segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O gesto












Um gesto pode fazer a diferença.
Pode pôr a nu o nosso carácter.
Um gesto bonito, bem intencionado, pode dar de nós uma boa imagem.
Isto, se alguém mal formado não o inverter, não o julgue segundo os seus valores subvertidos e de nível inferior.
Um gesto impensado, esse, pode fazer estragos.
Pode deixar marcas difíceis de apagar,
Diz o povo, que «as obras fazem o amor».
Mas também diz, que «as acções ficam com quem as pratica».
Estou de acordo com as duas versões.
Um simples gesto pode mostrar sem apelo nem agravo, do que somos capazes.
É verdade, que qualquer um de nós pode, num momento impensado, cometer um erro.
Mas a verdade é que também, no momento seguinte se pode e deve, reconhecer e assumir esse erro.
Sei que o orgulho custa a vergar
Mas fica bem.
É preciso só que sejamos bem formados e tenhamos coragem para o fazer.
A bem do civismo, a bem da educação e a bem da nossa saúde mental.
Um gesto menos feliz, pode manchar a nossa imagem e as nossas relações.
Tanto no trabalho, como no ambiente familiar.
Esta foi a conclusão a que cheguei, depois de reflectir, sentada frente ao mar.
Que no dizer de um pescador local, «hoje estava grande»
Sejamos grandes como o mar.
Mas com menos ondas.

Abraço.

domingo, 16 de outubro de 2011

Tenho saudades do frio













O verão tem-me trazido muitos e bons momentos.
Alguns únicos.
Mas Verão em Outubro, parece-me que já não me entusiasma assim tanto.
Para o meu gosto já chega.
Estou a sentir a falta do frio e da chuva, que me proporcionam, igualmente, momentos de recolhimento e aconchego.
Já estou a sentir a falta da mantinha, do crepitar da lareira e da chuva lá fora.
O pingue…pingue…nas vidraças, o zumbido do vento e o bem-bom do sofá são condimentos que me fazem sentir muito bem, levam-me a «viajar» pela minha meninice, quando a lareira e a casa era ainda um local de encontro e de reunião.
Por agora, o verão já chegará.
São horas de recolher.
São horas de saborear o quente.
Tanto calor já cansa.

Abraço.

sábado, 15 de outubro de 2011

Pronto já não vou












Nem tudo é mau neste país à beira-mar plantado.
As praias, este ano, teimam em se manter belas e disponíveis para receber os que quiserem visitá-las.
Este país está transformado num país tropical.
Daí que eu tenha tomado uma decisão.
Cancelar as férias às Maldivas.
Desmarquei tudo, pronto.
Se eu tenho aqui ao lado coisa semelhante, para quê ir gastar o que provavelmente me vai fazer falta?
Com todas as «troikas» e «baldroicas» que há para aí, o melhor é guardar os euritos na gaveta, porque no banco não sei se estarão seguros!
Com esse dinheirinho, sempre se compram os mínimos para uma sopa, já que o resto está quase proibido.
Dieta mediterrânica, está visto.
Ah!
E o pãozinho da dona Natália que até tem muita «sustânça».
Ir às Maldivas é coisa secundária, supérflua.
Com o que ia gastar, sempre dará para manter o estômago quieto e sem abanar muito.
As Maldivas que vão às malvas.
Que fiquem lá com os das carteiras a abarrotar.
Também eles, um dia, hão-de morrer.
E deixarem os luxos à porta do inferno.

Abraço 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

E a bomba rebentou













Pelo menos a mim fez-me ficar meio anestesiada.
Fui apanhada de surpresa.
Esta história do corte do subsídio de natal e férias, foi demasiado mau.
Se já metade custava a largar, agora o total é um dó.
Isto para não referir o resto do pacote.
Acabaram-se os mimos de natal com a família e os amigos.
Acabaram-se as pequenas extravagâncias, quantas vezes para esquecer a vida. 
Acabaram-se as férias no estrangeiro que alguns faziam já assim, pagando a bochechos.
Acabaram-se os pequenos prazeres.
Acabou-se a vida de faz de conta que éramos todos ricos.
Há prioridades e é preciso optar.
Quem nos levou à ruína?
Há que saber e pedir contas.
Há muito para explicar.
Onde, como, foi empregue o fruto do nosso trabalho durante mais de trinta anos?
Como se explica tanto luxo, tanto esbanjamento, tanta grandeza do Estado que nos levou à ruína?
Como se explicam tantas mentiras de uns e de outros?
Como se explica que os grandes deste país não sejam chamados aos sacrifícios?
Como se consegue tirar o pouco que o coitado do cidadão comum tem?
Aquele que só tem o sustento para si e sua família, se trabalhar e ganhar? 
Não tenho eu nem ninguém, conhecimento de tamanha chicotada!
Nunca me passou pela cabeça que fosse possível mexerem em regalias adquiridas há tanto tempo!
Quem compactuou com todos os safardanas que se aproveitaram e andam por aí de bolsos cheios?
Quem fez vista grossa?
Quem comeu do mesmo tacho?

É urgente saber para julgar.

Abraço.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

É sempre bom regressar












Depois de uma manhã entediante e desgastante no centro de saúde a que pertenço…
E depois de ouvir as vidas de todos os que lá se encontravam…
Resolvi dar uma espreitadela ao meu antigo local de trabalho, que é ali muito próximo.
Gosto de fazer surpresas.
Também sei que, quando as faço, regra geral sou muito bem recebida e acolhida com entusiasmo e muito carinho.
Normalmente é assim, quando existe amizade e afecto.
Passei os melhores anos da minha vida naquela instituição e com aquelas pessoas.
Tivemos momentos bons, outros menos bons, como normalmente acontece em todos os locais de trabalho.
A verdade é que ficam laços para a vida.
A verdade é que a saudade bate e de vez em quando há mesmo a necessidade de retomar o contacto.
Foi bom.
Gostei de rever aquelas que me deram alguns desgostos, mas que sei que lá no fundo gostaram da minha frontalidade e da minha coragem em certos momentos cruciais.
A vida é feita de bons e maus momentos.
Todos eles fazem parte da nossa história de vida.
Fiquei muito bem depois daquela visita.
Esqueci a tortura da manhã.
Obrigada, colegas.
Impossível esquecer-vos.

