segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Gasparzinho












Era uma vez um menino, que vivia num país longínquo, numa torre de marfim.
Vivia feliz no seu mundo de sonho e sem dificuldades aparentes.
Esse menino que tinha fama de menino-prodígio, era o Gasparzinho.
Um belo dia, o pobre do Gasparzinho, foi perturbado na sua vida de harmonia e descontracção.
Com características de líder sabichão, foi chamado a ajudar a apagar um «incêndio».
Só uma sumidade como ele estaria à altura.
Coitado do Gasparzinho.
Não teve como dizer não.
Largou tudo e partiu.
A situação que encontrou não foi de modo nenhum animadora.
Achou mesmo que era catastrófica.
Recolheu-se para pensar.
Era responsabilidade a mais para um menino assim, mimado e protegido como ele.
Mas o Gasparzinho era um génio.
Não podia falhar.
Depois de analisar a situação, muito acabrunhado, sentenciou.
O problema… é que… há… muitos… preguiçosos… neste país!
Este… incêndio… deflagrou…, porque… ninguém… mexeu… uma… palha… para o… evitar!
Com o semblante cada vez mais carregado, sem levantar os olhos dos papéis, com umas olheiras que mais pareciam as canalizações da Baixa, disse:
- E-s-t-e   p-a-í-s   v-a-i   a-r-d-e-r    m-e-s-m-o.
N-ã-o   h-á   c-o-m-o  c-o-n-t-r-o-l-a-r   e-s-t-e   i-n-c-ê-n-d-i-o.
Coitado do Gasparzinho, mais parecia um «robot» encravado e ao ralenti…
Para ouvi-lo, era preciso engolir uma dose de paciência do tamanho do mundo!...

Ouve quem desistisse do discurso.
Às urtigas a inteligência do menino-prodígio.

E o Gasparzinho lá ficou… P-a-t-a-ti…p-a-t-a-t-a…

Que saudades da torre de marfim!... – terá pensado.

Abraço.

domingo, 13 de novembro de 2011

É bonito mesmo












Desde que, há três anos e três meses, me encontro reclusa por vontade própria, neste canto que me encanta, aqui numa aldeia de Sesimbra, que sinto a cada momento, os olhos cheios de natureza prenhe de beleza.
Ele é o mar que cada dia nos apresenta uma variante.
Ora calmo e grande, com o seu ar bonacheirão.
Ora enraivecido e espumando furioso sem paciência.
Ele é o campo com a sua grandeza imponente de pinheirais sem fim à vista.
São as hortas que, durante todo o ano, enchem as casas de hortaliças e frutos saborosos.
É o ambiente de aldeia em si, que me envolve e devolve aos meus tempos de menina saudável e livre.
Àquele tempo em que se iam colher, ali, rápido, as couves para o caldo verde.
Ou o tomate para a salada.
É este sítio que me envolve e devolve às relações de proximidade e afecto com os vizinhos.
É aqui que me reconhecem na rua e me estimam nos mais variados sítios que frequento.
É esta beleza física e com afectos, que me enche a alma e o coração.
Que me dá alento para esquecer momentos menos bons, que afinal todos nós temos.
É neste canto que passo o meu tempo.
Onde sinto que cresci muito.
Onde de uma forma calma e tranquila, tenho tempo para me dedicar a coisas para as quais não tinha tempo nem disponibilidade psicológica.
É aqui que penso a fundo nas coisas da vida.
É aqui que «mastigo».
Assimilo, digiro e traduzo os acontecimentos do dia-a-dia
É aqui que tento resolver-me.
É aqui que gosto de estar e onde me sinto bem.
Neste cantinho, na península de Sesimbra.
Algures, bem juntinho ao Oceano Atlântico.

Aqui.

