quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Relíquia




















Apeteceu-me partilhar.
Foi com este traje que me baptizaram e me chamaram Dulce.
Por acaso um nome de que sempre gostei.
Estava no fundo do baú ainda na caixa de origem.
Foi comprado no Porto, na Rua do Clérigos, na casa «A Noiva».


Abraço.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Em roda livre






Durante a minha meninice, tive a feliz oportunidade de poder ter acesso a brincadeiras, objectos e coisas, que me fizeram muito feliz.
Uma delas de que nunca me esqueço era poder dar uma volta no Carrossel!
Castelo Branco, onde o meu pai se deslocava todas as semanas, era o local do feito.
Era costume acompanhá-lo e, muito senhora de mim, ia sempre que ele me mandava fazer uns  «mandadinhos».
 No fim do dia era premiada com uma espécie de pequena mesada, que para mim significava muito!
Aquele pecúlio era sempre aplicado em duas coisas que eu adorava:  uma bola de Berlim na pastelaria do Hotel Turismo acabadinha de sair e umas voltas no Carrossel.
Já próximo do fim do dia, lá ia eu a satisfazer os meus dois pequenos vícios.
Ambas as coisas bem diferentes, mas igualmente saborosas!  
Saboreava as duas com a mesma satisfação.
Feliz, pensava que o Mundo me pertencia.
Naquela época era preciso pouco para uma criança se sentir feliz.
Não havia oportunidade para grandes exigências e qualquer coisa que viesse era considerada um prémio gostoso.
Tão diferente dos tempos de hoje, em que nem as crianças e nem muitos adultos se contentam com o essencial!
Mal acabam de receber uma coisa, pedem outra e sem mais delongas há sempre alguém que corre a comprar.
O que acontece é que as crianças no fim do primeiro contacto se enjoam, tal é a inflação de traquitana à sua volta!
Às vezes até se revoltam, pois tudo aquilo que os rodeia, não substitui o que mais lhes faz falta, que é atenção e afecto!
Este é um drama dos dias de hoje para quem ainda tem (e para quem não tem muitas vezes), algum poder de compra e pouco tempo e paciência para dar!
Será esta uma oportunidade para ponderar um pouco?
O excesso das aquisições que se fazem, não será apenas mais uma forma de consumismo e de distrair a consciência?
Atitudes destas não deixarão a descoberto uma forma menos correcta de educar!
Pensemos nisto.  


Abraço.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Narrativa








Gosto de saborear uma boa narrativa.
Uma narrativa com conteúdo, narrada com mão de mestre.
Gosto de ler um José Saramago, um Gabriel Garcia Marquez, um Mia Couto, enfim - felizmente são muitos os bons e não dá para citar todos.
Quando leio, gosto que o autor me faça saborear as palavras que debitou e envolveu num invólucro de ideias claras e sentidas.
Gosto de me dar conta de como a sua sabedoria e imaginação me arrastam a mim também para estória, para o ambiente e paisagens que essa mesma estória contém.
Gosto de me sentir a descolar da realidade e de entrar eu também naquele mundo de fantasia e /ou de ficção.
É pena que nos dias que correm, a boa leitura esteja tão arredada das pessoas.
Que, tanto em casa como na Escola, pouco ou nada se incentivem as crianças a gostar de livros.
Que em vez da dependência dos aparelhos audio-visuais, não lhes incutam a dependência pelo livro!
Não haver a necessidade de lhes fazer sentir que ler é aprender.
Aprender a falar correctamente, a organizar minimamente um texto e a escrever sem erros.
Talvez o país não passasse pela vergonha de ter alguns docentes e licenciados a não conseguirem organizar uma ideia e pô-la num papel, com clareza e objectividade.
De se deparar com textos sem nexo, de pernas para o ar, com erros e vazios de organização.
Num país do século vinte e um, nada disto deveria acontecer.