Façam o vosso trabalho com brio.
Deixem as coisas pequenas de lado   

Abraço.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O manto branco


















Um «manto» branco estendia-se ao longo da praia.
Visto de longe, sugeria um movimento ligeiro, que mal se notava.
De repente, aquele manto agitou-se.
Voou ondulante rente ao mar e precipitou-se para um pequeno barco que
chegava com a rede prenhe de peixe.
Aquele manto feito gaivotas começou a desfazer-se.
Um ruído zum!... fez-se ouvir em uníssono, acompanhado de um piar multiplicado por milhares de vozes impacientes e ansiosas de alimento.
Sem exagero, eram mesmo milhares de gaivotas.
Poucas vezes visto, segundo os pescadores habituados àquelas lides diárias.
Um espectáculo bonito de se ver, aquele bailado acompanhado de música que mais parecia música de instrumentos misteriosos e desconhecidos.
O sol despedia-se, enquanto mirava já meio escondido, o jantar daquelas gaivotas bailarinas e cantoras, executado com mestria.
A praia, despida de banhistas naquele fim de tarde de Outono que mais parecia de verão, despedia-se dos poucos presentes, felizes depois dum espectáculo quase inédito.
Estou cada vez mais convencida de que viver à beira-mar é ser surpreendido a qualquer momento.
Gosto de ser surpreendida.
Gosto de quebrar a rotina.

Abraço.    

domingo, 9 de outubro de 2011

Contactos











Quando o primeiro contacto com alguém corre bem, tudo pode ser diferente.
Torna muito mais fáceis os acontecimentos que daí poderão decorrer.
A empatia é necessária para que as relações funcionem da melhor forma.
No centro de fisioterapia onde tenho sido atendida, foi isso que aconteceu.
Fui recebida de uma forma simpática e disponível.
Isso e o bom profissionalismo, têm dado resultados positivos.
Depois, o contacto que tenho tido com os idosos que também ali são atendidos, tem sido mais uma lição de vida.
Uns que mais ou menos já desistiram da vida, outros confusos e sem rumo.
Ainda outros que, embora derrotados pelos desgostos que a vida lhes trouxe, estão ainda assim lúcidos e revelam valores escondidos que nunca serão reconhecidos (?).
Todos me merecem um grande respeito.
Todos têm estórias de vida que recordam e os transportam ao passado que viveram e já não volta.
Às vezes com um sorriso nos lábios, outras de lágrimas nos olhitos demasiado tristes e sem vida.
Todos eles, uns mais fáceis, outros à deriva e difíceis de controlar, precisam de apoio paciente e de muito afecto na relação.
Esta é também uma profissão que obriga a não esquecer a paciência em casa.
E a ternura, a compreensão e o empenho – tudo é pouco para que estas pessoas se sintam bem e, na medida do possível, de alguma forma, compensadas.
O profissionalismo tem que ser levado ao limite.
Na minha opinião, estes profissionais deveriam ter mais apoios para poderem compreender, ajudar e não desistir de exercer a sua profissão que é exigente e imensa.
Tanto quanto conheço, isto não acontece.
As trabalhadoras fazem o melhor que sabem e podem e às vezes não chega.
Saio de lá quase sempre com a sensação de que, apesar do que se faz, seria preciso fazer mais e melhor ainda.

Os nossos idosos merecem passar os últimos dias das suas vidas com a maior dignidade possível.

Abraço.

Nota
Trata-se de uma IPSS que dispõe de hospital de rectaguarda para idosos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Coracobraquial















Um doce a quem adivinhar o significado deste «palavrão».
Pois é, eu também fiquei assim de boca aberta, tive que pedir não só para repetirem, mas também que me traduzissem.
Fiquei a saber pormenorizadamente que é um músculo da parte inferior do braço que me tem atormentado já há mais de quinze dias.
Isto, junto com uma tendinite num ombro.
É azar mesmo.
No fim de tantos anos a fazer exercício, era a última coisa que esperaria.
Erro meu?
Não, não tive nada a ver com isto.
Fui vítima disto.
Qualquer pessoa está sujeita a cometer um erro.
Quando esse erro envolve a nossa saúde e o nosso bem-estar, torna-se um pouco mais complicado.
Foi isso que aconteceu.
Um substituto do meu professor de todos os dias, no fim de um único dia de me conhecer, decidiu alterar o meu treino.
Asneira.
Foi esforço a mais.
O meu ombro e o meu braço queixaram-se imediatamente.
Daí até ficar imobilizada foi um passo pequeno.
Depois de uma ecografia ao ombro, o diagnóstico foi uma tendinite.
Só depois de várias sessões de fisioterapia e depois de quase curada dela, se descobriu a inflamação no tal músculo de difícil memorização.
Não tem sido fácil.
De vez em quando tenho uns espasmos difíceis de suportar.
Felizmente, tenho tido o apoio e a competência de um fisioterapeuta empenhado.
Estou quase a sair desta.
Se houver próxima, eu própria vou impedir que me mudem seja o que for.
Serviu-me de lição. 

Atenção às atitudes impensadas.
Ainda que venham de um profissional.

