhas da cor da terra, de que tanto gosto.
A tua magia nostálgica de fazer dançar tudo o que mexe, num bailado de cor.
Que nos leva em pensamento a um desfilar de emoções doces e serenas.

Bem-vinda sejas, estação das cores!...


Abraço.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O mais cego é o que não quer ver



Este é um ditado antigo que, acho eu, tem muito de verdade.

Costuma dizer-se quando há quem se negue a ver – mesmo o que tem debaixo do nariz.

Há muitos acontecimentos e situações, que preferimos ignorar.
Desviamos o olhar, fingimos que ignoramos. Enfim, pequenos truques que muitas vezes nos deixam a consciência menos pesada e nos facilitam a vida.
Ficamos bem mais confortáveis e sem preocupações.
Evitamos enfrentar e, quem sabe, tomar posição – o que para muita gente é uma atitude difícil.
Tomar conhecimento é por vezes muito complicado.
Talvez seja por isso que há tanta gente a fazer de conta que não vê, que não dá conta.

A cegueira fictícia é perigosa e enganadora.
É bem mais corajoso e sensato encarar os problemas de frente e, se pudermos, ajudar a resolvê-los.

Há ditados que se aplicam á vida real

Abraço.


domingo, 22 de setembro de 2013

O dinheiro não compra tudo

 

Pois é.
O dinheiro.
O deus dinheiro.
Não, não compra tudo.
É apenas uma ilusão enganadora e uma forma de nos distrair do essencial.
É claro que é um bem necessário.
Sem ele, é tudo bem mais difícil.
Mas nem tudo se consegue com dinheiro.
Os sentimentos mais profundos de solidariedade, de amizade e de afecto não se adquirem com as quantias mais significativas desse metal.
Esses sentimentos não se compram.
Têm que nascer dentro de nós.
Têm que brotar espontaneamente e ser canalizados sem esforço, nem frete.
Como se dentro de nós houvesse uma fonte corrente de ternura a passar para quem gostamos.
O dinheiro «é» quase sempre fútil.
«É» soberbo, «é» orgulhoso e «não tem» sensibilidade.
É um bem necessário, sim, mas se for mais do que o que precisamos, pode ser perigoso.
Pode ser a forma de nos fecharmos e de ficarmos desumanizados, egoístas e egocêntricos.

O dinheiro.

O bem mais desejado.
O que «enlouquece» os mais fracos de espírito.

A saúde e o necessário para o dia-a-dia, seria uma riqueza impagável.


Abraço.    

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pedaços de mim




Às vezes dou comigo a pensar o quanto eu já percorri.
Por quantos sítios já andei e o que já fiz.
Ao olhar de longe o meu trajecto, imagino quantos pedacinhos de mim andam por aí espalhados!
Pedacinhos cheios de vida.
Cheios de entusiasmos, de alegrias, de vontade de fazer o que fiz e da melhor maneira que soube e me deixaram.

Há de certeza, junto desses bocadinhos, momentos menos bons.
De tristeza, de desilusão e de impotência também.
Outros, e são tantos, cheios de ternura, muita, e de muito amor!
Amor pelas pessoas que se têm cruzado comigo e que merecem.
Amor por tantas crianças que ajudei a crescer.
Amor pelo trabalho que sempre me entusiasmou.
Amor pela família com quem me criei e me transmitiu os genes que fizeram de mim a pessoa que sou.
Com os princípios e a educação de que sempre me tenho orgulhado.
Da ligação forte a tudo o que – e todos aqueles a quem – me ligo.
Da forma como encaro o que me desagrada.
Com a dignidade que me é possível.
Com indignação e muitas vezes revolta, mas sem cair no que considero vulgar.
Foi isso que colhi na origem e é isso que me norteia.

Pedaços de mim.

Alguns com uma marca de alegria e felicidade.
Outros mais ou menos em ferida e que doeram muito.
Esses, eu quero esquecer.


Abraço.