Abraço.

sábado, 12 de novembro de 2011

Entusiasmos













Ser entusiasta quanto a mim, é agarrar tudo o que se faz com garra.
É aplicarmo-nos, seja o que for que façamos.
Com alegria, com prazer, com dinamismo.
É bom sentir prazer com o que se faz.
Para isso temos de trabalhar com as condições mínimas exigidas.
Um salário razoável, um horário compatível, e um ambiente que nos proporcione bem-estar e estabilidade.
É claro que estas condições seriam as ideais.
Todos sabemos que não existem e que na maior parte das vezes temos que nos superar para que o que fazemos nos agrade a nós e aos outros.
Bom, mas se agora as condições muitas vezes nos desagradam, como será quando entrarem em vigor os «castigos» que nos esperam, em termos de austeridade tanto material como física?
Como irão as pessoas reagir e resistir?
Onde irão buscar forças para trabalhar com o tal gosto e entusiasmo?
Se até aqui havia gente acabrunhada e triste, o futuro não se apresenta promissor.
Sobrecarga de horários, diminuição de ordenados e regalias, aumento de impostos, de bens essenciais – quem poderá viver e exercer com prazer e entusiasmo a sua vida tanto profissional como pessoal?
Resumindo: o seu dia-a-dia?
O país está destinado a ser um país triste, de olhos baços e sorriso apagado.
Ainda haverá estofo económico e emocional para este embate?

Só os donos do dinheiro escaparão a este trambolhão…

Estarei a ser demasiado pessimista?

Aguardemos para ver.

Abraço.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Saudade














Ausência de quem se ama.
Espaço vazio.
Tristeza
Melancolia.
Dor.
Amargura.
Disfarce.
Falta.
Ansiedade.
Aperto de alma.
Necessidade de preencher o vazio.
Muitas vezes impossível.

Uma angústia para sempre?

Uma mágoa quase sempre difícil de contornar.

Abraço. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dor será o quê?











A dor pode ser sentida de várias formas.
Pode ser uma dor física, quem não a sentiu já?
Ou pode ser uma dor emocional.
Para mim que já «provei» as duas, a emocional custa-me bem mais a suportar.
No campo físico, já tive uma cólica renal durante cinco dias, que até hoje foi do pior que senti. É mesmo para não esquecer!...
No campo emocional, aí, sou uma veterana.
Não precisaria de experimentar mais.
E como descrever a dor?
Impossível.
É um mal-estar geral às vezes insuportável, que nos deixa infelizes, de mau humor, rezingões até.
È imensurável, cada um tem a sua forma de a manifestar e de a suportar.
É um sentimento profundo, que pode atingir-nos no mais profundo do nosso ser.
Pode derrubar-nos, tirar-nos a vontade de viver.
A tão conhecida depressão, é normalmente a primeira a apresentar-se, respeitosamente pontual.
A dor, diria eu, comanda a vida.
A dor emocional então, é uma assassina mesmo.

«Vá de retro»!...

Abraço.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Violência doméstica















Está na moda.

Todos os dias na comunicação social se noticiam casos de violência doméstica.
As notícias que nos chegam têm tendência a crescer preocupantemente.
A última que veio a público foi mortal e de grande violência.
Assistimos, assim, a um crescendo cada vez maior de crimes contra pessoas indefesas e sem saída para este grave problema.
E que pessoas são estas que agridem assim gratuitamente uma pessoa frágil e quantas vezes dependente a nível económico e até emocional?
E quais os motivos que os levam a cometer tais actos?
E de que meio vêm?
Apenas é preciso pensar um pouco e ter acesso a alguma leitura sobre o assunto, para chegarmos a algumas conclusões.
Nada de novo.
Normalmente são pessoas alcoolizadas.
Pessoas dependentes de drogas.
Pessoas que estão sem trabalho.
Pessoas perturbadas psicológica ou emocionalmente.
Pessoas dependentes de medicamentos, como anti-depressivos.
Pessoas de nível social médio alto.
Embora também aconteçam noutras camadas mais baixas.
Haverá alguns, e isto sou eu que digo, que são apenas tiranos e pronto.
Outros haverá ainda, que são sádicos por natureza.
Bom, depois destas conclusões, teremos que chegar a outras.
Perante os factos relatados, preparemo-nos para o que estará para vir.
Com o país falido e com as dificuldades a aumentar, quem as irá pagar?
A mulher, como ser mais frágil, será o alvo a atingir?

