quinta-feira, 24 de julho de 2014

Grandes Senhores, Alta Finança
















É com alguma surpresa e indignação que se ouvem certas notícias.
Logo de manhã, ainda a gente mal abriu os olhos e zás!
Lá está bem audível:
Ricardo Salgado, aquela figura poderosa, respeitada e considerada, foi preso esta manhã.
Meu Deus! O mito caiu.
O senhor do dinheiro, com o nome manchado.
A ganância terá falado mais alto.
A ganância não tem limites.
Ainda há quem se indigne quando um qualquer cidadão sem emprego, ou com um ordenado de miséria e filhos para sustentar, faz um desvio do que lhe faz falta numa qualquer superfície comercial!
É claro que não é uma atitude de aplaudir, mas ver a fome nos olhos dos filhos também não será fácil!
A esses, coitados, ninguém perdoa.
A estes poderosos, uma boa maquia resolve tudo!...
Ó mundo sem critério!


Abraço.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Falar cerrado

 




A língua portuguesa quanto a mim é uma língua muito bonita, mas é também muito difícil de falar correctamente.
Se analisarmos a coisa com algum pormenor, chegamos à conclusão de que, apesar de sermos todos portugueses, nem sempre fazemos bom uso dela.
Falemos para já da forma como o Povo a utiliza.
De região para região, as formas de dizer são diferentes, tal como a sonoridade também.
Quando se cresce numa zona e depois por questões pessoais e/ou profissionais se vai viver para outro sítio distante, às vezes custa a entrar no linguajar local.  
Se nos virarmos para as Ilhas, então, tudo se complica.
Bom, mas isto falando apenas de sotaques e formas de falar.
Porque se observarmos atentamente os que todos os dias nos entram em casa via televisão e teriam obrigação de falar escorreitamente esta língua de Camões, ficaremos tudo menos felizes.
Diria eu que é de bradar aos céus!
Dizer a palavra correctamente parece que foi coisa que nunca ninguém lhes ensinou.
Deitam para o ar toda a espécie de atoardas, com o à-vontade dos ignorantes e com pose de sabichões.
Mas enquanto se trata de pronúncias e de sotaques, até tem a sua piada, até enriquece o vocabulário popular.
O pior é quando se trata de transmitir correctamente a forma de dizer.
 Se Camões voltasse, morreria de indignação!

Agora decifrem se conseguirem.
Resposta de uma mulher do povo trabalhador da Beira Baixa, quando, à volta de um forno, lhe perguntam se o pão demoraria a cozer?
Resposta:
«Isto, quando os laris estão cotiados,
O forno é c'ma 'ma sartã»!...

Perceberam?
Fica o desafio.


Abraço.

domingo, 20 de julho de 2014

Beleza natural







O sol

É bonito o sol.
É um mundo de luz e de leveza que invade o espírito e faz o coração bater uma batida mais certa como o relógio de parede, que compassadamente faz tic-tac.
Neste silêncio de luz, a esperança é mais real, o Mundo parece mais humano.
Aqui no meu canto já de si colorido, as plantas mostram ainda mais cor.
Os raios trespassam-nas, elas, preguiçosas, estendem os braços ao encontro da luz e do calor.
E crescem com o prazer quente de quem sente a carícia.
Tanta luz faz rir a terra, que se abre em sorrisos rasgados.
O ar leve e fresco passa como que a disfarçar a felicidade de pertencer a um Mundo onde a beleza natural se mostra no seu esplendor!
Devia ser proibido profanar o que de belo o sol nos dá.
Um bom Domingo.


Abraço. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Só

Hoje, apenas dois pensamentos!

As únicas críticas que constroem o meu carácter, são aquelas que são feitas nos meus olhos.
O resto, são apenas opiniões vistas com maus olhos!...
O melhor indicador do carácter, é ver como uma pessoa trata outra quando ela precisa da ser bem tratada.
Estas regras não se aplicam a uma pessoa: aplicam-se ao mundo inteiro. 