E oiça O Chico Buarque 
(acompanhado), 
clicando na foto:



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sofrimento



O sofrimento.
É a parte feia da vida.
É parar de ser feliz.
É a tristeza a entrar.
É o coração a fechar-se.
São as marcas incrustadas e visíveis.
São lágrimas que enchem os sulcos que a vida desenhou.
São também lágrimas recolhidas que apertam a alma.
É o coração dilacerado.
É o corpo a não querer reagir.
Sofrimento é dor.
É a impotência a tomar conta.
Sofrimento é a ausência de objectivos.
É a vida parada.
Sofrimento é desistirmos de nós.
Dos outros e do mundo.
Sofrimento é um túnel sem luz.

E a solidariedade de quem tem conhecimento, não ajudaria a colmatar a dor?


Abraço.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ser solidário



«Ser solidário» é o nome de uma bela canção de José Mário Branco.

Foi há muitos anos.

Quando a solidariedade ainda fazia parte das atitudes normais entre as pessoas.
Hoje, poucos serão os que a praticam ou, diria até, aqueles que sabem o seu verdadeiro significado.

Hoje, os interesses não passam muito por aí. As preferências vão mais para aquilo que nos aliena.
Recebemos de braços abertos tudo o que nos desvie da realidade que nos rodeia.

Quanta coisa supérflua!

É bem mais cómodo atentarmos nos supérfluos que a vida se encarrega de nos pôr à frente todos os dias.
Naquilo que por momentos nos «preenche» os vazios interiores.
Que serve como uma forma de alienação consentida.

Ser solidário não é fácil.
Exige muitas vezes sacrifícios e renúncias.
A canção do José Mário Branco é ainda hoje bem actual e oportuna.

Como o Mundo seria melhor se tentássemos entender o verdadeiro significado da palavra solidariedade e procurássemos pô-la em prática!


Abraço.

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Para ouvir a música, clique na foto:

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Volto dentro de momentos






















É esta a legenda que me passa pela cabeça sempre que, ao ver televisão, começa o desfiar de desgraças que vão pelo mundo.
É certo que temos que ter conhecimento do que se passa.
É um facto que não podemos ignorar.
Mas insistir em mostrar as tragédias de uma maneira repetida, diria que é um excesso.

Então agora com a chacina na Síria…
Mostrar repetidamente ao mundo aquela monstruosidade com crianças a morrer em directo, penso que não será a melhor forma.
Parece-me que, para informar, não será necessário explorar os sentimentos dos mais sensíveis!
E mais.
Há crianças sozinhas em casa, enquanto os pais labutam pela vida.
São imagens demasiado fortes para uma criança digerir, quando não há apoio de um adulto por perto.
Será que alguém já pensou nisto?

Violência do princípio ao fim de um telejornal, será demais – eu acho!
Por isso, apetece desligar e… voltar dentro de momentos…


Abraço. 

sábado, 7 de setembro de 2013

A noite caiu




O sol, devagar, foi-se inclinando.
Tocou a linha do horizonte, lambeu as águas do oceano e descansou atrás das nuvens.
A noite espreita como que para saber se pode entrar.
Chegou mais cedo, a noite.
Setembro é o mês em que as mudanças se começam a acentuar.
Dias um pouco mais pequenos introduzem novos hábitos de vida.
Na rua, nota-se uma aragem fresca, a fazer lembrar que o verão começa a despedir-se, para dar lugar a mais um longo período de labuta.
A noite começa a ser rainha.
Convida à introspecção, ao recolhimento e a um certo silêncio interrompido pelo período de férias, normalmente buliciosas.
Cheira um tudo-nada a Outono.
Aquele cheiro bom e fresco da humidade nocturna.
Das ervas a pingar orvalhada.
E da terra a abrir-se para a receber

É Setembro.

O Outono aproxima-se.
Tudo tem o seu tempo.


Abraço.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

E fez-se vida





No jardim já florido, nasceu mais uma flor.
Pequenina, sensível, mas com muita vontade de viver.
Foi recebida com amor.
A luz do sol é o bálsamo de que precisa para viver.
Rodeada de mimos, abre as pétalas mimosas e espreguiça-se.
Desvanecida, agradece e prepara-se para crescer.
Por ser tão pequenina e bela, destaca-se no meio das outras flores do jardim.

