sábado, 2 de agosto de 2014

Ao raiar do dia

 



Logo bem cedo quando a manhã espreita e o silêncio se desfaz, eis que o dia se instala devagar.
O «mundo» prepara-se para mais uma jornada.
Os movimentos acontecem devagar e o corpo ainda quente reage preguiçoso e dolente.
Como é diferente a vida lá fora!
Pessoas ainda meio sonâmbulas encaminham-se cada uma para o seu destino.
O mau humor estampado no rosto e a cara caída dão mostra do pouco entusiasmo que os acompanha.
É a insatisfação e o desagrado com a vida.
 Os problemas não se foram com o sono, continuam lá. O sono só os camuflou!
É preciso não pensar nisso agora, o tempo dirá e as obrigações esperam.

As dificuldades não parecerão tão pesadas se pensarmos um pouco na Faixa de Gaza.
Aquilo, sim, são problemas!
Lá, não há tempo par ver acordar o dia.
Lá, o sol está escondido pelo fumo dos morteiros que não cessam de matar inocentes.
 Lá, os problemas têm outra dimensão.
Lá, o corpo não tem tempo de acordar, porque não pode dormir.
Pensar um pouco nisto ajuda a relativizar.

Abraço.

  

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Grandes Senhores, Alta Finança
















É com alguma surpresa e indignação que se ouvem certas notícias.
Logo de manhã, ainda a gente mal abriu os olhos e zás!
Lá está bem audível:
Ricardo Salgado, aquela figura poderosa, respeitada e considerada, foi preso esta manhã.
Meu Deus! O mito caiu.
O senhor do dinheiro, com o nome manchado.
A ganância terá falado mais alto.
A ganância não tem limites.
Ainda há quem se indigne quando um qualquer cidadão sem emprego, ou com um ordenado de miséria e filhos para sustentar, faz um desvio do que lhe faz falta numa qualquer superfície comercial!
É claro que não é uma atitude de aplaudir, mas ver a fome nos olhos dos filhos também não será fácil!
A esses, coitados, ninguém perdoa.
A estes poderosos, uma boa maquia resolve tudo!...
Ó mundo sem critério!


Abraço.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Falar cerrado

 




A língua portuguesa quanto a mim é uma língua muito bonita, mas é também muito difícil de falar correctamente.
Se analisarmos a coisa com algum pormenor, chegamos à conclusão de que, apesar de sermos todos portugueses, nem sempre fazemos bom uso dela.
Falemos para já da forma como o Povo a utiliza.
De região para região, as formas de dizer são diferentes, tal como a sonoridade também.
Quando se cresce numa zona e depois por questões pessoais e/ou profissionais se vai viver para outro sítio distante, às vezes custa a entrar no linguajar local.  
Se nos virarmos para as Ilhas, então, tudo se complica.
Bom, mas isto falando apenas de sotaques e formas de falar.
Porque se observarmos atentamente os que todos os dias nos entram em casa via televisão e teriam obrigação de falar escorreitamente esta língua de Camões, ficaremos tudo menos felizes.
Diria eu que é de bradar aos céus!
Dizer a palavra correctamente parece que foi coisa que nunca ninguém lhes ensinou.
Deitam para o ar toda a espécie de atoardas, com o à-vontade dos ignorantes e com pose de sabichões.
Mas enquanto se trata de pronúncias e de sotaques, até tem a sua piada, até enriquece o vocabulário popular.
O pior é quando se trata de transmitir correctamente a forma de dizer.
 Se Camões voltasse, morreria de indignação!

Agora decifrem se conseguirem.
Resposta de uma mulher do povo trabalhador da Beira Baixa, quando, à volta de um forno, lhe perguntam se o pão demoraria a cozer?
Resposta:
«Isto, quando os laris estão cotiados,
O forno é c'ma 'ma sartã»!...

Perceberam?
Fica o desafio.