Abraço.  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

STOP





O País está farto.
Depois de sofrermos quase tudo o que há para sofrer, paramos para pensar.
Será este o caminho?
Será que não teremos que inverter a marcha, fazer um stop rápido?
Às vezes não é fácil.
Na maior parte das vezes, faz-se tarde demais.
Somos teimosos, obstinados e «cegos»!
Não queremos entender que aquele caminho é escorregadio, incerto e que só nos traz maus momentos e desilusões.
É como se, de uma forma masoquista, precisássemos de sofrer.
Intrigante!
Custa aceitar o óbvio.
Tão simples! STOP!
É difícil mudar as pedras do xadrez da vida, sim!
É como que mexer numa estrutura que demorou a montar e que gostaríamos de preservar.
Uma questão de comodismo?
Hábitos arreigados que consideramos intocáveis?
Às vezes é preciso fazer STOP sem pruridos.
A nossa paz interior vale bem esse gesto.
STOP.
Isto vale para a nossa vida pessoal. Mas é válido também para a nossa vida colectiva, enquanto sociedade.  


Abraço.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Pensamento

















Li algures:

O que nos pode destruir a vida,

Não é o que os outros nos fazem,

Mas aquilo que permitimos que eles nos façam.

Abraço.

sábado, 9 de agosto de 2014

Escrita com alma

 



Gosto de ler textos que tenham um pouco da alma de quem os escreve.
Gosto de encontrar aqui e ali bocados de coração envolvidos em ternura.
Gosto de me dar conta da sensibilidade, de quem os cria.
Gosto de dar de caras com o afecto que os trespassa.
Gosto de ver aos poucos o desfilar de sentimentos calmos, embrulhados em beleza.
Saboreio devagar cada imagem e cada ideia.
Nem toda a gente tem esse dom, essa forma de sentir o que escreve e descreve.
Para isso é preciso ter poesia dentro, é preciso que a ternura e o afecto andem a par com a vida.

Abraço.

  

terça-feira, 5 de agosto de 2014

«Não bato...»





«Não bato em quem está em baixo»
Foi exactamente com esta frase que um banqueiro português respondeu a uma jornalista, em relação ao caso Ricardo Salgado.
 Apesar de esse senhor já ter tido posições menos correctas noutras situações relacionadas com o estado de vida dos trabalhadores, desta vez teve pudor!
Talvez por se tratar de um seu igual!
Com este teve o sentido da solidariedade!
Teria sido uma atitude nobre se fosse generalizada, se abrangesse outras situações noutros casos em que tem tomado posição.
Não! Nem sempre a bitola foi a mesma.
Os trabalhadores, esses, não merecem a sua solidariedade.
 «Os sem abrigo não aguentam também»?
Carácter enviesado, o desta pessoa.
 Falta de consideração e estima pelo povo em dificuldade!
Para esses, a compreensão não mora lá!
 Em situações dessas, a generosidade é uma atitude desconhecida.
Bate, sim, nos que estão em baixo!
É preciso é que sejam simples trabalhadores honestos e que vivam do seu trabalho.
Desde que não pertençam à elite de que faz parte.
Sempre vai havendo gente que nem se dá conta de que é lixo.
Apenas uma questão de hábito!


Abraço.

sábado, 2 de agosto de 2014

Ao raiar do dia

 



Logo bem cedo quando a manhã espreita e o silêncio se desfaz, eis que o dia se instala devagar.
O «mundo» prepara-se para mais uma jornada.
Os movimentos acontecem devagar e o corpo ainda quente reage preguiçoso e dolente.
Como é diferente a vida lá fora!
Pessoas ainda meio sonâmbulas encaminham-se cada uma para o seu destino.
O mau humor estampado no rosto e a cara caída dão mostra do pouco entusiasmo que os acompanha.
É a insatisfação e o desagrado com a vida.
 Os problemas não se foram com o sono, continuam lá. O sono só os camuflou!
É preciso não pensar nisso agora, o tempo dirá e as obrigações esperam.

As dificuldades não parecerão tão pesadas se pensarmos um pouco na Faixa de Gaza.
Aquilo, sim, são problemas!
Lá, não há tempo par ver acordar o dia.
Lá, o sol está escondido pelo fumo dos morteiros que não cessam de matar inocentes.
 Lá, os problemas têm outra dimensão.
Lá, o corpo não tem tempo de acordar, porque não pode dormir.
Pensar um pouco nisto ajuda a relativizar.

Abraço.

