segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tradições

















Tradições são aquisições culturais.
São uma herança dos nossos pais e avós.
São vivências por vezes tão intensas, que alguns de nós ficámos presos a elas.
Presos como que por cordas invisíveis.
Cordas tão fortes, que nos mantêm quase prisioneiros (no bom sentido).
É bom ficar preso às tradições.
Sabe bem revivê-las.
É como se de uma homenagem se tratasse.
As tradições são réplicas do passado.
São a nossa História.
São elas que nos mantêm ligados ao enorme útero donde viemos.

As nossas origens são uma força.
Uma força interior boa e às vezes nostálgica.
Uma nostalgia doce que nos preenche.

As tradições são a homenagem merecida a quem já partiu.

São mais uma festa dos afectos.

Abraço.

sábado, 19 de maio de 2012

O pato solitário














                                                                                 

Lá longe onde o mar «acaba» e o céu começa, era um mundo de espuma.
Debruçado sobre as águas, mirava-se no espelho imenso.
À primeira vista eram construções abstractas.
Analisando ao pormenor, viam-se as mais diversas figuras.
Desde gigantes barbudos a figuras de mulheres e homens desnudados, rebolando e fazendo lembrar orgias.
Grutas profundas, e passeantes.
Passeantes sabe-se lá com que destino!...
As pedras em que me sentava riam com bocas grandes e desdentadas
De que se riam as pedras?
Será que também viam o cenário surreal que eu descobri?
Ou será que riam dos Homens?
Que, loucos, não reparam no presente que é a vida?

Será que era da minha imaginação meio louca?
Ou seria do pequeno pato preto?
Sim, um pato empreendedor e solitário.
Só um.
Que, em jeito de submarino, procurava feliz o sustento.

A maresia forte e o cheiro a algas inundavam os narizes e o ambiente.
Uns pingos inoportunos de chuva interromperam a minha contemplação.
O pato solitário lá ficou.
Um ponto insignificante naquele espaço imenso feito de água.

Cá fora, o Mundo continuava
Com os homens confusos e inquietos.

Abraço.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A família



















A Família é a base da sociedade.
É nela que assentam os pilares que nos sustentam.
Foi dela que recebemos a matriz.
Foi dela que recebemos os genes, a personalidade e os valores.
É nela que procuramos refúgio, protecção e amparo.
Nas horas boas para partilhar alegrias, nas menos boas para pedir apoio e mimo.

Seria bom que fosse assim.
Seria bom, digo eu, que fosse sempre assim.
Só que, infelizmente, nem sempre a Família cumpre o seu papel.
Quando a indiferença, o gelo, o egoísmo e a desconfiança tomam conta, tudo se altera.
O desamor, falta de afecto e o egoísmo, são quem comanda.

Hoje em dia, no meio desta rede, a família não é mais a mesma.

Demitiu-se.
Está em desagregação.
Perdeu o encanto.
A Família tradicional, amiga, afectuosa e generosa, ficou diluída no meio de tantos outros interesses.
Os valores deixaram de ter sentido.
Deram lugar a um círculo fechado, onde se cultivam egoísmos.
A falta de afectos é notória.

Quanto a mim, andamos a correr para o abismo.
A tentar a felicidade que cada vez está mais afastada.

A vida assim não é vida, é apenas uma utopia.

Abraço.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Preocupante















Cada vez mais tenho a certeza de que estive sempre certa quando defendi o profissionalismo e o empenho na profissão que vivi.
Quando, com entusiasmo, li, reli, e fiz a formação que me foi possível.
Procurei sempre os melhores autores da especialidade, para alargar horizontes.
E não me limitei apenas ao bê-á-bá que me era imposto.
Aprender.
Aprender sempre, para poder transmitir.
Foi este o curso que tirei.
O da vida.
No directo, com muita vontade e muito, muito afecto.
Corrigindo os erros e tentando melhorar sempre.
Hoje na televisão, tive a prova.
A prova de que sempre estive certa.

Uma frase, só uma, foi o suficiente.
Uma professora do Ensino Básico que, meio consternada, dizia:

«Hoje em dia, o professor tem que educar, não basta ensinar»…

Grande descoberta a senhora fez!...
Grande docente esta..
Esta pessoa descobriu só agora a chave do problema.
A frase foi reveladora.
Conceito de Escola, zero.
A ignorância do que é tão importante.
Ensino e Educação são e serão sempre, indissociáveis.
É preocupante mesmo.
Um professor não podia ser tão limitado.
Não podia ignorar
Ignorar o centro da questão.

Esta frase foi suicida e reveladora
Foi uma pequena amostra da incapacidade que tem reinado e ainda reina.

Seria desejável que não houvesse incompetência, fosse qual fosse a profissão.
Mas no ensino, considero eu, com maioria de razão.