Abraço.

sábado, 12 de julho de 2014

Em negação

 



O que me levou a este assunto foi o facto de assiduamente ler os comentários que se fazem no facebook  dos  Descendentes do concelho do Sabugal.
É agradável notar que a maioria das/dos beirões que o frequentam são pessoas que se mostram verdadeiras consigo e com o seu passado, sem rebuços e/ou complexos.
Que assumem as suas origens com orgulho, apesar de se notar que alguns tiveram inícios de vida difíceis e que tiveram contacto directo com o trabalho do campo e com as tarefas duras, que de certa forma os marcaram.
É bonito ver que ainda há quem se orgulhe do que foram as suas origens.
Vê-se que têm saudades do canto que os iniciou para a vida e lhes deu as primeiras «ferramentas», para que mais tarde, já lá longe e desenraizados, soubessem escolher melhor o caminho.
Caminho esse que se distingue pelos valores e princípios que os seus mais velhos, naquele pequeno pedaço de país, lhes mostraram com o exemplo das suas próprias vidas.
Fico agradada ao ver este comportamento.
Isto porquê?
Porque são tantos os que se escondem e disfarçam os seus passados!
Os que têm vergonha das suas origens e da dos seus!
Dos que, convencidos da sua superioridade, têm vergonha de mostrar a família que lhes deu o ser.
Os que não aceitam a realidade e vivem eternamente em negação.
Os que constroem para si e para os outros o status  e as origens que gostariam de ter tido.
Gosto das gentes verdadeiras e assumidas.  
Por isso gosto de ir ao Descendentes.


Abraço.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

«Você aqui não manda nada»















Cada vez vemos mais profissionais que dão mostras de pouca preparação para desempenharem a sua profissão.  
Isto para não falar do relacionamento pessoal com quem precisa deles!
Deparamos com factos que dão que pensar.
A que é que isto é devido, é um problema ainda mais sério e que não me compete a mim analisar.
A Escola é que terá o dever de pensar no assunto, de o analisar e de tirar conclusões de uma forma séria.
Damos conta de que os vários e óptimos profissionais que há alguns anos eram considerados e respeitados deixaram disso apenas a lembrança.
A substitui-los, ficaram pessoas com uma preparação fraca e uma grande parte deles sem a cultura social e cívica necessária para porem em prática os mínimos que aprenderam.
Não se nota numa parte dessas pessoas nem respeito nem sensibilidade por nem para com as pessoas que deles precisam.
A cultura geral, a sensibilidade e o civismo estão ausentes dos seus interesses e das suas preocupações.
Infelizmente vemos isto com maior frequência do que desejaríamos, e estranhamos.
Para falar apenas de um caso entre outros que conheço, vou falar de um senhor que é «apenas» um padre e segundo a Igreja, um «ministro de Deus».
Então, aí vai!
Uma pessoa do povo que conheço muito bem e com idade para ser mãe do prior, dirigiu-se à Igreja local e com respeito disse:
«Senhor padre, venho mandar rezar uma missa, por alma de….»
Resposta pronta do prior ainda jovem:  «Você aqui não manda nada, quem manda aqui sou eu»!
Atónita, a pessoa nem percebeu o que ouvira.
Repetiu o pedido da mesma maneira, daquela que ela sempre usara. A resposta repetiu-se.
Magoada e sem compreender a falta de educação do jovem padre, retirou-se!
Só já cá fora é que entendeu!
O padre não entende o linguajar do povo.
Neste caso, do povo da Beira Baixa, que, tanto quanto eu sei, é assim que pede ao padre para rezar uma missa!....
Não! O jovem entendeu o pedido como se fosse uma ordem.
Foi mal-educado, arrogante, insensível e ignorante.
Apenas uma pequena amostra, da mescla das gentes sem qualidade que por aí há.


Abraço.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

É tudo tão relativo

 


Estas últimas duas semanas foram férteis em surpresas tristes.
Casos abruptos e chocantes, deixaram algumas mães sem os seus filhos que amavam.
Longe de imaginarem os duros acontecimentos, receberam em choque a notícia que irá mudar-lhes a vida para sempre.
Assim a seco, rebentou-lhes em cima o raio mais inesperado e mortífero das suas vidas.
É inimaginável o sofrimento de uma mãe que perde um filho, ainda por cima quando ele é jovem e tem o futuro pela frente.
Um tsunami violento derrubou-lhes as vidas e os projectos.
Imagino que o chão se abriu, o cérebro rodopiou e os movimentos prenderam-se.
A vida, essa, deixou de ser.
Onde está tudo aquilo que construíram e projectaram?
O céu está carregado de nuvens.
Tão negras que é impossível ver o caminho.
O sol não promete voltar tão cedo!
Estas mulheres merecem a nossa solidariedade e que lhes digamos que estamos com elas na sua dor.
É relativa, mesmo, a vida!
Se dúvidas houver, é olharmos à nossa volta!...
  