À noite, recolhe as pétalas.
Adormece nos braços do luar.
A orvalhada, ao de leve, refresca-a e alimenta-a.

Acorda com os raios solares a beijarem-lhe as folhas frescas.
Sorrindo, diz com ternura:
– Bom dia sol! Bom dia mundo!... Como é bom viver!...


Abraço.  

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Maria da Graça
















Era uma mulher já bastante idosa.
Tinha a seu cargo uma neta adolescente.
Era pesada a responsabilidade.
Teve que arranjar um meio de sobrevivência.
Na aldeia não havia carteiro.
Ofereceu-se.
Não sei quem pagava o quê.
Logo no início, sozinha, calcorreava as ruas da aldeia gritando a cada porta anunciando as notícias que chegavam.
Mais tarde, já quase cega e coxa, era acompanhada pela neta que lhe dava o braço e a guiava.
As cartas eram transportadas directamente nas mãos que tremiam demais.
Andrajosa, com pouca higiene, atraía as crianças da aldeia que a assediavam.
Chamavam-lhe a alcunha que ela mais odiava.  
Os adultos, alguns, aproveitavam a boleia.
Gostavam de a ouvir dizer das boas!...
Até os cães a cheiravam à distância e lhe ladravam deseperadamente.
Reagiam, penso eu, ao odor menos agradável que dela exalava.  

Chamava-se Maria da Graça.
A alcunha era «Greta».
Chamavam-lhe assim e escondiam-se, gargalhando
Caíam raios e coriscos dignos de bolinha vermelha.

Gostava da pinga.
Dava-lhe mais ânimo para as voltas, dizia.
Parecerá um espectáculo sádico, humilhante.
Mas sei que não existia esse sentimento.
Era apenas uma forma de diversão inocente.
Era o gozo de ver o álcool funcionar.
Era a televisão da época.
E tinha muita piada mesmo.

Morreu muito velha a ti’ Maria da Graça.
Apesar de tudo, era uma pessoa querida de todos.

Greta, greta, greta!...

Ainda hoje é motivo de gargalhada.
Vá-se lá perceber.


Abraço.

sábado, 31 de agosto de 2013

Arrumar é harmonia



Quando eu era jovenzinha, só se faziam arrumações de fundo em casa uma vez no ano.
A Páscoa, talvez por estar já a caminho da primavera e o tempo já o permitir, era a época escolhida.
Nessa altura, não havia canto que não fosse remexido, bem arejado e «engraxado».
Bem diferente dos dias de hoje.
Todos os dias são dia de limpar.
Até acho que se exagera.
Com a noção de higiene mais apurada, tem-se necessidade de sentir o cheiro da limpeza, introduzindo até, para que tudo fique mais cheiroso, produtos a mais e nocivos para a natureza.
As tarefas de casa nunca estão completas!...

Por incrível que pareça, sinto que o meu cérebro é quase uma extensão da minha casa.
Não aguento tê-lo desarrumado e sujo.
Sinto que devo arejá-lo todos os dias e limpá-lo de toda a poluição que, ainda que sem querer, me entra por ele dentro.
É uma necessidade intrínseca.
Não consigo guardar o lixo
Nem que seja escondidinho num cantinho recôndito.
Quando tento fazê-lo, fico mal comigo e talvez menos simpática com os outros.
Não me dou bem com a bagunça.
Sendo assim, o mais indicado é limpar.

Deixar que entrem bons odores, bons sons e ares despoluídos.
Tudo no seu sítio.
Destacar até, e valorizar, o que mais merece.

Tem que haver arrumação para que haja harmonia e bem-estar.
Para que nada me perturbe o caminho simples e rectilíneo que escolhi percorrer.
Às vezes não é fácil.
As arrumações dão trabalho, as limpezas são às vezes muito pesadas de fazer.
O que é certo é que na limpeza se vive melhor.

Embirro com teias de aranha e cheiro a bolor!...
 

Abraço.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Filhos da mãe

  O vira-casacas



Meu pai era um homem com H grande.
Tinha um grande espírito de humor, mas, quando a coisa não lhe agradava, era acintoso e às vezes nada meigo nas apreciações que fazia.