Este episódio trouxe-me à memória um diálogo que, há muitos anos, ouvi exactamente a duas docentes cheias de si.
Diziam elas estar cansadas de crianças «burras».
- «Ciganos? Miúdos carenciados? Que chatice. Não há paciência»!

Não me admirei muito.
As autoras só tinham o curso acompanhado de bazófia!...
Lembro-me que, sem dar nas vistas, me afastei.
O que ouvi foi esclarecedor.
Indignei-me, sim.
Na altura, ainda pensava que o mundo era feito só de gente com valores.
Com afectos.
E com amor!
Estamos sempre a ser surpreendidos.
Ou não!...

Abraço.

Atracção fatal




  

O mar!
Grande e largo.
Beleza ao natural.

Mistério.
Às vezes, mágoas e desgostos.

Ele está lá.
Imponente e incontrolável.
É uma força que atrai.
Atrai os homens.
Que, na sua pequenez, são levados a admirar a grandiosidade.
Às vezes a enfrentá-la.

No verão, pelo fresco das suas águas.
Pela maciez das suas areias.
Pela procura da liberdade.

No Inverno, toda aquela imensidão.
A turbulência, o ribombar das ondas, todo aquele ambiente misterioso…

«Donde vem tanta água, Dulce?»

O silêncio.
A solidão.
A introspecção.

O mar!
Gigante vivo.

A atracção, quantas vezes fatal!

Abraço.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Estio


















Nesta manhã de Maio, eis que o calor se apresenta furioso.
Um calor repentino. E quase só a brisa marítima o faz disfarçar um pouco a fúria.
Não sei bem porquê, fez-me lembrar a azáfama das ceifas.
Lá longe!
No tempo e na distância.
Estava eu a começar a ser gente.

Sempre olhei com respeito aquele ritual metódico e árduo.
Havia entre as pessoas, homens e mulheres, uma organização e inter-ajuda que acontecia quase em silêncio.
Como que com respeito pela calmaria
A dureza da tarefa não permitia grandes manifestações.
Só de vez em quando como que a disfarçar a mágoa de tanto sofrer, uma voz se levantava e cantava.
Cantava alto!
Arrastando por vezes outras.
A maior parte das vezes eram cantes melancólicos e arrastados.
O corpo moído e a voz ressequida não permitiam muito mais…

Havia sempre de serviço uma pessoa que chegava àqueles lábios sequiosos um pouco de água.
Jorrava de uma cantarinha de barro.
Todos bebiam do mesmo copo.
Normalmente, uma mulher executava aquela tarefa.
Uma mulher das menos resistentes.
Que ceifa não era para qualquer um.
Para consolo do grupo, havia ao meio-dia o «jantar».
Um jantar melhorado.
Os donos da safra faziam questão.

Escolhiam a melhor sombra.
Exaustos, sentavam-se no chão à volta da toalha recheada.
Duas coisas não podiam faltar: papas de carolo de milho e o vinho refrescado.
Não havia frigoríficos, mas havia quase sempre um poço ou uma ribeira onde meter o garrafão.

Outros tempos.
Não havia regalias.
Apenas trabalho.
Trabalho honesto e com respeito.

Dia de calor.
Que me fez recuar mais uma vez, à infância dos meus encantos.

Abraço.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Faz-de-conta
















Foi o que fiz durante trinta e três anos.
As crianças que me eram confiadas assim o exigiam.
Num infantário, a par do carinho, do afecto e da relação de confiança e de amizade,
existe essa vertente.
Brincar.
A brincar ao faz-de-conta se ensina e se aprende.
Ensinam-se as regras, os valores, a viver em sociedade.
Aprendem-se as bases para a vida.
Aprende-se o caminho para o conhecimento.
Assim, a brincar.

É bonito ver o resultado conseguido.

Ao faz-de-conta.

Fazemos de conta que somos as filhas, as bebés, os médicos, a vendedora do super mercado, enfim tudo o que a imaginação der.
É uma vida exigente, mas compensadora, quando feita com amor.

Bem diferente da vida real.
Essa, sim, é um faz-de-conta permanente.
Mas um faz-de-conta mentiroso.
Hipócrita.
Cheio de despeito e invejas. 
Um faz-de-conta que só serve para satisfazer o ego.
Ego que está vazio de valores e afectos.

Faz-de-conta que somos o que não somos!...

Abraço.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vai uma «ganza», meu?


















Pode acontecer que eu esteja a ficar um pouco desactualizada, relativamente a
alguma juventude que por aí habita.
Talvez por isso, fiquei espantada com a manifestação composta quase só de jovens muito jovens, a pedir a legalização da canabis.
Francamente que me chocou.
Chocou-me que um meio de comunicação dedique tempo de antena a manifestações que podem levar ainda mais gente para o fundo do poço.
Chocou-me ainda mais a idade prematura dos manifestantes.
Jovenzinhos, alguns quase imberbes e sem a maturidade atingida.
Lá iam na onda!...