Abraço.

domingo, 20 de julho de 2014

Beleza natural







O sol

É bonito o sol.
É um mundo de luz e de leveza que invade o espírito e faz o coração bater uma batida mais certa como o relógio de parede, que compassadamente faz tic-tac.
Neste silêncio de luz, a esperança é mais real, o Mundo parece mais humano.
Aqui no meu canto já de si colorido, as plantas mostram ainda mais cor.
Os raios trespassam-nas, elas, preguiçosas, estendem os braços ao encontro da luz e do calor.
E crescem com o prazer quente de quem sente a carícia.
Tanta luz faz rir a terra, que se abre em sorrisos rasgados.
O ar leve e fresco passa como que a disfarçar a felicidade de pertencer a um Mundo onde a beleza natural se mostra no seu esplendor!
Devia ser proibido profanar o que de belo o sol nos dá.
Um bom Domingo.


Abraço. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Hoje, apenas dois pensamentos!

As únicas críticas que constroem o meu carácter, são aquelas que são feitas nos meus olhos.
O resto, são apenas opiniões vistas com maus olhos!...
O melhor indicador do carácter, é ver como uma pessoa trata outra quando ela precisa da ser bem tratada.
Estas regras não se aplicam a uma pessoa: aplicam-se ao mundo inteiro. 

Abraço.

sábado, 12 de julho de 2014

Em negação

 



O que me levou a este assunto foi o facto de assiduamente ler os comentários que se fazem no facebook  dos  Descendentes do concelho do Sabugal.
É agradável notar que a maioria das/dos beirões que o frequentam são pessoas que se mostram verdadeiras consigo e com o seu passado, sem rebuços e/ou complexos.
Que assumem as suas origens com orgulho, apesar de se notar que alguns tiveram inícios de vida difíceis e que tiveram contacto directo com o trabalho do campo e com as tarefas duras, que de certa forma os marcaram.
É bonito ver que ainda há quem se orgulhe do que foram as suas origens.
Vê-se que têm saudades do canto que os iniciou para a vida e lhes deu as primeiras «ferramentas», para que mais tarde, já lá longe e desenraizados, soubessem escolher melhor o caminho.
Caminho esse que se distingue pelos valores e princípios que os seus mais velhos, naquele pequeno pedaço de país, lhes mostraram com o exemplo das suas próprias vidas.
Fico agradada ao ver este comportamento.
Isto porquê?
Porque são tantos os que se escondem e disfarçam os seus passados!
Os que têm vergonha das suas origens e da dos seus!
Dos que, convencidos da sua superioridade, têm vergonha de mostrar a família que lhes deu o ser.
Os que não aceitam a realidade e vivem eternamente em negação.
Os que constroem para si e para os outros o status  e as origens que gostariam de ter tido.
Gosto das gentes verdadeiras e assumidas.  
Por isso gosto de ir ao Descendentes.


Abraço.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

«Você aqui não manda nada»















Cada vez vemos mais profissionais que dão mostras de pouca preparação para desempenharem a sua profissão.  
Isto para não falar do relacionamento pessoal com quem precisa deles!
Deparamos com factos que dão que pensar.
A que é que isto é devido, é um problema ainda mais sério e que não me compete a mim analisar.
A Escola é que terá o dever de pensar no assunto, de o analisar e de tirar conclusões de uma forma séria.
Damos conta de que os vários e óptimos profissionais que há alguns anos eram considerados e respeitados deixaram disso apenas a lembrança.
A substitui-los, ficaram pessoas com uma preparação fraca e uma grande parte deles sem a cultura social e cívica necessária para porem em prática os mínimos que aprenderam.
Não se nota numa parte dessas pessoas nem respeito nem sensibilidade por nem para com as pessoas que deles precisam.
A cultura geral, a sensibilidade e o civismo estão ausentes dos seus interesses e das suas preocupações.
Infelizmente vemos isto com maior frequência do que desejaríamos, e estranhamos.
Para falar apenas de um caso entre outros que conheço, vou falar de um senhor que é «apenas» um padre e segundo a Igreja, um «ministro de Deus».
Então, aí vai!
Uma pessoa do povo que conheço muito bem e com idade para ser mãe do prior, dirigiu-se à Igreja local e com respeito disse:
«Senhor padre, venho mandar rezar uma missa, por alma de….»
Resposta pronta do prior ainda jovem:  «Você aqui não manda nada, quem manda aqui sou eu»!
Atónita, a pessoa nem percebeu o que ouvira.
Repetiu o pedido da mesma maneira, daquela que ela sempre usara. A resposta repetiu-se.
Magoada e sem compreender a falta de educação do jovem padre, retirou-se!
Só já cá fora é que entendeu!
O padre não entende o linguajar do povo.
Neste caso, do povo da Beira Baixa, que, tanto quanto eu sei, é assim que pede ao padre para rezar uma missa!....
Não! O jovem entendeu o pedido como se fosse uma ordem.
Foi mal-educado, arrogante, insensível e ignorante.
Apenas uma pequena amostra, da mescla das gentes sem qualidade que por aí há.


