De boas famílias.
Lavrador médio.
Honesto.
Trabalhador e respeitado por todos.
Pode dizer-se que era um homem de bem.
Só que nem todos são do mesmo calibre.
Numa quinta pertencente à família desde sempre, um dos
herdeiros vendeu uma tira de terreno a um qualquer intruso.
Foi avisado de que, ao comprá-la, compraria uma guerra.
Ainda assim, atreveu-se.
Houve troca de palavras de aviso.
Azedas.
Quando se mexe em terrenos, nas aldeias era (e ainda é?)
assim.
Guerra pela certa.
O novo dono não terá gostado do que ouviu.
Poucos dias depois, tragédia na aldeia.
Dois tiros de zagalote tiraram a vida ao meu tio Joaquim.
Indignação geral.
Houve quem visse.
Uma testemunha fraca, com medo.
Um pastor que, por acaso, regressava com o seu rebanho, já
noite.
A família sofreu.
Os amigos enfureceram-se.
A Judiciaria não teve dúvidas, mas como provar?
Processo arquivado.
Pouco tempo depois, o assassino morreu num acidente de moto
numa curva da aldeia.
Vingança de um dos amigos da vítima, dizia-se à boca
pequena.
Tudo é possível.
A revolta foi grande.
Foi um episódio meio misterioso.
Só falado em surdina.
Perdeu-se um homem com H grande.
Partiu muito jovem o meu tio Joaquim!...
Abraço
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