Onde andam os pais e os educadores destes jovens?
O que se faz (ou não) na Escola para esclarecer esta gente?
O que se pretende quando se dá cobertura a manifestações destas?
Será que é preciso incentivar ainda mais a moda da «ganza»?

Depois, a imagem daquele «resto» de mulher, prematuramente envelhecida?
É atractivo caminhar para ali!...
Vá, jovens, esforcem-se!
Aquilo é apelativo!
«Olha» o que vos espera…

Quanto a mim, ainda que a vida não esteja fácil, não é assim que se resolvem problemas.

Foi chocante olhar.

Ainda por cima com aquela visibilidade

Abraço.

sábado, 5 de maio de 2012

Mãe há só uma
















Cá estamos nós em mais um dia de…

Desta vez é dia da Mãe.
Infelizmente, já não tenho a minha comigo em termos materiais.
Tenho-a, sim, e sempre, no meu coração.
E muitas vezes, muitas, no meu pensamento.
Apesar do tempo que já passou, ela ainda hoje me acompanha nos momentos bons e menos bons.
E será assim até ao fim dos meus dias.
Guardo comigo a recordação de uma mãe boa, generosa, e amiga sem condições.
Nunca precisei de um dia especial, para ter com a minha mãe atitudes de ternura e gestos de carinho.
Entre nós, eram atitudes normais no dia-a-dia.
Dia da Mãe era todos os dias, de todos os anos.
Tivemos sempre uma relação forte.
Afecto era um sentimento sempre presente.
Tenho a certeza que, por esse motivo, sempre me senti privilegiada.
Sempre me deu muito prazer ser afectuosa com os outros.
Foi dela que também copiei os valores que ainda hoje me acompanham.
.
Não tenho a menor dúvida de que os seus exemplos serviram de matriz para o meu futuro.

Obrigada à minha mãe, onde quer que ela esteja.
Pelos ensinamentos, pelos valores e pela educação.
E claro, pela ternura que sempre teve no olhar.
Triste pelas partidas que a vida lhe pregou ainda muito jovem, mas meigo e carregado de amor.

Os momentos difíceis que passámos juntas, foram uma força que nos uniu.

Até sempre, minha mãe!

Abraço.   

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Marcas que ficam















Desde que nascemos até que morremos, somos marcados por acontecimentos.
A variedade é muita.
Algumas marcas chegam mesmo a deixar cicatrizes.
Cicatrizes de uma certa profundidade.

Vi há dias no programa Alta Definição da SIC, a entrevista que Carlos Daniel fez ao actor Vítor Norte.
Um grande actor.
Contudo, impressionaram-me as marcas.
Algumas delas muito profundas.
No rosto e mais ainda na alma.
Lembrei-me também do que há tempos correu numa certa imprensa.
Principalmente a cor-de-rosa.
A propósito de um problema familiar de certa profundidade, tentaram denegrir-lhe a imagem.

Pobres diabos ignorantes e maus.
Sabem lá eles o que se passa atrás das vidas de cada um?
Claro que não sabem.
Nem lhes interessa saber.
É preciso é vender muito lixo.
Muito, muito, quanto mais melhor.

Não entendem, nem imaginam, o que quer dizer ter estado numa guerra colonial.
Forçado, ainda por cima.
A defender-se para não morrer.
Nem sonham as marcas que ficam.
E que, porque não são compreendidas, têm que se disfarçar.
E magoam, magoam por dentro.
Ainda que não se queira.

Não há forma de sentir.
Mas talvez tentar perceber.
Quem sabe, tentarem pôr-se no lugar de quem por lá passou!...

É o mínimo que se exige.
Como eu compreendo o Vítor Norte!
Por detrás daquela couraça, há um homem com muitas marcas internas.
Sensível e a tentar fazer de conta que não as tem.

Abraço.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Fora de tempo














Os campos vestem-se de grinaldas de rosas de todas as cores.
À vista, temos a Primavera.
Só à vista, porque não se sente na pele.
O sol anda envergonhado, o vento assobia com vontade de ser ouvido.
A vontade de sair e usufruir da paisagem é menor do que a necessidade de ficar enrolada num sítio acolhedor e calmo.
O espaço exterior sente a falta.
As ervas ficam mais à vontade para crescer.
As folhas parecem pássaros a voar sem destino e sem rumo.
As flores parece que sentem a falta da presença humana.
Gostam de ser acarinhadas as flores.
Ficam com um aspecto mais fresco, mais forte.
Sentem-se protegidas.
Transbordam de vida.
Até a natureza precisa de ser mimada.

E hoje é Maio.
É o início do caminho para o calor.
Mas… como tudo mudou!
Hoje, e apesar disso, a lareira ainda faz falta.
Lá fora, o ambiente mais parece de Outono.