Abraço

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Reforma















Reforma é uma palavra que nunca me foi muito simpática.
Agora que estou a viver essa experiência, ainda mais sinto que não gosto dela.
Há quem pense que reformar para lá de mudar, pode ainda ser remodelar, arranjar, ou simplesmente e já em sentido pejorativo, «precisa de reforma…já está na reforma» como que a dizer:
- Está fora de uso, fora de moda.
É disso que eu não gosto.
Eu não penso assim.
Reforma para mim é uma coisa bem diferente.
Dei comigo hoje a olhar para a paisagem que me envolvia, a pensar nisso.
Para mim (desculpem-me, se não estou a ver bem), mas... reforma, e no caso concreto de fim de um ciclo, é sinónimo de mudança, sim, mas é o início de um estado de espírito, de tranquilidade, ponderação, entrega, descontracção, liberdade, é recuperar na medida do possível, o tempo em que não tínhamos tempo sequer para estar doentes.
O tempo em que não fomos donos de nós.
Em que, quer quiséssemos quer não, tínhamos que comparecer, com ou sem vontade, executar o trabalho que nos era imposto.    
Entendo o estar reformada como oportunidade de ser dona de mim.
É respirar paz.
É reflectir.
É analisar calmamente e com lucidez tudo o que me preocupa.
É fazer retrospectivas.
É ir ao fundo, com tempo e sem stress.
É um estado de espírito leve e solto.
Em vez de reforma poder-se ia chamar qualquer outra coisa com uma conotação mais positiva, menos a dar a ideia de «sem préstimo».

Isto sou eu a reflectir!...

Abraço.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Escândalos
















Uns, abafados e comentados à boca pequena.
Outros, escancarados e explorados até à exaustão.
Os implicados vão escapando, assobiam para o ar, calmos, como se não houvesse dignidade.
Estão seguros da protecção que os envolve.
«Gente» importante, que normalmente está a salvo da justiça, passam ligeiros por entre as «balas».
A justiça é lesta, mais para os indefesos, os pequenos traficantes, os pequenos ladrõezecos de bairro, os trabalhadores honestos que falham os seus deveres como cidadãos, porque os ordenados encolhem, encolhem.
Gente sem importância, anónima!...
Sem nome, nem interesse.
Deambulando sem rumo pela vida onde se aplicam diferentes critérios.

Escândalos.
Mais escândalos.
A nós, resta-nos o direito à indignação.
Ah! E a esperança de que um dia venham tempos mais justos.
E dignos, em que homens com H grande, impeçam tantas injustiças.

E… indignidades.

Abraço.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O mar













Mar calmo e dolente.
Só mexe, não bate.
Toca devagar as rochas hirsutas pela erosão dos tempos.
Que, indiferentes, parecem rir-se daquela calma despreocupada.
Porquê tanta denguice?
É tempo de acção!
É tempo de agitar!
As consciências?
As areias imóveis?
Os sentimentos empedernidos?
Ou o tempo que se esgueira sem querer ser questionado?
Está demasiado calmo este mar.
Será segurança?
A longevidade deu-lhe experiência.
Aguardemos novidades.
Até lá, é saborear esta calma.
Que vem das entranhas da Terra.

Abraço.

domingo, 2 de outubro de 2011

Verão arrependido











Depois de um verão pouco amistoso e fugidio, pensávamos nós que já se tinha despedido até para o ano.
Eis senão quando, sua alteza volta em pleno.
As praias, já desabitadas e calmas, voltam a receber os poucos banhistas ainda desejosos de sol.
Talvez frustrados por, na altura própria, em vez de tomarem os banhos habituais, tomarem grandes banhadas…
É agradável a praia assim serena e calma.
Acontece às vezes o inesperado.
As marés sobem mais do que o normal no verão.
Até eu, que conheço mais ou menos bem o mar, fui apanhada de surpresa.
Deitada na areia descontraída a ler, deixei que uma onda me encharcasse e me fizesse dar um pulo de espanto.
Como não tinha fato de banho (nesse dia fui só arejar), vim para casa pingando, e deixei divertidos alguns observadores da desgraça alheia.
Foi divertido e diferente.
Esta praia fora de tempo tem destas variantes.
Tudo se aceita com agrado, quando o ambiente é de tranquilidade e leveza.  
Só é pena que tantos não possam usufruir destes tão agradáveis momentos, ainda por cima quando já não se esperava.
Este verão arrependeu-se de tantas maldades que nos fez.

Até quando amigo?   

Abraço.

sábado, 1 de outubro de 2011

Cargas















As aulas já começaram.
Desejadas por uns, e talvez nem tanto por outros.
Todos lá terão as suas razões.
Este ano tive a oportunidade de observar de muito perto as duas situações.
Crianças desamparadas a passar as suas férias sozinhas e entregues a elas próprias – e com o estômago meio vazio.
Entediadas, desocupadas e sem o mínimo de atenção por parte dos pais que trabalharam de sol-a-sol.
Essas, cansaram-se rapidamente das férias.
«Quero que o tempo passe, tenho saudades da escola». 
Enquanto outras, bem estruturadas, com apoios e ocupações agradáveis, fizeram das férias um momento de descanso e prazer.
Pois é.
Nem todos têm a mesma sorte.
A sorte e o azar existem desde sempre.
A verdade é que, quer vão felizes, ou nem tanto, lá vão todos já a caminho das tarefas que os vão ocupar até Julho do ano que vem.
É de referir que estas crianças, e refiro-me aos mais jovens, têm uma outra tarefa igualmente intensa e grande.
É de cair o queixo.
O transporte da mochila com os apetrechos todos necessários para o dia.
Penso que não haveria coluna de adulto que aguentasse, quanto mais uma coluna ainda em formação, de crianças de dez, onze anos.
Corre-se o risco de, daqui a uns tempos, termos um país de corcundas.
É de referir ainda que para estas crianças o dia começa às sete da manhã e para a maioria acaba às oito.
Isto, se não tiverem actividades extra-curriculares!...
Não admira que os afectos passem ao lado de toda esta sociedade de gente tão ocupada e distraída!...
 
Devo ser eu que vivo noutro mundo... só meu?
Em vias de extinção talvez!...