Abraço.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

É tudo tão relativo

 


Estas últimas duas semanas foram férteis em surpresas tristes.
Casos abruptos e chocantes, deixaram algumas mães sem os seus filhos que amavam.
Longe de imaginarem os duros acontecimentos, receberam em choque a notícia que irá mudar-lhes a vida para sempre.
Assim a seco, rebentou-lhes em cima o raio mais inesperado e mortífero das suas vidas.
É inimaginável o sofrimento de uma mãe que perde um filho, ainda por cima quando ele é jovem e tem o futuro pela frente.
Um tsunami violento derrubou-lhes as vidas e os projectos.
Imagino que o chão se abriu, o cérebro rodopiou e os movimentos prenderam-se.
A vida, essa, deixou de ser.
Onde está tudo aquilo que construíram e projectaram?
O céu está carregado de nuvens.
Tão negras que é impossível ver o caminho.
O sol não promete voltar tão cedo!
Estas mulheres merecem a nossa solidariedade e que lhes digamos que estamos com elas na sua dor.
É relativa, mesmo, a vida!
Se dúvidas houver, é olharmos à nossa volta!...
  

Abraço.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

De Zeca Afonso ao kuduro!




Gosto de música desde que me conheço.
Na minha adolescência, ouvi e dancei ao som das músicas que durante todo o dia passavam na Rádio Altitude da Guarda.
Saltava-me o coraçãozito com toda ela.
Faltava-me a noção da qualidade.
Ainda hoje, ranchos folclóricos, acordeão, bandas, tudo isso me faz bater o pé.
Em determinada altura, já no fim da minha adolescência, chegou-me por via de um amigo, uma cassete gravada por um grupo de cantores de intervenção.
Fizeram isso meio clandestinamente e distribuíram cópias.
Algo mudou em mim.
Meio atordoada, tomei conhecimento daquele género de músca e apaixonei-me por ela.
Foi um abanão psicológico e intelectual!...
Fez-me parar para pensar.
Tratava de assuntos que até então estavam meio nublados no meu espírito. Aos poucos, fui tomando consciência de como a vida era madrasta para alguns e tão fácil para outros.
Abriu-me horizontes e ensinou-me a entender os porquês e os meandros e mistérios que até aí nem questionava.
Ficou para mim tudo mais claro.
Aprendi caminhos alternativos e mais correctos para alcançar uma maior justiça.
Foram anos em que essa música me acompanhou e me ajudou a desbravar caminhos.
Acompanhou-me e deu-me força, em momentos difíceis – como a guerra colonial.
Entre muitos outros e apenas para referir alguns, o José Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o Sérgio Godinho, o Francisco Fanhais, o José Mário Branco, deixaram marcas fortes.
Seria exaustivo falar de tantos. Nossos, brasileiros e de outros países que se juntaram a este movimento de esclarecimento dos mais afastados da realidade.
Aprendi com eles a apreciar o que de bom se pode fazer com músicas e letras de qualidade.
Não posso deixar de me sentir triste quando, de repente, começo a ver essa gente e esses poemas, a sair de cena para darem lugar a autênticas mediocridades, que preenchem os espaços nobres das nossas televisões...
Que saudades e que crime este de desprezar a cultura que nos é tão necessária!
Dou comigo a pensar que de José Afonso ao kuduro e outras que tal, vai um mundo de ignorância de desconhecimento e de distância em relação ao saber. A começar na programação das televisões que enfrascam quem os vê de mediocridade e toneladas de falta de qualidade.
Pobre povo que tão mal tratado és!