Aguardemos o sol que dá energia.
Que aconchega a terra que dá as flores.

Talvez este frio fora de tempo vá embora e nos deixe livres para apoiar as flores e as plantas.
E abraçar sol.

Abraço.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sorriso
















Ontem foi o dia Mundial do sorriso.
Às vezes dou comigo a pensar porque é que existem dias Mundiais disto e daquilo.
Este que passou ontem por exemplo.
Apareceu de onde e a propósito de quê?
Devem achar que as caras que se mostram nas ruas, andam demasiado sérias!
Também, pensando bem, que motivos têm para sorrir?
Só se for um sorriso forçado, aquele que é conhecido por sorriso amarelo
Só que com esse, seria pior a emenda que o soneto!
É claro que deveria ser normal um sorriso amigo no rosto de todos.
Seria bonito, simpático e bom de ver.
Uma cara com um sorriso verdadeiro, não há dúvida que faz a diferença.
O problema é que nem sempre a vida está para sorrisos.
E convenhamos que o sorriso só para fazer jeito não é nada agradável.
Não é verdadeiro, não tem sentimento.
Não é genuíno, pronto.
Pessoalmente, adoro uma boa gargalhada.
Sempre que o ambiente se proporciona.
Considero-a uma força para continuar.
Dá para esquecer os momentos menos bons que a vida nos oferece.
Sorrir, sorrir sempre, seria o ideal.
Sorrir com o que nos dá prazer e também sorrir…sorrir muito, dos boçais.
Dos imbecis, que tentam atormentar-nos e tirar-nos a paz
Com um sorriso nos lábios, seríamos verdadeiros guerreiros a enfrentar as feras.

Sorrir sempre?
Mas…não seria uma farsa?

Se calhar era só mais uma!...

Abraço.

domingo, 29 de abril de 2012

Tortura em câmara lenta













Orgia
romana






Tortura.

Quanto a mim, é o que o nosso governo está a fazer à grande maioria de nós.
Como dizia alguém um dia destes na televisão, não só não consegue explicar os sacrifícios que exige só a alguns, como os vai servindo lentamente e sem dó.
Até parece, digo eu, que com o prazer dos sádicos.
Castiga devagarinho, espreme até à última gota.
Vai avançando, como se não se desse conta que o desemprego, os míseros ordenados, as reformas vergonhosas, a carestia dos bens essenciais, os impostos e tudo aquilo que é necessário para se viver com dignidade, estão a acabar com o pouco que resta.

Enquanto isso, presenteia com ordenados chorudos e reformas vergonhosamente escandalosas, os seus companheiros de «route».
Enquanto nós, aqueles a quem exigem todos os sacrifícios, os vemos banqueteando-se lambuzados, de tão grandes excessos.
E quem é que paga para isso?

Quando se tem conhecimento de notícias destas, é inevitável a revolta.
É inevitável sentir náuseas de uns e de outros.
Como é possível tamanha falta de vergonha?
Onde está o critério e a sensibilidade desta gentalha?
Como é que ainda têm coragem de sair à rua e olhar nos olhos, o Povo que lhes paga?

Este país não merecia isto!...

Abraço.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Celebrar a vida






Graças à vida.
Que me pôs no mundo.
Que me presenteou com tudo o que preciso para estar bem.
Que me deu o cérebro.
Que me guia por caminhos direitos e limpos. 
Que me ajuda a distinguir o bem do mal.
Os olhos.
Que vêm o sol que aquece e protege.
As aves.
Que, suspensas, executam bailados no céu azul e inatingível.
Os ouvidos.
Que ouvem os sons da natureza.
Do mar que ruge ou embala.
Da chuva que escorre e faz os rios e oceanos.
As mãos que tocam e acarinham.
Os braços que abraçam e aconchegam.
As pernas e os pés que caminham e me levam ao encontro do que e de quem gosto.
Graças à vida.
Que me deu saúde para, assim, gozar feliz, os momentos que vão passando.
Graças à vida por ter posto no meu caminho quem me ampara e me ama com as minhas qualidades e defeitos

Graças a tudo o que me foi concedido.

Abraço.

(Clique sobre a imagem acima e oiça...uma surpresa agradável) 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Suas excelências













Assembleia da República, vinte e cinco de Abril.

Aquela canção de Abril cantada à capela por Paulo de Carvalho, foi a senha para a revolução que arrancava,
É claro que encantou.
Certamente marejou de lágrimas alguns olhos e tornou mais pequeninos, alguns corações.
Contudo, quanto a mim, estava fora do verdadeiro ambiente.
Por muito bem cantada, não tinha verdade, não tinha alma.
Foi apenas uma encenação.
Pelo menos foi o que senti.
Aquelas presenças hirtas, bem comportadas e sisudas, transmitiam ausência de emoções.
Tudo postiço e sem coração.
Não tive paciência para ver o resto.
Tanta excelência enjoa-me.
Aquilo não é o vinte e cinco de Abril que me emocionou.
É apenas uma dramatização.

