quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O frio



Cheira a frio lá fora.
O vento vindo não se sabe de onde assobia ameaçador.
A natureza verga-se perante a crueza da temperatura.
Os pássaros, ainda há pouco com tantos piu-pius…, recolheram-se e fizeram silêncio.
Os gatos fazem rom-rom… enquanto se enroscam e se entregam aos prazeres e ao conforto do calor.
Até os cães emudeceram.
Procuram o soalheiro, talvez armazenem calor para o rigor da noite.
E que rigorosa deve ser!
A natureza ameaça ser implacável.
Um pouco mais distante, ouve-se o mar.
O mais forte, o que domina.
O que não tem frio.
O que é indiferente aos gelos e aos ventos.
Ele aguenta, o gigante.
Sempre que precisa, procura as rochas e abraça-as.
Abraça-as com os seus braços grandes de todo poderoso.
Também ele tem os seus momentos de ternura.

E os sem-abrigo?
Para esses os braços do Mundo são curtos!...
O frio!
O que faz falta para queimar os micróbios, mas…alguns escapam!...


Abraço. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A verdade




Há quem pense que a verdade é sua propriedade.
Então na «internet» vê-se cada cromo.
Mas, pensemos melhor.
Alguém será dono da verdade?
Alguém terá o direito de impedir outros de terem os seus pontos de vista sobre seja o que for?
Alguém se sentirá tão sabichão que não admita a discussão e o diálogo, ainda que discorde?
Alguém terá o direito de pôr em causa a seriedade e a boa intenção de quem nem sequer conhece?
Penso que haverá aqui um equívoco.
A verdade de uns poderá não ser a verdade de outros.
Manda o bom senso que, perante várias opiniões, se respeitem todas e que, ou se dê mais uma ou então se guardem os apoios para serem dados em privado.
Pôr em causa a palavra dos outros, apelidá-los de mentirosos ainda que indirectamente, não me parece de gente bem formada e generosa.

Cultivem-se, gentes.
A conversar é que a gente se entende.


Abraço. 

sábado, 23 de novembro de 2013

O ribeiro da minha rua



Gosto de ter memórias.
Gosto de constatar que tive um ontem que me deu imenso.
Desde alegrias a vivências cheias de conteúdo afectivo e até às aprendizagens em directo.
Tudo isso tem preenchido e completado a pessoa que sou.
De vez em quando, recordo lugares e factos que me foram tão familiares!
Que me deixaram na memória cheiros, sons, e saberes tão enriquecedores e tão inesquecíveis.
Hoje, como já me tem acontecido tantas vezes, lembrei-me do ribeiro da minha rua.
Aquele ribeiro corria quase todo o ano.
Uma água cristalina, que marulhava suavemente e escorria terras abaixo ao encontro de outros que encontrasse pelo caminho.
Era muito útil aquele ribeiro.
Fizeram de parte dele uma pequena represa onde foi lavada a roupa de muitas famílias.
Sem máquinas de lavar, era naquela água corrente que se lavava e era num espaço envolvente que se branqueava a roupa, que chegava muitas vezes marcada pelo trabalho duro do campo.    
Dava gosto olhar e cheirar aquelas peças.
Qual lixívia, quais detergentes!
As mãos, a água, o sabão em barra (azul e branco ou cor-de-rosa e branco) – e o sol eram o milagre!...
 E o convívio?
Digno do filme «A aldeia da Roupa Branca».
De línguas afiadas todo o tema servia para nem sequer se darem conta da pesada tarefa.
E as cantigas? Havia sempre uma que as berrava (a cantar, bem alto).
De joelhos, a roupa levava voltas quase intermináveis.
Só quando estava da cor do sol, é que repousava finalmente no fundo dum cesto ou alguidar, de regresso a casa.
O ribeiro da minha rua.
Quantas loucuras, quantas gargalhadas, quantos segredos, tu guardaste.
Era o teatro, eram as tertúlias, eram as conversas de escárnio e maldizer da época passada.
O ribeiro da minha aldeia, no seu eterno marulhar.
Poético, aquele som.