Abraço.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Às vezes o silêncio fala




Há um ditado português que diz que «o calado diz tudo».
Em certas situações, concordo com ele.
Principalmente quando a conversa não tem interesse ou quando o diálogo não é possível.
Sim, porque há conversas estéreis e diálogos impossíveis!
Principalmente quando apenas um está disponível, pois para haver diálogo são precisos, pelo menos, dois.
Aí, nada feito.
O pensamento fica trancado no subconsciente, impedido de se manifestar.
Quando isso acontece, a sensação é a de que houve um corte na liberdade de expressão.
É como se nos impusessem um silêncio não desejado, como se nos obrigassem a colocar uma
mordaça.
Claro que quando isso acontece o melhor é o tal silêncio, aquele que fala dentro de nós mas que não se ouve.
Que muitas vezes nos leva apenas a reflectir no porquê da recusa do diálogo!
Quando isto acontece, penso sempre numa cantiga de há muitos anos, cantada pelo então Padre Fanhais.
Com a sua voz inconfundível, forte e clara dizia:
«Cortaram o bico ao Rouxinol!
Rouxinol sem bico não pode cantar»!...
Há gente que nunca entenderá isto!
Pudera, nem lhes passa pela cabeça o que foi a censura!
O que foi calar o pensamento!
Nunca passaram por isso!...
Não lhes levo a mal, é preciso passar para sentir!...


Abraço.







  •                                           Música para ouvir:
                                              Cortaram as asas ao rouxinol
                                              por Francisco Fanhais
                                   Aqui.

    segunda-feira, 23 de junho de 2014

    Indiferença… Desinteresse…

















    O que a gente vai observando todos os dias, dá para reflectir e desabafar para não sufocar.
    A situação política portuguesa (para me situar apenas no que me rodeia) está um caos!
    A maioria dos portugueses está desiludida e descrente.
    Os políticos perderam o brio e deixaram-se transformar em figuras ridículas e desacreditadas.
    Quais saltitões exibicionistas e com sede de poder, digladiam-se na praça pública, apoiados pelos seus acólitos mais próximos.
    Sempre que aparecem com as suas trocas e baldrocas, são motivo de chacota e apelidados com os piores epítetos.
    Esta nova geração deles, na sua maioria pouco preparada, desumanizada, fria e agindo como máquinas, deu origem a este desinteresse e quase desprezo a que foram votados.
     A maior parte das pessoas que ainda olha para eles, principalmente os que vêm de uma geração anterior, perdeu não só a paciência, como perdeu a esperança.
     Dentro das suas figuras ataviadas e com vozes esganiçadas e vazias de conteúdo, entram-nos em casa sem pedir licença e debitam nos nossos ouvidos verdadeiros atentados à inteligência.
    Tornaram-se incómodos e caminham para o descrédito.
    As suas atitudes ridículas, levianas e algumas delas graves, afastam não só quem já em tempos conviveu com políticos a sério mas também os mais jovens, que não viveram essa experiência e pensarão que, desses, não existiram nunca.
    Nasce assim uma nova geração pouco esclarecida e sem capacidade de análise dos problemas que todos os dias vão surgindo e lhes vão transformando a vida num caos!
    Estamos perante políticos injustos, que atingem a torto e a direito uns e outros sem um critério justo e honesto.
    São esses políticos frios, desumanizados e egoístas que estão a transformar o nosso país num deserto de sensibilidade, de sensatez e de humanismo.   
    Onde habitam seres igualmente frios e sem qualidades, que todos os dias praticam as maiores atrocidades!...
    São eles, políticos, que têm vindo a dar origem a um Mundo de descompensados e com deficit de afectos.
    Viciados em futilidades, recorrem a qualquer esquema para as conseguir.
    São esses políticos, e outros que hão-de vir de igual teor, os principais responsáveis por um Mundo menos bom.
    Será que algum dia alguém lhes pedirá contas?