E vivam os valentões.

Abraço.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Homo erectus















Ai, países socialistas, o que fizeram de vós?...

Há já alguns anos, no tempo em que a minha inocência ainda era virgem, acreditei com muita força, que o socialismo a sério era o caminho correcto para a cultura, a educação, a assistência na saúde e o progresso em geral.
Eis que, e bem de perto, me deparo ao vivo e a cores com situações e gente oriunda desses países, que me leva a concluir que fui muito bem enganada.
Tudo não passou de uma ilusão.
De um grande equívoco.
Aquilo em que ao longo de anos acreditei, e pelo qual lutei convicta, foi apenas uma valente fraude dourada com ouro baratucho e falso.
Os países que, diziam, davam cartas no campo da educação, do ensino, da cultura e da saúde, só existiram na minha pobre cabeça limpa das «maningâncias», e dos ardis dos homens do poder.
Do poder interesseiro e calculista, claro.
Não fui a única.
Muitos caíram no mesmo engodo.
Pois hoje sei, porque testemunho, que esses países deixaram os seus povos na maior das pobrezas e na maior das ignorâncias.
E não só pobreza económica, mas também pobreza de conteúdos.
Por defeito de educação (ou deseducação), são de um vazio de conhecimento, de carácter, de sentimentos, de sensibilidade e de cultura seja de que tipo for, que eu pensaria que só nos primórdios da humanidade pudesse acontecer.
Tenho-me deparado com situações que nem nas aldeias mais recônditas, há muitos anos atrás, aconteciam.
Estou de queixo caído.
Sinto-me uma idiota.
Uma ingénua, uma otária
Que gente é esta que apareceu aqui com uma mão à frente e outra atrás, com a roupa do corpo na maior das misérias, e o único objectivo é ganhar dinheiro?
Nunca ouviram falar de princípios, e só desejam uma casa no país de origem, e um bom carro para lá mostrar? Em terras sem qualquer condição para viver: nem alcatrão, nem electricidade pública eficaz, nem higiene e lama até aos calcanhares…
Nem que para isso tenham que faltar com a alimentação aos filhos e, como se costuma, dizer, vender a mãe.
Informação? Não é com eles. Tudo lhes passa ao lado. Nem querem saber.
As tradições então, são do mais primitivo que se conhece.
Onde está o tão apregoado socialismo?
Que desilusão!...
Machismo é mais que muito. A mulher para eles é uma escrava. Os filhos nem sabem o que é afecto nem princípios de educação.
Falta-lhes em formação o que lhes sobra em arrogância e vaidade.
Isto só no tempo do «homo erectus»… Sem ofensa para o «homo erectus». 

Abraço.

domingo, 6 de novembro de 2011

Monótona?




Rota da Memória








Quando escrevo no meu blogue, às vezes penso que me podem achar monótona.
Porquê?
Porque falo muitas vezes de temas que poderão parecer repetitivos.
O mar, a natureza, a degradação da sociedade actual, as «malabarices» dos políticos etc.
A verdade é que são temas que me dominam.
Uns pela proximidade, outros pela minha vivência ou porque mexem com a minha sensibilidade de cidadã que se preocupa com o seu país e com a dignidade do mesmo
Há momentos em que faço uns intervalos.
Curto as mágoas do dia-a-dia.
Coisas sem importância!
Uma maldade ou outra sem sentido, que só serve a quem faz uso dela.
Bom, mas se calhar isto sou eu a falar, a fazer uma rebobinagem do que está escrito.
Depois ao abrir diariamente este pequeno e despretensioso espaço, verifico que afinal há gente que todos os dias está comigo, embora respeitosamente em silêncio.