Abraço.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

É preciso gostar













É preciso gostar, ser sensível e ser afectuoso
Sem estes três predicados, será difícil exercer algumas profissões, como por exemplo trabalhar com idosos.
Já uma vez, por necessidade, vivi de muito perto, esta realidade.
Pude observar em directo e ao vivo a actividade numa instituição pública de idosos.
Pude testemunhar uma grande dose de insensibilidade, de indiferença e de desinteresse.
Vi idosos dependentes, incapacitados, pedir ajuda para irem à casa de banho e não obterem resposta.
Vi, enquanto isso, as colaboradoras conversando animadamente sem se tocarem com o que, penso eu, já devia ser música para os seus ouvidos.
Vi idosos, uns com demência, outros não, encharcados de xixi, desde a cintura até aos pés, com a roupa pesada e a pingar, isto em pleno inverno que por acaso até fora gélido.
Vi funcionárias como autómatos e com lentidão, que chatice, a irem tratar deles, pois que remédio!...
Vi as caras de enfado que faziam, quando eram solicitadas a fazer as suas obrigações.
Pior ainda – vi as suas chefes a compactuar com aquele esquema desumano e pouco honesto, sem qualquer profissionalismo, e ainda menos afecto.
Vi desamor pela profissão.
Vi falta de brio profissional.
 Vi um depósito de idosos a vegetar, com umas senhoras mais ou menos enjoadas a guardá-los.

Vi, sofri e registei.
Não mais esquecerei.
Para quando formação séria a toda esta gente?

Abraço.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Há dias assim













Acontece-me pouco, mas acontece.
Hoje estou sem grande vontade de escrever.
Apetecia-me mais preguiçar, não ter que activar o cérebro, estava tão bem assim ao «ralenti»...
Bom, mas a verdade é que ao abrir a ‘Rota da Memória’, achei que não tinha o direito de defraudar quem tem o hábito ou apenas a curiosidade de me ler.
É que é estimulante sentir que há leitores em número significativo, que me visitam e provavelmente não são masoquistas!...
Se dissesse que não fico feliz com essa constatação, seria hipócrita.
Sabe bem ver o contador de visitas a engrossar.
É claro que isso me satisfaz.
É sempre bom sentirmos que o que escrevemos desperta algum interesse.
Partimos do princípio de que somos apreciados.

Penso que esta minha inércia de hoje se deve à paragem forçada que estou a fazer na minha actividade física.
Uma pequena mas dolorosa tendinite de esforço foi o suficiente par parar tudo.
Pode parecer que não tem grande importância, mas quando a actividade física faz parte da nossa rotina, quebrá-la nem sempre é fácil.
Depois, não gosto de estar inactiva.
Esperemos que o fisioterapeuta faça um bom trabalho e me devolva a minha
liberdade de acção, rápido.

Abraço.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mentalidades












De região para região, notam-se nas pessoas formas de estar e de ser completamente diferentes.
Os usos e os costumes ditam a forma de estar na vida.
Sou originária da Beira Baixa e desde sempre me habituei a ver as pessoas receber em suas casas quem chegava, sem reticências.
Qualquer pessoa ainda hoje, penso, é bem recebida e a mesa é posta e recheada com o que houver em casa.
A simpatia é apanágio daquelas gentes simples de terras aprazíveis e fartas.
Há outras regiões em que se nota o contrário
As pessoas são menos hospitaleiras.
Mais acanhadas na relação e sem hábitos de convívio entre si.
Vivem mais para dentro e as relações familiares são aparentemente circunstanciais e escassas.
Pouco se visitam e são pouco permeáveis aos problemas de cada um.
Só em épocas muito especiais é que se juntam e pouco, mas sem grandes laços afectivos.
Não se entra facilmente nas suas casas.
Sentem-se incomodados e pouco à-vontade.
Como se partilharem o seu espaço com outros lhes roubasse um pouco deles mesmo.
As suas casas são verdadeiros guetos, quase impenetráveis.

Mentalidades e educações diferentes que têm que ser respeitadas, ainda que não se compreendam, porque nunca se praticaram.
     
Todos temos o direito de viver como nos sentimos melhor.

Abraço.

domingo, 25 de setembro de 2011

Surpresa boa





Viver junto ao mar, é um privilégio.
Hoje, durante uma caminhada junto às ondas, fomos surpreendidos com uma visita rara.
Ao olhar o mar calmo, vimos um movimento invulgar e repentino à superfície.
Intrigados e pensando que eram pequenas ondas, parámos.
Incrédulos, vimos um cardume enorme de golfinhos que se deslocavam felizes e em grupo.
Os movimentos graciosos e brincalhões com que nos presentearam, obrigaram-nos a parar e absorver aquele momento inédito e delicioso.
As acrobacias que fizeram, os saltos que executaram foram um sinal de felicidade e deliciaram os poucos que, surpreendidos, os olhavam espantados.
Foi pena a pressa com que se deslocavam.
A vontade foi pegar no carro e ir correr a costa – talvez os apanhássemos noutro sítio.
É claro que ficámos apenas a segurar o queixo de espanto.
Será que vai haver uma próxima?      
Ficamos à espera expectantes.

Este mar é um mundo de surpresas.

É um mundo infinito e o habitat de milhões de seres.
Alguns mostram-se.
E como nós gostamos de os ver!

Abraço.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Afectuoso: ser ou não ser










Ainda a propósito de afectos.

Aquela iniciativa do abraço grátis, tocou no meu ponto mais fraco.
Desde sempre fui dirigida para o caminho dos afectos.
Desde sempre os ofereci a quem me rodeou e ou me rodeia.
Desde sempre sofri, por algumas vezes não ter o retorno que desejaria.
E só já muito tarde percebi que o mundo na sua maioria é de gelo.
E não se muda apenas porque só alguns desejariam.
Em matéria de afectos, fui presenteada com um coração demasiado exigente.
Demasiado sensível.
Demasiado ingénuo.
Defeito de educação (?).
Por esse motivo, a minha vida em matéria de afectos, não tem sido fácil.
Nesta selva de mal pensantes, frios e escroques, é preciso ser duro e sacana.
Insensível.
Para meu desgosto, a ternura não faz parte do projecto de vida da maior parte dos seres.
Tento compreender.
Ternura nem todos receberam.
Por isso não podem dá-la.
E depois, que ridículo!
Pensam alguns em jeito de desculpa…
Isso é coisa do passado...