    Abraço.

    sexta-feira, 13 de junho de 2014

    Trampolim

     


    Engraçado!
    Em conversa morna e a propósito do que poderia ser um pequeno meio de comunicação, surgiu a palavra trampolim, que me fez pensar.
    Um trampolim é uma prancha para saltar para as piscinas ou para qualquer outro sítio que se pretenda.
    É um objecto muito usado nos ginásios e em saltos.
    Em política e não só, esta palavra está sempre a vir à liça.
    Também é usada para dizer que este ou aquele posto, lugar ou serviço, é utilizado como trampolim, para outros mais rentáveis, mais importantes e mais convenientes económica ou politicamente.
    Quando alguém usa outros «alguéns» ou serviços para com isso beneficiar a nível pessoal, costuma até dizer-se que está a usá-los para lhe servirem de trampolim.
     Pois bem, todos conhecemos casos e pessoas que fazem uso disso.
    Esta palavra enquadra-se na perfeição, no raciocínio e na ideia que deu origem a esta minha divagação.
    Trampolins!
    Como dão jeito a certa gente!
    E em certos casos, que gente oportunista, digo eu!...


    Abraço.

    sexta-feira, 6 de junho de 2014

    A Família Grande

     




    Esta família grande a que me vou referir hoje, não é só uma família grande, mas uma Grande Família.
    É com orgulho que faço parte dela por via directa.
    Teve a sua origem onde menos se poderia esperar.
    No recato de uma casa paroquial onde habitavam um sacerdote, uma governanta e uma criada.
     Assim, «na paz de Deus»!...
    O silêncio devia ser muito, a solidão doía, o frio chamava companhia e a carne era fraca!...
    O sacerdote, coitado, ainda jovem, caiu em tentação.
    Não conseguiu aguentar os impulsos e zás, não fez apenas um mas quatro filhos.
    Três de uma e um de outra.
    Qual árabe no seu harém.
    Três foram assumidos pela calada, acolhidos num colégio interno em Coimbra e lá receberam a educação que o pai lhes negou!
    A sociedade assim o exigia!
    O outro, coitado, foi atirado à rua com sua mãe, cresceu e fez-se Homem a pulso e com muito sofrer.
    Sem dó nem piedade, Filho de pai Incógnito.
    Foi ele pai de treze filhos (apenas um não se criou) e meu avô e avô de tantos outros que nem sei precisar quantos!
    É esta família de homens e mulheres trabalhadores, honestos e empreendedores, que se auto-denominou por Família Abade.
    Uma forma de criar curiosidade e desmascarar a injustiça que então aconteceu?
    É esta família ou parte dela, que amanhã se vai encontrar para um almoço-convívio na terra onde têm as suas raízes.
    Tenho muita pena de não estar presente.
    Estarei em espírito e com os canais do afecto todos ligados.


    Abração especial para todos eles.

    quarta-feira, 4 de junho de 2014

    Trastes





















    Um traste, tanto quanto eu sei, é um objecto ou uma pessoa sem préstimo.
    Um trastezinho então terá ainda menos valor, menos préstimo e utilidade.
    Isto vem a propósito de uma pequena reflexão sobre o que nos vai surpreendendo no dia-a-dia.
    Dou comigo a pensar em como seria triste, sentir-me encaixada neste rol!
    Ser considerada um traste ou um trastezinho e ser apenas o invólucro sem préstimo!...
    Se pensarmos bem, quantos circulam e se cruzam connosco diariamente por aí.
    Alguns nem disfarçam, outros aparecem-nos camuflados de gente preparada.
    Apesar disso, não passam de trastes!
    Ou melhor.
    De trastezinhos!...
    Detestaria fazer parte de um ou de outro grupo.

     Abraço.

    segunda-feira, 26 de maio de 2014

    E o lacaio…


     



    O dia foi longo, o embate foi ainda maior.
    O lacaio aflito correu para a patroa.
    «Senhora Lagarde, a coisa não correu bem. E agora?»
    Ela, solícita: «Calma, tudo se vai resolver. É só continuares a seguir o trilho. O caminho está aberto, continua bem comportado, não falhes as instruções, não te faltará nada!..»
    «Mas…senhora…Lagarde, é que já não gostam de mim, das minhas brincadeiras de masoquista inveterado!...»
    «Não penses nisso, dá-lhes que eles aguentam! Tira-lhes a pele, aperta-lhes mais o cinto, manda os velhos à fava, os doentes que se lixem, os jovens que emigrem, que há cá muitos!...»
    «Pois é, senhora Lagarde!... Mas…»
    «Tem calma, tu és um bom trabalhador, continua a tua tarefa, para nós estás a ser muito útil, vais ser compensado».
    «Muito obrigado, senhora Lagarde, é uma patroa muito generosa!»
    «Até à próxima, espero ordens!...»
    E o lacaio-mor afastou-se a fazer salamaleques, submisso.