  

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Grandes Senhores, Alta Finança
















É com alguma surpresa e indignação que se ouvem certas notícias.
Logo de manhã, ainda a gente mal abriu os olhos e zás!
Lá está bem audível:
Ricardo Salgado, aquela figura poderosa, respeitada e considerada, foi preso esta manhã.
Meu Deus! O mito caiu.
O senhor do dinheiro, com o nome manchado.
A ganância terá falado mais alto.
A ganância não tem limites.
Ainda há quem se indigne quando um qualquer cidadão sem emprego, ou com um ordenado de miséria e filhos para sustentar, faz um desvio do que lhe faz falta numa qualquer superfície comercial!
É claro que não é uma atitude de aplaudir, mas ver a fome nos olhos dos filhos também não será fácil!
A esses, coitados, ninguém perdoa.
A estes poderosos, uma boa maquia resolve tudo!...
Ó mundo sem critério!


Abraço.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Falar cerrado

 




A língua portuguesa quanto a mim é uma língua muito bonita, mas é também muito difícil de falar correctamente.
Se analisarmos a coisa com algum pormenor, chegamos à conclusão de que, apesar de sermos todos portugueses, nem sempre fazemos bom uso dela.
Falemos para já da forma como o Povo a utiliza.
De região para região, as formas de dizer são diferentes, tal como a sonoridade também.
Quando se cresce numa zona e depois por questões pessoais e/ou profissionais se vai viver para outro sítio distante, às vezes custa a entrar no linguajar local.  
Se nos virarmos para as Ilhas, então, tudo se complica.
Bom, mas isto falando apenas de sotaques e formas de falar.
Porque se observarmos atentamente os que todos os dias nos entram em casa via televisão e teriam obrigação de falar escorreitamente esta língua de Camões, ficaremos tudo menos felizes.
Diria eu que é de bradar aos céus!
Dizer a palavra correctamente parece que foi coisa que nunca ninguém lhes ensinou.
Deitam para o ar toda a espécie de atoardas, com o à-vontade dos ignorantes e com pose de sabichões.
Mas enquanto se trata de pronúncias e de sotaques, até tem a sua piada, até enriquece o vocabulário popular.
O pior é quando se trata de transmitir correctamente a forma de dizer.
 Se Camões voltasse, morreria de indignação!

Agora decifrem se conseguirem.
Resposta de uma mulher do povo trabalhador da Beira Baixa, quando, à volta de um forno, lhe perguntam se o pão demoraria a cozer?
Resposta:
«Isto, quando os laris estão cotiados,
O forno é c'ma 'ma sartã»!...

Perceberam?
Fica o desafio.


Abraço.

domingo, 20 de julho de 2014

Beleza natural







O sol

É bonito o sol.
É um mundo de luz e de leveza que invade o espírito e faz o coração bater uma batida mais certa como o relógio de parede, que compassadamente faz tic-tac.
Neste silêncio de luz, a esperança é mais real, o Mundo parece mais humano.
Aqui no meu canto já de si colorido, as plantas mostram ainda mais cor.
Os raios trespassam-nas, elas, preguiçosas, estendem os braços ao encontro da luz e do calor.
E crescem com o prazer quente de quem sente a carícia.
Tanta luz faz rir a terra, que se abre em sorrisos rasgados.
O ar leve e fresco passa como que a disfarçar a felicidade de pertencer a um Mundo onde a beleza natural se mostra no seu esplendor!
Devia ser proibido profanar o que de belo o sol nos dá.
Um bom Domingo.


Abraço. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hoje, apenas dois pensamentos!

As únicas críticas que constroem o meu carácter, são aquelas que são feitas nos meus olhos.
O resto, são apenas opiniões vistas com maus olhos!...
O melhor indicador do carácter, é ver como uma pessoa trata outra quando ela precisa da ser bem tratada.
Estas regras não se aplicam a uma pessoa: aplicam-se ao mundo inteiro. 

Abraço.

sábado, 12 de julho de 2014

Em negação

 



O que me levou a este assunto foi o facto de assiduamente ler os comentários que se fazem no facebook  dos  Descendentes do concelho do Sabugal.
É agradável notar que a maioria das/dos beirões que o frequentam são pessoas que se mostram verdadeiras consigo e com o seu passado, sem rebuços e/ou complexos.
Que assumem as suas origens com orgulho, apesar de se notar que alguns tiveram inícios de vida difíceis e que tiveram contacto directo com o trabalho do campo e com as tarefas duras, que de certa forma os marcaram.
É bonito ver que ainda há quem se orgulhe do que foram as suas origens.
Vê-se que têm saudades do canto que os iniciou para a vida e lhes deu as primeiras «ferramentas», para que mais tarde, já lá longe e desenraizados, soubessem escolher melhor o caminho.
Caminho esse que se distingue pelos valores e princípios que os seus mais velhos, naquele pequeno pedaço de país, lhes mostraram com o exemplo das suas próprias vidas.
Fico agradada ao ver este comportamento.
Isto porquê?
Porque são tantos os que se escondem e disfarçam os seus passados!
Os que têm vergonha das suas origens e da dos seus!
Dos que, convencidos da sua superioridade, têm vergonha de mostrar a família que lhes deu o ser.
Os que não aceitam a realidade e vivem eternamente em negação.
Os que constroem para si e para os outros o status  e as origens que gostariam de ter tido.
Gosto das gentes verdadeiras e assumidas.  
Por isso gosto de ir ao Descendentes.