Não concordo.
Não sou assim, não sei ser assim.
E sei que estou certa.
A ternura aquece-nos o coração e os sentidos.
Se não a praticarmos, seremos apenas cubos de gelo andantes e com olhos.
Talvez por isso, o país esteja tão gelado.

Abraço terno para quem gosta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Abraços












Ainda há jovens que fazem a diferença.
Vi agora no telejornal a iniciativa do abraço.
Uma ideia bonita e que aplaudo.
Parabéns a todos estes jovens.
A ideia não poderia ser melhor e mais oportuna.
Mostraram que ainda têm o coração quente.
Que sentiram que há falta de contacto.
Que é preciso fazer alguma coisa.
Esses abraços que distribuíram de boa vontade, estavam a fazer falta.
Devia ser geral este gesto de ternura e afecto.
Devia acabar-se com os cumprimentos circunstanciais e frios.
A hipocrisia do beijinho que não chega a sê-lo, que é apenas um arremedo.
O desconforto de alguns, quando por uma questão afectiva, nos atrevemos a pôr algum calor no gesto de saudar.
A rigidez fria com que nos recebem.
Os afectos sem dúvida caíram em desuso.
O aperto de mão frio, só na ponta dos dedos moles…
O olá circunstancial.
Que gelado está este país!...
E os outros.
Foi bonito ver a alegria nos rostos de todos.
Nos que ofereciam e nos que recebiam.
Viu-se alegria nos olhos, ânsia de afecto.
Deixaríamos de certeza de ser tão egoístas e tão frios, se soltássemos os afectos.
Se os descongelássemos.
Seríamos de certeza mais felizes

Obrigada, jovens.
Pelo menos por algum tempo, aqueceram as relações.

Abraço.  

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quando o umbigo é o centro










Há quem faça toda a sua vida olhando apenas para o seu umbigo.
Ás volta, às voltas, às voltas, como se o mundo acabasse ali.
Tudo o resto é uma miragem que vai deslizando.
Luta-se por aquilo a que se chama «o futuro».
Mas… que futuro?
Ninguém sabe.
O mundo é pequeno, pequenino e afunilado.
Trabalhar é o único objectivo
Vive-se a vida toda a trabalhar para ter dinheiro.
Para ter um «bom futuro».
Para amparar a prole que cada vez precisa mais.
Para comprar as casas!...
Para comprar os carros…
Par adquirir a última invenção tecnológica que aparece.
Que importa que a casa tenha uma renda exorbitante?
A mensalidade do carro pesa?                        
As roupas de marca são um rombo no orçamento?
Que importa? A aquisição de tudo e mais alguma coisa é precisa (?).
Então, compre-se.
Esta sociedade exige.
Se não for assim o que pensarão?
«Olha os coitados»!
«Pés rapados, pelintras»!
A sociedade de consumo onde se vive está reduzida a isto.
Ter, ter, ter.
Comprar, comprar….
Não há como fugir.

 No mínimo, há um ou outro que sai um pouco da manada, mas… com cuidado.
Olha as Aparências!
O que dirão os outros?

Este umbigo é mesmo reduzido…

 E este espaço em que vivemos… também!...

Abraço.

domingo, 18 de setembro de 2011

Endeusar para quê?














Pois é.
Por vezes corre-se o risco de se endeusarem pessoas que se destacam em certas actividades ou, de uma maneira geral, na vida.
É claro que deveríamos apreciar sempre quem, de uma forma ou de outra, tenta ser uma pessoa exemplar, procurando fazer o melhor possível a actividade que desempenha.
É bom ver alguém destacar-se pela competência, pelo brio e pela forma como trabalha.
O trabalho e o bom exemplo como cidadãos e profissionais, são sempre de louvar.
Contudo, não é segundo eu penso nenhuma proeza, cumprir o nosso dever de bons cidadãos e sermos competentes como trabalhadores.
Isso seria o normal se todos fossemos sérios e responsáveis.
Porém, acho um exagero que se endeuse alguém de cada vez que se destaca.
Penso até que é um exagero!
Acontece isso normalmente, quando se trata de figuras públicas, políticos, etc.
Não é tão frequente, assim, que aconteça com normais trabalhadores que quantas vezes se esforçam, se desunham e preparam o terreno para que essas figuras brilhem.
O mais provável é passarem despercebidos, porque os elogios para eles são parcos ou nulos!

Não é bom, a meu ver, exagerar.
E às vezes exagera-se.

Endeusar de mais, é demais.
Tudo se quer no ponto.

Fiquemos por aqui.