Não é este um blogue intimista?

Agradeço o respeito.

Já agora informo que estou no ar há dez meses e é admirada que verifico que neste momento, tenho exactamente três mil e vinte e três visitas.
Juro que me surpreende.
Quando comecei, pensei que não merecesse esta atenção.
Nem sequer sabia se seria capaz de ter capacidade para trilhar este caminho.
Parece que tudo tem que ter atrás algum incentivo e algum apoio psicológico.

Obrigada pelo apreço.
Prometo continuar a ser autêntica e verdadeira como sempre – comigo e com quem me lê.

É um prazer.

Abraço.

sábado, 5 de novembro de 2011

Horizonte aberto












Numa tarde de sol frio e mais ou menos envergonhado, ali estava eu no habitáculo pequeno do meu Toyota Yaris, que comprei há sete anos e paguei com o fruto do meu trabalho.
Ali.
Com uma perspectiva única e rara, de olhos postos no mar que se confundia com a linha do horizonte.
Para completar o cenário, ouvia pela enésima vez um C D de música cigana.
Baixinho, como convinha no momento.
Não fosse a música alterar a tranquilidade do cenário e do local.
E a minha, que era muita.
O sol esforçava-se por furar as nuvens grossas e por acaso muito belas, que teimavam em o ofuscar.
As nuvens venceram a batalha, com o beneplácito do arco-íris, que fez questão de aparecer também.
Não é para admirar, o sol já reinou muito este ano.
Só houve um senão.
O vento, que não gosta de ser confrontado, deu também o ar da sua graça.
Rugia a sério.
O carrito, que por acaso estava ao cimo de uma ravina, de vez em quando abanava!
Pensei:
- Não quero acabar assim, aos trambolhões até ao mar.
Já fui demasiado feliz aqui.
Venceu o bom senso.
Saí.
Fui procurar o aconchego da lareira, que nestes dias também me conforta muito.
Quase me faz esquecer a crise.

Crise?

Só para alguns.
Abraço.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A vida












O que é a vida?

É luz.
É sol.
É liberdade é convívio.
É trabalho, quando há.
É alegria, é tristeza.
É amor, desamor.
Maldade.
Hipocrisia.
É saúde, é doença.
É drama.
É fome.
É um poema vivido com ou sem entusiasmo.
A vida é um enigma.
Difícil de decifrar.
A vida é um misto de sentimentos.
A vida é um mistério.
É uma criança a sorrir.
A vida é um sonho que se vai construindo e desfazendo aos poucos.
Sem retorno.
A vida, às vezes, é desilusão.
A vida é uma roda que não pára.
A vida devia ser apenas e só…

Uma entrega.

Sem egoísmos, sem golpes baixos.
A transbordar generosidade.

Abraço.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Reclusão












Hoje foi dia de reclusão.

Acordei de manhã ao som do ribombar de trovões ensurdecedores e de uma chuva torrencial que quase fazia fumo.

Saltei da cama meio atordoada, abri o estore e observei o temporal.
Para ser franca, a coisa impunha respeito.
Voltei para a cama e, aconchegada no edredão, assisti a mais um espectáculo com que a Natureza de vez enquando nos presenteia.
Lá fora, na rua deserta, a luta era feroz.
A trovoada era violenta.
Vinha do Cabo Espichel e, quando é assim, fia fino.
Foi uma manhã de preguicite boa e morna.
Ficaram para trás os projectos da rotina diária.
Apesar de tudo, foi um dia diferente.
Melancólico mas tranquilo.
De vez em quando, é preciso esquecer a vida que vai lá fora.
Está demasiado feia e complicada.
A reclusão pode ser um intervalo na trapalhada.

Abraço.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os protegidos












Fica-se de cara à banda com as notícias que, dia após dia, nos vão chegando.