Fui arejar.
Refrescar o cérebro com um pouco de iodo.
O ar fresco, a maresia e o ram-ram das ondas, não têm nada a ver com aquele mundo encenado.
E o riacho? O riacho que desce em direcção ao mar, cantarolando?
É recebido pelas areias sedentas, que levam as suas águas até às profundezas da Terra.
E se juntarem a outras e a outras e mais a outras, que mais tarde regressarão ao mar…

Não é nada.
Apenas mundos diferentes.

Abraço.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Uma criança triste

















Primeiro dia de infantário após as férias de verão.

Tinha uns olhos grandes.
Castanhos, amendoados e tristes.
Semblante de menino assustado e inseguro.
Nada lhe era familiar.
E ele sabia que aquela seria a «sua nova casa».
Aqueles seriam a «sua nova família».
Foi difícil a despedida dos pais.
Foi difícil a integração.
Não aceitou facilmente as propostas.
Preferiu sentar-se encolhidinho numa pequena cadeira.
De braços cruzados e meio dobrado sobre si, com se fosse um adulto velho.
Olhava sem interesse os colegas que tentavam contacto.

Uma coisa era certa.
Aquilo não era normal.

«Mãe, porquê esta atitude»?
«Já lhe devia ter dito, Dulce. O meu filho esteve um ano com uma ama idosa. A senhora, para o proteger, sentava-o num banco e embrulhava-o num xaile, que atava atrás das costas. Daí aquela atitude».

Meu Deus, há um trabalho urgente e individual para fazer!
Sistematicamente, sem falhar.

Foi difícil.
Mas compensador.
No fim de três anos, tínhamos uma nova criança.
Interactiva, mas ainda e sempre (?) com uma marca no olhar

O que se pode fazer de uma criança!...

Abraço.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um cheirinho a cravo



















Estação de televisão SIC.

Cheira-me a cravos!...
Ah! Vinte e cinco de Abril..
Trinta e oito anos!

Alegria, união, sintonia, Liberdade!...

Bebi aquelas imagens.
Distantes, mas presentes no meu coração.
Um pouco de nostalgia, apenas e sempre...
Alguma frustração.
Não assisti àquele momento histórico.
Estava com o meu marido que andava de arma na mão em Cabinda.

Nós dois!

Quase crianças, no início das nossas vidas, a combater «os turras»!
Meu Deus que heresia!...
E o futuro a fugir...
E o vinte e cinco de Abril a acontecer.

E nós na ignorância.
Na expectativa...
Chegaram rumores.
O que será?
E os corações, … pum, pum.
Foi verdade.
O país que deixámos amordaçado e silenciado estava a mexer e falava, falava, gritava de alegria.
E nós não vimos, não fomos presenteados.
Tivemos que concretizar a tarefa.
A tarefa que nos impuseram os que se serviam dela para viver.
Lá estávamos nós, distantes, com saudades e ansiosos.
As imagens que a SIC passou prenderam-me.
Acontece-me sempre.
Coração apertado e…nostálgica!
Tanta pena!

Agora, o cravo está murcho.
Mas ainda cheira.
Já distante e… tão presente!
Vinte e cinco de Abril.
Ingénuo, idealista, mas com a coragem dos bravos.
Que, em paz nos trouxeram a liberdade.

É claro que valeu a pena.

Abraço.

domingo, 22 de abril de 2012

Carimbos






















São-me familiares.
Durante quatro anos, passaram-me pelas mão centenas se não milhares deles.
Pum!...Pum…Pum…

Eram as cartas as encomendas os postais, etc… que saíam todos os dias do posto de correio de que eu, com dezassete anos, era responsável.
Menor.
Menor mas responsável.
Era dali que vinha o sustento para eu e a minha mãe nos aguentarmos sem mexer na pequena maquia que meu pai deixou ao morrer.
Como se tivesse premeditado o que aconteceu inesperadamente.

Carimbos.
Pum…pum…pum…
Também na minha cabecinha de adolescente ainda a acabar de crescer.
Pum…pum…pum…
Meio atordoada.
Meio sem saber como seria amanhã.

Carimbos.

As notícias seguiam alegres ou tristes para os que estavam longe.
Em França, na Alemanha, em Lisboa…
Os que ficavam esperavam resposta.
«Não tenho carta hoje?...»
«Ó que bom, já chegou carta!»

Carimbos.
Todos os dias.
Pum…pum…pum…

Na minha cabecinha de jovenzinha havia insegurança.
Medo de falhar aquela responsabilidade pequenina, mas para mim tão grande!