Abraço.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Simbólico, mas…








Aquela manifestação de força ontem em frente ao Parlamento, não pode nem deve ser menosprezada.
Estava ali perante nós, qualquer coisa que impunha respeito.
As forças da ordem, unidas numa demonstração de poder, como já há muito não se via.
Aquelas forças poderiam ter deixado um rasto de tragédia.
Não, não quiseram, foi apenas simbólico, alguém disse.
Reinou o bom senso.
Teria sido muito fácil entrar, pegarem pelos imaculados colarinhos de suas excelências e pregar-lhes o maior susto das suas vidas.
Pouparam-nos à humilhação.
Diferentes deles, que nos humilham a todos, retirando-nos os mínimos e brincando com a nossa dignidade, indiferentes e calculistas.
Ainda não foi desta.
Controlados e conscientes, estes quadros!...
Mas até quando se aguentarão?
A vida está transformada num filme de terror.
O futuro é incerto.
O ordenado não chega para o que é prioritário.

E o que fazem os que nos desgovernam?
O do topo já veio dizer que não cede a pressões, o boneco de gelo!...
Só faltou dizer que não tem dúvidas e raramente se engana!
Fantoche!...

Onde vamos parar?


 Abraço solidário.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Estados de alma



De repente, e sem que nada o fizesse prever, eis que a nossa vida se transforma.
Tudo aquilo de que gostamos e que por rotina fazemos no nosso dia-a-dia se altera.
Um agente exterior intrometido, inoportuno e chato, infiltra-se e toma conta da nossa pacífica e mais ou menos rotineira existência.
O necessário fica por fazer, o que nos dá prazer deixa de dar, e avida fica uma coisa sensaborona não sabendo mais a vida.
Parou tudo.
O vírus, o «bicho» peçonhento, toma conta.
Mete-nos na cama, põe-nos meio anestesiados, e o «bicho», feliz, salta à nossa volta.
Regalado, vê-nos sorumbáticos, febris, sem vontade – e goza, o desgraçado.
Por uns dias, é uma festa para ele.
Ele é quem manda, nós somos apenas os depósitos dos seus «vermes» minúsculos, mas potentes.
É assim que tenho estado.
Possuída por esses seres invisíveis.
Há seis dias que não piso o chão da rua, que não respiro o ar de que tanto gosto. Há seis dias que o sol não me presenteia com a alegria da sua luz.
 Peçonhento, repelente e sádico vírus.
«Vá de retro», que eu já tenho a minha dose.
   

Abraço.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Não dá para acreditar



Hoje, ao espreitar os facebooks, passei pelo da aldeia da Moita-Sabugal, como aliás faço quase todos os dias
Sou do Casteleiro, a quatro quilómetros dessa aldeia e, para lá disso, tenho lá metade das minhas origens, de que me orgulho muito.
Os meus avós, meu pai, os meus tios nasceram lá e uma parte significativa dos meus primos também.
 Bom, calmamente, deparei-me com uma música metida por um seguidor, de que por acaso gostei e ouvi.
Surpresa das surpresas, logo a seguir dei com uma advertência de alguém que deverá ser um dos responsáveis da página, dizendo que iria retirar a música por não dizer respeito à Moita.
Não acredito.
Como assim?
Que imposição é essa?
O senhor deve estar a ver mal!
Será por ser um fado inovador e arejado de Pedro Moutinho em parceria com a jovem Mayra Andrade?
Qualquer coisa bafienta seria aceite?
Francamente.
Tanta tacanhez junta, vinda de uma pessoa que, segundo quer fazer crer, teria mais obrigações, é demais.
Atenção, Moita Jardim, terra de boa gente!
A Moita também merece qualidade.
Quero continuar a orgulhar-me de parte das minhas origens!

O leitor poderá ajuizar: vou deixar-lhe aqui o fado em causa.


Abraço.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Presentes da Natureza



Nesta altura do ano, a Natureza transforma-se.
O sol brilha, o ar fica mais fresco e as cores são rainhas.
Sabe bem receber o ar fresco e leve na cara.
Sabe bem ver os raios de sol estenderem-se sobre os campos húmidos, acariciando a terra. É bom ver como respiram vida e soltam do seu ventre, o que durante o verão guardaram ciosos.
Depois, paremos um pouco.
O «dégradé» de cores que se nos apresenta é de uma beleza extrema.
Do verde ao amarelo, passando pelo tijolo e pelo castanho, temos à nossa frente uma tela que faz inveja ao maior dos criativos da cor.
A Serra da Arrábida é um dos sítios ideais para regalar os olhos.
Aí, sim, o «dégradé» acentua-se e quase emociona.
Os vários tons que já referi são recebidos pelo oceano que os absorve e os transforma em tons de azul luxuriante.   
 Pelo menos a Natureza que nos mime com tudo o que tem de verdadeiro.
  