    Abraço.

    quinta-feira, 22 de maio de 2014

    Os amigos…





    Foi hoje ao percorrer os facebooks de alguns amigos, que esta frase me chamou a atenção.
    «AMIGOS NÃO SÃO AQUELES QUE NOS LIMPAM AS LÁGRIMAS, MAS AQUELES QUE NÃO AS FAZEM CAIR».
    Fiquei a pensar naquela expressão para mim tão acertada!
    É verdade! Quantas vezes aqueles que se dizem nossos amigos são os que nos provocam a lágrima, que com surpresa nos rola pelo rosto.
    Ser amigo/a verdadeiro, exige muita generosidade, muita verdade e muita capacidade de digerir.
    Talvez alguns pensem que não, mas todos nós somos cheios de defeitos e fraquezas.
    Não há os especiais, os que estão acima de qualquer erro. Ninguém é isento!
    Se não viremo-nos um pouco para dentro e façamos uma pequena reflexão séria e honesta.
    Acharemos de certeza falhas e lacunas.
    Depois bastará apenas querermos aperfeiçoar.
    Remodelar um pouco a nossa forma de ser e de estar e tentar corrigir o que achámos que está menos bem.
    Os bons amigos proporcionam uns aos outros um convívio são e leve, sem aleijar.
    Provocar lágrimas é que será mesmo uma atitude condenável!
    Não me vou esquecer daquela frase.
    «AMIGOS NÃO SÃO AQUELES QUE NOS LIMPAM AS LÁGRIMAS, MAS AQUELES QUE NÃO AS FAZEM CAIR»


    Abraço.  

    sexta-feira, 16 de maio de 2014

    A propósito de Família



    Ontem foi o dia da Família.
    Embora não tenha o culto dos dias disto e daquilo, hoje apeteceu-me muito falar da minha família.
    Desde que me conheço, que sempre tive laços fortes de amizade com os meus.
    Toda a minha vida foi assente nos alicerces onde ela foi estruturada.
    A família representa para mim a alegria, o bem-estar, o apoio e o equilíbrio.
    Sempre que possível com ela partilhei todos os momentos importantes da minha vida.
    Foi sempre o meu refúgio e a minha força de todas as horas.
    Infelizmente, esse suporte muito cedo estremeceu, abanou e ruiu.
    No meio de muitas atribulações, perdi entretanto o contacto que tinha com o outro ramo familiar, que também me tinha sido muito caro.
    Devo dizer que me fez muita falta e que me senti quase incompleta, sem essas referências para mim tão necessárias.
    Felizmente e para meu sossego e alegria, encontrei no fim de muito tempo (tempo de mais), alguns daqueles a quem noutros tempos estive mais ligada!
    Foi um presente inesperado!
    A vida e os seus percalços!...
    A família para mim é tão importante que quando não a tenho me sinto incompleta.
    Hoje em especial, um forte abração para todos os que reencontrei e que estão a fazer com que a minha vida seja ainda mais bonita.  

    Abraço.

    segunda-feira, 12 de maio de 2014

    «Acabaram-se me os dzêris»