Lembrei-me dele ao ler um título de uma notícia de hoje.

«Vital Moreira rejeita inconstitucionalidade das quarenta horas».

«Ai o filho da…» (… da outra, digo eu. Ele seria mais terra-a-terra…).
Na revolta, eu dar-lhe ia razão.
Como este senhorito mudou!
E pensar eu que já o tive como primo, ainda que por afinidade!
E pensar eu que este vira-casacas já se disse um homem de esquerda a sério.
Que se pavoneou na festa do «Avante!», a fingir que era um deles!
Que se serviu enquanto precisou para depois dar o salto que o havia de levar a voos mais altos!

Filho da mãe mesmo!
Sem carácter nem vergonha.
Cobardolas.
Apanhado a toda a hora a trair, feito um coisa-reles!

Quarenta horas!

Para ele, que deve ter acesso às mordomias todas e mais algumas.
A quem as amas, as criadas e as bábás não hão-de faltar.

E as outras pessoas?
As que saem de casa às seis da manhã e regressam às oito, ou mais, com os filhos à pendura, e ainda todas as tarefas da casa e mais algumas à sua espera.
Nessas, o constitucionalista não pensa.

Ele já não faz parte desse povo que um dia disse defender..
Subiu alguns degraus.
À custa de quê?
  
Filhos da mãe!...
Ou da outra, como diria o meu pai?


Abraço.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Barbies?

















Li há dias que foi doada ao Portugal dos Pequeninos, uma colecção de barbies.
Tudo bem, é uma doação.
Mas... no Portugal dos Pequeninos, onde tudo é tão português e genuíno?
Não me parece muito adequado!
O que acho é que isso é pôr um produto importado, e até duvidoso em termos pedagógicos, no meio da verdade que está representada no Portugal dos Pequeninos.
Depois, todos sabemos que a boneca Barbie tem junto das crianças um papel pouco positivo.
Funciona como o modelo que todas quereriam igualar.
Convida inclusive a conseguir um corpo ideal, quase talhado a escopro – o que não existe.
Para que isso aconteça, lá temos nós as jovens a fazer dietas malucas que muitas vezes as levam às bulimias e às anorexias que podem ser fatais.
Não estou com isto a querer dizer que se erradiquem as barbies, que se proíbam as crianças de ter acesso a elas.
Mas meter-lhas pelos olhos dentro, não acho correcto. 
Muito menos que se misturem com o que é nosso e verdadeiro.

Abraço. 


domingo, 25 de agosto de 2013

A fita que não se desgasta

 Daquelas escadas, via as cegonhas na torre


Desde muito pequena, que me senti fortemente ligada à família do lado materno.
Todos os meus dias ficaram marcados pelo convívio com a avó, tias e primos que me enchiam de mimos.
A casa da minha avó a quem chamava madrinha (dizia-me a minha mãe que assim ela se sentiria menos velha – coisa do tempo!...) era o sítio onde, todos os dias, não podia deixar de ir.
O trajecto que fazia, fosse dia ou fosse noite, era sempre feito a saltitar e com o coração a palpitar de emoções, que enchiam a minha vida de menina.
Mais tarde, já adolescente, aquele sítio, aquelas escadas de pedra, recebiam-me sempre e (digo eu) quase sentiam as alegrias e os pequenos problemas e preocupações de uma jovem a fervilhar de vida.
Aquelas pedras eram-me tão familiares, que ainda hoje me lembro de alguns pormenores que as caracterizavam.
Foi lá que, meio clandestinamente, me iniciei no gosto pela leitura.
Desde a chamada literatura de cordel, para, um pouco mais adiante, passar aos clássicos e na altura quase proibidos, Herculano, Camilo, Dostoiévski etc…

Aquelas pedras lambidas pelo sol, gastas pelo tempo e circundadas de vegetação, eram únicas.
Quentes e aconchegantes, transmitiam-me o calor que não existia noutro sítio.
Calor físico e humano.
Dali só saía quando o sol se escondia e a lareira já crepitava.
Aí era o até amanhã, ou o até logo, se as noites fossem as noite longas de inverno e o serão era em família.

