terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A morte saiu à rua





















É triste a morte!
É triste a partida de alguém que amamos!
É triste ver apagar um sorriso que irradia luz!
É trite ver saír de cena, quem ainda não tinha terminado o seu papel!
É triste ver o pano caír e interromper o acto que decorre!
Neste caso o acto de viver!
E como a vida era amada!
Está a ser doloroso assistir a este final!
Imagino o Sabugal hoje mais escuro.
Imagino o Côa a engrossar o seu caudal, com as lágrimas de quem a vê partir.
O Castelo, esse, vejo-o inclinado perante a grandeza da sua alma!
Partiste, mas ficarás no nosso coração para sempre, amiga!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Estórias









Palavras leva-as o vento!...
Não, não era isso que eu queria dizer.
O vento leva é algumas penas, as que são leves!...
As palavras ditas, essas, caem muitas vezes é em saco roto!

Esta lenga-lenga toda para quê?...
Estava aqui a lembrar-me que, enquanto jovem, assisti muitas vezes à saída de pessoas da minha aldeia, à procura de melhores dias!
Ficavam por lá algum tempo na cidade grande e algumas, quando voltavam, vinham cheias de «mania»!
Dizia quem as ouvia que eram umas peneirentas e que... « vê lá! Até já vem a falar «cioso»!... Já nem conhece ninguém e nem sabe o nome dos garranchos, a que andou agarrada tanto tempo!»
E nem as pessoas as entendiam. Dizia-se que falavam caro, com palavras de sete e quinhentos...  
Uma vez, lembro-me que uma «ciosa» tipo tátá de lata, se dirigiu a um homem já casado, mas de estatura muito pequena que estava sentado no meio de um grupo e perguntou agarrando lhe o queixo.«Quem é este miúdo»!
Perante a estupefacção dos presentes que a elucidaram embaraçados,  disse muito afectada «Ai! E eu a chamar miúdo a um homem casado»!
Ficou tudo mais ou menos siderado e ficou também uma estória para contar e um rótulo na criatura!
Também havia aqueles/ aquelas, que esqueceram o passado e as dificuldades. Ficaram a meio caminho do plástico de baixa qualidade!

Abraço.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Neste entretanto...






Estamos então na altura de fazer o bem!
De enchermos os cofres do senhor Belmiro, de meter o ordenado (quem o tem) em equipamentos informáticos topo de gama, de dar desgaste  aos cartões passando-os nas máquinas até fazerem faísca!
Calcorrear sem destino, nem tino, as estradas do país e esturrar as notas nas bombas de gasolina.
Dar um ar de caridadezinha aqui e ali para que não se diga que ficamos com a consciência intranquila!
Passar ao lado dos que precisam depressa e sem olhar muito, não nos vão impressionar e caiamos na tentação de oferecer ajuda!...
E viva a vidinha, que é para se viver, pois ela é curta, coitada!
Esta época natalícia é uma riqueza!
Toda agente se cumprimenta, ainda que durante o ano se ignorem!
Tão amigos que nós somos!
Tão generosos e bem comportados!
É um regalo a distribuir amor!
Um regabofe de «amizade»!...
É engraçada esta forma de amar o próximo!


Bom Ano!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Natal genuíno






























O Natal também pode ser simplicidade com momentos de higiene mental!
Pode ser uma forma de estar com os que mais precisam, pelo menos em pensamento.
Pode ser genuíno e simples.

Está a ser isso o meu Natal.
Sem adereços e sem fugas.
 
Da lareira com filhoses, para a Natureza em estado puro.
Do aconchego para o ar gélido, mas saboroso do Cabo Espichel

É bom este estar natural e tranquilo!
 
Abraço para todos!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Poesia





Transcrevo:


HAJA NATAL..

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

João Coelho dos Santos
in Lágrima do Mar - 1996
Agradeço à Lidinha, minha prima, o envio 

Boas Festas!