Abraço.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O céu na aldeia



A imensidão que nos cobre oferece-nos um mundo de magia.
Dependendo do tempo, são imensas as imagens que nos oferece o espaço aéreo.
 Apenas precisamos de tempo e sensibilidade para observar.
É bonito darmo-nos conta dos traços únicos, inéditos, exclusivos, às vezes meio abstratos, que as nuvens desenham no céu.
A aldeia é um sítio privilegiado para essa observação.
Sem poluição, temos à nossa frente um mundo de fantasia.
É bom, de vez em quando, virarmos a nossa atenção para o belo com que nos presenteia a natureza.
Se for possível, aproveitar momentos de silêncio e algum intimismo.
Deixar a imaginação fluir e saborear.
Poderá parecer imaginação excessiva, delírio, loucura… o que quisermos.
Mas não, não é.
Há arte no céu que nos cobre.
Uma arte natural e sem retoques finais.
Apenas arte.
Assim, em estado puro e único.


Abraço.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O magusto



O tempo era de frio intenso.
Ainda que o sol aparecesse, era gelado o ar.
Trespassava a pele envolvida por agasalhos (os que os tinham...).
Naqueles tempos tão distantes, o outono não brincava, era rigoroso mesmo.
As aulas estavam no seu auge e o trabalho era a sério.
A escola das meninas era um pouco fora de portas.
Fosse qual fosse a temperatura, lá íamos, pequenas e franzinas, a iniciarmo-nos no saber.
Apesar da seriedade das tarefas escolares, as tradições não só não eram esquecidas, como
eram preservadas com alegria.
Era chegada a hora do magusto anual das escolas.   
Algures dentro das instalações, um cesto de verga larga aguardava os punhados pequenos mas grandes na intenção, das castanhas levadas pelas crianças, que ansiosamente aguardavam esse dia.
Era fora da aldeia que se fazia o magusto e era uma atividade lúdica que mexia com todos.
Pequenos e grandes.
No dia combinado, todos em grande algazarra (uma algazarra muito saudável), lá iniciávamos a caminhada.
A proximidade de um pinhal era o local certo.
As castanhas eram assadas no chão e a caruma era o combustível usado.
Uma camada de caruma e as castanhas espalhadas em cima, com mais uma camada de caruma alta.
Fósforo aceso – e começava a brincadeira tão esperada.
O fogo era meio caminho andado.
A euforia apoderava-se de todos.
Crianças controladas, as castanhas iam sendo distribuídas conforme se iam assando.
Não faltavam brincadeiras e mãos e caras enfarruscadas.
Com os coraçõezitos a pular de alegria,
Vivia-se um dia que ficava na memória, como pode ser constatado neste texto.
 O sabor, esse, nunca mais me passou pelo palato.
As tradições e as vivências são a nossa história de vida.


Abraço.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O dia do Aniversário das Almas



A aldeia estava quieta.
Apenas os sons normais e domésticos do dia-a-dia.
Um automóvel ou outro.
Um carro de vacas que passava a chiar, um burrito que trauteava, um porco que grunhia!...
E o cão, que na sua missão de guarda, tentava fazer-se ouvir.
Báu, báu, báu…

De repente um som sobressaía.
O sino da igreja dolente, tocava a finados.
Começava aí um marulhar de sons meio abafados, que impunham respeito.
Era o toque para o início da cerimónia anual.
A aldeia em peso deslocava-se até à igreja e ocupava o seu lugar.
Aquele espaço ficava repleto.
A cor predominante era o preto.
Os semblantes carregados seguiam os preparativos para a cerimónia.
No meio da igreja, um esquife simbolizava a morte dos entes queridos.
Um grupo de sacerdotes (talvez oito) também de preto, ora sentados ora em pé, rezavam, cantando, em latim.
Era longa, triste e dolorosa a cerimónia.
Seguia-se a missa composta de um sermão, feito por aquele que era considerado o melhor orador.
Esse orador era esforçado.
Dirigia-se ao púlpito (um lugar nobre da igreja) e falava dos que já tinham partido.
Com uma voz inflamada, falava dos mortos e ia apontando o dedo para este e aquele, na perspectiva de que todos já tinham sido atingidos.
Ouvia-se um fru-fru de roupas e corpos que se mexiam, sons abafados de choros contidos.
O orador, vermelho do esforço, tentava melhorar a sua prestação, repetindo e dirigindo-se aos que visivelmente estavam mais emocionados.
Aconteciam lágrimas, muitas, soluços mais ou menos contidos e tristezas engolidas.
Era uma cerimónia recheada de emoções exploradas.
Tétrico.