Abraço.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

De Zeca Afonso ao kuduro!




Gosto de música desde que me conheço.
Na minha adolescência, ouvi e dancei ao som das músicas que durante todo o dia passavam na Rádio Altitude da Guarda.
Saltava-me o coraçãozito com toda ela.
Faltava-me a noção da qualidade.
Ainda hoje, ranchos folclóricos, acordeão, bandas, tudo isso me faz bater o pé.
Em determinada altura, já no fim da minha adolescência, chegou-me por via de um amigo, uma cassete gravada por um grupo de cantores de intervenção.
Fizeram isso meio clandestinamente e distribuíram cópias.
Algo mudou em mim.
Meio atordoada, tomei conhecimento daquele género de músca e apaixonei-me por ela.
Foi um abanão psicológico e intelectual!...
Fez-me parar para pensar.
Tratava de assuntos que até então estavam meio nublados no meu espírito. Aos poucos, fui tomando consciência de como a vida era madrasta para alguns e tão fácil para outros.
Abriu-me horizontes e ensinou-me a entender os porquês e os meandros e mistérios que até aí nem questionava.
Ficou para mim tudo mais claro.
Aprendi caminhos alternativos e mais correctos para alcançar uma maior justiça.
Foram anos em que essa música me acompanhou e me ajudou a desbravar caminhos.
Acompanhou-me e deu-me força, em momentos difíceis – como a guerra colonial.
Entre muitos outros e apenas para referir alguns, o José Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o Sérgio Godinho, o Francisco Fanhais, o José Mário Branco, deixaram marcas fortes.
Seria exaustivo falar de tantos. Nossos, brasileiros e de outros países que se juntaram a este movimento de esclarecimento dos mais afastados da realidade.
Aprendi com eles a apreciar o que de bom se pode fazer com músicas e letras de qualidade.
Não posso deixar de me sentir triste quando, de repente, começo a ver essa gente e esses poemas, a sair de cena para darem lugar a autênticas mediocridades, que preenchem os espaços nobres das nossas televisões...
Que saudades e que crime este de desprezar a cultura que nos é tão necessária!
Dou comigo a pensar que de José Afonso ao kuduro e outras que tal, vai um mundo de ignorância de desconhecimento e de distância em relação ao saber. A começar na programação das televisões que enfrascam quem os vê de mediocridade e toneladas de falta de qualidade.
Pobre povo que tão mal tratado és!

Abraço.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Às vezes o silêncio fala




Há um ditado português que diz que «o calado diz tudo».
Em certas situações, concordo com ele.
Principalmente quando a conversa não tem interesse ou quando o diálogo não é possível.
Sim, porque há conversas estéreis e diálogos impossíveis!
Principalmente quando apenas um está disponível, pois para haver diálogo são precisos, pelo menos, dois.
Aí, nada feito.
O pensamento fica trancado no subconsciente, impedido de se manifestar.
Quando isso acontece, a sensação é a de que houve um corte na liberdade de expressão.
É como se nos impusessem um silêncio não desejado, como se nos obrigassem a colocar uma
mordaça.
Claro que quando isso acontece o melhor é o tal silêncio, aquele que fala dentro de nós mas que não se ouve.
Que muitas vezes nos leva apenas a reflectir no porquê da recusa do diálogo!
Quando isto acontece, penso sempre numa cantiga de há muitos anos, cantada pelo então Padre Fanhais.
Com a sua voz inconfundível, forte e clara dizia:
«Cortaram o bico ao Rouxinol!
Rouxinol sem bico não pode cantar»!...
Há gente que nunca entenderá isto!
Pudera, nem lhes passa pela cabeça o que foi a censura!
O que foi calar o pensamento!
Nunca passaram por isso!...
Não lhes levo a mal, é preciso passar para sentir!...


Abraço.