São estas recordações que perpassam muitas vezes no meu espírito e me devolvem aqueles momentos mágicos e ternos que fizeram de mim uma pessoa mais humana e sensível.


Abraço.

sábado, 24 de agosto de 2013

Quem pensa que educar é fácil?





Este é um tema de difícil abordagem.

Quanto a mim, a educação é a base em que assenta toda a forma de agir.
É dela que dependem atitudes não só de relacionamento, como também a forma de, por exemplo, governar um país.
Tendo a educação como prioridade, isso poderia trazer-nos um mundo melhor.
Um mundo onde os princípios e os valores não fossem esquecidos.
Em que a solidariedade fosse apanágio de todos.
Um mundo em que não houvesse diferenças abissais entre as pessoas.
Onde a arrogância, a inveja, a hipocrisia, e a exploração de seres humanos, não tivessem lugar.

O que seria preciso para educar de uma forma correcta?
O que seria preciso para preparar pais, professores e outros quadros, para que exercessem as suas funções de forma bem fundamentada e com segurança?

É um problema tão vasto, que envolveria mudanças gigantescas.
Isto, porque toda a estrutura vigente está virada para ignorar o essencial.
Está tudo estruturado sem bases sérias.
Mais grave: não há a percepção do quanto é importante a educação na vida das pessoas e dum país.  

Teria de se virar o mundo do avesso e alterar mentalidades.
Mexer com poderes e vícios instalados.
Seria uma verdadeira revolução.

Enfim!
Isto, sou eu a delirar!...

Abraço.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Peneireiros, sim














É isso mesmo.
Peneireiros, sim, têm piada. 
As aves.

Mas peneireiros e carecas não.

Pois é.
Nunca fui à bola com o figurante.
Sempre o achei um pouco bailarino e saltitão.
Mas agora, depois de saber que também é cobardolas, mil vezes não!
Antes o passarinho a quem de verdade pertence esse nome!
Que, parado no ar, faz a sua dança inofensiva e com graça.

Bom, estou a falar do mentiroso, do desleal, do cínico Fernando Seara.
Vejam bem a habilidade com que enganou a companheira de dez anos!
Coitada da senhora.
Sempre a seu lado toda impiriquetada, a fazer de primeira-dama, e olha, agora descobriu que tem uma armação de um tamanho que se calhar nunca imaginou!
Ele há cada aldrabão e sem coragem!

Será que, se por ironia do destino, fosse parar à autarquia de Lisboa, não seria lá um bacanal do diabo?
Lá se ia tudo pelo rio abaixo.
Bolas!
Pequenino, velhaco e bailarino.

Não tenha pena, Dona Judite.
Serão menos umas peçazinhas de altas marcas que deixa de usar.
Nada de mais!...

Ele há cada amostra de homem…


Abraço.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dez mil



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Visitas


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Olá a todos os que me lêem com prazer!
É a todos vocês que devo as dez mil visitas que hoje se completam.
Estou grata a todos pela atenção que têm dedicado ao que escrevo.
Quando comecei, a 6 de Dezembro de 2010, nunca me passou pela cabeça que alguém se interessasse por um blogue tão pessoal e íntimo (*).
Sei que já houve dias em que se calhar foi difícil entrar no que deixo aqui registado.
Sei também que nem por isso perderam o interesse.
Um blogue com estas características tem estas coisas menos apelativas!...

Um muito obrigada pela vossa companhia e respeito.
Continuarei sempre que me for útil.

_________________
 (*) Ver aqui os primeiros textos que publiquei.



Abraço.