Abraço.

sábado, 17 de setembro de 2011

A importância da leitura













Desde muito criança, que me habituei a ver o meu pai ler não só o jornal ‘O Século’, como, no inverno à noite, à lareira, ler em voz alta para mim e para a minha mãe que mal sabia ler (na altura havia mais que fazer e já aí os professores não ajudavam muito) romances em pequenos fascículos, que nos punham às duas a verter lágrimas, «tal» eram as estórias - como a Rosa do Adro, por exemplo, que anda hoje tenho em meu poder!
Talvez também porque tive em casa este exemplo, adquiri o gosto e a necessidade de ler desde muito cedo.
Lembro-me que comecei com os livros de um autor que era o Corin Tellhado.
Se não estou em erro, da colecção Amorzinho.
Devorei sofregamente, todos os que podia alcançar.
Mais tarde e até, confesso agora, cedo demais, lembro-me de ir para os clássicos.
Li às escondidas o Crime do Padre Amaro, o Primo Basílio, o Amor de Perdição, os Maias e outros igualmente fortes para a altura.
Li tudo o que apanhava à mão.
O meu saudoso tio Narciso e o «poeta» Neca, meu primo, eram os fornecedores.
Nunca os esquecerei por este e outros motivos igualmente atrevidos.
Penso que estavam um pouco avançados no tempo, os tabus para eles, já nessa altura, não funcionavam muito…
Por tudo isto, defendi sempre que as crianças devem ter desde muito cedo ao seu alcance livros didácticos e outros, para se poderem familiarizar com a leitura desde logo.
Os pais e mais tarde os Jardins de Infância têm obrigação de incentivar esse contacto com os livros e criar hábitos de leitura.
Pela vida fora, os livros tornar-se-ão uns bons companheiros e uns bons veículos de cultura.

Por tudo isto, quando trabalhei num Infantário, me indignei tanto, quando me dei conta de que os livros existentes na sala tinham sido colocados num armário alto, para que as crianças não os estragassem.
Que aprendizagem, que conhecimentos, adquiriram estes técnicos que cometem o que eu considero de castração do conhecimento?
Que educação estavam a administrar?

Como se pode confiar a gente desta o melhor de nós?
Como se pode ser insensível à necessidade de desenvolver o gosto pelo conhecimento e pela cultura?
Pobres crianças e pobres pais que confiam!

É verdade que ensinar dá trabalho, orientar, criar regras, fazer com que se cumpram.
É muito trabalhoso.
Quem é do ramo e tem orgulho do que faz e faz bem sabe do que estou a falar.
Mas é para isso que a profissão existe.
Para ensinar com paciência e muita persistência.
É preciso ensinar as crianças a gostar de livros e a manuseá-los com respeito.
Ainda que, para conseguir isso, tenhamos que ter algum trabalho!...
Ensinar é isso mesmo.
Dialogar, explicar, impor algumas regras e fazê-las cumprir.
Depois, repetir, repetir, apoiar e incentivar.
Sem desistir nunca.

Abraço.   

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Que cansaço













Apetece tapar os ouvidos, fechar os olhos, ou melhor:
-desligar o aparelho de televisão.
Já não se aguenta tanta conversa e de todos.
Crise, crise, crise.
Como diria o nosso cómico Ricardo Araújo Pereira, «eles só falam, só falam e não os vejo a fazer nada»!...
Ó Ricardo! Volta, amigo.
Tens tanta matéria a que te agarrares…
Só um cómico com o teu potencial poria o pessoal a rir, tendo tantos motivos para chorar!
Estou farta de pensar em ti.
Onde andas, com tanto manancial a deteriorar-se?...
Que pena.
Pois não é que eles continuam a falar, a falar e não só não fazem nada, como já puseram tudo de pernas para o ar?
Falam hoje, falam amanhã, hoje dizem uma coisa, amanhã só para aparecerem, dizem a mesma coisa, no outro dia desdizem tudo o que disseram!
Minha nossa senhora da Póvoa, de quem gostaria de ser devota.
Isto não se suporta.
Parece o planeta dos macacos.
Até já andam de quatro!...
Ó «mamãe» troika, já nem tu nos salvarás!

Ámen.


Abraço.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Marés vivas











Ali fiquei eu: perfilada, respeitosa e admiradora incondicional.
Aquele mar, o meu amigo de todas as horas, estava não só muito zangado, mas enfurecido.
Uma fúria que lhe virou as entranhas, que o fez espumar de tanta raiva.

Uma revolta incombatível.

Venham os poderosos desta terra.
Os homens que mandam, que fazem as leis, que impõem.
Venham os que escravizam, que desprezam.
Venham os soberbos.
Os que se acham donos do mundo.  
Dominem esta força, senhores dos poderzinhos.
Dominem-na e ordenem-lhe que pare!...

O que são todos, comparados com o que vi?
Umas formiguinhas, uns ratinhos que fogem ao mais pequeno ruído!...

Estas marés deixam-nos a pensar.

E… vergados!...     

Abraço.

domingo, 11 de setembro de 2011

A procissão












Não, não estou a falar da procissão de João Villaret
Aquele grande declamador que deu a conhecer os poemas de Fernando Pessoa e outros.
Nem tão pouco das procissões de aldeia em dias de festa.
A procissão a que me refiro, foi uma procissão para mim inesperada e diferente.
Ao observar mais uma vez a paisagem que me rodeava naquele passeio bem junto ao mar, vinha de regresso da pesca um barco grande.
Vinha deslizando nas águas mansas e dirigia-se ao cais.
A acompanhá-lo, em entusiasmada gritaria, vinha em bando um sem número de gaivotas.
Um manto branco ondulante e muito longo serpenteava num bailado ritmado e permanente.
Foi um trajecto esvoaçante e belo.
Os voos picados realizados e o regresso ao bailado foram um espectáculo de autêntica beleza.
Todo o peixe que lhes era lançado ao mar era imediatamente devorado.
O barco atracou.
Restou um manto branco que preenchia uma grande extensão de mar.
Ficou a certeza da grande cumplicidade entre gaivotas e pescadores.
Suas únicas companheiras de alto mar.
A solidão também tem as suas compensações.
        
Que bom que este espectáculo me tenha sido oferecido 

Abraço.

sábado, 10 de setembro de 2011

Alô, Marte!

