Desejo a todos umas festas cheias de coisas boas e muitos afectos! 

Abraço.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Mais uma relíquia
























Há objectos e coisas que nos mantêm ligados ao passado e às pessoas para sempre.
Por exemplo, a casa da minha avó materna e a chave da sua porta!
Era uma casa grande e, segundo a inscrição esculpida na parede, é de mil setecentos e sessenta e sete.
Era uma casa de lavradores, que para a época se podiam classificar como abastados.
Uma casa ampla, onde foram criados os sete filhos da minha avó (apesar de ela dizer quando já demente, que não tinha filhos e que quando morresse ainda levava o «raminho da palma»! Coisa que provocava risos inofensivos em todos!).
Era uma casa de trabalho, mas também de convívios e muitos, muitos afectos.
Numa das varandas, a que dava para as traseiras e virada a Sul, era normal, nos degraus já meio esconsos e gastos pelo tempo e pelo uso, nós, os netos, fazermos deles o sofá mais confortável e deixarmos acontecer grandes e saudáveis convívios, e troca de saberes.
Era lá que se liam às escondidas (pelo menos eu por ser ainda muito jovem e em casa o regime ser apertado),livros que então eram proibidos, como o Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio. Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Dostoievski etc...
Era um dos sítios onde se partilhavam cumplicidades.
Tinha uma vista privilegiada, era rodeada de campo e serras e um sol que a envolvia até se esconder!
Tinha em frente e quase a tocar-lhe tal era a proximidade, a Torre da Igreja.
O sino, dolente mas forte, batia as horas anunciando a todos que era tempo para executar esta ou aquela tarefa, única forma de situar as pessoas no tempo.
A casa da minha avó tinha uma porta grande e forte, por isso mesmo precisava igualmente de uma chave grande, forte e pesada.   
Aquela porta, que se abriu e fechou durante três ou quatro gerações, acusou o desgaste e teve de ser substituída.
A chave, essa peça de museu, que me foi confiada muitas vezes e que eu admirava, iria certamente ser atirada para o esquecimento, qual objecto sem préstimo.
Custou-me imaginar uma relíquia ser abandonada e pedi para ficar com ela.
Tenho-a  comigo há muitos anos!
Esta chave, sem valor material,tem para mim um grande valor afectivo.
É um elo forte que me liga ao meu passado e me leva a fazer voos rasantes e apaziguadores, da saudade que às vezes se instala!  Não me abrirá mais a porta da minha avó, mas abre-me de certeza a porta das minhas memórias e dos meus afectos.

Abraço.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Brincar ao faz de conta





Durante trinta e três anos, brinquei a sério ao faz de conta no Infantário onde trabalhei!
Era o meu trabalho e deu-me muito, muito prazer desempenhá-lo o melhor que sabia!
Adorei entrar no mundo imaginário das crianças e tentar seguir com elas, as suas fantasias cheias de criatividade,imaginação,tanta entrega e magia!
Foi bom demais, descer ao nivel daqueles seres puros e verdadeiros e de uma exigência boa!
Descer ao seu nível, falar a sua linguagem, interpretá-la  e ajudar no seu desenvolvimento, foi enriquecedor e uma grande aprendizagem!
Tenho saudades desses tempos e do contacto aconchegante e verdadeiro das crianças.
Nesta época de Natal, lembro-me sempre da azáfama e do entusiasmo que era a preparação da festinha e principalmente do brilho nos olhos de cada um!
 Bons tempos vividos com intensidade e muito gosto pelo que se fazia.
Desejo a todos umas festas felizes e com muita verdade no coração!