No primeiro dia

Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

Reflexão










Sei que este assunto poderá estar um pouco fora do contexto habitual do dia-a-dia de muita gente, mas às vezes é preciso ter contacto com outras realidades, parar um pouco para pensar.  
A propósito de uma observação diária, ao vivo e em directo, dei comigo a pensar em como a vida é injusta, às vezes até agressiva, para a maior parte das mulheres. Apesar da igualdade de direitos já adquirida, a mulher continua a ser aquela que, salvo excepções, sente na pele o maior peso no seu dia-a-dia. E quando digo «peso», quero dizer também, peso físico. Para lá da sua actividade profissional que é normalmente exigente, ela corre para casa onde a espera a tarefa imensa de dona de casa, mãe e educadora. Ela corre para o infantário onde deixa o filho apressadamente, sem tempo sequer para se despedir com calma e tempo, para que ele fique tranquilo e estável. Corre para o emprego onde a maior parte das vezes é explorada e mal paga, corre para as compras onde tem que se controlar para não desequilibrar o orçamento. Corre, corre, para que nada falte. No fim do dia, exausta, ainda tem que ter um sorriso para o marido, disponibilidade para as crianças e, já a cair para o lado, contar com a ternura possível a historinha da praxe quando vão dormir. Ao homem, educado ainda segundo a mentalidade arcaica dum passado já distante, resta-lhe receber das mãos da mulher as refeições a horas, a roupa lavada e passada a ferro, e claro, se for possível não dar sinal de cansaço. Não quero com isto dizer que não haja excepções, mas ainda não é assumida a colaboração normal e sem diferenças. Às vezes, ele faz o favor de pôr a mesa, sacudir a toalha e sente o dever cumprido. Talvez a alguns esta minha pequena reflexão pareça demasiado radical, mas a verdade é que esta realidade existe, a mulher continua a ter um papel de exigência, que a obriga a uma sobrecarga e a impede de olhar para si própria, esquece-se de que existe, cai no desleixo, perde a auto-estima.
Era tempo de mudar mentalidades, para bem de todos. A propósito, veio-me à memória um poeta que marcou a minha juventude: António Gedeão. Para além de outros igualmente significativos, ele deixou um poema muito forte, que descreve na perfeição este tema. Chama-se «Calçada de Carriche» e refere estas questões:

«(…) Anda, Luísa, / Luísa, sobe, / sobe que sobe, / sobe a calçada. / Chegou a casa / não disse nada. / Pegou na filha, / deu-lhe a mamada; / bebeu a sopa / numa golada; / lavou a loiça, / varreu a escada; / deu jeito à casa / desarranjada; / coseu a roupa / já remendada; / despiu-se à pressa, / desinteressada; / caiu na cama / de uma assentada; / chegou o homem, / viu-a deitada; / serviu-se dela, / não deu por nada. / Anda, Luísa. / Luísa, sobe, / sobe que sobe, / sobe a calçada. / Na manhã débil, / sem alvorada, / salta da cama, / desembestada; / puxa da filha, / dá-lhe a mamada; (…) salta para a rua, / corre açodada, / galga o passeio, / desce o passeio, / desce a calçada, / chega à oficina / à hora marcada, / puxa que puxa, / larga que larga, / puxa que puxa, (…)»

Afectos









Os afectos são o pilar das nossas vidas. São eles que nos ligam de uma maneira saudável a quem nos rodeia. É impossível ser feliz, se transformarmos a nossa vida num mundo pequenino, que não nos deixa espaço para olharmos para os que precisam de nós.
Um ombro, um abraço, um sorriso, fazem a diferença.
São gestos que reconfortam e fazem os outros sentir-se melhor. Às vezes é difícil descermos do nosso pedestal, quantas vezes imaginário, e parar para pensar.
Há muito mais para lá do nosso mundinho efémero e arrogante. Há um mundo de valores a defender e entre eles temos a amizade, a ternura, as relações de solidariedade, a lealdade com todos os que nos rodeiam, a inter-ajuda e tantos outros igualmente importantes.
Depois, temos que pensar que de um momento para o outro, tudo pode ficar diferente e sermos nós a precisar dos que ignorámos. A vida é uma passagem, vale a pena vivê-la em paz.

O frio lá fora








Novembro começa a mostrar os dentes arreganhados de frio.
Lá fora é noite, uma longa noite de inverno que ameaça chuva.
Cá dentro, saboreia-se o aconchego do calor da lareira que crepita. O silêncio deixa ouvir o ronronar dos gatos amantes do calor e da comodidade que os rodeia. Os donos, no fim dum dia preenchido, tentam limpar o cérebro da poluição ambiente e sonora.
É bom ter este privilégio, é um pouco a recompensa de uma vida simples e sem ambições desmedidas.
É pena nem toda a gente poder ter acesso ao bem-estar suficiente para poder ser feliz.