Hei! Senhores Marcianos.
Daqui, Terra.
Sei que nos vigiam.
Sei que devem andar admirados connosco e achar que somos todos uns pobres bananas.
Que nos deixamos manietar.
Que andamos todos com a cabeça entre as orelhas.
Que andamos todos caladinhos.
Mas eu explico:
-É que não queremos atrair mais alguma medidazinha que aí venha.
Que não nos chegue mais alguma notícia de cair o queixo.
Por exemplo:
Que o bocadito do subsídio de Natal também vá ser cortado.
Que o tão apreciado bacalhau, as couves e os ovos para as filhós vão ser tabelados com um imposto altíssimo.
Que a consoada vai ser um desconsolo mesmo.
Que o senhor ministro faça uma birra e diga que os gulosos comam raspas e é se querem.
Que têm que encolher mais um pouco a tripa, porque isto assim não pode ser.
Que o colesterol não pode subir, porque os remédios custam dinheiro!
Olha, que comam raspas – pensará Sua Excelência.
Também «não merecem nem o pão que comem»!...
É por isso, senhores de Marte que nós andamos em bicos de pés.
Se e quando vierem cá abaixo, poderem contribuir com alguma coisinha, agradecemos.
Isto está «p’as d’pinduras»…
Não há quem aguente tanta tirania!...
Também gozar assim é mau…   
É por isto esta nossa postura, senhores Marcianos.

Até já andamos quase verdes.

Até à próxima.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O rei sol











Setembro, como se imaginava, tem estado a presentear-nos com um tempo meteorológico que merece ser saboreado.
A praia está praticamente vazia e oferece-se inteira, a quem dela queira e possa desfrutar.
As águas mansas que convidam a um bom mergulho, por incrível que pareça, estão mornas.
A temperatura não é normal nem neste tempo, nem nestas paragens.
É pena serem tão poucos a poder usufruir.
Tanta serenidade é um convite a permanecer na areia e contemplar o por do sol.
Sua Majestade que, ao longo do dia, acariciou os corpos que se entregaram com prazer.
Desce das alturas, beija as águas que o recebem com bonomia e afecto.
É quase a fugir, como que envergonhado com tanto poder, que se esconde atrás do mar, que se despede dele com vontade de voltar a vê-lo amanhã.
É realmente um Rei este sol imenso, que encandeia e quase cega de tanta luz.
O regresso da praia foi «já noite».
Soube bem assistir ao pôr-do-sol dos nossos encantos.
Obrigada à natureza por tanta beleza   

Abraço.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Será uma mais-valia?














Pois é.
Não será para toda a gente assim tão certo que ter qualidade, seja uma mais-valia.
Neste mundo de futilidades e superficialismos, até dá para perceber.
Há mais valores!...
E que valores!
E, por esse motivo, a qualidade é muitas vezes, o que menos importa…
Parece até que ofusca.
Que impede que os bons profissionais funcionem.
Que os bons pais exerçam o seu dever com competência.
Que as boas Instituições sirvam de forma que satisfaça.
Parece que tudo isto é dispensável aos olhos de quem não vê.
A qualidade, de há uns largos tempos a esta parte, até parece que perturba.
Que ofusca.
Pelo menos aqueles que não a têm!
Há muitos que acham que, sem ela, tudo corre melhor.
Gente com valor?
Mas para quê?
Nem lhes passa pela cabeça que existe.
Não lhes faz falta.
Não é muito melhor andar cada um para seu lado, sem ninguém exigir nada a ninguém?
Cada um a tramar o outro, a fazer intriga, a impedir quem tem alguma dignidade de a exercer?
O mundo do trabalho, da família e em sociedade, é assim muito mais fácil!...
Desresponsabiliza.
Mas para quê qualidade?
A leveza de pensamento, a ausência de integridade, a intriga, o desafecto e o maldizer são muito mais atractivas…
Levezinhos!..., que bom…

Bom, mas como a ignorância é um descanso, deixemos lá caminhar os «ceguinhos».

É mais que evidente, que a qualidade é uma mais-valia muito importante.
Sem ela somos uma espécie de terráqueos acéfalos.

Um aplauso para quem a exerce.

Abraço.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Caminhadas da saúde










Gosto muito não só de caminhar, mas, como já se deve ter percebido, gosto mais ainda de observar.
Sobretudo a Natureza.
Aí, não só observo, como assimilo e saboreio.
As caminhadas são óptimas não só para me manter o físico activo e ágil: mas também o lado intelectual é beneficiado.
Estimula-me, aguça-me a imaginação e o meu lado mais sensível.
A minha imaginação e criatividade são activadas e o que sinto e penso, corre a jorros.
Parece que tudo estava congelado e, de repente, uma onda de calor derreteu o que estava
endurecido e escorre sem dificuldade.
O que me sai é sentido e baseado na verdade.
Nunca me passaria pela cabeça inventar fosse o que fosse e sobre o que quer que fosse.
Imaginação, para mim, não significa mentiras e delírios imaginários.
Gosto de falar do que vejo sem ficções.
Ficção é outra coisa e não tenho o mínimo jeito.
Hoje, depois de descer uma ravina alta com escadinhas que desaguam quase no mar, olhei e reparei que daquela ravina aparentemente árida, pendiam caramanchões de chorões que se estendiam por ela abaixo, qual véu de noiva, só que em tons de verde.
Naquelas argilas que, aparentemente, poderiam ser estéreis, existe como que um jardim escondido e envergonhado.
Gostei de ver.

No fim da descida, esperava-nos uma enorme placa que curiosamente fomos ler.

«Arriba instável, Risco de derrocada de blocos».

O entusiasmo desvaneceu-se um pouco.
Que pena, nem tudo é perfeito

Afinal a segurança é importante.