Abraço.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

«Você aqui não manda nada»















Cada vez vemos mais profissionais que dão mostras de pouca preparação para desempenharem a sua profissão.  
Isto para não falar do relacionamento pessoal com quem precisa deles!
Deparamos com factos que dão que pensar.
A que é que isto é devido, é um problema ainda mais sério e que não me compete a mim analisar.
A Escola é que terá o dever de pensar no assunto, de o analisar e de tirar conclusões de uma forma séria.
Damos conta de que os vários e óptimos profissionais que há alguns anos eram considerados e respeitados deixaram disso apenas a lembrança.
A substitui-los, ficaram pessoas com uma preparação fraca e uma grande parte deles sem a cultura social e cívica necessária para porem em prática os mínimos que aprenderam.
Não se nota numa parte dessas pessoas nem respeito nem sensibilidade por nem para com as pessoas que deles precisam.
A cultura geral, a sensibilidade e o civismo estão ausentes dos seus interesses e das suas preocupações.
Infelizmente vemos isto com maior frequência do que desejaríamos, e estranhamos.
Para falar apenas de um caso entre outros que conheço, vou falar de um senhor que é «apenas» um padre e segundo a Igreja, um «ministro de Deus».
Então, aí vai!
Uma pessoa do povo que conheço muito bem e com idade para ser mãe do prior, dirigiu-se à Igreja local e com respeito disse:
«Senhor padre, venho mandar rezar uma missa, por alma de….»
Resposta pronta do prior ainda jovem:  «Você aqui não manda nada, quem manda aqui sou eu»!
Atónita, a pessoa nem percebeu o que ouvira.
Repetiu o pedido da mesma maneira, daquela que ela sempre usara. A resposta repetiu-se.
Magoada e sem compreender a falta de educação do jovem padre, retirou-se!
Só já cá fora é que entendeu!
O padre não entende o linguajar do povo.
Neste caso, do povo da Beira Baixa, que, tanto quanto eu sei, é assim que pede ao padre para rezar uma missa!....
Não! O jovem entendeu o pedido como se fosse uma ordem.
Foi mal-educado, arrogante, insensível e ignorante.
Apenas uma pequena amostra, da mescla das gentes sem qualidade que por aí há.


Abraço.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

É tudo tão relativo

 


Estas últimas duas semanas foram férteis em surpresas tristes.
Casos abruptos e chocantes, deixaram algumas mães sem os seus filhos que amavam.
Longe de imaginarem os duros acontecimentos, receberam em choque a notícia que irá mudar-lhes a vida para sempre.
Assim a seco, rebentou-lhes em cima o raio mais inesperado e mortífero das suas vidas.
É inimaginável o sofrimento de uma mãe que perde um filho, ainda por cima quando ele é jovem e tem o futuro pela frente.
Um tsunami violento derrubou-lhes as vidas e os projectos.
Imagino que o chão se abriu, o cérebro rodopiou e os movimentos prenderam-se.
A vida, essa, deixou de ser.
Onde está tudo aquilo que construíram e projectaram?
O céu está carregado de nuvens.
Tão negras que é impossível ver o caminho.
O sol não promete voltar tão cedo!
Estas mulheres merecem a nossa solidariedade e que lhes digamos que estamos com elas na sua dor.
É relativa, mesmo, a vida!
Se dúvidas houver, é olharmos à nossa volta!...
  

Abraço.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

De Zeca Afonso ao kuduro!