Pumm…pum…pum…

Carimbos que vão, carimbos que vão ficando!...

E a aprendizagem para mulher.

Carimbos.

Abraço.

sábado, 21 de abril de 2012

Gosto disto


















Estive aí uns dias desmotivada deste meu espaço.
Tive, inclusive, vontade de desistir.
Só o diálogo à volta do tema me fez mudar de ideias.
Sempre há quem ache que escrever me é útil.
Eu também sei que é.
Só que, às vezes, entra-se num certo desencanto...
Contudo, tenho que reconhecer que, apesar de ser apenas um «hobby», é uma forma saudável de libertação e de ginasticar o cérebro.

Vou continuar, ainda que com menos regularidade.
Isto, digo eu hoje.
Talvez amanhã sinta de outra forma.
Talvez me façam falta estes momentos de silêncio, isolamento e introspecção de que tanto gosto.
Se bem que a Primavera está aí.
E com ela o tempo agradável.
O sol que ri, o ar morno que aconchega.
As flores que despontam e pedem ajuda para crescer.
Gosto de andar lá fora a cuidar do meu espaço.
A mexericar.
Retirar as ervas daninhas, compor os canteiros, dar de beber às plantas quando precisam.
Plantar, transplantar, alindar os muros com a minha «arte» simplória e ingénua mas com alma.

O que para muita gente pode parecer demasiado ingénuo e de somenos importância, para mim é o sentir a vida e a natureza.

Abraço.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Tem sido muito bom



Rota da Memória


Tudo tem um princípio e um meio.
Mais tarde, até pode ter um fim.
Hoje, é o fim da primeira parte do meu blogue.

Tem sido um espaço que me fez muito feliz.
Ajudou-me muitas vezes a parar para pensar.
Ajudou-me a sair da minha concha.
Ajudou-me a partilhar factos e sentimentos.
Obrigou-me às vezes, a virar-me do avesso e mostrar o meu lado mais íntimo.
Ajudou-me a conhecer-me melhor e em certas situações, a conhecer melhor o mundo.
Surpreendeu-me.
E ensinou-me também muito.
Com ele, desenvolvi faculdades que pensava não ter.
Posso garantir que foi mais uma aprendizagem de vida.
Tirei lições que me ficarão para o futuro.

Tem sido bom, mesmo.

Mas agora, e digo-o com uma certa nostalgia, esta primeira parte acabou.
Continuarei a escrever.
Mas já com menos memórias e com mais temas actuais.
O dia-a-dia, apenas para meu prazer.
O cérebro não pode definhar.
Escrever é um grande treino.

Obrigada a quem tem gostado de mim.

Esta parte da Rota da Memória ficará eternamente comigo pelo que tem significado.

Vou embarcar noutra rota qualquer que me dê prazer.

Até já.

Abraço.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Medos




















Só quando muito criança, experimentei os medos normais das crianças.

Tinha medo que acabasse o Mundo.
Rezava para que isso não acontecesse.
Tinha medo que à noite, na parede do meu quarto, aparecessem monstros.
Logo que me apagavam a luz, era um pavor.
Tiveram comigo alguns problemas por causa disso.
Tinha medo que os meus pais morressem.
Eu própria, tinha medo de morrer.

Rezava, rezava, para que isso não acontecesse.

Hoje, à distância, muitas vezes já me diverti com estas lembranças.
Não aconteceu nada de anormal comigo, todas as crianças têm os seus medos.

Com o crescimento e com o que o que fui vivendo e aprendendo, todos os medos foram racionalizados e se esfumaram no tempo.
Se alguma dúvida me restasse, os vários episódios com que a vida me tem presenteado são esclarecedores.

Às vezes é preciso sermos postos à prova para que aprendamos a crescer.

Fiz o meu tirocínio em Buco-Zau, Cabinda, quando estive com o meu marido na guerra.
Aí, valeu tudo.
Vim de lá mais adulta e artilhada para a vida.

Não me assusto com qualquer coisa.

Só com a falta de valores.

Abraço.

domingo, 15 de abril de 2012

Prazeres














Prazer o que será?
Penso que dependerá da pessoa que somos.
Mais ou menos exigentes, mais ou menos ambiciosos, mais ou menos sensíveis.
Mais ou menos…
Para mim, o maior prazer é viver.
Viver com a consciência tranquila.
Fazer o que gosto.
Viver onde gosto, com quem gosto e rodeada de e do que gosto.

Prazer para mim é…
Viver no campo.
Com os meus gatos a trepar às árvores.
Na minha casa rasteira, com plantas logo ali.
Ouvir o marulhar do mar em dias de bulício.
É ficar no meu canto a escrever ou a ler.
É ir ao ginásio buscar saúde física e mental.
É sentir-me respeitada.
E amada.
É a minha privacidade.
É receber em casa os amigos.
É correr para eles quando me chamam.
É fazer o melhor que sei para lhes oferecer.