É assim que hoje e a esta distância eu rotulo o que a igreja, na sua ingenuidade (?), fazia em prol dos nossos entes queridos.
Na sequência disto, acontecia um retrocesso no luto que para muitos já tinha sido feito: voltavam as dores da morte dos entes queridos.
O dia acabava bem mais triste do que tinha começado.
O cheiro enjoativo a velas permanecia por algum tempo.

O revolver de lembranças e tristezas deixava a aldeia num silêncio que doía.

Os nossos mortos estão sempre connosco.
Será que seriam necessárias cerimónias tão tenebrosas?
Que descansem em paz.

Abraço.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quando?



Pesadelo é carga pesada que derruba.
É medo, é insegurança.
É mal-estar e tristeza.
É aflição.
São momentos de ansiedade e angústia, que paralisam.

Como sair?
O precipício é logo ali!...

Tanta gente assim nessa situação hoje.

E as pessoas… sozinhas e sem saída.

Pesadelo…
É a vida a complicar-se.
É a insegurança.

É ser ignorado.
E humilhado.
Pesadelo é perder a identidade.

Pesadelo é a situação actual do nosso País.
Mas um dia virá o sol.
Quando?






Oiça, entretanto, esta voz de menina... clique no cinzento do texto.

Abraço.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Chove chuva mesmo





Está um dia que para muitos, pelo menos para os que trabalham, será um dia tenebroso.
Chove torrencialmente.
Para mim, que sou amante da chuva, está um dia óptimo.
Transporta-me em pensamento e em afectos, à minha infância, à minha velha casa, à minha lareira sempre acesa e, sobretudo, ao mimo da minha mãe.
 Nestes dias chuvosos e de vento, era hábito ficarmos em casa sentadas à lareira.
O tempo ficava mais leve, quando a minha mãe decidia ocupar-me a ouvir as suas estórias.
E como ela as contava bem.
Eu adorava ouvi-las.
Eram estórias fantásticas e que ela contava com alguma piada.
De ladrões que assaltavam os senhores ricos para depois darem aos pobres.
 De lobisomens que à meia- noite saíam batendo os pés fortemente na calçada à procura de sangue fresco.
De bruxas que, dizia-se, perseguiam homens de noite, e os transportavam para um sítio diferente daquele onde tinham a certeza se terem deitado!...
O tom dramatizado com que ela as contava redobrava o meu interesse, claro.
Enfim, estórias fabulosas contadas de uma forma intimista e com o afeto de mãe.
Preenchiam o meu imaginário de menina, aquelas estórias.
Foram momentos íntimos e de muita cumplicidade.
Quanto a mim, à noite, para dormir é que era pior.
Os monstros, os ladrões e aquelas figuras de ficção, tornavam-se reais.
Às vezes até os «via» na parede do meu quarto aos pés da cama.
Aí, o sono tardava.
Nunca me queixei, para poder continuar a ouvir as estórias de minha mãe.
Mais tarde e já distante da meninice, tudo isto tem sido motivo para sorrir e fazer sorrir.
Estórias de encantar que me encantavam e «prendiam» em casa com todo o gosto.
Que tempo bonito e feliz aquele!

Abraço.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Asas



Queria ter asas.
Queria voar para bem longe.
Sem destino nem tempo.
Queria ser livre.
De movimentos,
De horários e limites.
Voar para o espaço quem sabe?
Conviver com as estrelas.
Abraçar a lua.
Beijar o sol.
Descansar num colchão de nuvens.
E sonhar.
Sonhar com um coro de querubins.
Ser embalada por eles.
Ouvi-los, aplaudir, e pedir mais.
Queria sentir que faço parte de um mundo diferente.
Queria sentir paz e harmonia.
Queria viver sem medos nem incertezas.
Queria que a beleza me brindasse todos os dias.
Queria um mundo onde a mentira e a insensibilidade não tivessem lugar.