  •                                           Música para ouvir:
                                              Cortaram as asas ao rouxinol
                                              por Francisco Fanhais
                                   Aqui.

    segunda-feira, 23 de junho de 2014

    Indiferença… Desinteresse…

















    O que a gente vai observando todos os dias, dá para reflectir e desabafar para não sufocar.
    A situação política portuguesa (para me situar apenas no que me rodeia) está um caos!
    A maioria dos portugueses está desiludida e descrente.
    Os políticos perderam o brio e deixaram-se transformar em figuras ridículas e desacreditadas.
    Quais saltitões exibicionistas e com sede de poder, digladiam-se na praça pública, apoiados pelos seus acólitos mais próximos.
    Sempre que aparecem com as suas trocas e baldrocas, são motivo de chacota e apelidados com os piores epítetos.
    Esta nova geração deles, na sua maioria pouco preparada, desumanizada, fria e agindo como máquinas, deu origem a este desinteresse e quase desprezo a que foram votados.
     A maior parte das pessoas que ainda olha para eles, principalmente os que vêm de uma geração anterior, perdeu não só a paciência, como perdeu a esperança.
     Dentro das suas figuras ataviadas e com vozes esganiçadas e vazias de conteúdo, entram-nos em casa sem pedir licença e debitam nos nossos ouvidos verdadeiros atentados à inteligência.
    Tornaram-se incómodos e caminham para o descrédito.
    As suas atitudes ridículas, levianas e algumas delas graves, afastam não só quem já em tempos conviveu com políticos a sério mas também os mais jovens, que não viveram essa experiência e pensarão que, desses, não existiram nunca.
    Nasce assim uma nova geração pouco esclarecida e sem capacidade de análise dos problemas que todos os dias vão surgindo e lhes vão transformando a vida num caos!
    Estamos perante políticos injustos, que atingem a torto e a direito uns e outros sem um critério justo e honesto.
    São esses políticos frios, desumanizados e egoístas que estão a transformar o nosso país num deserto de sensibilidade, de sensatez e de humanismo.   
    Onde habitam seres igualmente frios e sem qualidades, que todos os dias praticam as maiores atrocidades!...
    São eles, políticos, que têm vindo a dar origem a um Mundo de descompensados e com deficit de afectos.
    Viciados em futilidades, recorrem a qualquer esquema para as conseguir.
    São esses políticos, e outros que hão-de vir de igual teor, os principais responsáveis por um Mundo menos bom.
    Será que algum dia alguém lhes pedirá contas?

    Abraço.

    sexta-feira, 13 de junho de 2014

    Trampolim

     


    Engraçado!
    Em conversa morna e a propósito do que poderia ser um pequeno meio de comunicação, surgiu a palavra trampolim, que me fez pensar.
    Um trampolim é uma prancha para saltar para as piscinas ou para qualquer outro sítio que se pretenda.
    É um objecto muito usado nos ginásios e em saltos.
    Em política e não só, esta palavra está sempre a vir à liça.
    Também é usada para dizer que este ou aquele posto, lugar ou serviço, é utilizado como trampolim, para outros mais rentáveis, mais importantes e mais convenientes económica ou politicamente.
    Quando alguém usa outros «alguéns» ou serviços para com isso beneficiar a nível pessoal, costuma até dizer-se que está a usá-los para lhe servirem de trampolim.
     Pois bem, todos conhecemos casos e pessoas que fazem uso disso.
    Esta palavra enquadra-se na perfeição, no raciocínio e na ideia que deu origem a esta minha divagação.
    Trampolins!
    Como dão jeito a certa gente!
    E em certos casos, que gente oportunista, digo eu!...