Prazer para mim é ouvir o silêncio.
Prazer é aprender sempre, cada vez mais.

É um banho em casa ou no mar.
Num mar que me desafie mas…não demasiado.

Prazer, é ter à minha volta quem me compreenda e dialogue comigo de uma forma construtiva e calma.

Prazer para mim, é simplesmente isto.
Será que é querer de mais?

Abraço.

sábado, 14 de abril de 2012

Momentos que ficam. Momentos que vão













  

A vida é feita de momentos.
Momentos…
… de felicidade, de satisfação pessoal, de alegria, de prazer.
Esses, são os momentos bonitos e gratificantes.

Mas há outros.
Outros menos bonitos e menos apetecíveis.
Aqueles que nos deixam cicatrizes, que doem pela vida fora.
Que nos deixam sensíveis e fragilizados
Sentindo, por vezes, o Mundo desmoronar-se à nossa volta.

Quer queiramos quer não,
Uns ficam mais presentes que outros.
Todos eles fazem de nós as pessoas que somos.
Todos interferem no nosso bem, ou no nosso mal-estar.
Ou batem na nossa indiferença

Todos, em conjunto, constroem o «puzzle» que é a nossa vida.

Os momentos são como ponteiros que lentamente vão caindo.
Plamp…Plamp…
Ora nos proporcionam viagens por caminhos ínvios e escuros…
Ora por auto-estradas ladeadas de árvores floridas e cheirosas.
Também nos podem levar por veredas tortuosas e sem saída.
Aí, poderemos encontrar silvados com picos afiados, que nos picam no corpo e quantas vezes na alma.
Veredas íngremes de difícil acesso, que nos deixam exaustos e quantas vezes desiludidos.

Há momentos que vêm e momentos que vão.

Há a vida que vai caminhando, sem contemplações.
Sempre à espera do próximo momento.

O próximo será florido?
Ou escuro que nem breu?

Abraço.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

E a educação que falta
















Parte-se do princípio que quem lê está interessado em se informar, em tomar conhecimento.
E que percebe também que quem escreve, o faz porque gosta.
Percebe que quem escreve, é porque precisa de exteriorizar.
Exteriorizar o que o preocupa, o que o indigna, o que lhe agrada e o que o faz pensar.
Muitas vezes é uma forma de limpar a alma.
Limpá-la das desilusões, das preocupações, das mágoas e do espanto.
Também acontece que, às vezes, apetece partilhar os bons momentos.
Os momentos que nos dão força, que nos fazem sentir que o Mundo não é só desamor e tropelias baratas.
Todos os dias assistimos a situações que nos deixam de olhos arregalados e com a indignação estampada no rosto.
Acontece de tudo.

Hoje vou falar das faltas de educação que são uma constante.
Essas, sim, é preciso denunciar e indignarmo-nos com elas.
Essas sim, chocam os que foram educados na base do respeito pelos bons princípios. 
O mais grave, é que passam impunes.
O que fazer então?
O cidadão comum pouco ou quase nada pode fazer.
Resta-lhe indignar-se.
Indignar-se e, sempre que puder, denunciar.
Escrever é uma das formas de o fazer.

Continuo a achar que é preciso que quem de direito passe a preocupar-se mais com a falta de valores e dar mais atenção à formação e à educação que não há.
É preciso formar a sociedade futura.
Já que a que existe não tem remédio possível.

Se for uma questão estrutural, olha!
Temos pena.

Abraço.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Qualidade ou a falta dela














Qualidade.
Característica pouco apreciada no momento que corre.

Qualidade.
Deveria ser, não só exigida, como também apreciada, premiada até.

Produtos de qualidade.
Profissionais de qualidade.
Serviços de qualidade.
Pessoas de qualidade.

A meu ver, e sei que não estou sozinha, o país tornou-se um país de pechisbeque, um país de plástico.
Os responsáveis não investem na cultura, nos valores e na qualidade.
Contentam-se com as aparências, com o vazio e com o artificial.
Até sabemos que, muitas vezes, os que se empenham, os que têm brio e os que não bajulam, são os menos apreciados.

Vivemos numa sociedade de faz-de-conta.
Uma sociedade de artifícios.
Estamos numa crise não só económica, mas de extrema falta de qualidade.
Parece que a qualidade nem sequer faz falta.
É preocupante, porque esta crise tende a crescer cada vez mais.

Ao falar de plástico, lembrei-me do momento exacto, em que tive o primeiro contacto com esse material.
Chamavam-lhe casquinha.
Tinha os meus quatro, cinco anos.
Foi uma oferta de natal.
Um minúsculo serviço de chá completo e minuciosamente desenhado, sem faltar qualquer pormenor.
Vinha num invólucro de papel celofane e deixou-me louca.
Era cor-de-rosa.
Mal sabia eu o que aquele material vistoso e atractivo iria significar no futuro!
Tudo se rendeu a esta invenção.
Até a sociedade!... 