Abraço.

domingo, 4 de setembro de 2011

Que calma













É um canto de encanto.
Pequeno e acolhedor.
O dia estava morno, a maré estava cheia e tudo era paz.
Não pudemos descer à praia.
Não havia areia.
O mar tinha-a engolido.
Ficámo-nos pelas rochas.
A paisagem era deslumbrante.
Difícil de descrever.
Deitei-me nas rochas, rugosas e agressivas.
Efeitos da erosão e dos tempos milenares por que já passaram.
Senti-me acolhida e como se estivesse num colchão fofo e macio.
Fechei os olhos e deixei-me levar.
À minha volta um plof… plof…constante e permanente, que me remetia para um qualquer sítio onde uma música quase etérea teimava em me embalar.    
Era um ambiente único.
Irreal.
Depois de algum tempo de evasão, abri os olhos.
Aos meus pés estavam apenas (?) o oceano e a imponente Serra da Arrábida.
Lá em baixo mas logo ali em ameno convívio, peixes, polvos e outras espécies bamboleavam-se e também eles desfrutavam da beleza que os envolvia. 

É a Arrábida e está tudo dito.

Abraço

sábado, 3 de setembro de 2011

Será que não tem dentes?














Bom, que o tempo não está para graças –  isso todos sabemos.
Que o senhor Ministro das Finanças, de cada vez que se nos dirige, tem que manter a compostura, a autoridade de quem impõe e quer distância do povinho esbanjador, até compreendo.
O momento tem que ser levado muito a sério, ele não pode andar a mostrar os dentes. Não foi para isso que o foram buscar a Bruxelas.
Castigar é preciso, para que este povinho metido a gente rica sem ter onde cair morta, aprenda a não sair dos carris outra vez.
Que mostre aquele ar sisudo de quem não dá confiança, tudo bem.
Já bastam as horas de sono que já perdeu a dar voltas à matemática, para arranjar dinheiro para quem não o merece.
Já bastam as olheiras cada vez mais acentuadas de sua excelência!
E sabe Deus o esforço que ele faz para manter a calma!
Aquela voz monocórdica e as sílabas mais ou menos soletradas, devem dar-lhe um trabalhão a ensaiar!...
Mas, cá para mim, podia ao menos, de vez em quando, esboçar um sorrisinho, mostrar ao menos um, um dente!...
Mas também entendo que o que lhe apeteceria mesmo era mandar dois palavrões, tipo carroceiro, sem ofensa para o senhor, coitado, que parece ser uma criatura educada – provavelmente lá nas mais conceituadas faculdades nos Estados Unidos ou similares!... Muita paciência ele tem para aturar tanto troglodita esbanjador!...tadinho, nas ralações em que o meteram.
Mas não, sua excelência sacrifica-se mesmo.
Não está é para mostrar nem um dente a quem não merece, olha…
Até já pensei só cá para mim:
– Será que não os tem?
Isto às vezes há coisas!
E sorrir assim, ficava feio, um senhor da sua importância…
Mas depois também pensei:
– Não, se não, não morderia os nossos pescocinhos assim, tão perfeitinho!...

Pronto.
É deixar sua excelência concentrado.
Só quem não percebe é que não vê que ele não se poupa a esforços.
Cambada de alambazados!...

Abraço, senhor Ministro, e obrigadinha.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Fugas













As fugas podem ser de vária ordem.
Os motivos podem ser muitos.
As formas também.
Cada um inventa o que pode para se evadir.
Seja lá do que for.
Seja lá como for.
Seja lá para onde for.

Fugir à polícia.
Fugir aos impostos.
Fugir de manhã para o emprego.
Fugir nesse mesmo emprego para dar tudo e agradar ao chefe.
Fugir à tarde para outro emprego (?).
Fugir para casa.
Fazer, a fugir, as tarefas que sempre nos esperam (principalmente às mulheres).

Depois há ainda as fugas psicológicas.

Há quem não consiga parar para não se encarar.
Que só esteja bem onde não está.
Há quem não consiga enfrentar a vida.
Os problemas.
As dificuldades.
As fraquezas.
As frustrações.
As incapacidades.
A realidade, que às vezes é dura.
Enfim.
Há quem fuja de si próprio.
Há quem fuja da vida.
 
Que poderá ser uma fuga permanente.

E… sem regresso!...

Abraço.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Este verão que não o é













Já conheço a zona de Sesimbra há muitos anos.
Os verões aqui, mesmo que seja um ano de verão quente, são sempre agradáveis.
Há sempre uma brisa fresca que corre e o calor fica meio dissipado com o ar marítimo que normalmente se faz sentir.
Sabe bem voltar quando se sai para outras paragens do interior do país onde o calor sufoca.
Ao regressar, somos acolhidos com frescura e «tempero» q. b..
No que a mim diz respeito, com este verão envergonhadíssimo e cheio de altos e baixos em termos de temperatura, ainda não deixei não só de frequentar a praia, mas de fazer as minhas expedições por aí, que me dão sempre muito prazer.
É verdade que também não sou exigente com o tempo em termos meteorológicos.
Há pessoas que dependem dele para se sentirem bem.
Eu basto-me a mim e às ferramentas que tenho ao alcance.
Tenho sempre objectivos que me preenchem.
Uma das melhores manhãs de praia que já tive este ano foi uma manhã nublada, calma em que o mar não mexia, o ar estava parado, e a água estava morna e verde-esmeralda.
Neste dia, a praia estava deserta.
Pensei:
- Que pena as pessoas não virem «provar» esta delícia!...
Bom, a verdade é que o verão dos nossos encantos tem estado a tirar do sério muita gente.
Os veraneantes, ansiosos de praia depois de um ano de trabalho, vêm à procura de um a local quente, com muito sol, que lhes dê a oportunidade de descomprimir e relaxar, num mar que refresque o corpo, que escalda e amolece ao sol.
É verdade que este verão não o foi mesmo, na maior parte do tempo.
Provavelmente, as cabeças não limparam como seria desejável.
Talvez por este motivo o ano irá ser mais difícil de passar.
Já não bastam os brutais aumentos que já chegaram!...
Será que quem trabalha irá aguentar estas cargas?

Os nossos governantes e outros vão aguentar de certeza!...
Não se depararão com dificuldades económicas!...
Disso não tenhamos dúvidas!...
Que Deus os acompanhe!...
Nós, já demos demais para esse peditório!...

Abraço.