22-10-2010.
Sesimbra.

Silêncio










Nunca como agora o saboreei. Sinto-o à minha volta, quase o oiço. Um pássaro inoportuno mas feliz interrompe, com a sua visita habitual aos filhotes que chilreiam no ninho. Apesar disso, não impede esta introspecção desejada e consentida. Ter tempo e ambiente para ponderar melhor na situação actual do meu país. O que é feito da educação, da cultura, da saúde, do emprego, que a Constituição consagra? Porque se lê
nos olhos das pessoas  tristeza e desalento?
Tenho pena de que tudo esteja subvertido.
Chego à conclusão de que, à minha maneira, e dentro do que me foi possível, também ajudei a sair de cinquenta anos de silêncio imposto e medo contido. Não soubemos utilizar a liberdade que conquistámos, demo-la de barato, a semente não floresceu, era estéril. Deixámos que os valores básicos se perdessem, a educação, o afecto, a ternura, e a solidariedade não nos dizem nada. Apesar de a situação nos passar à porta, vivemos indiferentes a tantos e tão profundos problemas que giram diariamente à nossa volta. É bom viver longe do bulício, da intriga, da mentira e da injustiça.
Pode parecer uma atitude egoísta mas não é: é apenas uma defesa.

O sótão


Há muitos anos atrás, quase todas as histórias começavam por: «era uma vez» … 
Ao ouvirem esta pequena frase, as crianças concentravam toda a sua atenção (por vezes tão difícil de captar) no que então começava a ser descrito. Hoje, e se não for muito maçador, também eu vou começar assim a pequena história verdadeira que vou contar. Era uma vez uma criança muito desejada e querida por toda a família. Nasceu, foi recebida com alegria e a protecção era permanente, nada podia faltar nem perturbar o seu crescimento, era a terceira de dois irmãos mortos pouco depois de nascerem. A ansiedade dos pais era muita e a necessidade de a proteger impunha-se. Tudo lhe foi proporcionado para que se desenvolvesse saudável e a sua socialização se fizesse normalmente e sem redomas a separá-la da realidade. Sem preparação específica, estes pais seguiram o seu instinto que por certo foram beber nas suas origens. Gratidão imensa!!!...
Estas crianças muito protegidas ficam por vezes demasiado caprichosas, mal-educadas, egoístas e pouco sociáveis. Neste caso, não aconteceu. A menina da história viveu e conviveu num espaço amplo, rodeada de amigas e condições para viver e pôr em prática todas as fantasias, criatividade e imaginação próprias da idade – e como são férteis estes factores naquele período da vida! Para dar largas a tudo isto havia o sótão da casa dos pais que tinha todos os condimentos necessários. Desde uma arca com roupa, mesa, bancos, sapatos (rasos e de salto), e ainda alimentos a sério para confeccionar as refeições imaginárias. Aquele sótão marcou pela positiva a vida daquela criança! Mais tarde, passada a idade de brincar ao faz-de-conta, refugiava-se lá. As transformações físicas e de personalidade foram digeridas aí, as alegrias e as angústias foram também partilhadas com algumas das companheiras de sempre. Os momentos eleitos eram os dias de inverno com chuva, vento e trovoada. Que belo refúgio, e que reconfortante que era aquele sótão!!! A vida deu muitas voltas… A criança um dia fez-se mulher: por motivos inesperados e tristes, teve que crescer mais rápido do que seria desejável, teve que abrir as asas e voar. A sua vida tomou outro rumo, o seu futuro não estava ali, o seu querido sótão e tudo o que viveu passou a fazer parte do passado, e arquivado na gaveta das suas memórias: as tais memórias que se recordam com saudade e às vezes nos deixam com uma certa melancolia no olhar. Ironia do destino: muitos anos mais tarde apareceu sem procurar, outro sótão na vida daquela criança já mulher. Diferente mas igualmente aconchegante e com o som do mar em fundo. A história repete-se?
Abraço.