Todos ex-ministros.
Todos malabaristas da trafulhice.
Todos escolhidos a dedo pelos responsáveis máximos do poder.
No mínimo, só poderá querer dizer que foram tiros fora do alvo!...

Tiros perdidos.

Esses senhores não só não respeitaram quem neles depositou confiança, mas também, conscientemente, encheram os bolsos à nossa custa.
Aproveitaram-se do poder, dos conhecimentos, das facilidades, para deitarem mãos à obra e vai de fazer todas as negociatas em proveito próprio.
Tudo pela calada.
Tudo premeditado, acautelando o futuro, porque aquela oportunidade não dura sempre.
Será que ninguém nunca, se apercebeu de que não havia seriedade da parte daqueles senhores?
Será que não havia indícios nenhuns?
Encheram-se, besuntaram-se até mais do limite.
Só depois já a transbordar e cá fora, é que lhes apontaram o dedo!...

Os nossos governantes em cada hora parecem todos uns ingénuos relativamente aos da hora anterior...

Como é que ainda se confia nesta gente?
 Para quando a próxima surpresa?
Será que é a confirmação da última que chegou?

Não quero acreditar!...

Abraço

domingo, 30 de outubro de 2011

Ausência












O teu desaparecimento definitivo foi duro.
 Dilacerou-me o coração.
Foste uma amiga grande.
Intensa.
Meiga.
E companheira.
A morte chegou de rompante.
Sem avisar.
Ceifou a tua vida de gata linda.
Roubou-me dias de alegria.
Acabou com a nossa cumplicidade.
Com os nossos «diálogos» de gato que só nós compreendíamos.
Com as nossas brincadeiras que faziam de mim uma criança grande.
Fechou para sempre os teus olhinhos.
Meigos e azuis da cor do céu.

Está a ser difícil deixar de te ver nos teus lugares preferidos.
Está a ser duro não ouvir o miar doce quando chamavas.
Está a ser duro estar privada do teu contacto terno.

Está a doer a lembrança sempre presente, do teu corpo já sem vida mas ainda quente, nos meus braços.
Os meus olhos humedecem sem eu querer.

Vou conseguir.
Sem te esquecer nunca.
Tu mereces.

Até sempre, Bianquinha.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Naquela esplanada












Naquela esplanada de inverno, com o mar, as dunas e escarpas, em pano de fundo, usufruímos de um tempo de lazer com qualidade máxima.
Acresce ainda, a música de fundo que, de acordo com a paisagem envolvente, dava ainda mais calma e tranquilidade ao momento.
É isto a praia no Inverno aqui numa aldeia de Sesimbra que, há vinte e tal anos, poucos conheciam.
Hoje, e especialmente depois de um enorme temporal, as ondas estão enfurecidas.
A revolta põe à distância qualquer visitante que se aproxime.
É boa esta calma, quando lá fora tudo anda num rodopio.
Os poucos frequentadores entram com pressa de se refugiarem naquele canto, que os acolhe com a tranquilidade que precisam.
Preenche o nosso espírito, este ambiente.
É bom constatar que a praia não é agradável só no verão.
Onde corpos meio desnudados se espraiam na areia quente.
É também um local de recolhimento e diálogos sussurrantes.
De convívios descontraídos e relaxantes que nos deixam mais leves.

O mar tem todos os condimentos de que precisamos para estar bem.