    Abraço.

    sexta-feira, 6 de junho de 2014

    A Família Grande

     




    Esta família grande a que me vou referir hoje, não é só uma família grande, mas uma Grande Família.
    É com orgulho que faço parte dela por via directa.
    Teve a sua origem onde menos se poderia esperar.
    No recato de uma casa paroquial onde habitavam um sacerdote, uma governanta e uma criada.
     Assim, «na paz de Deus»!...
    O silêncio devia ser muito, a solidão doía, o frio chamava companhia e a carne era fraca!...
    O sacerdote, coitado, ainda jovem, caiu em tentação.
    Não conseguiu aguentar os impulsos e zás, não fez apenas um mas quatro filhos.
    Três de uma e um de outra.
    Qual árabe no seu harém.
    Três foram assumidos pela calada, acolhidos num colégio interno em Coimbra e lá receberam a educação que o pai lhes negou!
    A sociedade assim o exigia!
    O outro, coitado, foi atirado à rua com sua mãe, cresceu e fez-se Homem a pulso e com muito sofrer.
    Sem dó nem piedade, Filho de pai Incógnito.
    Foi ele pai de treze filhos (apenas um não se criou) e meu avô e avô de tantos outros que nem sei precisar quantos!
    É esta família de homens e mulheres trabalhadores, honestos e empreendedores, que se auto-denominou por Família Abade.
    Uma forma de criar curiosidade e desmascarar a injustiça que então aconteceu?
    É esta família ou parte dela, que amanhã se vai encontrar para um almoço-convívio na terra onde têm as suas raízes.
    Tenho muita pena de não estar presente.
    Estarei em espírito e com os canais do afecto todos ligados.


    Abração especial para todos eles.

    quarta-feira, 4 de junho de 2014

    Trastes





















    Um traste, tanto quanto eu sei, é um objecto ou uma pessoa sem préstimo.
    Um trastezinho então terá ainda menos valor, menos préstimo e utilidade.
    Isto vem a propósito de uma pequena reflexão sobre o que nos vai surpreendendo no dia-a-dia.
    Dou comigo a pensar em como seria triste, sentir-me encaixada neste rol!
    Ser considerada um traste ou um trastezinho e ser apenas o invólucro sem préstimo!...
    Se pensarmos bem, quantos circulam e se cruzam connosco diariamente por aí.
    Alguns nem disfarçam, outros aparecem-nos camuflados de gente preparada.
    Apesar disso, não passam de trastes!
    Ou melhor.
    De trastezinhos!...
    Detestaria fazer parte de um ou de outro grupo.

     Abraço.

    segunda-feira, 26 de maio de 2014

    E o lacaio…


     



    O dia foi longo, o embate foi ainda maior.
    O lacaio aflito correu para a patroa.
    «Senhora Lagarde, a coisa não correu bem. E agora?»
    Ela, solícita: «Calma, tudo se vai resolver. É só continuares a seguir o trilho. O caminho está aberto, continua bem comportado, não falhes as instruções, não te faltará nada!..»
    «Mas…senhora…Lagarde, é que já não gostam de mim, das minhas brincadeiras de masoquista inveterado!...»
    «Não penses nisso, dá-lhes que eles aguentam! Tira-lhes a pele, aperta-lhes mais o cinto, manda os velhos à fava, os doentes que se lixem, os jovens que emigrem, que há cá muitos!...»
    «Pois é, senhora Lagarde!... Mas…»
    «Tem calma, tu és um bom trabalhador, continua a tua tarefa, para nós estás a ser muito útil, vais ser compensado».
    «Muito obrigado, senhora Lagarde, é uma patroa muito generosa!»
    «Até à próxima, espero ordens!...»
    E o lacaio-mor afastou-se a fazer salamaleques, submisso.


    Abraço.

    quinta-feira, 22 de maio de 2014

    Os amigos…





    Foi hoje ao percorrer os facebooks de alguns amigos, que esta frase me chamou a atenção.
    «AMIGOS NÃO SÃO AQUELES QUE NOS LIMPAM AS LÁGRIMAS, MAS AQUELES QUE NÃO AS FAZEM CAIR».
    Fiquei a pensar naquela expressão para mim tão acertada!
    É verdade! Quantas vezes aqueles que se dizem nossos amigos são os que nos provocam a lágrima, que com surpresa nos rola pelo rosto.
    Ser amigo/a verdadeiro, exige muita generosidade, muita verdade e muita capacidade de digerir.
    Talvez alguns pensem que não, mas todos nós somos cheios de defeitos e fraquezas.
    Não há os especiais, os que estão acima de qualquer erro. Ninguém é isento!
    Se não viremo-nos um pouco para dentro e façamos uma pequena reflexão séria e honesta.
    Acharemos de certeza falhas e lacunas.
    Depois bastará apenas querermos aperfeiçoar.
    Remodelar um pouco a nossa forma de ser e de estar e tentar corrigir o que achámos que está menos bem.
    Os bons amigos proporcionam uns aos outros um convívio são e leve, sem aleijar.
    Provocar lágrimas é que será mesmo uma atitude condenável!
    Não me vou esquecer daquela frase.
    «AMIGOS NÃO SÃO AQUELES QUE NOS LIMPAM AS LÁGRIMAS, MAS AQUELES QUE NÃO AS FAZEM CAIR»