Abraço.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Eco sem som



Um eco enorme surdo e mudo, tomou conta dos gnomos que, tranquilos, viviam a sua vida  naquela pequena clareira do grande bosque!
Um eco que, embora sem som, foi profundo e ensurdecedor.
Quebrou o ritmo e a rotina daquele sítio mágico que era habitado por aqueles seres pequenos, calmos e indefesos.
Pareceu vir das profundezas, das catacumbas, desativadas há longos, longos anos!
Pareceu que o tempo recuou e mostrou a falta de educação do homem daquele tempo!
Grosseiro, intimidatório e autoritário!
A voz, aos urros ameaçava.
Apontava o dedo e dizia:
-Eu! Eu! Eu!...
Vocês? Sem préstimo, causadores de todas as desgraças!
Nós!...Nós!...!Nós!...
Nós é que somos bons, o mundo seria bem melhor só connosco!
Lá longe, bem ao longe, ouviam- se aplausos e berraria de apoio!
Os seres pequenos ficaram incrédulos e sem compreender aquela mensagem tão tonitroante!
Decidiram remeter-se ao silêncio!
Deixaram passar a cólera daquele ser primitivo e só depois de reflectirem continuaram a sua vida calma e à margem das atitudes pouco dignas daquela voz primitiva!

Foi uma espécie de conto!...
Abraço.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Dezembro e o Natal

 



Chegou o mês mais desejado do ano!
O mês da família, das filhós e dos excessos!...
O mês do êxodo das grandes cidades para as origens.
Programam-se as viagens, entopem-se os carros com pessoas e bagagens, e contam-se os dias!
Resmas de caixas e caixinhas levam dentro o que pretende ser, e em alguns casos será, um gesto de amizade e ou de ternura!
Noutros casos serão apenas gestos de faz de conta, que de amizade e afecto terão pouco!
Está assim, quanto a mim, adulterado o Natal!
Não aprecio muito esta época que se mascarou de consumista!!
Consumismo exagerado, ligações humanas e de solidariedade nulas.
Gostava mais quando o Natal tinha magia, e a tradição ainda se praticava nas aldeias e nas famílias!
Aquele que eu e os da minha geração vivemos tão intensamente!
O genuíno, o intimista, o do abra;o quente e das filhós feitas à lareira, com cânticos a acompanhar.
Aquele, sim, era o verdadeiro Natal. Sem pretensões, sem novo  riquismo, simples e quente por dentro.
O gelo ficava lá fora.
Nos corações acontecia Natal!
Esse Natal ainda hoje me acompanha e recordo com alguma nostalgia!
Não havia gestos frios, prendas para cumprir o protocolo, nem beijinhos de circunstância, sem tocar sequer a face.
Esta nova forma de Natal plastificado, deu lugar ao afastamento entre as pessoas e à frieza das relações.
A nossa cultura não passa por Ele!

Abraço.



domingo, 30 de novembro de 2014

Emoção!



PS: Maria do Céu Guerra sobe ao palco contra a violência doméstica



Já há muito que eu não tinha o prazer de ouvir um político fazer um discurso tão carregado de humanismo como hoje.
Ouvi um candidato a primeiro-ministro que trouxe para o primeiro plano do seu discurso as pessoas e os seus problemas e histórias de vida difíceis!
Que falou como qualquer pessoa normal dessas vidas que levam à loucura os homens que diariamente abatem cruelmente as suas companheiras de uma vida (34 nomes lidos com emoção por Maria do Céu Guerra)!
Que teve a sensibilidade de trazer os números arrepiantes desses crimes!
Crimes muitas vezes cometidos pelo desespero de se verem sem vida e com a dignidade roubada.
Que deixou para trás os números frios e calculistas e se emocionou como um ser normal!
Que não se dirigiu a quem o ouviu como se de números frios se tratasse.
Que mostrou calor e não a frieza a que já nos habituaram os tecnocratas e seus capangas!
Foi bom sentir calor humano.
Também eu me emocionei.
É bom saber que os nossos problemas tocam os que porventura um dia terão os nossos destinos nas mãos.
Não sou ingénua e sei que poderei, um dia, sentir-me, mais uma vez, enganada.
Até lá, foi muito aconchegante sentir-me tratada com dignidade!