Abraço.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Emoções












Ser mais ou menos emotivo, não depende da nossa vontade.
Faz parte do carácter de cada um.
Não é fácil controlar este lado de uma personalidade.
Faz parte da matriz de origem.
É uma herança, é congénito.
É claro que é preciso fazer esforço para alterar essa forma de ser.
O resultado final nunca é completamente satisfatório.
A natureza impõe-se.
Ser emotivo tem raízes profundas.
Controlá-las dá imenso trabalho.
Somos nós a digladiarmo-nos connosco mesmos.
Dessa luta resultam sempre marcas.
Por vezes difíceis de eliminar.
Ficam no arquivo da nossa existência.
Para, numa próxima oportunidade, virem ao de cima e regalarem-se com o entusiasmo de um sádico.
É este o destino de um emotivo.
Sem rancores nem raivas.
Apenas com a sua forma de ser, que às vezes enfada.
Que, digo eu, às vezes dói muito.
Ainda que tenhamos a consciência de que ser racional é preciso.
Ainda que lutemos por isso.
É claro que as emoções também dão alegrias.
Há uma certa forma de saborear com muita força o que nos rodeia.
De sentir o belo.
O que dá prazer.

Uma forma de ser, intensa e forte.
Que às vezes também enche a alma.

Há sempre prós e contras!...

Abraço.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A chuva e o vento












Lá fora, o vento assobia e fustiga a chuva que, raivosa, cai sem dó.
Depois de tanto tempo ausente, parece querer vingar-se.
O céu, esse, está sisudo.
Não dá confiança, mantém-se neutro, a sua cor cinza não convida a festas.
Gosto de ver esta luta, aqui do meu posto de observação, donde vejo os ramos pendentes que não param e suportam esta batalha renhida.
Já tinha saudades deste espectáculo da Natureza.
Que pode e avança a seu bel-prazer.
Desde que não abuse, é bonito de ver este poder, esta determinação que nenhum homem domina.
O frio é que se mantém afastado desta contenda.
Não quer confusões.
Quando se aproximar, precisa de espaço.
Precisa que todos nos perfilemos encasacados e meio encolhidos, em sinal de respeito.
É assim que o Outono finalmente se vai mostrando.
O Inverno espreita de longe.
Por mim, gosto do que vejo.
Este tempo é o ideal para o recolhimento que me sabe sempre bem.
Posso parecer egoísta, mas também eu já suportei muitos dias de frio, vendaval e chuva.
Nunca deixei de estar presente.
Levei sempre muito a sério as minhas obrigações.

Abraço.  

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Lutos
















Ao longo da minha vida, infelizmente já fiz vários.
Vários e fortes.
Não daqueles que nos dão apenas pena, que nos chocam mas depois no fim de uns dias, poucos, passam e a vida continua.
Não. Os que fiz, foram a doer.
Foram de doer mesmo, de marcar fundo e, mesmo com o tempo passando, eles permaneceram no coração e, ainda que não queiramos, vão-no deixando um pouco mais triste.
Até podemos esforçar-nos para não o mostrar, mas os nossos olhos traem-nos, está tudo lá escrito. É só observar.
Há imagens que não se apagam porque sim.
Há sentimentos que não se alteram porque faz jeito a alguém.
Há dores que permanecerão connosco até ao fim.
Não há como dar a volta.
Fica o carimbo bem gravado no coração e no cérebro.
Quem não passou por situações traumáticas, não pode compreender.
Pode até achar que são fraquezas, são debilidades ou apenas pieguices.
Não, posso garantir que, quando se perdem cinco quilos numa semana, depois de um golpe desses, não é por acaso. Não é porque sim apenas.
Hoje, que estou ainda na ressaca da perda da minha gatinha Bianca, veio-me, sem nada fazer para isso, este tema á memória.
Catarses por vezes necessárias e muitas vezes retidas.
Desta vez existe o blogue.
Prometo sair desta fase.