Gosto de música desde que me conheço.
Na minha adolescência, ouvi e dancei ao som das músicas que durante todo o dia passavam na Rádio Altitude da Guarda.
Saltava-me o coraçãozito com toda ela.
Faltava-me a noção da qualidade.
Ainda hoje, ranchos folclóricos, acordeão, bandas, tudo isso me faz bater o pé.
Em determinada altura, já no fim da minha adolescência, chegou-me por via de um amigo, uma cassete gravada por um grupo de cantores de intervenção.
Fizeram isso meio clandestinamente e distribuíram cópias.
Algo mudou em mim.
Meio atordoada, tomei conhecimento daquele género de músca e apaixonei-me por ela.
Foi um abanão psicológico e intelectual!...
Fez-me parar para pensar.
Tratava de assuntos que até então estavam meio nublados no meu espírito. Aos poucos, fui tomando consciência de como a vida era madrasta para alguns e tão fácil para outros.
Abriu-me horizontes e ensinou-me a entender os porquês e os meandros e mistérios que até aí nem questionava.
Ficou para mim tudo mais claro.
Aprendi caminhos alternativos e mais correctos para alcançar uma maior justiça.
Foram anos em que essa música me acompanhou e me ajudou a desbravar caminhos.
Acompanhou-me e deu-me força, em momentos difíceis – como a guerra colonial.
Entre muitos outros e apenas para referir alguns, o José Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o Sérgio Godinho, o Francisco Fanhais, o José Mário Branco, deixaram marcas fortes.
Seria exaustivo falar de tantos. Nossos, brasileiros e de outros países que se juntaram a este movimento de esclarecimento dos mais afastados da realidade.
Aprendi com eles a apreciar o que de bom se pode fazer com músicas e letras de qualidade.
Não posso deixar de me sentir triste quando, de repente, começo a ver essa gente e esses poemas, a sair de cena para darem lugar a autênticas mediocridades, que preenchem os espaços nobres das nossas televisões...
Que saudades e que crime este de desprezar a cultura que nos é tão necessária!
Dou comigo a pensar que de José Afonso ao kuduro e outras que tal, vai um mundo de ignorância de desconhecimento e de distância em relação ao saber. A começar na programação das televisões que enfrascam quem os vê de mediocridade e toneladas de falta de qualidade.
Pobre povo que tão mal tratado és!

Abraço.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Às vezes o silêncio fala




Há um ditado português que diz que «o calado diz tudo».
Em certas situações, concordo com ele.
Principalmente quando a conversa não tem interesse ou quando o diálogo não é possível.
Sim, porque há conversas estéreis e diálogos impossíveis!
Principalmente quando apenas um está disponível, pois para haver diálogo são precisos, pelo menos, dois.
Aí, nada feito.
O pensamento fica trancado no subconsciente, impedido de se manifestar.
Quando isso acontece, a sensação é a de que houve um corte na liberdade de expressão.
É como se nos impusessem um silêncio não desejado, como se nos obrigassem a colocar uma
mordaça.
Claro que quando isso acontece o melhor é o tal silêncio, aquele que fala dentro de nós mas que não se ouve.
Que muitas vezes nos leva apenas a reflectir no porquê da recusa do diálogo!
Quando isto acontece, penso sempre numa cantiga de há muitos anos, cantada pelo então Padre Fanhais.
Com a sua voz inconfundível, forte e clara dizia:
«Cortaram o bico ao Rouxinol!
Rouxinol sem bico não pode cantar»!...
Há gente que nunca entenderá isto!
Pudera, nem lhes passa pela cabeça o que foi a censura!
O que foi calar o pensamento!
Nunca passaram por isso!...
Não lhes levo a mal, é preciso passar para sentir!...


Abraço.







  •                                           Música para ouvir:
                                              Cortaram as asas ao rouxinol
                                              por Francisco Fanhais
                                   Aqui.