    Em todas as aldeias existem personagens que são vítimas de chacota e de um certo deboche.
    Sou por natureza mais ou menos boa observadora.
    Era junto à minha casa que aos domingos e feriados à tarde se concentrava grande número de pessoas. Era no rés do chão da minha casa que estava instalada a televisão pública que na altura era a coqueluche!...
    Grandes e pequenos, viam televisão, conviviam e arranjavam muitas vezes namoricos.
    Todos os fins-de-semana vinha ao Casteleiro um rapaz nascido e criado numa quinta dos arredores.
    Era um camponês castiço, campónio puro, que pelo menos enquanto criança, fez a sua vida sem conhecer nada do mundo – e nesse mundo, estava incluído o Casteleiro.
     Chegou a idade em que a natureza se encarrega de mudar tudo e o bom do Alberto, não aguentou a pressão dos impulsos.
    Todas as semanas rumava ao Casteleiro com ar enamorado, à procura de par.
    Andou por ali uns tempos. E não era parvo o mancebo! Deitou o olho a uma rapariga das mais bonitas do grupo, que, de férias da escola, também procurava divertir-se.
     Deu nas vistas aquele ar enlevado!...
    Coitado do Alberto. Tomaram-lhe posse do corpo e era demais o que faziam dele.
    A moça, essa, divertiu-se à sua custa e à custa da sua inocência. Era um deboche.
    Às tantas, ele já não tinha como responder a tanta provocação.
    De um modo carinhoso falso, dizia-lhe a moça:
    «Então, Albertinho, não fala»?
    «Acabaram-se-me os dzêres!...»
    O seu ar apaixonado era quase constrangedor!....
    Gente jovem.
    Naquela altura era a forma de se divertirem.
    Sem que daí viesse grande mal ao mundo.

    Abraço.

    domingo, 11 de maio de 2014

    Manual de instruções?







    É isso. A vida deveria ter manual de instruções?
    Tudo ali delineado, organizado, muito bem explicadinho?
    «Deixa cá espreitar o que há para fazer hoje e como»!
    Na verdade, tudo seria bem mais fácil, mais seguro e bem menos stressante.
    Diminuiriam as neuroses, o stress, as preocupações e as surpresas desagradáveis não teriam lugar.
    Diminuiria a ansiedade e a vida não sofreria abanões que às vezes têm o efeito de um tsunami.
    Mas… a ser assim, onde ficaria o encanto?
    As facilidades, a falta de engenho, a papinha toda feita não seriam um tédio?
    Uma coisa seria certa. Evitar-se-iam muitos erros, muitas decepções e muitas desilusões.
    Evitavam-se muitos passos em falso, muitas atitudes menos correctas e muitos caminhos ínvios.
    Apesar de tudo, a vida tem que ser vivida e desbravada por cada um. Tem que ser programada com o esforço de todos e com o entusiasmo que, esse sim, preenche e compensa!        
    O bom senso e a imaginação têm um papel preponderante e tenaz.
    Então, manual de instruções para quê?

    Abraço.

    terça-feira, 6 de maio de 2014

    Sinfonia no silêncio



    Gosto muito de ouvir boa música.
    Também gosto muito de ouvir o silêncio.
    Neste momento optei pelo silêncio.
    Sabe bem parar, repousar das tarefas normais do dia-a-dia e ouvir os sons que me chegam da Natureza.
    Com a Primavera já instalada, os pássaros fazem pela vida e apoderaram-se da minha árvore de estimação aqui do quintal.
    Todos em uníssono, soltam pius…pius…, que se transformam numa música ritmada, com notas ora estridentes e em coro, ora baixas, como se de uma melodia calma se tratasse.
    As rolas, ronceiras e repetitivas, fazem trru…trru… , anunciando que estão prontas para a festa do acasalamento.
    O cão da vizinha rosna, quando o incomodam na sua longa sesta, onde vai buscar as energias perdidas durante a noite enquanto os donos dormem.
    As galinhas cacarejam e o galo diz com o seu vozeirão, que quem manda na capoeira é ele.
    O ventinho mole sibila moderadamente por de cima das árvores, que agitam as folhas incomodadas, preguiçosas e dolentes.
    Eu, à falta de outro tema, escuto, saboreando a variedade, e vou escrevendo e descrevendo, a realidade que me envolve.
    Desta minha atitude, não virá mal ao Mundo!...
    A ideia é ocupar-me.
    Ocupar o cérebro e partilhar, com os que me lerem, este ambiente bucólico e despoluído, em que ainda vou tendo o privilégio de viver.
    Gosto da sinfonia de sons que me envolve!
    Gosto muito do silêncio que deixa que eu a oiça, à sinfonia.
    Depois, este espaço virtual que venho utilizando também serve para mostrar o outro eu que há em mim.
    Obrigada, mãe Natureza!...
    Abraço.