Abraço.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A minha gatinha Bianca











É com o coração ainda muito apertado, que vou falar desta amiga grande que nos deixou no dia vinte e dois à tarde, sem nada o fazer prever.
Como considero este meu espaço intimista, acho que posso «descarregar» nele a tristeza que neste momento estou, estamos, a viver.
A gata Bianca era de uma dedicação e atitudes quase humanas.
Com uma ligação muito forte com os donos, sobretudo a mim, é difícil passar por este episódio sem sofrer.
Calma, caseira, sempre com um rom- rom doce e apelando aos mimos sem ser chata.
Era de uma inter-acção com os donos que diria pouco vulgar.
Tinha gestos para, junto de nós, conseguir tudo o que precisava.
Por exemplo para lhe darmos água da torneira do bidé, que era onde gostava de beber.
Para me chamar para a cama, onde se enroscava a meu lado e me dava lambidelas como se fossem beijinhos.
Para pedir comida quando a tigela já tinha o fundo a ver-se.
Para gemer junto de mim se me visse triste.
E com os seus olhos azuis cor do céu, mostrar ternura, preocupação ou entusiasmo e alegria, conforme a situação.
Era uma gata alegre, brincalhona e atrevida.
Enquanto viveu foi muito feliz.
A paixão mútua que vivemos ficará para sempre na minha, nossa, memória.
Vai ser difícil apagar a imagem dela já sem vida, apesar de ter ficado com o aspecto bonito que sempre teve.
A pancada na cabeça que levou fora da estrada, foi trabalho de um ser sem nome e sem noção do perigo, que por acaso movimenta um volante.
Não era hábito sair de dentro do espaço dela.
Será que há mesmo uma hora marcada?

Até logo, Bianca. Estarás sempre aqui.   

Abraço.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Outono dá a «cara»













Já a meio da estação, começa agora a sentir-se um cheirinho de Outono.
As manhãs frescas, as noites a pedirem o edredão quentinho e fofo.
O sol que se mistura com um ar bem mais fresco, e a esconder-se rápido no horizonte.
Nas casas, as luzes ascendem-se cedo.
As portas a fechar-se, é um convite ao intimismo.
No aconchego das quatro paredes, passamos a ser só nós.
Nós e os nossos fantasmas, os nossos problemas e os nossos prazeres e alegrias.
Nós, perante nós.
Este Outono renitente, com castanhas a cair dos ouriços sorridentes, já quase piladas.
Este Outono com folhas de cores que me deslumbram.
Tons que me vergam perante esta natureza de enorme beleza.
Outono de cores fortes.
Que me transmite calma.
Uma calma doce, que mais parece vir das profundezas da terra.
Esta beleza que aquece e esvoaça, que nos enche o coração de paz.
Outono.
Desta vez chegou tarde.

Mas é bem-vindo e especial.

Abraço.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Povo submisso













Só um povo de paz como o nosso aguentaria tanta prepotência e insensibilidade como nós estamos a aguentar.
O que se está a passar em Portugal, só pode ter resultado da incompetência de quem tem governado ao longo de décadas.
Ou então, porque não quiseram perder a oportunidade de rechear as suas contas e as contas dos amigos, e fizeram de conta que não viram nada!
Agora é vê-los bem na vida dentro e fora do país, com brutos tachos ou donos de empresas, que dão cartas no mundo das negociatas.
Nós até sabemos quem são.
Conhecemo-los, um a um.
E não somos só nós, povo, que os conhecemos.
Todos, no poder, os conhecem.
Alguns, muitos, ainda por lá gravitam a dar uma de inocentes, enquanto continuam a fingir que trabalham, que estão ao serviço do país.
Tanta sacanice e desonestidade é demais.
Porque tentam ainda fingir que não têm nada a ver com esta trapalhada que está montada?
Só um povo de paz baixaria a cabeça…e submissamente se calaria.
Admira-me bastante o quase silêncio de algumas figuras públicas, que estão sempre a dar-se ares de gente de bem e humanista.
De vez em quando aparecem a dizer umas coisas mais ou menos teóricas, que não estão de acordo, rebéu rebéu…
Mas falta a coragem para actuar.
Resta a imagem de «pai do céu de lata», como dizem alguns amigos alentejanos.

Assim não.

O povo está meio adormecido, mas ainda mexe e pode haver surpresas.
E, então, pode ser um caos ainda maior para todos.
Não gostaria de ver.

Abraço.