Queria abraçar o mundo e sentir que a injustiça acabou.

Queria demais, eu sei.


Abraço.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Olá a todos





Sei que a vida não está bem para a maioria das pessoas.
Sei que há no ar um cheiro a preocupações que tira o sono e o sorriso a muitos.
Sei que a maioria se levanta de manhã sem entusiasmo e sem energia.
Sei que muitos nem sequer têm emprego.
Sei que aqueles que o têm pelo menos uma grande parte são precários.
Temos ainda os outros, os que conseguiram manter-se, mas que, e depois de terem trabalhado uma vida, vêm-se todos os dias confrontados com os direitos adquiridos roubados.
Como não há-de o ar estar impregnado de preocupações?
 A perspectiva de um futuro incerto provoca em todos desânimo e falta de entusiasmo.
Não se pode agarrar uma vida e uma profissão com gosto e garra, se não houver incentivos e alguma recompensa.
Só assim nos sentiremos pessoas dignas e com um lugar útil na sociedade.
 Não é espezinhando os trabalhadores e retirando-lhes a sua dignidade e brio, que se consegue produzir seja o que for.
É muito complicado quando se pensa a sério na situação em que se vive.
Sente-se uma grande angústia.
Uma grande revolta e uma impotência sem limites.
Mas… então, não estamos todos no mesmo barco?
Não é a união que faz a força?
 Porque é que nem toda a gente percebe isto que me parece tão óbvio?
O comandante do navio é que está a mais!
Tem que ser substituído não?

Abraço.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Diálogo de nuvens


 


Começou por ser um monólogo.
Lá bem ao longe, um som surdo mas forte fazia-se ouvir.
Sugeria mau-humor aquele som.
Um quase roncar de raiva meio adormecida.
Àquele, juntaram-se outros e outros e, todos juntos, mais parecia uma guerra.
Uma guerra em que todos queriam atirar primeiro, em que todos soltavam o seu rancor.
Endureceu o embate.
Ribombavam sons ferozes que impunham alguma apreensão.
No meio deste embate, começou a ouvir-se outro som, esse mais suave, embora intenso.
Eram as nuvens, que em desespero, soltavam lágrimas imensas.
 Não aguentaram a pressão e soltaram-se, jorrando uma torrente que caía aflita nos telhados e ruas que a deixavam escorregar para os caudais sedentos do verão que então terminara.
A batalha amainou.
Ouviu-se apenas um diálogo afastado e em tom cansado, apostado na paz.
As nuvens aquietaram-se.
Ao olhar para o céu, apenas desenhos fantásticos de artista de primeiro plano.
É bonito este contemplar.


Abraço.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Suavemente

 



Está uma tarde de outono suave e calma.
O silêncio é quase a única coisa que se ouve.
O sol, o senhor sol, hoje não se dignou aparecer.
Antes pelo contrário, deve ter decidido viajar para outras paragens.
Deixou-nos um dia fusco, de dentes meio cerrados e com cara de poucos amigos.
Está uma tarde que convida à reflexão, ao sossego, ao recolhimento.
Muita coisa me passa pela cabeça nestes dias!
Tenho que fazer a triagem.
Desta vez decidi que não vou falar de nada que me chateie.
Vou fazer de conta que estou num imenso campo cheio de flores e de pessoas lindas, sobretudo por dentro.
Vou imaginar um local onde a vaidade (má), a inveja e o fausto balofo não tenham ordem de entrar.
Vou imaginar que não há governo nenhum que roube nem que humilhe.
Vou imaginar que o Passos Coelho é só uma ficção!...
Ai, não consigo abstrair-me, que seca!...
Está, sim, uma tarde dos anjos.