Abraço.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Crítica











Hoje lembrei-me de um Homem que, quanto a mim e a muita gente, era um gigante da escrita.
Chamava-se Manuel Nunes da Fonseca, mais conhecido por Mário Castrim.
Imediatamente a seguir ao vinte e cinco de Abril e durante largos anos, fez crítica de televisão.

Passava horas e horas em frente do pequeno ecrã, a ver, ouvir e observar, tudo o que nele se passava.
O resultado era uma crónica diária em que ele dava «pancada» brava em tudo o que quanto a ele, não tinha qualidade.
Também aconselhava quando achava que se justificava.
Ficou conhecido pelo seu valor.
Era um crítico invulgar.
Exigente, sarcástico e com um espírito de humor invejável.
As suas crónicas eram esperadas com entusiasmo e, sôfrega e obrigatoriamente lidas.
Eram crónicas muito fortes, muito completas e que davam vida ou poderiam matar qualquer programa de televisão.
Era um crítico muito respeitado e temido.
O seu rigor metia respeito.
Ensinou muito aos jovens daquele tempo (eu incluída), que estivessem interessados em aprender.
A crítica era sempre didáctica embora dura.
Era irónico e mordaz.
Tinha um espírito de humor que nos deixava, muitas vezes, a rir a bandeiras despregadas.
A palavra dele era lei.
Foi uma grande figura que deixou saudades.

Tenho a certeza que se viesse ao mundo e visse e ouvisse o que se passa hoje, a sua ira seria tão grande, que teria uma apoplexia, que o levaria de volta.
Amava o bom português e a competência de quem se servia dos meios de comunicação.
As conversas em casa dele eram aulas.  

Grande Mário Castrim, como sentimos a tua falta.

Abraço

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Festa de Flores














Na minha meninice e juventude, sempre ouvi a minha mãe referir-se à Páscoa como a Festa de Flores.

Não sei se esta expressão é conhecida por quem me lê.
Eu sempre a achei bonita e cheia de frescura.
Penso que seria chamada assim porque a Páscoa acontece na Primavera, quando as flores já despontam e os campos se mostram com a alegria da cor e do sol.
A festa de flores era recebida com brio.
Depois das casas bem limpas e arejadas, eram alindadas.
Recorria-se a tudo o que de mais bonito e de estimação havia em casa para a decorar.

Na segunda-feira seguinte, recebia-se o pároco que ia dar as boas-festas e benzer as casa com aspersões de água benta.
Era recebido na melhor sala da casa, que cheirava a limpo.

Ainda hoje guardo com muito carinho a toalha que a minha mãe usava nesse dia.
As flores não faltavam, mas as rainhas da mesa eram as camélias.
Num pratinho cheio de pétalas de silva fina, uma flor branca muito delicada, eram depositadas as moedas disfarçadas.
Um pequeno contributo para o pároco.
O sacristão levava com ele um saco onde à saída as depositava.
A casa era o orgulho de quem a preparava.
Só depois de alguns dias se retiravam os objectos de maior estimação.
Voltavam às arcas e às gavetas, para no próximo ano voltarem a brilhar.

Para lá das cerimónias religiosas, havia a festa da família que se deslocava para comemorar o dia festivo.

Nunca mais ouvi a expressão festa de flores.

Penso que era uma expressão doce, que não tem nada a ver com o tempo que se vive hoje.

Boas Festas.

Abraço.

domingo, 1 de abril de 2012

«Gente como você»











Pessoas amigas contam histórias.
Parecem a vida real.

Quando se chega ao ponto do desrespeito e da traição pelas costas, algo se passa no
pouco que ainda restará (?) do cérebro.

As palavras chegam.

Com o cunho da raiva.
Raiva acumulada e contida durante anos.
Raiva disfarçada e envergonhada, sem motivos.
Raiva pelas frustrações vividas e contidas.
Raiva por cobardias disfarçadas.

Palavras com uma missão:

Ferir.

Não só aqueles a quem se dirigem, mas muito mais quem os rodeia.
Por razões óbvias.

Pelo que significam.
E pelo que revelam.

Vergonhosamente ameaçadoras.

Apenas por não se saber ler.
Não saber interpretar.
Não ter a frontalidade de se informar junto da fonte.
O tema é actual.
A interpretação foi de ignorância e de desrespeito.

As máscaras também caem.
Ainda bem.
Assim, sabemos o terreno que pisamos.

Pelos vistos, a memória é muito curta.

Dialogar é bonito.
O diálogo vale mil erros.
Diz-se nestes casos e com razão que o passado, e que passado, já foi esquecido!
Há gente surpreendente e sem critério!...