    Abraço.  

    sexta-feira, 16 de maio de 2014

    A propósito de Família



    Ontem foi o dia da Família.
    Embora não tenha o culto dos dias disto e daquilo, hoje apeteceu-me muito falar da minha família.
    Desde que me conheço, que sempre tive laços fortes de amizade com os meus.
    Toda a minha vida foi assente nos alicerces onde ela foi estruturada.
    A família representa para mim a alegria, o bem-estar, o apoio e o equilíbrio.
    Sempre que possível com ela partilhei todos os momentos importantes da minha vida.
    Foi sempre o meu refúgio e a minha força de todas as horas.
    Infelizmente, esse suporte muito cedo estremeceu, abanou e ruiu.
    No meio de muitas atribulações, perdi entretanto o contacto que tinha com o outro ramo familiar, que também me tinha sido muito caro.
    Devo dizer que me fez muita falta e que me senti quase incompleta, sem essas referências para mim tão necessárias.
    Felizmente e para meu sossego e alegria, encontrei no fim de muito tempo (tempo de mais), alguns daqueles a quem noutros tempos estive mais ligada!
    Foi um presente inesperado!
    A vida e os seus percalços!...
    A família para mim é tão importante que quando não a tenho me sinto incompleta.
    Hoje em especial, um forte abração para todos os que reencontrei e que estão a fazer com que a minha vida seja ainda mais bonita.  

    Abraço.

    segunda-feira, 12 de maio de 2014

    «Acabaram-se me os dzêris»






    Em todas as aldeias existem personagens que são vítimas de chacota e de um certo deboche.
    Sou por natureza mais ou menos boa observadora.
    Era junto à minha casa que aos domingos e feriados à tarde se concentrava grande número de pessoas. Era no rés do chão da minha casa que estava instalada a televisão pública que na altura era a coqueluche!...
    Grandes e pequenos, viam televisão, conviviam e arranjavam muitas vezes namoricos.
    Todos os fins-de-semana vinha ao Casteleiro um rapaz nascido e criado numa quinta dos arredores.
    Era um camponês castiço, campónio puro, que pelo menos enquanto criança, fez a sua vida sem conhecer nada do mundo – e nesse mundo, estava incluído o Casteleiro.
     Chegou a idade em que a natureza se encarrega de mudar tudo e o bom do Alberto, não aguentou a pressão dos impulsos.
    Todas as semanas rumava ao Casteleiro com ar enamorado, à procura de par.
    Andou por ali uns tempos. E não era parvo o mancebo! Deitou o olho a uma rapariga das mais bonitas do grupo, que, de férias da escola, também procurava divertir-se.
     Deu nas vistas aquele ar enlevado!...
    Coitado do Alberto. Tomaram-lhe posse do corpo e era demais o que faziam dele.
    A moça, essa, divertiu-se à sua custa e à custa da sua inocência. Era um deboche.
    Às tantas, ele já não tinha como responder a tanta provocação.
    De um modo carinhoso falso, dizia-lhe a moça:
    «Então, Albertinho, não fala»?
    «Acabaram-se-me os dzêres!...»
    O seu ar apaixonado era quase constrangedor!....
    Gente jovem.
    Naquela altura era a forma de se divertirem.
    Sem que daí viesse grande mal ao mundo.

    Abraço.

    domingo, 11 de maio de 2014

    Manual de instruções?