Abraço.   

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Chuva, vento!




Hoje foi um dia chuvoso que convidou ao recolhimento.
Eu até gosto do tempo assim meio agreste.
Só preciso de me ocupar e apreciar a rua.
Seguir as gotas contínuas de água que rolam pela janela, olhar os ramos lá fora verdascando o vento.
Apreciar a cor cinzenta, sisuda e fechada do céu tão longe!
E pensar! Pensar muito. Reflectir sobre a vida que corre veloz, que nos leva os dias, que nos traz inquietações, e notícias que gostaríamos de não receber!
Que nos deixam suspensos de interrogações e dúvidas!
Fazer o balanço do que já vivemos e interrogarmo-nos se valeu a pena!
É nestes dias de intimismo que concluimos que é melhor excluir o que pesa, o que trava a imaginação, a criatividade e o gosto de gostar da vida e de nós, mesmo com defeito!
A chuva e o vento têm em mim um efeito positivo.
Levam-me á terra dos sonhos e soltam-me!
Levam-me quase a esquecer que os homens não são perfeitos!


Abraço.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Aqui




Aqui, junto ao Mar do Meco, faço de conta que voltei aos anos sessenta!
No silêncio do momento, ouço apenas o crepitar da lareira e um ou outro carro que, ligeiro, passa na rua.
Sem televisão e sem Internet, fui a correr até à minha aldeia.
Sentada numa cadeira de palha, olho o clarão da chama à minha frente.
O cheiro da carne e dos enchidos que entretanto vão assando, regalam-me o olfacto e deixam-me as papilas gustativas em alvoroço.
Da panela de ferro pequena vem um cheiro a caldo verde cortado com o preciosismo que só a minha mãe sabe!
Apesar da lareira acesa e de ter que tapar as pernas com um pano, para que não fiquem tão quentes que ardem, o resto do espaço da cozinha está frio!
Nas costas tenho um casaco de malha grosso para não sentir os efeitos da geada que cai lá fora!
Cheira a aldeia.
O cheiro a fumo que exala das chaminés e o cheiro das ceias de cada um anda no ar!
 Aconchego-me e vou-me preparando para degustar os manjares.
Que bem que se está na minha aldeia junto aos meus!
Entretanto, a realidade é mais forte!
Regresso à minha lareira e ao meu ambiente de hoje.
O som do televisor acordou-me – voltou entretanto!
Saí do sonho bom que me prendeu durante alguns… diria longos momentos.
A falta do televisor afinal é um bem!
Deu-me oportunidade de sonhar! E é bom sonhar quando os sonhos nos trazem paz!


 Abraço.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Gente pequena, gestos grandes





Grande lição de honestidade e princípios deram a este país de corruptos aqueles três trabalhadores do lixo da Póvoa de Varzim.
Gostei de os ver de cabeça erguida e de semblante feliz, quando disseram que foi assim que aprenderam, que foram aqueles os valores que lhes transmitiram!
Grande integridade e grandeza de carácter!
São pessoas sem qualquer preparação específica, apenas trabalhadores que ganham a vida - por acaso, de uma forma bastante dura!
Um gesto bonito e exemplar!
Depois dos abalos telúricos desta semana política, sabe bem ver um gesto tão honesto e desapegado do rei dinheiro!
Estamos todos fartos de corruptos.
Obrigada a estes trabalhadores e à sua simples e bonita honestidade.