Abraço.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Vaidades




Estive a espreitar um determinado facebook, e divaguei por outros que me despertaram alguma curiosidade.
O que fui vendo, é o normal que se vê num facebook normal.
Às tantas deparei com um, que me deixou perplexa.
Àquilo, eu não chamaria facebook, mas sim uma feira de vaidades.
A exposição para o Mundo da parcela faustosa de uma vida.
De forma obsessiva, doentia.
A mostra, para quem não saiba, do ambiente  em que se movimentam os protagonistas.
A vaidade sem pudores.
A leveza intelectual e humana.
Acho engraçado o facebook, quando é utilizado com parcimónia e não serve para expor as grandezas.
Acho deplorável, quando as pessoas se servem dele para se mostrar.
Para se engrandecer.
Haverá certamente outros casos de pessoas que expõem assim o que pode ser a mentira da sua vida.
Mas este caso chocou-me especialmente.

Parece-me também, que é um assomo de insegurança pessoal!...
Ou não será?

Em tempos, ao que sei, o facebook seria outro.
E esse, não mostraria vaidade nem tanta grandeza, de certeza!...

Tenhamos bom senso, senhores!...


Até.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Atrás de tempo…



O tempo vai passando a cada instante.
Às vezes ligeiro, sem se fazer notar, outras vezes vagaroso e indolente.
Com alegria.
Com tristeza…
Depende da perspectiva e do nosso estado de espírito.
Temos muita responsabilidade na forma como encaramos o tempo.
O nosso cérebro é quem comanda tudo.
Somos nós quem o programa.
Temos por isso a responsabilidade de ser bons programadores.
Os dados que lhe inserimos têm que ser bem filtrados e passados a pente fino.
 Só assim poderemos ver passar o tempo sem deixar marcas demasiado feias.

O tempo é manhoso, não deixa que o toquemos, que o vejamos, esquiva-se.
Apenas nos permite que sintamos os resultados bons ou menos bons e de que temos conhecimento apenas no momento presente.
Logo a seguir o que virá?

Sabemos apenas que «atrás de tempo, tempo vem».
Será que iremos fazer parte desse tempo que há-de vir?

O tempo é mesmo uma incógnita!…


Abraço. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A árvore

















De um vaso até 4 metros 
 de altura ou mais



A árvore de que hoje vou falar tem uma história.
Esteve num pequeno vaso em casa durante bastante tempo, mas não gostou.
Se era pequena, pequena ficou.
Apesar dos mimos, da luz do sol e do ambiente quase de estufa onde se encontrava.
Como todos os seres vivos, achei que tinha direito a uma segunda oportunidade.
Veio acondicionada fazer uma viagem até à margem Sul.
No exterior e em sítio estratégico, fez-se uma cova e transferiu-se para lá.
Será que te agarras à vida?
Será que vais ser mais feliz aqui?
A resposta não tardou.
A pequena planta que teimava em não querer crescer, de repente deixou o seu aspecto insignificante e, a passos largos, transformou-se numa planta grande, bonita e muito útil.
É hoje uma árvore frondosa muito bonita, que faz as delícias não só dos donos, como também de quem a conhece.
Ao cair da tarde, recebe nos seus braços fortes, as dezenas de pássaros que a escolheram para passar a noite.
Uma curiosidade:
- Os meus gatos são seus fãs. Instalam-se e, ora dormindo, ora fazendo corridas pelo seu tronco acima, são quem mais usufrui da sua sombra soberba!...
Valeu a pena esta segunda hipótese.
Depois, sabe muito bem tomar as refeições de Verão (e ainda hoje isso aconteceu) debaixo da árvore que teimava em não querer crescer.

Abraço.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Palavras para quê?




Quantas palavras se dirão por dia?
Só aqui no nosso pequeno canto, quantas?
Muitas mesmo. Milhares!…
Muitas delas são apenas para preencher vazios, quantas vezes em conversas de maldizer e opinar sobre o que nem se conhece!
Todos sabemos que o diálogo é necessário, e que é através dele que as relações enriquecem.
Sem ele, seriam relações vazias, sem vida, sem liberdade e sem opinião.
Mas, para dizer a verdade, nem sempre é agradável ouvir tantas palavras.
Sobretudo quando não têm conteúdo!
Há pessoas que usam e abusam do «modo» tagarelar.
Os governantes e a maior parte dos políticos, têm uma enorme necessidade de o utilizar.
Para não referir os telejornais, que, durante pelo menos três dias, não se cansam de falar dos mesmos assuntos.
Palavras.
Umas tão deliciosamente úteis, outras tão perigosas e ofensivas.
 E fúteis, na sua essência.


Abraço.