    É isso. A vida deveria ter manual de instruções?
    Tudo ali delineado, organizado, muito bem explicadinho?
    «Deixa cá espreitar o que há para fazer hoje e como»!
    Na verdade, tudo seria bem mais fácil, mais seguro e bem menos stressante.
    Diminuiriam as neuroses, o stress, as preocupações e as surpresas desagradáveis não teriam lugar.
    Diminuiria a ansiedade e a vida não sofreria abanões que às vezes têm o efeito de um tsunami.
    Mas… a ser assim, onde ficaria o encanto?
    As facilidades, a falta de engenho, a papinha toda feita não seriam um tédio?
    Uma coisa seria certa. Evitar-se-iam muitos erros, muitas decepções e muitas desilusões.
    Evitavam-se muitos passos em falso, muitas atitudes menos correctas e muitos caminhos ínvios.
    Apesar de tudo, a vida tem que ser vivida e desbravada por cada um. Tem que ser programada com o esforço de todos e com o entusiasmo que, esse sim, preenche e compensa!        
    O bom senso e a imaginação têm um papel preponderante e tenaz.
    Então, manual de instruções para quê?

    Abraço.

    terça-feira, 6 de maio de 2014

    Sinfonia no silêncio



    Gosto muito de ouvir boa música.
    Também gosto muito de ouvir o silêncio.
    Neste momento optei pelo silêncio.
    Sabe bem parar, repousar das tarefas normais do dia-a-dia e ouvir os sons que me chegam da Natureza.
    Com a Primavera já instalada, os pássaros fazem pela vida e apoderaram-se da minha árvore de estimação aqui do quintal.
    Todos em uníssono, soltam pius…pius…, que se transformam numa música ritmada, com notas ora estridentes e em coro, ora baixas, como se de uma melodia calma se tratasse.
    As rolas, ronceiras e repetitivas, fazem trru…trru… , anunciando que estão prontas para a festa do acasalamento.
    O cão da vizinha rosna, quando o incomodam na sua longa sesta, onde vai buscar as energias perdidas durante a noite enquanto os donos dormem.
    As galinhas cacarejam e o galo diz com o seu vozeirão, que quem manda na capoeira é ele.
    O ventinho mole sibila moderadamente por de cima das árvores, que agitam as folhas incomodadas, preguiçosas e dolentes.
    Eu, à falta de outro tema, escuto, saboreando a variedade, e vou escrevendo e descrevendo, a realidade que me envolve.
    Desta minha atitude, não virá mal ao Mundo!...
    A ideia é ocupar-me.
    Ocupar o cérebro e partilhar, com os que me lerem, este ambiente bucólico e despoluído, em que ainda vou tendo o privilégio de viver.
    Gosto da sinfonia de sons que me envolve!
    Gosto muito do silêncio que deixa que eu a oiça, à sinfonia.
    Depois, este espaço virtual que venho utilizando também serve para mostrar o outro eu que há em mim.
    Obrigada, mãe Natureza!...
    Abraço.

    sexta-feira, 2 de maio de 2014

    O reencontro

     Pedra da Mua, Cabo Espichel


    Não escrevo há já uma semana.
    De vez em quando falta a vontade, a motivação - o que dizer: outros interesses!..
    Neste caso foram quase e só mesmo outros interesses.
    A Primavera instalou-se, os passeios são apelativos e a Natureza convida.
    Os olhos ainda com o reflexo da chama da lareira, estavam precisados de paisagens abertas, de ar puro e morno, dos sons únicos desta época, dos cheiros das plantas em flor, da maresia misturada com eucalipto e pinho!...
    Enfim, digamos que é o apelo da Mãe Natureza e de toda a sua beleza.
    O físico agradece mais esta variedade de movimento. O cérebro fica mais oleado e os neurónios mais arejados.
    Depois, aconteceu ainda outra variedade mais ou menos inesperada.
    Ultimamente tenho vindo a ser surpreendida com factos e encontros que me têm dado muito prazer e inundado de luz o espírito.
    O pensamento e a memória têm sido ocupados por contactos e recordações que, durante muito tempo, estiveram arquivados e quase selados, por os achar tão afastados e «incapazes» de os reencontrar!
    Afinal, há certas etapas da nossa vida que nem qualquer imbecil sádico comanda.
    Essas pertencem-nos e é com elas que aguentamos outras, bem precisadas de serem ignoradas!      
    Penso que tudo isto tem contribuído para esta paragem nos meus habituais «devaneios», aqui, com quem os aprecia.
    Voltarei, sempre que me aprouver!


    Abraço.