Abraço.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Amigos verdadeiros





Foi há pouco tempo aprovada a lei que defende os animais da mão perversa de alguns homens!
 Só pecou pela demora.
Esperemos que seja para cumprir e que não fique numa qualquer gaveta, como acontece com tantas outras leis no nosso país!
A propósito, deparei há dias com um artigo de Maria Helena Matos no jornal ‘on line’ «Observador» que, quanto a mim, demonstra uma grande falta de sensibilidade e de conhecimento dos nossos amigos animais!
Achei um artigo demasiado longo, demasiado confuso e sempre na negativa.
Um artigo em jeito de quem tem que debitar um certo número de palavras (caracteres), para preencher o espaço que lhe está destinado!
Um desperdício!
De palavras e de tempo!
Na página de «facebook» da Defesa dos Animais, as reacções ao texto não tardaram. Não sei se ela as vai ler e se lhes dará alguma atenção. Sei que se ler e tiver o mínimo de pudor, ficará certamente incomodada com o que vai encontrar.
Vejamos! Gostar de animais, protegê-los e acolhê-los não quer dizer esquecer os humanos que sofrem e precisam de nós!  
Até porque concordo com aquela velha máxima que diz que quem não gosta de animais também não gosta de pessoas!
Essa é uma confusão que Maria Helena Matos poderia ter evitado.
Uma coisa não impede a outra!
Deixe que a sensibilidade, os afectos e o apreço de alguns pelos animais, lhes sejam úteis em tudo o que for possível fazer!
Só assim se conseguirão proteger os indefesos e inocentes que mereciam de certeza melhor sorte!
Mereciam um País que os acolhesse com dignidade, um país culto e civilizado!
Será que a senhora não se comove com o olhar doce de um cão, de um cavalo ou de outro bicho qualquer abandonado? Ou simplesmente são-lhe indiferentes?
Para uma figura mais ou menos pública, é mau ser insensível!
E a responsabilidade de educar fica onde?
Conheço-a há muitos anos.
Surpresa? Não!


Boa tarde.      

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Os rapazes…



















Se há qualidade que eu aprecio numa pessoa, é a frontalidade!
Falar das coisas mais complicadas olhos nos olhos, civilizadamente e sem máscaras, disfarces, máquinas ou anonimato!
Há um colaborador da SiC, Hernâni de Carvalho, que por acaso já deu provas de coragem noutros momentos (por exemplo em Timor Leste aquando da independência), que usa essa frontalidade diariamente, ao denunciar factos menos claros e desleixo das autoridades responsáveis.
Foi isso que fez hoje mais uma vez ao referir-se ao caso da Legionela.
«O que andam a fazer os rapazes do governo»?
É verdade, digo eu!
Como é possível deixar andar assim, ao desmazelo, coisas que implicam tão grandes perigos
se não forem devidamente fiscalizadas!
As mortes estão aí!
Não há dúvida de que estamos perante uma grande irresponsabilidade!
E agora? Quem se responsabiliza?
Quem assume esta falta de responsabilidade e da capacidade de liderar?
Estamos mesmo entregues a «rapazes»!

Abraço.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Deboche no Parlamento




Ontem, ao espreitar um pouco a televisão numa hora de notícias, olhei com espanto um senhor ministro no Parlamento, por acaso o da economia, a falar à Assembleia de uma forma apalhaçada!
Olhei e fiquei siderada. Que falta de decoro e que forma mais desadequada, para ser usada por um alto representante do Povo!
Que eles, ministros, são todos abaixo do nível e impreparados para tarefa tão séria - isso é verdade. Mas desempenhar aquele papelão é demais!
Penso eu que não só não se dá ao respeito, como desrespeita o local e o Povo que lhe paga!
Será que errou a profissão? Ou terá feito algum estágio com o Filipe Lá Féria?
 Tanto num caso como no outro, não é no Parlamento que deve estar, mas em algum circo de feira a divertir os transeuntes!
Ministros!...
 Ainda por cima aquele que até tem uma pose de gente séria!  