    segunda-feira, 23 de junho de 2014

    Indiferença… Desinteresse…

















    O que a gente vai observando todos os dias, dá para reflectir e desabafar para não sufocar.
    A situação política portuguesa (para me situar apenas no que me rodeia) está um caos!
    A maioria dos portugueses está desiludida e descrente.
    Os políticos perderam o brio e deixaram-se transformar em figuras ridículas e desacreditadas.
    Quais saltitões exibicionistas e com sede de poder, digladiam-se na praça pública, apoiados pelos seus acólitos mais próximos.
    Sempre que aparecem com as suas trocas e baldrocas, são motivo de chacota e apelidados com os piores epítetos.
    Esta nova geração deles, na sua maioria pouco preparada, desumanizada, fria e agindo como máquinas, deu origem a este desinteresse e quase desprezo a que foram votados.
     A maior parte das pessoas que ainda olha para eles, principalmente os que vêm de uma geração anterior, perdeu não só a paciência, como perdeu a esperança.
     Dentro das suas figuras ataviadas e com vozes esganiçadas e vazias de conteúdo, entram-nos em casa sem pedir licença e debitam nos nossos ouvidos verdadeiros atentados à inteligência.
    Tornaram-se incómodos e caminham para o descrédito.
    As suas atitudes ridículas, levianas e algumas delas graves, afastam não só quem já em tempos conviveu com políticos a sério mas também os mais jovens, que não viveram essa experiência e pensarão que, desses, não existiram nunca.
    Nasce assim uma nova geração pouco esclarecida e sem capacidade de análise dos problemas que todos os dias vão surgindo e lhes vão transformando a vida num caos!
    Estamos perante políticos injustos, que atingem a torto e a direito uns e outros sem um critério justo e honesto.
    São esses políticos frios, desumanizados e egoístas que estão a transformar o nosso país num deserto de sensibilidade, de sensatez e de humanismo.   
    Onde habitam seres igualmente frios e sem qualidades, que todos os dias praticam as maiores atrocidades!...
    São eles, políticos, que têm vindo a dar origem a um Mundo de descompensados e com deficit de afectos.
    Viciados em futilidades, recorrem a qualquer esquema para as conseguir.
    São esses políticos, e outros que hão-de vir de igual teor, os principais responsáveis por um Mundo menos bom.
    Será que algum dia alguém lhes pedirá contas?

    Abraço.

    sexta-feira, 13 de junho de 2014

    Trampolim

     


    Engraçado!
    Em conversa morna e a propósito do que poderia ser um pequeno meio de comunicação, surgiu a palavra trampolim, que me fez pensar.
    Um trampolim é uma prancha para saltar para as piscinas ou para qualquer outro sítio que se pretenda.
    É um objecto muito usado nos ginásios e em saltos.
    Em política e não só, esta palavra está sempre a vir à liça.
    Também é usada para dizer que este ou aquele posto, lugar ou serviço, é utilizado como trampolim, para outros mais rentáveis, mais importantes e mais convenientes económica ou politicamente.
    Quando alguém usa outros «alguéns» ou serviços para com isso beneficiar a nível pessoal, costuma até dizer-se que está a usá-los para lhe servirem de trampolim.
     Pois bem, todos conhecemos casos e pessoas que fazem uso disso.
    Esta palavra enquadra-se na perfeição, no raciocínio e na ideia que deu origem a esta minha divagação.
    Trampolins!
    Como dão jeito a certa gente!
    E em certos casos, que gente oportunista, digo eu!...


    Abraço.

    sexta-feira, 6 de junho de 2014

    A Família Grande

     




    Esta família grande a que me vou referir hoje, não é só uma família grande, mas uma Grande Família.
    É com orgulho que faço parte dela por via directa.
    Teve a sua origem onde menos se poderia esperar.
    No recato de uma casa paroquial onde habitavam um sacerdote, uma governanta e uma criada.
     Assim, «na paz de Deus»!...
    O silêncio devia ser muito, a solidão doía, o frio chamava companhia e a carne era fraca!...
    O sacerdote, coitado, ainda jovem, caiu em tentação.
    Não conseguiu aguentar os impulsos e zás, não fez apenas um mas quatro filhos.
    Três de uma e um de outra.
    Qual árabe no seu harém.
    Três foram assumidos pela calada, acolhidos num colégio interno em Coimbra e lá receberam a educação que o pai lhes negou!
    A sociedade assim o exigia!
    O outro, coitado, foi atirado à rua com sua mãe, cresceu e fez-se Homem a pulso e com muito sofrer.
    Sem dó nem piedade, Filho de pai Incógnito.
    Foi ele pai de treze filhos (apenas um não se criou) e meu avô e avô de tantos outros que nem sei precisar quantos!
    É esta família de homens e mulheres trabalhadores, honestos e empreendedores, que se auto-denominou por Família Abade.
    Uma forma de criar curiosidade e desmascarar a injustiça que então aconteceu?
    É esta família ou parte dela, que amanhã se vai encontrar para um almoço-convívio na terra onde têm as suas raízes.
    Tenho muita pena de não estar presente.
    Estarei em espírito e com os canais do afecto todos ligados.


    Abração especial para todos eles.