Boa noite.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O comboio do meu desencanto

 



O comboio da Beira Baixa de há quarenta anos marcou a minha vida de jovem.
Sempre desde que me conheço houve carro lá em casa e por isso não precisei de o utilizar nunca.
Utilizei -o apenas após me casar, nas idas e vindas de e para Lisboa.
Já há algum tempo falei aqui de como me foi difícil sair da minha terra, mas por uma questão de enquadramento vou fazê-lo hoje outra vez.
Fui criada no Casteleiro e muito agarrada à família, às tradições e às vivências diárias.
Custou-me imenso largar tudo e sair para um meio que desconhecia.
A primeira viagem foi no dia em que casei.
Nesse dia era festa, não cabiam questões de outra natureza que não fosse o sonho! 
Tudo se alterou quando se tornou uma situação necessária e de rotina.
 Ir ao Casteleiro, tudo bem. Mas regressar era sempre aquele drama!
Aquele comboio ronceiro, barulhento, maçador e com um cheiro intenso a óleo, era deprimente.
Era desconfortável e albergava gente para lá do que podia e devia: era um armazém apinhado e mal arrumado de humanos e de bagagens de toda a espécie!
Uns sentados em bancos frios, outros em pé, durante as nove/dez horas que demorava a viagem.
Para mim, tempo demasiado desgastante a nível físico e emocional.
Sentia que aquele comboio deprimente me afastava a cada minuto, para mais longe do meu berço aconchegante e tão cheio de afectos.
O dia que mais me marcou foi aquele em que tive que me despedir de minha mãe por dois anos, na estação de Belmonte.
Esse dia deixou a marca das marcas!
Cheguei a Lisboa desfeita e de olhos inchados!
A partida para Angola a acompanhar o marido que forçadamente fora levado para a guerra, impunha-se.
Foi uma opção demasiado dolorosa e que nunca esquecerei!
Aquele comboio foi uma vez mais o monstro de mais uma estória da minha vida!
Hoje tudo é diferente, mas aquela imagem, aquele som e aquele cheiro continuam nas minhas memórias. 


Abraço.

domingo, 2 de novembro de 2014

Homenagem






Já passaram muitos anos mas é como se fosse ontem.
Não preciso de datas especiais para os recordar, os homenagear e lhes agradecer por terem sido as pessoas que foram.
Foram eles que me deram as bases em que assenta a minha personalidade.
Agradeço-lhes todos os dias o amor, e a ternura com que me olhavam e me ensinavam tudo o que de melhor sabiam.
Deixaram-me muito cedo!
Tão cedo que as cicatrizes, profundas, anda não sararam!
Recordo-os muitas vezes com um sorriso.
O pouco tempo que estiveram comigo foi de alegria e muita qualidade!
Tenho-os sempre bem junto do meu coração.

 Hoje, uma homenagem ainda mais sentida!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Publico, como recebi: imperdível




"AS CANALHÍADAS"




        Se Camões fosse vivo, escreveria assim os "Canalhíadas":





I
As sarnas de barões todos inchados

Eleitos pela plebe lusitana

Que agora se encontram instalados

 Fazendo o que lhes dá na real gana

 Nos seus poleiros bem engalanados,

 Mais do que permite a decência 

 Olvidam-se do quanto proclamaram

 Em campanhas com que nos enganaram!


II
 E também as jogadas habilidosas

 Daqueles tais que foram dilatando

 Contas bancárias ignominiosas,

 Do Minho ao Algarve tudo devastando,

 Guardam para si as coisas valiosas

 Desprezam quem de fome vai chorando!

 Gritando levarei, se tiver arte,

 Esta falta de vergonha a toda a parte!


III
 Falem da crise grega todo o ano!

 E das aflições que à Europa deram;

 Calem-se aqueles que por engano

 Votaram no refugo que elegeram!

 Que a mim mete-me nojo o peito ufano

 De crápulas que só enriqueceram

 Com a prática de trafulhice tanta

 Que andarem à solta só me espanta.


IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado

 Por quem sempre senti carinho ardente

 Não me deixeis agora abandonado

 E concedei engenho à minha mente,

 De modo a que possa, convosco ao lado,

 Desmascarar de forma eloquente

 Aqueles que já têm no seu gene

 A besta horrível do poder perene!